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sexta-feira, 22 de março de 2013

A Arte Fantástica de Mário Gruber

Fantástica, menos pela fantasia e mais pelos resultados dos trabalhos apresentados.

É impossível não nos extasiarmos com tão magnífica obra, principalmente por serem resultado de gravações à mão em placas metálicas mostrando toda técnica apurada e sofisticada do artista.

Trabalhando sobre diversos temas apresenta o olhar eclético e atento com que Mário Gruber registrou suas observações.

As três pinturas presentes nesta mostra demonstram o pleno domínio das belas artes, carregando com honra a definição de artista. 

Chopin - Nocturnes - Op. 9, No.2 - Arthur Rubstein


Abaixo das imagens, o "press-release", fornecidos pela assessoria de imprensa da Caixa Cultural.








CAIXA CULTURAL SP REVIVE A ARTE DE MÁRIO GRUBER

Primeira exposição póstuma do artista santista na cidade de São Paulo apresenta obras realizadas nos 60 anos de carreira

A CAIXA Cultural São Paulo inaugura, a partir de 16 de março, a exposição “A Arte Fantástica de Mário Gruber”, com curadoria de Denise Mattar. A mostra apresenta um panorama da obra de Mário Gruber, realizada ao longo de seis décadas de atividade artística. A exposição, que fica em cartaz até 12 de maio, tem entrada gratuita e patrocínio da Caixa Econômica Federal.
A mostra traz pinturas, gravuras e um extenso grupo de matrizes que evidenciam a habilidade de Gruber com o manejo da goiva e do buril, sua inventividade na experimentação e seu engajamento em questões humanitárias. A mostra exibe também uma cronologia ilustrada sobre o artista, fotos e vídeos realizados sobre sua vida e obra com depoimentos e recortes históricos.
“A Arte Fantástica de Mário Gruber” é a primeira exposição póstuma do artista, em São Paulo. A mostra se propõe a apresentar a obra, sempre superlativa, do artista, privilegiando as gravuras e utilizando recursos de cor, som e iluminação para proporcionar, ao público, um clima lúdico e intenso.
Sobre o artista:
Mário Gruber Correia (1927-2011) nasceu em Santos (SP) e faleceu na capital paulista, aos 84 anos. Pintor, gravador, escultor, muralista, desenhista, cenógrafo e professor, iniciou seus trabalhos como autodidata, em 1943. Três anos depois, estudou com o escultor Nicola Rollo, na Escola de Belas Artes de São Paulo, e passou a pintar em praça pública. Conquistou o primeiro prêmio de pintura em 1947. Trabalhou com Di Cavalcanti e Candido Portinari, estudou gravuras com Poty e foi aluno da École Nationale Supérieur de Beaux-Arts, com Édouard Goerg.
No Brasil, Gruber fundou o Clube de Gravura, em Santos, lecionou no Museu de Arte Moderna (MAM) de São Paulo, na Fundação Álvarez Penteado (FAAP) e fundou a União dos Artistas Plásticos de São Paulo. Aprendeu técnicas de pintura em mural com Diego Rivera, no Chile. De 1974 a 1978, viveu em Paris, dedicando-se à calcografia. Montou ateliê em Nova Iorque, realizou obras de grande porte em espaços públicos de São Paulo (Estação Sé do Metrô e Memorial da América Latina), e foi homenageado com o curta-metragem “A Arte Fantástica de Mário Gruber”, em 1982. Na década de 2000, continuou a trabalhar intensamente, com uma produção anual de 100 a 120 obras e, mesmo com a saúde debilitada, manteve os projetos artísticos até sua morte, em 2011.
Serviço:
Exposição “A Arte Fantástica de Mário Gruber”
Abertura para convidados: 16 de março de 2013 (sábado) às 11h
Temporada: de 16 de março a 12 de maio de 2013 (terça-feira a domingo)
Horário: das 9h às 20h
Local: CAIXA Cultural São Paulo – Praça da Sé, 111 – Centro – São Paulo (SP)
Entrada: Franca
Classificação etária: livre
Informações: (11) 3321-4400
Patrocínio: Caixa Econômica Federal
Acesso para pessoas com necessidades especiais


quarta-feira, 20 de março de 2013

ANTANAS SUTKUS: UM OLHAR LIVRE

Mais uma grande exposição de fotografias proporcionada pela Caixa Cultural, mantendo assim sua tradição de nos trazer o que de melhor se produz nesse suporte.

De um artista ainda atuante, figura de grande importância na fotografia Lituana, nos apresenta uma realidade diferente do "Eldorado" socialista da URSS preconizado por seus dirigentes que queriam mostrar uma vida utópica, de pleno bem estar, nunca conseguido por seu regine de governo.

Com fotos em preto e branco de uma beleza e delicadeza ímpar, apresenta o cotidiano de seus conterrâneos, sem enfeites nem disfarces, somente seu cotidiano e sua realidade, também sem tristezas ou mazelas.

Um belo passeio.

P.S.: Revendo as fotos percebi o melhor delas, que é o olhar das crianças, quantas sensações, quantas emoções contidas em cada rosto.


Borodin - Polovtsian Dances - Parte


Abaixo das imagens, o "press-release", fornecidos pela assessoria de imprensa da Caixa Cultural e Maria Vragova da Ars et Vita.







CAIXA CULTURAL SÃO PAULO APRESENTA A EXPOSIÇÃO ‘ANTANAS SUTKUS: UM OLHAR LIVRE’

Exposição do fotógrafo lituano Antanas Sutkus terá uma videoconferência com o próprio autor

A CAIXA Cultural São Paulo inaugura, no dia 2 de março, a exposição “Um olhar livre”, do fotógrafo lituano Antanas Sutkus, com aproximadamente 120 fotos, que têm como temática seu principal interesse: as pessoas. Com um olhar único, ele convida o visitante a percorrer, numa perspectiva livre sobre a simplicidade, o cotidiano e a expressão particular de cada um destes indivíduos. A mostra, que segue até o dia 21 de abril, tem entrada franca e patrocínio da Caixa Econômica Federal. A curadoria é de Luiz Gustavo Carvalho.
Por intermédio da mostra “Um olhar livre”, na qual o próprio título sugere o comportamento do público, não existe apenas a oportunidade de se conhecer a obra de um dos maiores fotógrafos da antiga União Soviética, mas também de testemunhar o dia-a-dia daquela população, por meio das imagens, e reinterpretar esse olhar a cada ângulo. Tudo o que foi registrado contradizia a censura socialista e as linhas estéticas, que eram ditadas pelos poderes: o coletivismo das massas. Sutkus passou a ser um dos fotógrafos que mais fugiu ao formalismo soviético.
Antanas Sutkus construiu sua obra ignorando os estandartes dos ideais totalitários. Escapando da censura política, ele descreveu as vidas retratadas de forma justa, meiga, às vezes irônica, mas sempre forte, fugindo de qualquer sistema ou influência.

Sobre Antanas Sutkus:

Um dos mais expressivos fotógrafos da atualidade. Formado pela Universidade de Vilnius, começou a fotografar ainda nos anos 1950, contra os cânones do realismo soviético, então vigentes. Ele também fundou a escola de fotografia na Lituânia, dando assim um grande impulso à fotografia em todos os países bálticos.
Em 1969, sob sua iniciativa, foi fundada a Sociedade da Arte da Fotografia, em Vilnius, que reunia todos os fotógrafos com talento da Lituânia, que tinham as mesmas aspirações. Sutkus foi como um trovador soviético e, conforme relatou numa entrevista sobre a criação da Sociedade, os membros eram patriotas da Lituânia. “Com as nossas fotografias, queríamos mostrar que a Lituânia era diferente de todo o resto da União Soviética. Aspirávamos mostrar o espírito do povo, a sua mentalidade”.
Durante o período soviético, a maior parte da produção fotográfica de Sutkus foi para os arquivos, sem ao menos serem mostradas ao público. Entretanto, algumas fotografias, que chegaram a outros países, atraíram grande interesse e, em 1976, o fotógrafo foi condecorado com um prêmio da Associação Internacional de Fotografia Artística, associação da qual ele é membro até hoje.

Informações e entrevistas:

Maria Vragova – (21) 8634 5374m.vragova@arsetvita.com

Serviço:

Exposição ‘Antanas Sutkus: Um Olhar Livre’
Abertura para convidados e imprensa: 2 de março de 2013 (sábado), às 11h
Visitação: de 2 de março a 21 de abril de 2013
Horário de visitação: de terça-feira a domingo, das 9h às 20h
Local: CAIXA Cultural São Paulo – Praça da Sé, 111 – Centro – São Paulo (SP)
Informações, agendamento de visitas mediadas e translado (ônibus) para escolas públicas: (11) 3321-4400
Acesso para pessoas com necessidades especiais
Entrada: franca
Recomendação etária: livre
Patrocínio: Caixa Econômica Federal


quarta-feira, 13 de março de 2013

BUSCA-ME - FOTOGRAFIAS DE BORIS KOSSOY

Apresentando trabalhos de diversos temas e técnicas, como fotos posadas, de lugares e seus detalhes, situações do cotidiano e de paisagens, mostra que o artista ainda é referência na fotografia brasileira.

Pois com seu olhar atento e curioso sempre capta detalhes que escapariam ao observador comum.

Fotos instigantes que nos fazem refletir sobre nossa visão do mundo ao redor. Com uma seleção eclética de trabalhos, nos permite conhecer a produção recente do artista e seus diversos olhares.

Uma única observação a ser feita, não há legendas com informações sobra cada obra, no mais, um belo passeio.



Ronda - Maria Bethania

Abaixo das imagens, o "press-release", fornecidos pela assessoria de imprensa do evento.








BUSCA-ME
FOTOGRAFIAS DE BORIS KOSSOY
NA GALERIA BERENICE ARVANI

Abertura: 12 de março, às 19h – até 19 de abril de 2013

Busca-me, a nova e inédita série concebida por Boris Kossoy (1941, São Paulo), nome fundamental na história da fotografia brasileira – como autor e pensador –, será apresentada nesta sua primeira individual em galeria. Conforme aponta o curador da exposição Diógenes Moura, as 40 fotografias (peças únicas, sem cópias), “não são apenas imagens, nem em seus signos e em suas representações, mas cada uma contém a vida inteira do fotógrafo”.
Segundo Moura, depois da exposição realizada na Pinacoteca do Estado de São Paulo, em 2008, Kossoy recolheu-se como de costume, em casa e em vários países do mundo e está de volta para comprovar que uma fotografia não possui apenas uma face exterior. “E, não sendo exterior, um dos seus manequins poderá inclusive sorrir, ou derramar uma lágrima. A fotografia de Kossoy é precisa: domina o tempo. O espectador sente a presença do fotógrafo invisível querendo sair para encontrar o sol, se aproximar do hidrante vermelho que, como os ETs, estão de volta. Os hidrantes, os ETs ou a natureza onde novamente no meio das folhas encontraremos outra máscara, um grito”, completa o curador.
Em Busca-me, Kossoy evoca seu mundo flutuante, “um roteiro imaginado, entre muitos outros, de situações, prazeres, amores, perfumes e dores que afetaram para sempre seus sentidos. Vemos personagens deste teatro imaginário onde coabitam seres dos dois mundos e imaginamos os espectadores com eles interagindo numa relação secreta e triangular”, explica o fotógrafo. Todo esse universo foi interpretado a partir de paisagens, ruas e praças, o olhar do fotógrafo através das janelas, diante de espelhos, pelo interior de vitrines, nas telas do cinema e da TV e dos aparelhos eletrônicos.
O exigente Boris Kossoy, com seu preciosismo técnico e teórico, extrai, sobretudo, do profundo os fundamentos de sua fotografia. Com isso, vem construindo uma trajetória que o coloca como um dos mais importantes fotógrafos brasileiros, autor de produção aclamada também internacionalmente. Suas obras fazem parte de importantes coleções permanentes, como do Museum of Modern Art - MoMA (N.Y), George Eastman House (Rochester, N.Y), Smithsonian Institution (Washington, D.C.), Bibliothèque Nationale de Paris, Museu de Arte de São Paulo, entre outras.
Como pensador, Kossoy, recentemente assinou a curadoria da elogiada mostra Um olhar sobre o Brasil. A Fotografia na construção da Imagem da Nação, realizada de 12 de novembro de 2012 a 27 de janeiro de 2013, no Instituto Tomie Ohtake. Em sua produção intelectual, destacam-se os livros: Viagem pelo Fantástico, Hercule Florence, a Descoberta Isolada da Fotografia no Brasil; Origens e Expansão da Fotografia no Brasil - Século XIX; Fotografia e História; Realidades e Ficções na Trama Fotográfica; Os Tempos da Fotografia: O Efêmero e o Perpétuo.
Kossoy é também professor titular da Escola de Comunicações e Artes da USP, foi diretor do Museu da Imagem e do Som de São Paulo e do IDART - Divisão de Pesquisas do Centro Cultural São Paulo criou dentro da mesma universidade NEIIM - Núcleo de Estudos Interdisciplinares de Imagem e Memória. É membro do conselho consultivo da Coleção Pirelli-MASP de Fotografia, entre outras instituições culturais.
Galeria Berenice Arvani
Exposição: Boris Kossoy – Busca-me
Abertura: 12 de março, às 19h
Até 19 de abril de 2013
De segunda a sexta, das 10h às 19h30, sábado e domingo, fechado.
Rua Oscar Freire, 540 – Cerqueira César – Fone: 11. 3088-2843
Informações à Imprensa
Pool de Comunicação – Marcy Junqueira
Contatos: Marcy Junqueira e Martim Pelisson Fone: 11. 3032-1599


quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

Vila Tarsila





Um delicado espetáculo, baseado livremente nas experiências de Tarsila do Amaral no começo de sua carreira, nas viagens, nas observações e notas do que viu e sentiu.

Sem cenários, conta sua estória através da projeção de animações e desenhos baseados na obra da artista, auxiliada por uma iluminação vibrante, uma grande trilha sonora e um magnífico figurino.

Com uma bela coreografia, porém sem arroubos, consegue um resultado delicado que nos prende a atenção, permitindo o pleno desfrute do espetáculo.

Uma bela maneira de iniciarmos nas crianças o gosto pelo balé.

No vídeo abaixo, reportagem da Cennarium sobre sua concepção e desenvolvimento.





quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

Waltercio Caldas: O Ar Mais Próximo e Outras Matérias

Já tinha dito aqui que uma das boas coisas de se ver uma exposição de um artista do qual não conhecemos nada é a surpresa de encontrar grandes obras.

Foi o que ocorreu com mostra, que apesar de muito divulgada e incensada pelos grandes meios de comunicação, confesso que por pura preguiça não havia lido nenhuma matéria sobre ela.

Ocupando o espaço nobre de mostras temporárias da Pinacoteca, apresenta obras de diversas fases, técnicas e suportes, mostrando o profundo conhecimento e curiosidade do artista em diferentes formas de expressão.

Como grande fã da arte concreta, qual não foi o meu deleite em perceber obras desta escola expandidas em tridimensionalidade, sejam em esculturas ou colagens, conseguindo nos encantar e intrigar com os efeitos conseguidos.

Os trabalhos em granito negro, um material por si só complexo e de difícil manuseio, que além de sua extrema dureza é também frágil, pois qualquer cinzelada mal aplicada pode romper sua estrutura, apresentam uma leveza bela, delicada e sutil, arrancada deste material .

Mais um grande evento nessa cidade que é a capital cultural da América Latina.


Pulsar - Caetano Veloso 

Abaixo das imagens, o "press-release" fornecidos pela assessoria de imprensa da Pinacoteca.











Waltercio Caldas: O Ar Mais Próximo e Outras Matérias

A Pinacoteca de São Paulo, instituição da Secretaria de Estado da Cultura, apresenta a
exposição Waltercio Caldas: O Ar Mais Próximo e Outras Matérias, uma mostra panorâmica
da produção do artista (1970 a 2011), cuja trajetória coerente propicia uma reflexão entre seus
primeiros trabalhos e os atuais. Com cerca de 90 obras, entre instalações, esculturas, objetos
e desenhos. Dentre as obras selecionadas para a mostra, nove são inéditas no Brasil: Eureca
(2001), O que é mundo. O que não é (2011), Verde por Dentro (2008), Planisfério (2011), Talco
(2008), Donde (2009), O Ovo (2011), Azul de Superfície (2005) e Asas (2008).

Waltercio Caldas ocupa um papel importante no cenário artístico do País a partir da segunda
metade do século XX. Segundo um estudo do Itaú Cultural, entidade que pertence ao Grupo
Itaú - patrocinador da mostra em São Paulo, Waltercio é um dos artistas brasileiros que mais
realizou exposições. 25, entre os anos 1987 e 2012. Dono de uma linguagem bastante
particular, seu trabalho não é passível de enquadramento artístico. Sem ser minimalista,
conceitual ou formalista, ele tangencia vertentes criativas e referências nacionais e
internacionais para construir seu discurso artístico.

Uma das principais questões levantadas na exposição é a capacidade das obras de testar nossa
percepção acerca daquilo que vislumbramos. O trabalho de Waltercio é um constante desafio
para nossa cognição e para o modo como encaramos e reconhecemos um conjunto de
materiais. A escolha de elementos simples e familiares permite a aproximação com a
composição, mas logo um primeiro reconhecimento superficial sobre a obra se desenvolve em
outras possibilidades de interpretação e de sentidos presentes no trabalho. A obra de Waltercio
proporciona um intenso exercício de observação quem a observa. As instalações permitem que
nossa capacidade visual se amplie, visto que aquilo que reconhecemos prontamente logo se
transforma.

Para Pérez-Barreiro, Waltercio desafia os hábitos visuais do público ao propor novas
percepções do espaço ocupado pela obra de arte. Alguns de seus objetos de mármore, vidro,
madeira ou aço exibem superfícies que refletem o entorno; outros obedecem a lógica da
transparência, convidando um olhar que os atravesse. Aquário completamente cheio (1981),
um recipiente de vidro quase transbordando com água, une essas duas características: reflete
o espaço circundante como um espelho e funciona como uma lente para ver o que está por
trás sob uma perspectiva diferente.

Ao dialogar com o ambiente onde está inserida, a arte de Caldas requisita a imaginação do
observador. O significado das peças surge na interação com o visitante, que é estimulado a
engajar seus sentidos numa experiência corpórea e intelectual. Escultura em granito (1986),
por exemplo, é um retângulo negro arqueado que se equilibra sobre suas extremidades.

As superfícies curvas criam a ilusão de que um material pesado como o granito sólido pode levitar
sem esforço algum e traem a nossa compreensão tanto da densidade da pedra quanto da Lei
da Gravidade.

De fato, leveza e economia são qualidades marcantes nas obras de Caldas, cujo objetivo
declarado é produzir um trabalho presente ao máximo através da ação mínima. Mesmo em
obras com vários elementos, estes costumam se reduzir a uma simplicidade geométrica: são
círculos, retas e pontos que conversam entre si em composições harmoniosas, que a co-curadora
Ursula Davila-Villa compara a arranjos musicais. “Realmente, a sua arte desempenha
no espaço da mesma forma que a música: ela exibe uma grande presença etérea e uma quase
absoluta ausência física”.

Elegantes, as obras de Waltercio atraem o visitante por sua beleza e logo o envolvem em
questões conceituais ligadas ao espaço e ao tempo. Essas preocupações estão presentes na
paradigmática instalação que dá nome à mostra: O Ar Mais Próximo, de 1991. Nela, fios de lã
coloridos pendem do teto modelando dois delicados arcos invertidos que cortam o ar e se
cruzam em apenas um ponto. Esse eixo varia toda vez que o trabalho é instalado, pois Caldas
redesenha o arranjo geométrico respondendo às paredes, janelas, luz e escala de cada
ambiente onde é montado.

Se o espaço das obras de Waltercio Caldas é incerto, o tempo para experenciá-las também se
pretende diferente: “É desacelerado o suficiente para permitir a dúvida, estranhamento,
questionamento e, em última análise, a criação de um novo significado”, coloca Pérez-Barreiro.
Outra parte importante de sua produção são os livros de artista, nos quais a palavra escrita é
usada de forma lúdica e se destacam assuntos como história da arte, filosofia e sistemas de
conhecimento. O livro Velázquez (1996) resgata algumas de suas questões favoritas como a
presença e a ausência, a realidade e a ilusão. Usando Photoshop, Caldas manipulou os textos
e as imagens de um livro didático de história da arte removendo a nitidez de palavras e
imagens, além de apagar figuras humanas de todas as reproduções transformando o ambiente
de quadros como “As Meninas” em salas vazias. Dessa maneira, ele questiona a autoridade do
livro como principal meio pelo qual conhecemos Velázquez, em oposição ao encontro físico
com suas próprias pinturas. Pérez-Barreiro enxerga este trabalho como uma crítica
institucional, mas também uma “homenagem à história da arte, e às maneiras nas quais
artistas como Velázquez podem continuar a apresentar problemas interessantes para o mundo
contemporâneo. O trabalho é uma conversa com o passado, em vez de um simples comentário
sobre ele, e é isto que lhe concede tanto poder.”

Um olhar compreensivo ao conjunto da obra de Waltercio Caldas evidencia não apenas o quão
variada é a sua prática, mas também como o ambiente de exposição é capaz de afetá-la.
“Creio que esta seleção realizada pelos curadores é bastante representativa de minha
atividade artística e até mesmo aponta para alguns desdobramentos que, para minha alegria,
já posso ver no horizonte. É isto que espero de uma exposição como esta: novas situações e
novas soluções plásticas", conclui Waltercio.


Sobre o artista

Nasceu no Rio de Janeiro em 1946. Já expôs individualmente no Museu de Arte Moderna no
Rio, na Kanaal Foundation, Bélgica, no Stedelijk Museum em Amsterdã, e na Christopher
Grimes Gallery em Santa Monica, entre outros espaços. Waltercio Caldas participou da Bienal
de Veneza em 1997 e 2007, assim como de múltiplas Bienais do Mercosul e de São Paulo.
Seu trabalho está nas coleções do Museum of Modern Art, Nova York; Blanton Museum of Art,
University of Texas, Austin; National Gallery of Art, Washington, D.C.; Museu de Arte Moderna,
São Paulo; Colección Patricia Phelps de Cisneros, Venezuela/Nova York; e Bruce and Diane
Halle Collection, Scottsdale, entre outras. No acervo da Pinacoteca de São Paulo encontram-se
duas obras de Waltercio Caldas: Sem título (1997) e Uma estória de pedra (1996).


sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

O Carnaval de Caetano Veloso

Diferente de Chico Buarque, Caetano faz um carnaval alegre, com músicas empolgantes, as quais não nos deixam parados, trazendo o que a festa tem de melhor em toda sua exuberância.

Outra diferença entre os amigos é que Caetano lançou um grande disco, "Muitos Carnavais", em que estão reunidas todas as suas canções carnavalescas, que também não são datadas e devem ser executadas sempre, pois suas mensagens são eternas.

Tenham mais alguns minutos de diversão com essas pérolas de nosso cancioneiro.

Atrás do trio elétrico

Um frevo novo

Chuva, suor e cerveja



O carnaval de Chico Buarque

No mês passado dei uma visita aos discos do Chico de minha coleção e comecei a perceber que suas produções com o tema do carnaval estão espalhadas por diversos dos seus álbuns do início de sua carreira.

Fica latente que o carnaval do Chico é sempre uma festa sem alegria, melancólica, desesperançada até, em que os personagens em vez de festejar quase sempre se lamentam ou contam um estória triste.

Mas não há como negar que elas todas são uma aula de como se fazer lindas canções, nunca datadas e que sempre serão executadas, com suas mensagens sempre atuais.

É uma pena que algumas pessoas hoje em dia, com a desculpa de que as coisas precisam se modernizar, estejam emporcalhando nossos ouvidos com axés, pagodes e outros que tais.

Divirtam-se, como eu me diverti em recordá-las.

Quem te viu, quem te vê - Chico Buarque 1967


Quando o carnaval chegar - Chico Buarque 1972

Um sonho de carnaval - Chico Buarque 1966


quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

TOMIE OHTAKE – CORRESPONDÊNCIAS

Uma grande ideia do curador em buscar nas obras de outros artistas pontos em comum, correspondentes.

Com obras de artistas de diversas escolas, dispostas conforme algum ponto em comum ou semelhante como as cores, formas, relevos e soluções de disposições dos temas dentro dos trabalhos.

A longevidade produtiva de Tomie Ohtake permite seu diálogo com artistas de várias gerações, mostrando assim seu ecletismo e inquietação, não se prendendo sempre ao mesmo estilo, inovando e se renovando sempre.


Rai das Cores - Caetano Veloso

Abaixo das imagens, o "press-release", fornecidos pela assessoria de imprensa do Instituto Tomie Ohtake.


Cildo Meireles - Épuras Absurdas 2B, PB, 1991 Pintura, 120 x 160 cm, Coleção particular

Paulo Pasta, MIssa sem Deus, 2009, óleo s/ tela 240 x 300 cm 2011 Edouard Fraipon

Tomie Ohtake - Sem título, 1994  170 x 170 cm

Tomie Ohtake - Sem título, 1978  100 x 100 cm

Tomie Ohtake - Sem título,1996, 150 x 150 cm

Tomie Ohtake - Sem título  2000  130 x 130 cm




TOMIE OHTAKE – CORRESPONDÊNCIAS

Abertura: 6 de fevereiro, às 20h – 24 de março de 2013

A primeira das três exposições que o Instituto Tomie Ohtake prepara para comemorar, em 2013, o centenário da artista que lhe dá o nome, estabelece relações de aproximação e contraposição entre a sua produção desde 1956 até 2013 e obras de artistas contemporâneos, de Mira Schendel e Hércules Barsotti a Lia Chaia e Camila Sposati, passando por Cildo Meireles e Nuno Ramos, entre outros.
Com curadoria de Agnaldo Farias e Paulo Miyada, a mostra aponta intersecções entre os campos de interesse do trabalho pictórico, como a cor, o gesto e a textura. Segundo os curadores, a partir destes núcleos revelam-se temas e sensações inesperados, tanto na obra de Tomie Ohtake, como na de seus interlocutores.

“Partindo do gesto, por exemplo, somos conduzidos pelas linhas curvas das esculturas de aço pintado de branco de Ohtake, que atravessam o espaço e lhe imprimem movimento, as quais se encontram com a linha inefável dos desenhos Waltercio Caldas e a linha espacial composta pelo acúmulo de notas de dinheiro de Jac Leirner”, explicam.
Ressalta também a dupla de curadores, que a curvatura do gesto das mãos de Tomie anuncia-se nos indícios da circularidade presentes em suas primeiras telas abstratas produzidas na década de 1950 e culmina no círculo completo e na espiral, formas recorrentes nas últimas três décadas de sua produção. Esse percurso é apresentado em companhia de obras que extravasam o interesse construtivo da forma circular, procurando relações com o corpo do artista e com estratégias de ocupação do espaço, como nas obras de Lia Chaia, Carla Chaim e Cadu.

Uma vez que se forma o círculo, discute-se a cor, pele que corporifica toda a produção de Tomie e fundamental aos artistas que são apresentados nesse grupo. “De contrastes improváveis a variáveis que demonstram a profundidade latente em um simples quadro monocromático, exemplos de pinturas dos anos 1970 figuram lado a lado com obras recentes de Tomie e com telas de especial sutileza na produção de artistas como Alfredo Volpi, Paulo Pasta e Dudi Maia Rosa”, destacam os curadores. Segundo eles, em Tomie, a cor é sempre realizada por meio da textura e da materialidade da imagem, que foi deixada a nu em suas "pinturas cegas" do final da década de 1950 e, desde então, nunca se recolheu, mesmo em telas feitas com delicadas camadas de tinta acrílica.
Completa o pensamento curatorial a tese de que há uma longa linha de experimentos que desfazem a ilusão da neutralidade do suporte da imagem pictórica, a qual se inicia muito antes das colagens cubistas e possui um momento decisivo nas iniciativas que ousaram liberar-se do verniz em parte de algumas pinturas realizadas no século XIX. “Essa linha de experimentos tem em Tomie uma pesquisadora aplicada, que pode reunir em torno de si figuras tão distintas como Flavio-Shiró, Arcangelo Ianelli, Nuno Ramos, Carlos Fajardo e José Resende”.
Em agosto, os estudos de Tomie – desenhos, projetos de esculturas, colagens etc – serão tema da próxima mostra comemorativa de seu centenário (21 de novembro de 2013). Já no mês em que a artista completa 100 anos, o Instituto inaugura uma grande exposição, “Gesto e Razão Geométrica”, com curadoria de Paulo Herkenhoff e lança um novo livro sobre a obra pública de Tomie.
No mês de fevereiro ainda será inaugurada no dia 23 (23 de fevereiro a 23 de março), na Galeria Nara Roesler, uma individual da artista, também com curadoria de Agnaldo Farias, apresentando esculturas recentes e sua nova série de pinturas (2012/2013). “Nossa grande artista apresenta duas sereis inéditas de pinturas monocromáticas, uma demonstração da sua maestria em expandir as cores trabalhando-as em profundidade, criando atmosferas luminosas ou ensombrecidas”, afirma o curador.
Exposição: Tomie Ohtake – Correspondências
Abertura para convidados: 06 de fevereiro, às 20h
Até 24 de março de 2013
De terça a domingo, das 11h às 20h – entrada franca
Instituto Tomie Ohtake
Av. Faria Lima, 201 (Entrada pela Rua Coropés, 88) - Pinheiros SP
Fone: 11.2245-1900
Informações à Imprensa
Pool de Comunicação – Marcy Junqueira
Martim Pelisson
Fone: 11.3032-1599

sábado, 2 de fevereiro de 2013

Eliane Goes - O Poder do Traço

Telas em acrílico que transmitem uma serenidade ímpar, que mesmo sem abusar das cores, conseguem nos inserir nas cenas retratadas, nos passando o momento, quase sempre de reflexão ou introspecção.

Usando cores básicas como o branco, preto, cinza e "flicts" (kaki), consegue compor suas imagens com expressões de angustia, dor, contemplação, êxtase e também às vezes com um erotismo sutil e delicado, de grande complexidade.

De traços econômicos mas não menos precisos, que constroem toda uma história; a pouca cor que em outros artistas consideraria preguiça ou falta de conhecimento, com ela faz todo o sentido.

Há também a personalização de mobiliário, agora já mostrando seu pleno conhecimento no uso das cores,  com cadeiras decoradas em vários motivos, que fazem um conjunto muito agradável, bonitos mesmos, que podem servir perfeitamente à criação de um ambiente ou instalação, permitido seu pleno desfrute.





Cores Vivas - Gilberto Gil

Abaixo das imagens, o "press-release", gentilmente fornecidos pela assessoria de imprensa do MuBE, já que a assessoria de imprensa contratada pela artista não mostrou o menor interesse em divulgar essa bela exposição.








Eliane Goes traz para o MUBE “O Poder do traço”
Exposição acontece na Sala Burle Marx de 29 de janeiro a 27 de fevereiro

São Paulo, janeiro de 2013 – Nascida em São Paulo, Eliane sempre soube que queria desenhar. Aos oito anos ganhou um concurso de desenho para jovens da escola de Belas Artes e a partir dai, não parou mais. Desenvolveu estampas para marcas femininas, fez desenho animado, pinturas em vários tipos de superfície e foi assim que criou as cadeiras que fazem parte da exposição “O Poder do traço”.
“Essas cadeiras são um resumo da minha obra. Nelas eu pinto o tecido, a madeira, faço desenho, crio uma escultura, tela... Já fiz exposições em Berlim, Lisboa, Palm Beach, mas essa no MUBE é mais do que especial. Estou compartilhando o meu divã, meu lazer, meu vício” conta a artista plástica Eliane Goes.           
 A exposição conta com 29 peças entre cadeiras e telas. “Tenho uma forte ligação com o traço e com gente. Tenho uma admiração grande pela mulher em todos os seus papéis, pela mãe, pela guerreira, pela fragilidade, por tudo. Ela entra na minha obra sem pedir licença”, completa.
 Serviço:
Eliane Goes – O Poder do Traço
Período expositivo: 30/01 a 27/02 de 2013
Entrada gratuita
Local: Sala Burle Max - Museu Brasileiro da Escultura (MUBE)
Endereço: Av. Europa, 218. São Paulo
Informações: 11 2594-2601, mube@mube.art.br
Horário de funcionamento: Terça-feira a domingo, das 10h às 19h

Contato Assessoria de Imprensa Eliane Goes
Carolina Chichetti
carolc@ferrazmoda.com / 11 3897-9666

Informações à imprensa - MuBe
Index – Estratégias de Comunicação
Tel.: 11 3068-2000
Fred Castilho – fred@indexassessoria.com.br



terça-feira, 8 de janeiro de 2013

Barbatuques - TUM PÁ

Um excelente começo de temporada para as crianças e pessoas de bem com a vida. No Teatro Anchieta do SESC Consolação o espetáculo TUM PÁ nos dá uma bela pista de como será a sua programação infanto-juvenil deste ano.

Do consagrado Grupo Barbatuques especializado em extrair sonoridades inesperadas do corpo humano,  apresenta seu primeiro espetáculo dedicado a esse público com composições próprias e do nosso cancioneiro popular, que mantém os espectadores entusiasmados durante toda sua duração.

Me encantou particularmente o arranjo de Peixinhos do Mar, no player abaixo, que me pareceu de uma sofisticação raras vezes ouvida em outros grupos.

Há uma canção que, pelo seu conteúdo quase escatológico, é dispensável, mas não afeta o resultado final
que é brilhante.


Peixinhos do Mar - Barbatuques

No vídeo abaixo a música que dá nome ao espetáculo.