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Brasília é umas das cidades mais fotogênicas que existem, não por suas belezas naturais, pois não as tem.
É por ser uma imensa obra de arte espalhada pelo nosso planalto central, tanto pelo urbanismo de Lúcio Costa, pelos palácios e prédios de Oscar Niemeyer e o paisagismo de Roberto Burle Marx.
São detalhadas também as várias intervenções de artistas como, Athos Bulcão, Frans Weissmann, Maria Martins, Pedro Corrêa de Araújo e André Bloc entre outros, que completam a decoração destas maravilhas.
Esta exposição no centro cultural Ruth Cardoso, da FIESP, nos mostra os vários aspectos de sua construção, desde a terraplenagem até a consolidação da democracia, com imagens da posse de Lula em 2002.
É muito interessante ver a complexidade usada na execução das obras, como a amarração das ferragens das cúpulas do congresso antes de sua concretagem, da montagens das colunas da catedral, entre outras.
Há também os registros de como viviam os candangos, tanto na Sacolândia, favela cujas casas foram feitas com os sacos de cimento usados nas obras, como no núcleo Bandeirante, vilarejo criado para ser primeiro pólo de ocupação dos trabalhadores da nova capital.
A música Faroeste Caboclo, da Legião Urbana, conjunto formado em Brasília, traz várias referências a situações que poderiam acontecer nestes rincões pioneiros.
Faroeste Caboclo - Legião Urbana
Abaixo da imagens, fornecidas pela assessoria de imprensa do SESI/SENAI, o "press-release" dos curadores.
SESI-SP E INSTITUTO MOREIRA SALLES ABREM A EXPOSIÇÃO AS CONSTRUÇÕES DE BRASÍLIA
A mostra, que reúne cerca de 200 fotografias e obras de artes visuais sobre a capital federal, será aberta à visitação pública gratuita a partir de 28 de setembro.
São Paulo, 17/09/2010 - Entre 28 de setembro deste ano e 16 de janeiro de 2011, a Galeria de Arte do SESI-SP, apresentará a exposição As construções de Brasília. A mostra conta com 140 fotografias do acervo do Instituto Moreira Salles, além de uma seleção de cerca de 60 obras de linguagens variadas, de artistas modernos e contemporâneos, que abordam a imagem da capital federal. A exposição, que tem entrada franca, é uma realização do Instituto Moreira Salles em parceria com o SESI-SP, e tem curadoria de Heloisa Espada, do IMS.
A coleção conjuga conteúdos de interesse histórico, estético e crítico. Organizada em dois núcleos, apresenta algumas das mais importantes fotografias sobre a construção e os primeiros anos da capital e, também, obras recentes que discutem os simbolismos de Brasília e a condição atual da arquitetura e do urbanismo contemporâneos.
O primeiro núcleo apresenta parte da valiosa coleção de fotografias de Marcel Gautherot, Peter Scheier e Thomaz Farkas, que hoje integram a coleção IMS, realizadas em Brasília, sobretudo entre o final dos anos 1950 e o início da década seguinte. Essa parte da mostra traz também obras gráficas e audiovisuais de Mary Vieira, Aloísio Magalhães e Eugene Feldman sobre a edificação e os primeiros anos da capital.
No segundo núcleo da exposição, a imagem da capital aparece em trabalhos de linguagens variadas por meio de mapas, cédulas de dinheiro, recortes de jornal, cartazes, cartões-postais, vídeos e fotografias. São obras realizadas por artistas de diferentes gerações como Waldemar Cordeiro, Cildo Meireles, Almir Mavignier, Regina Silveira, Orlando Brito, Emmanuel Nassar, Robert Polidori, Jac Leirner, Rubens Mano, Mauro Restiffe e Caio Reisewitz.
Saiba mais sobre os fotógrafos e destaques da mostra
A obra dos fotógrafos do acervo IMS é apresentada sob uma perspectiva histórica, com informações sobre as circunstâncias em que as imagens foram realizadas e sobre os veículos de comunicação em que foram divulgadas. Um dos destaques desse núcleo são as fotos do francês Marcel Gautherot sobre a construção da capital, bem como imagens das principais obras arquitetônicas de Oscar Niemeyer registradas no início dos anos 1960. Boa parte das obras de Gautherot vai além do registro técnico, mostrando um mundo novo, arejado e espaçoso, onde predomina a amplidão e o vazio. Da produção do alemão Peter Scheier, que esteve na cidade em 1958 e 1960, a exposição privilegia imagens do dia a dia dos primeiros habitantes de Brasília: cenas do Núcleo Bandeirante, de pedestres nas áreas comerciais das superquadras e de crianças indo à escola. Mostra também fotografias de arquitetura de sua autoria que, diferente das de Gautherot, registram paisagens urbanas recortadas por vidraças e venezianas, conferindo uma aparência multifacetada para a capital. Thomaz Farkas fotografou também o Núcleo Bandeirante e as primeiras favelas em torno do Plano Piloto. Fez ainda um retrato épico do dia da inauguração, mostrando o presidente Juscelino Kubitschek sendo aclamado pela população.
Os trabalhos de Mary Vieira, Eugene Feldman e Aloísio Magalhães reunidos nessa primeira parte da mostra revelam a construção simbólica da imagem de Brasília como ícone nacional. De Mary Vieira, é mostrado o cartaz e o livro de artista brasilien baut brasilia, realizados em 1957 e 1959, respectivamente, que se referem à participação do Brasil na exposição Interbau, em Berlim, em 1957. A exposição preparada por Mary Vieira apresentou pela primeira vez os projetos da nova capital do Brasil a um público europeu. De Aloísio Magalhães e Eugene Feldman, é mostrado o álbum Doorway to Brasília (1959), uma obra gráfica experimental na qual os monumentos de Brasília ganham uma feição pop. Também são apresentadas nesse núcleo cenas em 16 mm do canteiro de obras feitas pelo artista gráfico norte-americano Eugene Feldman, em 1959. As imagens coloridas, que enfocam, sobretudo, a figura do candango, estabelecem um interessante contraponto às fotografias de Gautherot, nas quais o destaque são as formas arquitetônicas.
Os trabalhos reunidos no segundo núcleo da exposição As construções de Brasília,por um lado, discutem o status da cidade como emblema da nação e, por outro, provocam uma reflexão sobre a condição atual da arquitetura e do urbanismo modernos. De representação do país do futuro, a capital passa a ser vista como palco de crises econômicas e políticas. Sob certos ângulos, ela perde sua dimensão monumental, chegando a se confundir com outras cidades do país.
Waldemar Cordeiro, por exemplo, participa com a obra Liberdade (1964), uma espécie de maquete com formas fragmentadas que lembram os monumentos da praça dos Três Poderes. O trabalho composto pela colagem de objetos, imagens de jornal e textos retalhados enunciam a desarticulação da proposta desenvolvimentista da era JK. Regina Silveira participa com a série de cadernos de cartões-postais intitulada Brazil Today (1977), obra que comenta o uso político, durante o período militar, de imagens idealizadas de ícones nacionais, tais como a paisagem do Rio de Janeiro, a rodovia Transamazônica e os monumentos de Brasília. De Jac Leirner, são mostradas obras da série Fase Azul realizadas nos anos 1990, cuja matéria-prima são notas de 100 cruzeiros e cruzados que circularam a partir de 1985, ilustradas com o rosto de Juscelino Kubistchek de um lado e um conjunto de monumentos da capital de outro.
Os fotógrafos deste núcleo mostram Brasília sob um ponto de vista muito diferente daqueles registrados nos anos de sua construção. Aqui, a aliança entre arte e poder perde sua dimensão utópica; a capital é vista como um cenário político disperso e carente de ideologias agregadoras. Ela é mostrada, sobretudo, como um organismo vivo, em constante transformação, muito além dos limites do Plano Piloto, repleta de ambiguidades e contradições.
Caio Reisewitz enfoca a relação entre estética e poder por meio de fotografias do palácio do Itamaraty. Mauro Restiffe mostra a série Empossamento, com fotos realizadas durante a festa de posse do presidente Lula, em 2003, nas quais não há políticos em cena. O que se vê é um ponto de vista distanciado de quem presencia a festa sem participar dela.
A videoinstalação futuro do pretérito (2010), de Rubens Mano, é formada por dois painéis, que mostram concomitantemente cenas do dia a dia no Plano Piloto e das cidades satélites de Brasília. Na obra, concepções de futuro e passado, preservação e abandono, planejamento e improviso, natureza e modernidade se confundem e se sobrepõem, fazendo com que, sob diversos ângulos, a capital federal se pareça com outras cidades do país.
Catálogo: As construções de Brasília
Além de reunir as obras expostas na mostra, a publicação tem textos de Heloisa Espada, do crítico de arte Lorenzo Mammì, do coordenador de fotografia do Instituto Moreira Salles, Sergio Burgi e da historiadora Anat Falbel.
As construções de Brasília
240 pp
ISBN: 978-85-86707-52-0
23 x 30 cm
R$ 90,00
SERVIÇO:
Exposição As construções de Brasília
Local: Galeria de Arte do SESI-SP – Av. Paulista, 1313 – metrô Trianon-Masp
Vernissage: dia 27/09/2010 (segunda-feira), às 19h30 – apenas para convidados
Datas e horários: de 28 de setembro de 2010 a 16 de janeiro de 2011 – às segundas-feiras, das 11h às 20h; de terça-feira a sábado, das 10h às 20h; e aos domingos, das 10h às 19h.
Esta cena é uma das coincidências da minha vida, numa viagem, em uma pequena papelaria, daquelas em que as mulheres se perdem, observando algumas gravuras vi uma foto de um bailarino flutuando em uma pose quase impossível, que me trazia uma gostosa lembrança.
Chegando, mandei enquadrar o retrato, e percebi os créditos, que informavam o fotógrafo e dono da imagem mostrada.
Pois é, a tenho pendurada há quase vinte anos, e só agora consegui rever esta maravilhosa coreografia de Roland Petit, da abertura deste filme, que tem somente quatro grandes momentos, um dos quais com Helen Mirren, que numa grande atuação, observando uma dança, chora copiosamente.
Engraçado, nunca fui um cinéfilo, muito menos fã de balé, mas o que guardo na memória são os grandes momentos dos musicais.
Uma exposição empolgante, de uma artista que vinda do exterior contribuiu em muito para o aprimoramento das artes plásticas brasileiras, tendo convivido com vários dos ícones de sua época.
Apesar da economia de cores são desenhos alegres que muito agradam aos sentidos, instigando nossa curiosidade.
O catálogo desta mostra, além de muito bem ilustrá-la, nos traz informações valiosas sobre Gerda Brentani, elevando nossa admiração por ela.
A música abaixo do zoólogo e músico Paulo Vanzolini, seu parceiro no projeto "Bichos", completa este comentário, iluminando a complexidade de seu trabalho.
Paulo Vanzolini - Tempo e Espaço
Abaixo das imagens, fornecidas pela assessoria de imprensa da Caixa Cultural, o "press-release" dos curadores.
SERIEDADE DO SÉCULO XX RETRATADA COM HUMOR NA CAIXA CULTURAL
Exposição Gerda Brentani - A Graça de um Século Sériotraz vida e humor a um período marcado pela seriedade
A CAIXA Cultural São Paulo apresenta, de 23 de outubro a 28 de novembro, com entrada franca, a exposição “Gerda Brentani - A Graça de um Século Sério”, que retrata parte da vida e obra da artista italiana radicada no Brasil. A mostra é um panorama do século XX, no Brasil e na Europa, um tempo marcado por imigrações, guerras e inovação.
A graça de um século sério é uma história do trágico século XX figurada pelo olhar enviesado e pelo talento incomum de uma artista, que o viveu quase inteiramente. A história vista por Gerda Brentani é o campo de um olhar estranhamente próximo e distante dos acontecimentos (trágicos ou não) do Brasil, da Europa, de São Paulo, da arte culta, da arte de massas e da arte para crianças. Um século sério que teve a graça de Gerda. Uma artista da “alta” e da “baixa” cultura; da cidade e do salão, do desenho, da tela e da gravura, das imagens com textos e dos textos com imagens. Sem nenhuma afetação intelectualista, Gerda pensava a sério com humor, e tudo ao mesmo tempo.
Em 2010, completa-se 11 anos de sua morte. A mostra traz obras desenvolvidas ao longo de 93 anos de vida, quase um século. A exposição é uma maneira lúdica de tratar de assuntos sérios e densos, pois sua obra permite mostrar, com graça, um século sério. E a partir daí mostrar que nossa relação com o mundo se dá em duas mãos: o mundo nos faz e nós fazemos o mundo.
Vida e Obra
Nascida em Trieste, no norte da Itália, em 1906, formada no centro da alta cultura do Império Austro-húngaro (ao qual a região pertencia à época), Gerda chegou ao Brasil em 1939, passando rapidamente a conviver, por exemplo, com Alfredo Volpi, Ernesto de Fiori, Sérgio Milliet, Arnaldo Pedroso D’Horta, Marcelo Grassmann e Paulo Vanzolini. Após o fim da ditadura Vargas, o Brasil buscava consolidar a democracia e os estrangeiros, tanto os trabalhadores (dentre os quais os artistas), quanto a elite dirigente, procuravam participar desse novo momento.
Gerda se juntou aos imigrantes recém chegados, como Pietro Maria Bardi (que dirigiu o MASP), Ciccilo Matarazzo (um dos fundadores da Companhia de Cinema Vera Cruz, do Museu de Arte Moderna de São Paulo e da Bienal) e os pintores do Grupo Santa Helena. Iniciava, assim, sua participação na vida cultural da cidade, dirigindo por muito tempo o famoso Clubinho dos Artistas Modernos e tomando parte de todas essas novas iniciativas.
Exposição e oficinas
A última mostra coletiva da artista foi realizada em 2004, na Pinacoteca do Estado de São Paulo, com curadoria de Vera D’Horta. Em paralelo à mostra na Caixa Cultural, estão previstas 4 atividades educativas aos domingos: 7, 14, 21 e 28 de novembro. As oficinas serão coordenadas por arte-educadores, e terão atividades para crianças e toda a família. Em 7 de novembro, Leila Garcia contará histórias baseadas na produção literária de Gerda Brentani para crianças. Depois, será a vez de Monique Deheinzelin (neta de Gerda Brentani), que fará oficinas de arte para crianças. A agenda educativa conta ainda com a participação de Adriana Klisys, realizando um “Domingo Lúdico”, baseado na inventividade da obra desta inusitada artista.
Esta é mais uma grande cena dos musicais de Hollywood, mais recente, lançado em dezembro de 1979, conta a história romanceada da vida do coreógrafo Bob Fosse.
Nos papéis principais, Roy Schider e JessicaLange, ambos no auge da carreira.
E a música, On Broadway de George Benson, é um dos ícones dos anos 80, talvez seu maior sucesso, não necessariamente a melhor.
Que pena que na moda agora estão os filmes de vampirinhos, magozinhos ou beisteiróis que nos afastam dos cinemas.
Confesso que estava cheio de expectativas quando comecei a tocar este novo disco de Eric Clapton, achava que ouviria um bom rock'n roll, pois tinha lido por alto boas críticas do mesmo.
Qual não foi minha surpresa em constatar que invés de um trabalho que nos remetesse às suas origens roqueiras, Clapton nos apresenta um grande CD de Blues e Jazz, mostrando que a evolução de sua carreira não parou e que em sua maturidade seus caminhos o levaram às origens da moderna música americana.
Em "Rolling and Tumbling" ainda ouvimos sua legendária guitarra, nos lembrando vagamente seus primeiros trabalhos.
Rolling And Tumbling
Na música abaixo além do auxílio luxuosíssimo de Wynton Marsalis, Eric Clapton nos mostra que também é um excelente cantor.
When Somebody Thinks You're Wonderful
Estas duas músicas ilustram muito bem o que é este grande álbum.
Esta cena faz parte do trecho final de Singin 'in the rain, e diz a lenda que foi inserido para completar a duração esperada do filme, é uma história dentro da trama principal, que não se relaciona e nem influencia o enredo.
Como a atriz principal, Debbie Reynolds, não era uma bailarina profissional, Gene Kelly um dos diretores, exigiu que sua parceira fosse uma exímia dançarina, recorrendo então a Cyd Charisse, que além de excelente profissional, possuía as pernas mais bonitas de sua época.
Esta é uma arte em que os americanos foram insuperáveis, nunca ninguém consegui produzir musicais melhores do que eles, pena que já não se fazem mais filmes como estes.
Esperei alguns dias antes de comentar o meu espanto frente às declarações de personagens do nosso governo a respeito da liberdade de imprensa.
Tinha pensado em uma música óbvia para acompanhar este comentário, Admirável Gado Novo do Zé Ramalho, mas lembrei desta música do Ivan Lins, Cartomante de 1978, que apesar de ser uma linda canção, por este assunto, me produz calafrios.
Cartomante - Ivan Lins
Cidadãos que lutaram contra a ditadura militar, e pensava eu pelo restabelecimento da democracia plena em nosso país, vejo agora, estavam é tentando implantar uma ditadura socialista, no modelo soviético ou cubano, esquecendo que a definição de Democracia é - " Todo poder emana do povo e em seu nome será exercido".
Esqueceram eles que sem a resistência, às vezes heróicas, dos órgãos de comunicação, expondo as mazelas do regime vigente e o desejo de nosso povo por mudanças, não haveria nenhuma mudança?
Nem Fernando Collor, que dizem foi eleito pela Rede Globo, tentou impedir ou vociferou contra a publicação das denúncias e o progresso das apurações dos crimes de seus auxiliares diretos, nunca disse que havia excessiva liberdade de imprensa ou ameaçou acabar com os "Barões da Imprensa".
Estão querendo tranformar-nos numa massa amalgamada na indiferença e no conformismo gerados pela falta de informações ou pelo paternalismo das "Bolsas Esmola"?
Além do aparelhamento do Estado, vemos agora o nepotismo que grassa em todos os níveis da administração pública, além dos claros assaltos ao erário.
Seria cômica, se não fosse trágica a ira de Flanklin Martins contra o afastamento da Ministra Erenice Guerra, envolvida em várias denúncias de irregularidades.
Vimos depois que ele também tinha o rabo preso; temia talvez, a exposição de suas mazelas? Como a contratação sem licitação da empresa em que trabalha seu filho para a prestação de serviços para a Empresa Brasileira de Comunicação.
Parafraseando Regina Duarte, tenho medo desse messianismo de nosso "companheiro-mor", que parece ter ser arvorado em dono da verdade, talvez uma reencarnação de Luís XIV.
Estamos prestes a voltar às trevas? Este país será uma grande Venezuela?
Cartomante
Compositor: Ivan Lins / Vitor Martins
Nos dias de hoje é bom que se proteja Ofereça a face pra quem quer que seja Nos dias de hoje esteja tranqüilo Haja o que houver pense nos seus filhos Não ande nos bares, esqueça os amigos Não pare nas praças, não corra perigo Não fale do medo que temos da vida Não ponha o dedo na nossa ferida Nos dias de hoje não lhes dê motivo Porque na verdade eu te quero vivo Tenha paciência, Deus está contigo Deus está conosco até o pescoço Já está escrito, já está previsto Por todas as videntes, pelas cartomantes Tá tudo nas cartas, em todas as estrelas No jogo dos búzios e nas profecias Cai o rei de Espadas Cai o rei de Ouros Cai o rei de Paus
Esta é uma verdadeira música sertaneja, feita por um dos nossos artistas universais, Milton Nascimento.
Conta-nos uma história que pode acontecer em qualquer época ou em qualquer rincão de nossa terra, da amizade infantil que se perde no tempo, e nos aponta a realidade da vida no campo.
A interpretação de Elis, abaixo no primeiro player, é de tal intensidade que ela termina chorando, emocionada.
Elis foi a mais importante cantora do Brasil de todos os tempos, pois além da carreira gloriosa, lançou ou projetou vários compositores como Gilberto Gil, Milton Nascimento, Ivan Lins, João Bosco e Aldir Blanc, Belchior e Renato Teixeira entre outros.
É muito difícil achar na música do interior alguma qualidade, hoje em dia os artistas e o publico adoram chorar a traição e o abandono nas relações afetivas, é um "porre" escutar o choro da dor de corno e a suplica ao retorno do objeto de sua fixação amorosa.
No segundo player a versão com o autor, para mim umas das melhores vozes da nossa música.
No sertão da minha terra, fazenda é o camarada que ao chão se deu Fez a obrigação com força, parece até que tudo aquilo ali é seu Só poder sentar no morro e ver tudo verdinho, lindo a crescer Orgulhoso camarada, de viola em vez de enxada
Filho do branco e do preto, correndo pela estrada atrás de passarinho Pela plantação adentro, crescendo os dois meninos, sempre pequeninos Peixe bom dá no riacho de água tão limpinha, dá pro fundo ver Orgulhoso camarada, conta histórias prá moçada
Filho do senhor vai embora, tempo de estudos na cidade grande Parte, tem os olhos tristes, deixando o companheiro na estação distante Não esqueça, amigo, eu vou voltar, some longe o trenzinho ao deus-dará
Quando volta já é outro, trouxe até sinhá mocinha prá apresentar Linda como a luz da lua que em lugar nenhum rebrilha como lá Já tem nome de doutor, e agora na fazenda é quem vai mandar E seu velho camarada, já não brinca, mas trabalha.
Mais uma bela exposição na Galeria Paulista da Caixa Cultural.
São de obras feitas para a mostra, a partir de uma idéia de 2001, com obras abstratas, quase todas datadas de 2009/2010 completamente diferentes do estilo do autor, conforme visto no vídeo de apresentação.
Telas enormes, numa profusão de cores que não chamaram a atenção, à primeira vista, em mais do que dois segundos. Os comentários que mais se ouviam eram: -"Não sei se gosto deste tipo de arte".
Há nas telas pequenos elementos, perdidos ou quase escondidos, que só percebemos após muita concentração, ou pela observação do catálogo, onde são apontados.
São realmente os segredos da exposição, que com sua descoberta nos incitam a voltar às pinturas, e aí sim apreciá-las com mais vagar.
Um aspecto deste evento com o qual me indispus foi o texto de apresentação da curadora, que gastou 12 parágrafos para não dizer nada. Isto faz com que as pessoas que estão começando a se interessar por arte se afastem, pois se não entendem o que lhes é apresentado, podem se sentir intimidados e até pensar que isto esta acima de sua compreensão.
Pena que esta não seja característica só desta exposição, há pessoas que pensam que um texto "intelectual" aumentará a satisfação do observador pela mostra, quando é o contrário.
Virtual Insanaty - Jamiroquai
Abaixo das imagens, fornecidas pela assessoria de imprensa da Caixa Cultura, o "press-release" dos curadores.
CAIXA CULTURAL SÃO PAULO APRESENTA SIRON FRANCO - SEGREDOS - PINTURAS ESCULTURAS
Mostra exibe obras inéditas do artista, realizadas nos últimos meses, em São Paulo.
Após temporada em exposição no Rio de Janeiro, Siron Franco volta às galerias da Caixa Cultural São Paulo com a mostra Siron Franco - Segredos - Pinturas Esculturas. O título dá o tom da criação e se apresenta tanto na ideia que dá origem à produção quanto em tudo aquilo que, na existência do artista, evoca algo misterioso. A entrada é gratuita e acontece de 11 de setembro a 17 de outubro, na galeria Vitrine Paulista da Caixa Cultural.
Siron mira principalmente nos segredos que encobrem o Sagrado: o mistério da vida, da criação, da oração e da intuição, tudo isso captado no cotidiano, às vezes absurdo, que o olhar desatento pode designar como algo banal. A série é composta por 19 pinturas e 05 esculturas e em São Paulo a curadoria vai apresentar parte desse acervo.
Desde o início, um mistério que pode conter tudo, desde fatos não revelados a simples ironias cáusticas diárias. Fruto dos últimos meses de trabalho ininterrupto no ateliê em Aparecida de Goiânia, Siron Franco apresenta essa série que pretende provocar reflexões em seus interlocutores.
A história
A série “Segredos” teve início com uma obra de 2001. Na tela recoberta de carvão são colados 17 Cd´s. O que eles contêm, é um mistério, mas a composição recria a chave magnética do quarto de hotel em que o artista ficou hospedado na Venezuela. O ouro revela imagens enigmáticas e essa obra, “O Primeiro Segredo”, foi chave de abertura para a exposição abrindo o novo caminho ainda não descoberto.
O processo criativo do artista vem dos inúmeros acasos diários. Desde sua última exposição, Siron dizia: “Estou sentindo que vem algo novo em minha obra...”. Mas ficava obscuro, inclusive para ele, o que viria a seguir. Já em 2007, na mostra no CCBB do Rio de Janeiro, apresentou a tela “Segredos” (160 x 200 cm), óleo sobre tela produzida em 2005/2006. Mas quais as rotas a serem seguidas, então somente sugeridas por aqueles caminhos horizontais?
Nesse percurso, um universo enigmático se abriu para o artista. As consequências do desenvolvimento do trabalho ficaram expressas nas palavras de Charles Cosac, em uma carta ao amigo:
“Esse seu figurativismo expressivo intrinca-se também com o tempo. A gente sabe que tem algo ou alguém a nos olhar, mas cada vez fica menos evidente. Esses olhares velados pelo excesso de terebintina diluída na tinta a óleo, sobretudo contrastados com as obras empastadas, são de uma sofisticação ímpar. São muito delicados. Faz-me pensar no momento em que a densidade do óleo cede à imagem que nem você ainda a conhece, mesmo estando prestes a concebê-la. Faz-me também pensar nas pinturas, sobretudo nas texturas dos anos 1970, quando ainda pintava sobre aglomerado e com o óleo ralo. As atuais, porém, evocam a sensação de transparência e leveza. O volume dos anos 1970 não mais te preocupa.”
Sobre a exposição
Na primeira obra criada para a exposição, “Segredo número 3”, estão esses novos volumes. As linhas horizontais de antes, agora verticais, compõem uma obra onde os segredos são desvendados. Basta prestar atenção nos detalhes. A série completa, que merece o nome “Segredos”, apresenta quinze pinturas, entre obras horizontais e verticais, medindo 150 x 200 cm, e mais dois quadros de 1,80 x 1,90 cm. O segredo pode ser percebido tanto na composição como na pesquisa de materiais que impregnam as telas onde, além de ouro, chumbo e tecelagem africana são colocados carimbos da anatomia humana de borracha e carimbos de silicone.
Os segredos sugeridos nas telas ganham volume nas esculturas. Um fato autobiográfico é o impulso inicial da obra “Segredo número 21”, uma fogueira produzida em mármore sintético. A escultura, de 250 cm, impressiona pelos detalhes: imagens do repertório popular católico incrustadas em suas vigas horizontais. A investigação de Cláudia Ahimsa, curadora da exposição, expõe o background do artista:
“Ele percebe minha investigação silenciosa sobre o 'mármore' cruzado e conta: "Minha mãe andava sobre brasas, depois a sola dos pés estava fria!...". Então, a branca fogueira é o retrato que ainda não fizera de sua mãe.”
Em relação às esculturas, o destaque fica por conta da obra “Segredo número 20”, feita em mármore sintético incrustado com resina de poliéster e imagens católicas (250 x 70 x 70 cm) e “Segredo número 22”, caracterizada por colunas de aço de 2,5 por 3,0m cada.
Abertura para convidados e imprensa: 10/09, às 19h
Visita guiada com o artista: dia 11/09, às 11h
Datas: de 11 de setembro a 17 de outubro de 2010
Horário de visitação: terça-feira a sábado, das 9h às 21h e domingos e feriados, das 10h às 21h.
Local: CAIXA CULTURAL São Paulo - Galeria Vitrine da Paulista - Conjunto Nacional - Av. Paulista, 2083 - Cerqueira César, São Paulo (SP) - Metrô Consolação
Informações, agendamento de visitas mediadas e translado (ônibus) para escolas públicas: (11) 3321-4400
Acesso para pessoas com necessidades especiais
Entrada: franca Recomendação etária: livre Patrocínio: Caixa Econômica Federal
Não sou de discutir política, religião ou qualquer esporte, já que não me interesso por futebol.
Mas hoje quando vi esta charge do Fernandes não consegui afastar de minha cabeça esta música da Legião Urbana.
Feita a aproximadamente 25 anos, não perdeu sua força.
Abaixo da caricatura, segue a letra.
Que país é esse? - Legião Urbana
Que país é esse? - Renato Russo
Nas favelas, no senado Sujeira pra todo lado Ninguém respeita a constituição Mas todos acreditam no futuro da nação Que país é esse? Que país é esse? Que país é esse? No Amazonas, no Araguaia iá, iá, Na Baixada Fluminense Mato Grosso, nas Gerais e no Nordeste tudo em paz Na morte eu descanso, mas o Sangue anda solto Manchando os papéis, documentos fiéis Ao descanso do patrão Que país é esse? Que país é esse? Que país é esse? Que país é esse? Terceiro mundo, se for Piada no exterior Mas o Brasil vai ficar rico Vamos faturar um milhão Quando vendermos todas as almas Dos nossos índios num leilão Que país é esse? Que país é esse? Que país é esse?
Há na música universal algumas canções que tem sua gravação definitiva, quase sempre a primeira com seus autores, num arranjo original.
Se alguém tenta regravá-la certamente fará um trabalho aquém do original, até porque hoje, não sei se por falta de interesse das gravadoras, falta de competência dos músicos ou mesmo preguiça, já não são utilizados os recursos que estavam à disposição dos artistas de ontem.
Esta gravação de Samba da Benção, do disco Vinicius de Moraes & Odete Lara de 1963 é um destes exemplos, sendo até hoje a versão mais tocada em rádios ou em compilações.
O ritmo, o coro e a exaltação aos amigos no final, fazem desta versão, para mim, a definitiva.
Vinicius de Moraes & Odete Lara
Mas há uma gravação de Bebel Gilberto no disco Tanto Tempo de 2000 em que ela faz uma linda versão do Samba da Benção.
Sabendo que nunca conseguiria o resultado da versão clássica, mexeu no ritmo, nos instrumentos e abandonou a forma de samba, adotando a cadência de uma doce balada.
Conseguiu então um resultado de se admirar, sendo muito bem executada já há 10 anos.
Hoje quando vi um post de um grande cartunista, ou seria ilustrador, Ceó Pontual chamado "Tá ligado, bicho?", onde ele cita uma frase de Molière, que diz : " Os bichos não são tão burros como se pensa.", me lembrei desta música de Roberto Carlos, gravada em seu disco de 1976.
Foram eles visionários há 35 anos, previram nossas aflições presentes?
Hoje a minha maior preocupação é o imediatismo que nossos dirigentes tem em buscar novas fontes de energia, seja com o petróleo do pré-sal ou a construção de novas hidrelétricas.
Não estão levando em conta todos os problemas que virão com a exploração destas fontes, como a emissão de CO2 e outros gases que causam o efeito estufa com a queima deste petróleo e todo o desastre ecológico e ambiental que é a inundação de florestas e terras agricultáveis para a construção dos reservatórios das usinas.
Não há a menor preocupação em se pesquisar formas realmente limpas de geração de energia, nosso país foi exemplo para o mundo todo quando criou o Pró-Álcool, reduzindo em muito nossa dependência ao petróleo importado.
Hoje já considero ultrapassada esta fonte de energia, pois para sua produção criaram-se áreas imensas de monocultura, estéreis à fauna e exaurindo o solo.
É um tédio viajar pelo interior de São Paulo, sinto saudades dos cafezais, dos pomares de manga e laranja, dos pastos..., hoje é um imenso mar de cana.
Realcei em vermelho, abaixo do vídeo, os versos que mais me incitam desta obra prima que merece um novo arranjo, pois é um hino à razão e à reflexão.
O Progresso
Eu queria poder afagar uma fera terrível
Eu queria poder transformar tanta coisa impossível
Eu queria dizer tanta coisa
Que pudesse fazer eu ficar bem comigo
Eu queria poder abraçar meu maior inimigo
Eu queria não ver tantas nuvens escuras nos ares
Navegar sem achar tantas manchas de óleo nos mares
E as baleias desaparecendo
Por falta de escrúpulos comercias
Eu queria ser civilizado como os animais
Eu queria ser civilizado como os animais
Eu queria não ver todo o verde da terra morrendo
E das águas dos rios os peixes desaparecendo
Eu queria gritar que esse tal de ouro negro
Não passa de um negro veneno
E sabemos que por tudo isso vivemos bem menos
Eu não posso aceitar certas coisas que eu não entendo