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sábado, 18 de outubro de 2014

Salvador Dalí - Instituto Tomie Ohtake

Essa é, imagino, a exposição que levará mais de um milhão de visitantes ao Instituto Tomie Ohtake.

Além da importância do artista na pintura universal, sua mística cria curiosidade em torno de sua vida tanto quanto a de seus trabalhos.

Uma belíssima mostra, com um acervo eclético dentro do universo de Salvador Dali, completada por mais sete trabalhos que não constavam na edição do CCBB do Rio de Janeiro, apresenta obras em vários suportes como também de diversas fases, e é completada por fotos, vídeos de seus filmes e entrevistas.

Minha impressão de Salvador Dali é a de que dentro de sua efervescência mental, de onde tirava seus magníficos trabalhos, criou e viveu uma "persona" exuberante, um dandi surrealista de bigodes hipnóticos que com sua mulher Gala viviam um vida idílica. 

As reportagens dizem ser essa a mais completa exposição de Salvador Dali no Brasil, mas se não me falha a memória, estive em uma no MASP nos anos 70/80 que apresentava várias outras obras icônicas do artista

Esse é um passeio que não se pode perder, pois é a oportunidade de se rever ou apresentar aos nossos filhos esse artista magnífico que às crianças pode encantar e aos adultos causar reflexões. Esta foi a terceira vez em curto espaço de tempo que tive a oportunidade de apreciar obras de Dali, sendo que a primeira foi na  Caixa Cultural, com a exposição Dali - A Divina Comédia, onde  foram apresentados os desenhos que ilustraram uma das edições da obra de Dante e a segunda na mostra Tauromaquia na FAAP, que nos trazia suas ilustrações ao tema. 


Firebird Suite - 11. Berceuse: L'Oiseau de feu - Igor Stravinsky



Abaixo das imagens, o "press-release" fornecidos pela assessoria de imprensa do Instituto Tomie Ohtake.















Instituto Tomie Ohtake
Apresenta
Salvador Dalí

Abertura: dia 18 de outubro de 2014, das 11h às 15h (convidados)
Visitação: de 19 de outubro de 2014 a 11 de janeiro de 2015


O Instituto Tomie Ohtake, responsável pela organização da maior retrospectiva de Salvador Dalí (1904-1989) já feita no país, traz agora a mostra para a sua sede. Salvador Dalí, em São Paulo, apresenta, no entanto, algumas novidades em relação à temporada carioca: além dos trabalhos já apresentados no Rio de Janeiro, compõem a mostra paulista cinco novas obras provenientes da Fundação Gala-Salvador Dalí e outras duas do Museu Reina Sofia, instituições detentoras de 90% dos trabalhos expostos. As obras que foram incluídas substituem alguns dos trabalhos da coleção do Museu Salvador Dalí, da Flórida (EUA).

Dentre essas sete obras do mestre do surrealismo que estarão exclusivamente em cartaz no Instituto Tomie Ohtake está o valioso e pequeno óleo sobre madeira "O espectro do sex-appeal" (1934). Do tamanho de meia folha de papel, atribui-se à pequena pintura a forma como Dalí plasmou, de modo concreto, o temor pela sexualidade. "Desnudo" (1924), que pertenceu a Federico García Lorca, "Homem com a cabeça cheia de nuvens" (1936), de profunda carga simbólica, com referência explícita a René Magritte e "O piano surrealista" (1937), fruto de sua colaboração com os Irmãos Marx, estão também entre os trabalhos incluídos.

Acompanha a exposição no Instituto Tomie Ohtake um catálogo especial, que aborda a totalidade das peças então apresentadas – 218, assim como sua recepção crítica entre escritores e especialistas de grande renome, como Eliane Robert Moraes, Paulo Miyada, Veronica Stigger.

A retrospectiva de Dalí, com curadoria de Montse Aguer, diretora do Centro de Estudos Dalinianos da Fundação Gala-Dalí, foi organizada para convidar o público a mergulhar por um universo onírico, simbólico e fantasioso. O conjunto de peças é formado por 24 pinturas, 135 trabalhos entre desenhos e gravuras, 40 documentos, 15 fotografias e quatro filmes. O espectador terá contato com a produção de Dalí desde os anos 1920 até seus últimos trabalhos, proporcionando ao visitante uma clara percepção de sua evolução, não só técnica, mas de suas influências, recursos temáticos, referências ideológicas e simbolismos.

Será possível ver as telas do período de sua formação como pintor - além de "Desnudo", já citado, “Retrato de meu pai e casa de Es Llaner”, de 1920, “Retrato de minha irmã”, de 1925, e “Autorretrato cubista", de 1926. Tais pinturas, além de marcarem o início da pesquisa de Dalí, também dão mostras de sua vasta e instigante produção de retratos, que, em suas diferentes interpretações e abordagens, acompanham a metamorfose de um trabalho marcado pelo questionamento sobre a realidade.

 A fase surrealista, que deu fama mundial ao catalão, será retratada em telas que apresentam seu método paranóico-crítico de representação, com obras muito significativas como “O Sentimento de Velocidade”, (1931), “Monumento imperial à mulher-menina” (1929), “Figura e drapeado em uma paisagem” (1935) e “Paisagem pagã média” (1937).

O público também poderá conferir a contribuição de Dalí para a sétima arte. Os filmes O cão andaluz (1929) e A idade do ouro (1930), codirigidos por Salvador Dalí e Luís Buñel, e Quando fala o coração (1945), de Alfred Hitchcock, cujas cenas do sonho foram desenhadas pelo artista, serão exibidos dentro do espaço expositivo, apresentando um pouco mais da diversidade e da linguagem adotada pelo artista. Além disso, duas mostras de cinema acontecem em paralelo à exposição: a Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, em outubro, que exibirá os filmes O cão andaluz (1929) e A idade do ouro (1930), em suas versões integrais, e o Museu da Imagem e do Som (MIS) organizará a mostra Surrealismo no Cinema, entre os dias 16 e 21 de dezembro (a programação poderá ser consultada pelo site www.mis-sp.org.br, mais próximo à data da mostra).

O acervo, por sua vez, apresenta documentos e livros da biblioteca particular de Dalí, provenientes do arquivo do Centro de Estudos Dalinianos, que dialogam com as pinturas proporcionando ao visitante uma viagem biográfica e artística pela carreira do pintor. É o caso dos títulos Imaculada Conceição (1930), de André Breton e Paul Eluard, e Onan (1934), de Georges Hugnet. As raridades tiveram seus frontispícios assinados por Salvador Dalí e retratam as bases do surrealismo na literatura.

 O conjunto conta ainda com as ilustrações feitas para os clássicos da literatura mundial, como Dom Quixote de La Mancha, de Miguel de Cervantes, e Alice no País das Maravilhas, de Lewis Carrol. Merecem destaque os desenhos que ilustram o livro Cantos de Maldoror (1869), de Isidore Lucien Ducasse (mais conhecido como Conde de Lautréamont), autor de grande referência entre os jovens surrealistas. É possível reconhecer nesses desenhos, por exemplo, as muitas figuras recorrentes na obra de Dalí, como objetos cortantes, muletas, corpos mutilados etc. Eliane Robert Moraes, em texto que acompanha o catálogo da exposição, diz que, movidos por uma crescente revolta pós-guerra, esses artistas “viram na violência poética de Ducasse uma alternativa para seus dilemas estéticos e existenciais”.

 “Queremos mostrar o Dalí surrealista, mas também aquele que se antecipa ao seu tempo, que é audacioso, que defende a liberdade de imaginação do artista em sua própria criação. Ao mesmo tempo, a mostra passeia pela trajetória artística e pessoal de Salvador Dalí”, explica Montse Aguer, curadora da exposição. “Após a visita, todos entenderão sua importância como artista, não só no surrealismo, mas na história da arte. Isso significa uma importante ligação com a arte contemporânea, enquanto Dalí parte de uma profunda compreensão e respeito pela tradição”, conclui.

Para trazer o acervo ao Brasil, o Instituto Tomie Ohtake participou de uma longa negociação com os museus envolvidos. “Foram cinco anos de muitas tentativas e conversas com os detentores das grandes coleções de Dalí, para se concretizar as exposições do artista no Brasil, pela primeira vez com pinturas, e com maior concentração na fase surrealista”, revela Ricardo Ohtake, presidente da instituição.

Segundo Ohtake, o Instituto tem se destacado por realizar uma programação múltipla e independente, possível graças ao apoio de empresas que acreditam no poder da cultura e da arte na formação do país. “São parcerias que construímos em cada projeto” afirma. No caso da exposição de Dalí, foi fundamental o patrocínio em São Paulo, da Arteris, do IRB Brasil RE e da Vivo, o co-patrocínio da Atento e do Banco do Brasil e o apoio da BrasilCap, BrasilPrev, dos Correios, do Grupo Segurador BB Mapfre e da Prosegur.

Exposição: Salvador Dalí
Inauguração: dia 18 de outubro de 2014, das 11h às 15h
Visitação: 19 de outubro de 2014 a 11 de janeiro de 2015
De terça a domingo, das 11h às 20h
Livre - Entrada gratuita por sistema de senhas: distribuição das 10h às 18h (terça a domingo) na entrada do Instituto Tomie Ohtake; no máximo duas senhas por pessoa, com opção a três horários de visitação, 11h, 14h e 17h, e somente para o dia em que forem retiradas; última entrada, às 18h.

Instituto Tomie Ohtake
Av. Faria Lima 201 (Entrada pela Rua Coropés 88) - Pinheiros SP
Metrô mais próximo - Estação Faria Lima/Linha 4 - amarela
De terça a domingo, das 11h às 20h

Informações à Imprensa
Pool de Comunicação – Marcy Junqueira / Martim Pelisson
Fone: 11 3032 1599


sexta-feira, 17 de outubro de 2014

Dario Felicissimo

Como é gratificante conhecer um artista que além de talentoso domina plenamente as técnicas de desenho e pintura, apresentando trabalhos em suportes ecléticos que encantam e emocionam.

O texto de apresentação de Ignácio de Loyola Brandão, abaixo das imagens, completa brilhantemente a apreciação das obras, prendendo nossa atenção às minúcias e filigranas próprias a cada uma.

Em cartaz na Fibra Galeria é um belo passeio onde percebemos que ainda existem bons jovens artistas que levam a sério seu mister.



Borodin- Polovtsian Dances







Circulemos por estas ruas, espaços, paredes poéticas, reais, ilusórias, intrigantes
 por Ignácio de Loyola Brandão
As cidades de Dario. Os habitantes vivem nos mesmos espaços, mesmas quadras, ruas, avenidas, becos, edifícios, frequentando os mesmos bares, empórios, farmácias, restaurantes, shoppings de informática, lojas, elevadores, e não se comunicam, não se entendem. Olham-se e não reconhecem uns aos outros.
Nas cidades de Dario seus habitantes vivem impregnados de fantasias, sonhos, medos, terrores, festas, flores, pássaros, bolas, sonhos, amebas, vazios, seres que nos parecem de outras galáxias. O que é ser, o que é parecer? Quem garante que não foram gerados embaixo de nossos pisos, tetos, atrás de nossas paredes, em nossas camas, no canto de esquinas escuras, mal afamadas.
Aqui há letras desconhecidas de alfabetos não identificados, palavras não criadas, formas que se contorcem e distorcem em água, aquários em que ratazanas convivem com peixes, ratazanas se tornam peixes em metamorfoses kafkianas, darianas.
O que vemos ou imaginamos ver nestes trabalhos? Cubículos fechados nos quais não se entra, dos quais não se sai. No céu todo tipo de seres, homens, animais, crianças, objetos, surfam em pranchas róseas.
O corte vertical de um prédio sem entrada.  Cômodos. Uns vazios, outros com um sofá e um quadro, um com um jacaré, outro com uma cadeira que pode ter vindo do quarto de Van Gogh. Um homem é alto demais para um pé direito baixo, o que o obriga a curvar-se. Os homens curvam-se tanto.
Estranhos seres parecendo humanos. Ou humanos normalmente estranhos. Há ainda o que poderia ser a miniatura – ou será um projeto inacabado? - da torre de Babel, uma vez que nas metrópoles de hoje todos falam nos celulares, digitam, tuitam, ninguém se entende. Humanos perdidos. Mas os humanos estão perdidos desde que foram criados, solitários desde que nasceram. Condenados assim que nascem.
Uma laje paira solta, ameaçadora sobre um grupo em pé. A laje superior pode a qualquer momento desabar sobre as pessoas, mas ninguém se preocupa, cogita.  Reflexões há muito se extinguiram.
Os isqueiros, de inocente uso diário, para acender um cigarro (mas o politicamente correto não eliminou o fumo?), uma vela de aniversário, uma boca de fogão para fazer a comida, iluminar um espaço escuro, os isqueiros tornam-se mortais, catastróficos, ao acenderem coquetéis Molotov, ao atearem fogo aos coletivos, cujos passageiros morrem no seu interior ou se sufocam jogando-se pelas janelas estreitas. A violência do cotidiano tornou-se prosaica. O vandalismo acabou banalizado.
Não se deixe enganar pela plácida beleza destes quadros, pelos desenhos que lembram Escher, histórias em quadrinhos, Crumb, Mutarelli. São alertas, sirenes e alarmes. Solte-se. Entregue-se.

Visões oníricas, surreais, ilusões de ótica.
Ou quem é Dario?
-          Dario o que?
-          Felicissimo.
-          De onde?
-          Paulista, mas família mineira, belo-horizontina.
-          Quantos anos?
-          36.
-          Estudou onde?
-          Além dos livros, gibis, cinemas, minhas longas incursões pelos sebos das cidades, fiz a FAAP. Pensei em cinema, fiz artes plásticas.
-          E estes 25 trabalhos? Aquarelas, desenhos, pinturas, objetos.
-          Minha visão de mundo, vida. Sem títulos. Visões oníricas, surreais, ilusões de ótica, reais. Minhas cidades.
-          Influências, buscas?
-          Moebius, Chiclete com Banana, Lourenço Mutarelli, Philip Guston, contaminação Pop, Escher.
Vejo cadernos empilhados. Cadernões de capa dura, caderninhos, Moleskines, Cicero, capas negras, tamanhos variados. Centenas. Traços, desenhos, anotações visuais. Daqui nascem os trabalhos de Dario.
-          Por que não exibir também estes cadernos tão fortes (belos) quanto o que está na parede? Adoraria olhar para um e ver o resultado, desvendando o processo de criação, sobre o qual você tem indicações, mas que leva seus mistérios. Nestes cadernos estão as buscas, as reiterações, repetições, encontros, bloqueios descobertas.
-          Talvez...
Meu olhar atravessa a exposição, deparo com geometrias, simetrias, assimetrias, quebras, desequilíbrio. Ah, se eu ainda editasse a revista Planeta como nos anos 70, Dario seria meu ilustrador número um.
Este artista que circula por megalopolesmetropolesaldeias, desvenda vãos e desvãos, becos, grades, ruelas, vielas, corredores, nuvens. Captura tipos, situações, orquestra os gritos, ruídos, a fumaça, a poluição, grava os humanos perplexos, os viadutos. Escadas dão em lugar nenhum.
A cidade exibe seus poros, nervos, músculos, células contaminadas. Dario abre o caderninho, anota, transfigura.

Quadros de uma exposição- 1
(Ao som de Mussorgski ou da trilha sonora wagneriana do filme Apocalipse Now de Coppola, ou mesmo Sampa cantado por Caetano e Ronda, de Vanzollini e Saudosa maloca, de Adoniran, para dar um clima)
Trabalhos que são símbolos, metáforas de cidades congestionadas, grades nas portas, janelas, portões, câmeras e luzes de segurança, ônibus nos monotrilhos, ciclovias, faixas de ônibus, motoqueiros correndo entre carros, bi bi bi bi bi bib, um zumbido infernal, medo nos cruzamentos, vidros fechados protegidos por insufilme, como se fossem carcaças vazias, metrôs superlotados, manifestações ocupando as ruas, black blocs com marretas quebram vitrines, põem fogo em ônibus. Bombas de efeito moral tiros de borracha

Quadros de uma exposição. 2
Uma arquiteta pergunta a Dario:
-          O que sustenta essa pedra retangular ameaçadora?
-          O pensamento das pessoas.
-          Mas... e se eles param de pensar?
-          A pedra cai.
-          Então?
-          Então...

Quadros de uma exposição. 3

O pai, cinéfilo, pergunta:
-          De onde vêm estes pássaros hitchcockianos?
-          Dos ninhos.
-          Aves desconhecidas. Não estão em nenhum manual de ornitologia. Onde são os ninhos?
-          Na cabeça do desenhista, do pintor, do poeta, do inconformista, do louco, do bêbado, do indignado.
-          E onde estão ou ficam esses poetas, loucos, desenhistas?
-          Na cabeça do desenhista, do pintor, do poeta, do louco, do bêbado, do calado. Da sua mente, de cada um nesta exposição, de quem vê.
-          Da minha?
-          Sim, abra, solte seus pássaros. Não sufoque!

Quadros de uma exposição. 4
A namorada, intrigada, fascinada, perguntou ao pintor:
-          O que é isso?
-          A fila para ver a fila.
-          Mas é um emaranhado.
-          Sim, filas que não começam e não terminam. Não conduzem a lugar nenhum e não se iniciam, não vêm de nenhum lugar. Filas de espera, de teatro, cinema, restaurante, bar, repartição pública, delegacia de policia, do pronto atendimento, a fila da bolsa família, das escadas rolantes, do metrô, INSS, lotérica, do céu ou do inferno (que para o purgatório ninguém vai mais).
-          Nestas filas as pessoas não se olham...
-          E não se falam, não perguntam nem respondem não sabem onde estão, para onde vão, de onde vem.
-          Filas para o nada?
-          Para que são as filas?

Quadros de uma exposição. 5
Uma senhora elegante, culta, atraente, pede:
-          O que é esta arte?
-          Não pergunte a mim.
-          A quem, então? Ao pintor?
-          Não se deve perguntar ao pintor.
-          A quem, a um teórico, um professor?
-          Não pergunte a ninguém, a não ser a você mesmo. O artista quer que você responda.
-          Eu? Por quê? O artista não responde?
-             . Ele faz. Quem responde é você.
-          E você?  Por que não me diz?
-          Posso te dizer mil coisas, mexo com palavras, brinco, investigo, especulo. O que digo será diferente do que você vai me dizer. O que vejo está certo. O que você vê está certo!
-               Quantas certeza há?
-          Mil. E um milhão de dúvidas.
Dario nos leva por mil caminhos, nos deixa perder em um milhão de descaminhos.
                                   *
Ignácio de Loyola Brandão, nascido em Araraquara em 1936, escritor e jornalista, 42 livros publicados entre romances, contos, crônicas, infantis, viagens. Prêmio Jabuti com O Menino que Vendia Palavras, Melhor Livro de Ficção de 2008. Ator dos clássicos modernos Zero e Não Verás País Nenh

quarta-feira, 24 de setembro de 2014

GUIGNARD – SONHOS E SUSSUROS

Sem nenhuma dúvida esta é a melhor exposição em cartaz hoje em São Paulo.

Com uma seleção nada mais do que magnífica de obras, quase todas de coleções particulares que não estão à venda, consegue nos mostrar as várias fases do trabalho do artista, como as naturezas-mortas, as paisagens e os retratos.

Admirável o trabalho da curadora ao lidar com variáveis improváveis como disposição dos colecionadores, seguradoras, transporte, conservação e segurança das mesmas no salão da mostra.

O espaço perfeitamente adequado aos trabalhos mostrados cumpre perfeitamente seu objetivo.

A Galeria Almeida e Dale transcende sua função básica que é o comércio de arte, passando a ser um importante centro cultural na rica cena paulistana.

Um grande passeio.


Portal da Cor - Milton Nascimento

Abaixo das imagens, o "press-release" fornecidos pela assessoria de imprensa do evento.





















GALERIA ALMEIDA E DALE APRESENTA
GUIGNARD – SONHOS E SUSSUROS

Com curadoria de Denise Mattar, exposição traça panorama da carreira do pintor Alberto da Veiga Guignard. De 23 de setembro a 29 de novembro


No próximo dia 23, terça-feira, a Galeria Almeida e Dale inaugura a exposição GUIGNARD – Sonhos e Sussurros, com curadoria de Denise Mattar. São 48 obras de Alberto da Veiga Guignard, de coleções particulares e institucionais, de diferentes regiões do Brasil e raramente expostas, que permitem uma visão global da produção de um dos maiores ícones da pintura brasileira.

A rica seleção feita pela curadora revela um olhar que destaca a poética do artista, mostrando que, entre nuances e mudanças, o Guignard dos trabalhos fluídos de 1960 já está contido nas obras de traços vigorosos dos anos 1930, com destaque para as paisagens, flores e retratos, além de obras que contemplam a temática religiosa e da natureza morta.

“Em Guignard a figuração é um suporte para a pura emoção estética, toda a obra do artista é uma experiência espiritual. Seus universos são etéreos, instáveis e luminosos. Nas paisagens de sonho nada se revela, tudo é sussurro, e, apesar de marcada por profunda melancolia, a obra de Guignard é doce.” diz a curadora Denise Mattar.

A exposição torna possível um olhar geral sobre a carreira de Guignard, ao juntar obras que dificilmente são expostas ao público. Estão na exposição quadros de coleções particulares importantes, entre elas as de Angela Gutierrez, Ronaldo Cezar Coelho, Airton Queiroz, Israel Vainboim, Paula e Silvio Frota, Yolanda Queiroz e Priscila Freire, e de instituições renomadas, como Fundação Edson Queiroz e Museu Casa Guignard, além da Coleção Roberto Marinho e da Coleção Gilberto Chateaubriand – Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro.

Do Museu Casa Guignard, em Minas Gerais, vem o imponente quadro Paisagem, de 1947. Com 1,58 m de altura e 2,08 m de largura, a obra é exposta pela primeira vez em uma galeria. As belezas de Minas Gerais também podem ser vistas em Paisagem de Ouro Preto, de 1962, uma das últimas obras de Guignard.

Representações do Jardim Botânico do Rio de Janeiro, raras pela extrema qualidade, também estão na mostra, assim como Flores, pintado na década de 1940, e Vaso Com Flores e Maçãs, de 1931, considerados alguns dos mais belos vasos de flores de Guignard. 

A seleção de retratos também apresenta obras há muito tempo não expostas, como Família Paisagem de Minas, da década de 1930. Retrato de Semiramis (1942), cuja moldura também foi pintada por Guignard, e Retrato de Menina (1935) também estão na mostra.

A exposição GUIGNARD – Sonhos e Sussurros fica em cartaz até 29 de Novembro, com visitação de segunda a sexta das 10 às 18h, sábados das 10 às 14h.

GUIGNARD – Sonhos e Sussurros, na galeria Almeida e Dale
Coquetel de abertura (para convidados): terça-feira, dia 23 de setembro, das 19h às 23h
Visitação: De 24 de setembro a 29 de novembro
De segunda a sexta das 10h às 18h, sábado das 10h às 14h
Entrada franca
Rua Caconde 152, 01425-010, São Paulo SP
Telefone: (11) 3882-7120/ 3051-2311

Informações para a imprensa:
A4 Comunicação
+55113897-4122
Evandro Pimentel – evandropimentel@a4com.com.br
Juliana Martins – julianamartins@a4com.com.br

Neila Carvalhoneilacarvalho@a4com.com.br

domingo, 21 de setembro de 2014

Pelo Mundo com Mawaca

Esse é mais um daqueles espetáculos que transcende a classificação infantil, agrada a todos os espectadores, já que o repertório, o figurino e os objetos de cena nos transportam para dentro das cenas e nos fazem viajar.


A companhia montou este show com músicas do mundo todo, sua especialidade, já que pesquisa e nos apresenta canções de todos os povos e crenças.

Os músicos e as cantoras são de uma competência que beira o virtuosismo nos deixando quase em êxtase durante todo o show. Os arranjos, tanto os vocais são belíssimos, demonstrando o profissionalismo do grupo.

Em cartaz no Teatro Anchieta, SESC Consolação, até 11/10/2014.





Abaixo do vídeo o texto de apresentação, colhido no site do SESC.




O Grupo Mawaka convida o público infantil para uma grande viagem musical por vários lugares do mundo como França, Albânia, Tanzânia, Índia, Portugal, Israel e Brasil, criando uma verdadeira trama de sons e fios de histórias que se entrelaçam durante o espetáculo. Com Magda Pucci, Sandra Oak, Rita Braga e Zuzu Leiva - Vozes; Ana Eliza Colomar - sax, flauta, violoncelo e hulusi; Ramiro Marques - sax e hulusi; Gabriel Levy - acordeom, kalimba; Aloisio Oliveira - acordeom, kalimba; Rogério Botter Maio – contrabaixo; Beto Caldas – percussão.

segunda-feira, 15 de setembro de 2014

Design Dinamarquês - Mestres e Ícones

Esse é um assunto que me fascina, a aliança da utilidade com a arte, com a beleza. A conjunção destes dois fatores quase sempre proporcionam um resultado surpreendente.

É encanador ver uma simples bomba d'água e ficar agradavelmente impressionado com seu desenho e logo pensarmos em substituir as nossas, mesmo que elas quase sempre fiquem instaladas em uma casa de máquinas ou porões.

Os objetos do cotidiano adquirem uma atração extra que supera suas funções originais.

As peças mostradas, além de bonitas são sempre confortáveis e funcionais trazendo a alegria do inusitado aos ambientes que se destinam.

Um belo passeio que completa a visita à mostra Histórias Mestiças, que está em cartaz no Instituto Tomie Ohtake.


Oh Land - Sun of a Gun

Abaixo das imagens, o "press-release" fornecidos pela assessoria de imprensa do Instituto Tomie Ohtake.









INSTITUTO TOMIE OHTAKE
APRESENTA
Design Dinamarquês - Mestres e Ícones
Abertura: 20 de agosto – até 28 de setembro de 2014

Mestres e Ícones inaugura uma parceria entre o Instituto Tomie Ohtake, a Agência Dinamarquesa para a Cultura e o Museu de Design da Dinamarca, que prevê uma série de exposições de designers dinamarqueses no Brasil e de brasileiros no país escandinavo.
Esta primeira mostra no Instituto Tomie Ohtake traz a proeminência do design dinamarquês construída no século XX até os dias de hoje, por meio de 50 peças – objetos e mobiliário. A exposição destaca sobretudo cadeiras, por sublinhar o modernismo orgânico adotado pelo país e que tornou o seu design especialmente original, diferente da rigidez racionalista praticada pela escola alemã.
Depois da Guerra, foi na Dinamarca e no restante da Escandinávia, de maneira geral, que o ideal modernista de produzir para a massa e entrar na vida diária das pessoas melhor se refletiu. O desenho mais orgânico propiciou o surgimento de uma indústria forte que produzia peças leves, flexíveis e dobráveis, mais aceitas e por isso mais populares.   
A peça mais antiga da exposição é a luminária PH de 1926, do designer Poul Henningsen, também editor da revista Kritisk Revy (1926/28/29), crítica do formalismo técnico e estético do avant-garde internacional, o qual chama de “modernistas tristes”.    Da conhecida era do ouro, os anos 1950 e 1960, a mostra reúne criações dos excelentes mestres que se destacaram internacionalmente, como: Finn Juhl, Hans Wegner e Arne Jacobsen e a ourivesaria de prata do fabricante Georg Jensen. Na década de 1950, foi criado pelos dinamarqueses o sistema Lego, que está presente na exposição com peças atuais e daquela década. Entre os trabalhos dos anos 1980 e 1990 destacam-se as dos designers Jorgen Rasmussen, Verner Panton e Nanna Ditzel, enquanto, do século XXI, as obras de Morten Voss, Louise Campbell, Foersom&Hiort-Lorenzen e Christian Flindt sinalizam a continuidade da histórica excelência.

Neste pequeno, porém abrangente, panorama do design dinamarquês, o curador Lars Dybdahl, do Museu de Design da Dinamarca, apresenta dez reflexões acerca da identidade desta produção. Esses pontos estão todos em jogo nos 50 objetos da exposição, em termos de significado e uso.

1/ O encontro com o novo que veio de fora – moderação no diálogo com o estrangeiro
A cultura de produtos e de design dinamarqueses foi formada no encontro com o novo que veio de fora – posturas mediadoras, modificadoras e tradições têm se desenvolvido durante muitos anos de interação com o estrangeiro. Especialmente com o resto da Europa, e no século XVIII, e muito com os EUA e o Japão. No presente, foi aberto o diálogo com o Brasil e os outros países do BRICS. O diálogo com o estrangeiro normalmente tem se conectado com análise, um grande potencial inovador e soluções de design com elaboração de características técnico-funcionais de produtos.

2/ Construir pontes – “preservar a continuidade do desenvolvimento”
Até os anos 1960, a indústria e cultura moderna da cidade foram comparadas e pesadas de acordo com o significado da agricultura e da cultura de artesanato tradicional. E ao invés de confronto de classes, a política dinamarquesa tem se baseado mais em parceria social e em um modelo de bem-estar social. No campo do design, isso significou um equilíbrio profissional entre tradições estáveis e processos de modernização. Na estética de design, o normal não tem sido o rompimento radical - antes a cultura de design tem buscado “preservar a continuidade do desenvolvimento” (crítico de design italiano Augusto Morello, 1958).

3/ Habitabilidade – criação da atmosfera (nórdica)
Já nos anos 1920, funcionalistas dinamarqueses se distanciaram dos conceitos ao mesmo tempo internacionais e avant-garde de interiores de habitações. Nem a ”bomaskine” (a máquina de habitar) de Le Corbusier ou o ideal de interior espartano e frio de Bauhaus ecoaram na Dinamarca. Com uma tradição dinamarquesa e nórdica repleta de qualidade no que diz respeito à cultura de interiores – e assim, certa cisão entre a estética da habitação e a esfera pública –, essa também era a ótica dos designers dinamarqueses após a Segunda Guerra, que estava sintonizada com refinamentos de ideais de habitação modernos, simples e convidativos. A marcenaria de móveis dinamarqueses, seu design e alto grau de elaboração, tiveram grande significado para a “atmosfera nórdica clara e leve” da habitação –  e ainda têm, num tempo em que o design vintage e retrô são fortes evidências da qualidade do tempo, do caráter renovável e da autenticidade dos objetos.

4/ Ferramenta estética, simplicidade e detalhes
Mesmo quando a estética industrial influencia o design dinamarquês, como, por exemplo, em design de aparelhos, as referências ao uso de ferramentas são altamente consideradas: em requinte e exposição honesta de construções; em simples detalhes de cada objeto; no despertar das associações orgânicas; em formas polidas que mimam a aproximação das mãos; no cultivo de materiais, etc. Tudo num esforço fundamental de realizar e marcar um ‘preenchimento de produto’ qualitativo e compatível com o corpo, que seja a favor do usuário; e de um desejo de deixar o produto se comunicar por si mesmo sobre seu uso.

5/ Artesanato (artístico) como fonte de inovação para o design industrial
A tradição de artesãos dinamarqueses de refinamento, tanto da ideia quanto da forma, assim como o aprofundamento no caráter e nos tipos de materiais e potenciais, têm enriquecido a qualidade do design dinamarquês industrial. Especialmente quando o artesão também age como designer e, através disso, ativa as possibilidades de diálogo entre as formas de práticas do artesão e os processos que levam ao design do produto. A textura e a consciência do material se tornaram, assim, num alto nível, um recurso histórico para o artesão dinamarquês, e consequentemente, para o design de móveis e industrial. O artesanato não é visto como uma forma de fabricação antiquada e pré-industrial – e sim como uma qualidade emocional, inteligente e sensitiva.

6/ Valor simbólico e associativo
Quando se fala de forma estereotípica do design dinamarquês, geralmente se evidencia a paz, a harmonia, o funcional e o discreto, a renúncia e a adaptação, o profundo respeito pelo trabalho e coisas similares. Assim, move-se a consciência precisa do valor simbólico da forma, seu potencial criador de imagens e despertador de associações, que com grande força renovadora se manifesta em 1945 em todo o campo do design dinamarquês. A cultura visual dos produtos tinha agora maior valor que anonimato, um deslocamento claro que aponta mais para o design atual escultural e significativamente interativo, do que o de “funcionalismo” que era visto nos anos entre-guerras.

7/ O perfil empático e social – foco no usuário
Na sua mediação entre a produção e o mercado, os designers dinamarqueses têm direcionado seu foco para o usuário e sua relação com o produto. Cuidado social e reflexão ergonômica se tornaram, dessa forma, algumas das qualidades empáticas do design dinamarquês. O clima social, mental e econômico na expansão do estado de bem-estar social também trouxe o desenvolvimento de ferramentas de ajuda para os fisicamente debilitados e de instrumentos técnico-médicos do setor social e de saúde. O modelo do desenvolvimento de produtos num trabalho conjunto entre o design e a indústria nesse campo se tornou uma marca.

8/ A postura antiautoritária – ascensão para todos
A tradição dinamarquesa de radicalismo, de mente aberta e de fala contra autoridades, na ânsia de responsabilidade mútua e mudança, participação e expressão própria, tem sido muito útil para o debate democrático de questões de design de todas as espécies. Esse fator não hierárquico proporcionou o experimental e o inovativo, o sentimento de comunidade e de confrontos férteis nos estúdios e times de design. Muitos trabalhos de designers dinamarqueses dedicados à qualidade pedagógica para crianças também estão localizados de maneira central nesse contexto.

9/ O imperativo orgânico – sustentabilidade
Através de sua iniciativa e agitação profissionais, designers críticos contribuíram significantemente nos anos 1970 para uma nova consciência do meio-ambiente, critérios de sustentabilidade e métodos de trabalho, que então foram depurados nos anos 1990 quando o “design verde” dinamarquês entrou em cena. Em paralelo com a visão de meio-ambiente que ocupava a agenda política dinamarquesa e internacional, os designers afiaram suas competências em desenvolvimento sustentável e cultura de produtos, e as exigências de usuários e leis tornaram as considerações de meio-ambiente quase obrigatórias para os fabricantes. Fair trade também se tornou na Dinamarca uma dimensão cheia de perspectivas em design e sustentabilidade.

10/ O novo temperamento – design dinamarquês no contexto global
O boom do design dos anos 1980 e o caminho para uma nova responsabilidade dos anos 1990 enfraqueceram aparentemente a pegada moderada do design dinamarquês. Muitas sementes de um presente e futuro eficaz de design foram plantadas nesses anos: uma libertação de um temperamento expressivo e inovador em combinação com novas tecnologias e um crescente engajamento humanístico e sustentável na discussão das necessidades humanas e sociais. O desejo totalmente necessário de pensar além da “tradição nacional” e a vontade de contribuir para uma nova agenda internacional, onde os produtos indiferentes nunca serão um trabalho para o valioso designer.

Como atores na sociedade globalizada, os designers dinamarqueses vivem e fazem designs tanto no plano internacional quanto regional, com estúdios e relações de trabalho que hoje existem tanto fisicamente no local quanto digitalmente em aplicativos na Internet. Um ponto de partida na cultura de design nacional influencia ativamente e especialmente nas tendências retrôs à busca de identidade e segurança, que como tal florescem tanto entre os designers quanto entre os usuários. Mas igualmente forte é também a prontidão para o globalismo – uma liga de mudança do “nosso próprio” representa a estabilidade e a dose extra e picante do novo surpreendente que vem de fora, interceptado, e incorporado talvez inconscientemente ou de modo bastante estratégico. 

Esse é o encontro no conceito peculiar “o glocal” – o global unido de forma complexa com o local. E a questão complicada sobre o futuro nacional de caráter condicional do design – Não vai desaparecer, ou se tornar inativo e vazio de calorias nos processos globalizados difusos de natureza econômica, política e cultural do presente e do futuro? Em todas as circunstâncias, é preciso discutir num plano que desconstrua a mitologia.  Na prática de design futura, a transferência de design e a amostragem intercultural são alguns dos pontos focais, e os produtos substanciais exclusivos são desenvolvidos para muitos que mexem com a realidade.


Design Dinamarquês – Mestres e Ícones
Abertura: 20 de agosto, às 20h
Até 28 de setembro de 2014.
Entrada franca
Instituto Tomie Ohtake
Av. Faria Lima, 201 (Entrada pela Rua Coropés, 88) - Pinheiros SP
Fone: 11.2245-1900
De terça a domingo, das 11h às 20h – entrada franca
Informações à Imprensa
Pool de Comunicação – Marcy Junqueira / Martim Pelisson
Fone: 11.3032-1599