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quarta-feira, 5 de maio de 2010

Família Ferrez: novas revelações


Mais uma grande exposição proporcionada pela Galeria Olido, um espaço que depois de restaurado, além de retomar sua antiga grandeza, serve agora como um lindo espaço cultural; apesar de sua localização, o Largo do Paissandú, outrora lugar de glamour, agora o depositário da infelicidade, miséria, degradação e da desesperança do ser humano.
Como nosso poder municipal é capaz de tantos contrastes? Exibir-nos arte de um primor quase indescritível, e abandonar o centro da cidade à sua própria sorte.

Mas, voltando à exposição, temos uma mostra de excepcional importância, pois além da beleza das fotos, quase todas da primeira metade do século XX, estas são também o registro da história do desenvolvimento do país, e notadamente da cidade do Rio de Janeiro.
O rigor técnico adotado pelos artistas nos permitem viajar ao instante do disparo do obturador, fazendo com que nos sintamos parte da cena.

O registro da urbanização do centro do Rio, com a destruição do morro do Castelo, e de importantes monumentos da época colonial, nos faz refletir sobre a validade destas obras e sobre o que se perdeu, restando somente as belas imagens fotográficas.

Há também registros de lindas cenas familiares e de viagens feitas pelos integrantes do clã.

Vá com tempo pois estão disponíveis vários álbuns com diversas fotos em cópias recentes, que completam e enriquecem a visita.

Para este comentário escolhi a música Atraente de Chiquinha Gonzaga, contemporânea dos artistas.



Abaixo das imagens colhidas na internet, o "press-release" dos curadores












Família Ferrez: novas revelações

Exposição que reescreve a história da fotografia no Brasil, chega a São Paulo com imagens inéditas da primeira metade do século XX


A partir de 25 de março, São Paulo poderá ver de perto 396 preciosas imagens fotográficas assinadas por Julio, Luciano e Gilberto Ferrez, respectivamente filhos e neto de Marc Ferrez, o maior nome da fotografia oitocentista brasileira.

A exposição, que já esteve em cartaz no Rio de Janeiro, Belo Horizonte e Curitiba, marca um novo momento da história da fotografia no Brasil, revelando imagens inéditas da primeira metade do século XX, do Rio de Janeiro, São Paulo e do Brasil; do Senegal e de diversos países europeus. Costumes, reformas urbanas radicais, modismos, monumentos, histórias de vida, religiosidade. Tudo à feição dos Ferrez, com riqueza de detalhes e enquadramento.

“Família Ferrez: novas revelações” é resultado de uma seleção de oito mil negativos, que faziam parte do acervo documental guardado por Gilberto Ferrez, incluindo álbuns e arquivos pessoais não só do próprio como de seu pai Julio, seu tio Luciano, e seu avô Marc Ferrez. Essa valiosa descoberta foi encontrada entre os documentos da família, na época da organização do acervo documental dos Ferrez, que foi doado, pelas filhas de Gilberto, para o Arquivo Nacional em outubro de 2007.

A exposição ocupará dois andares da Galeria Olido, no centro da capital paulista, com curadoria de Júlia Peregrino e Pedro Karp Vasquez.

Entre os destaques de São Paulo, estão estrada para Sorocaba (1950) e imagens do centro da cidade (1931), por Gilberto Ferrez. Imagens da Bahia, em especial o cais de Salvador; das cidades históricas de Minas Gerais, do interior do Rio Grande do Sul, Mato Grosso e Goiás, vistas do Rio São Francisco (AL) e igrejas e monumentos históricos de Olinda e Recife, completam o módulo Nossa terra.

O desmonte do Morro do Castelo no Rio de Janeiro, nas lentes de Luciano, merecerá um módulo especial. Nas palavras de Pedro Karp Vasquez “as centenas de imagens de Luciano sobre a derrubada do Morro do Castelo, evidenciam todos os aspectos de seu arrasamento, uma espécie de suicídio urbanístico cujo alto custo social o Rio de Janeiro paga até hoje”. Do Rio de Janeiro serão exibidas ainda imagens da Exposição Nacional de 1922 (comemorativa do centenário da Independência), a reforma do Largo da Carioca, a construção da Cinelândia, raríssimas fotografias da Igreja de São Pedro dos Clérigos (a primeira da América Latina com traçado curvilíneo) – panorâmicas do centro tomadas de Santa Teresa, o perfil original do Mercado Municipal na Praça XV, a expansão da cidade em direção à Zona Sul, e a construção do Cinema Pathé (verdadeiro making of que mostra em detalhes todos os passos da obra), além de registros especiais do carnaval de rua e da ressaca de 21, que abalou a capital fluminense.

As fotos de Júlio, segundo Vasquez, “o cronista familiar e comentarista social dos Ferrez”, estarão no módulo intitulado Comentário Social. Ele retratou a própria família, amigos e personagens anônimos, eternizando a nostalgia e o romantismo da época, com riqueza de detalhes e de luz dignos dos mais sofisticados ensaios fotográficos da atualidade.

Retratos de Julio, Luciano e Gilberto, clicados pelos três, completam a mostra, junto com parte do acervo histórico da Família Ferrez, que inclui álbuns de fotografias, diários de viagens (um dos quais de Cananéia- SP, de Gilberto Ferrez) e correspondências entre eles, contando um pouco da história das imagens que serão apresentadas.

Júlio e Luciano Ferrez desempenharam relevante papel pioneiro na difusão do cinema no Rio de Janeiro, enquanto Gilberto Ferrez, além de dar continuidade ao negócio familiar (em associação com os primos), notadamente com o cinema Pathé, no Rio de Janeiro — até muito recentemente a mais antiga sala de cinema em funcionamento contínuo no país —, foi pioneiro entre os historiadores da fotografia no Brasil. É de sua autoria o primeiro estudo sobre o assunto, “A fotografia no Brasil e um dos mais dedicados servidores: Marc Ferrez, 1843-1923”, publicado na Revista do Patrimônio Histórico, em 1953. Muito antes, em 1905, Julio publicava “O amador photographo”.

O que se ignorava até hoje é que os três também foram exímios fotógrafos, legando à posteridade um acervo de negativos que, no conjunto, excede os oito mil itens.

Julia Peregrino considera essa exposição um marco na história da fotografia brasileira. Ela enfatiza: “Esse precioso acervo inédito não se restringe aos estados do Rio de Janeiro e São Paulo, capital e interior. Foca também as cidades históricas mineiras, monumentos e marcos arquitetônicos goianos, paraibanos e pernambucanos, além de constituir uma instigante amostra dos costumes e do comportamento da sociedade brasileira na primeira metade do século XX.

No âmbito internacional, destacam-se as capitais européias e algumas vistas e retratos da África francesa de grande interesse etnográfico. Outro aspecto interessantíssimo da exposição e a série de retratos do pioneiro Marc Ferrez na velhice, em sua derradeira viagem à Europa, feita por seus filhos, Júlio e Luciano”.

Família Ferrez: novas revelações

Patrocínio: Prefeitura de São Paulo| Secretaria Municipal de Cultura

Galeria Olido Avenida São João, 473 Tels.: (11) 3331-8399 e 3397-0171

Inauguração: 25 de março (para convidados) Período: de 26 de março a 23 de maio Horário: de 3ª a sexta das 12:00h às 20:30h; sábados e domingos, das 13h às 20.00h. Entrada franca

terça-feira, 27 de abril de 2010

Os tesouros da FAAP


Magnífica


Só esta expressão para definir esta exposição, as obras mostradas são o que melhor ilustram as artes plásticas brasileiras, as que realmente são importantes no século XX.

Quem construiu o acervo tinha uma sensibilidade ímpar pois adquiriu peças de uma representatividade difícil de ser igualada.

Há no Brasil várias coleções tão ou mais importantes do que a do MAB, como a de Raimundo Ottoni de Castro Maia, doada à União, que apresenta seu acervo de Cândido Portinari na Pinacoteca , a de Roberto Marinho e a da Gilberto Chateaubriand, entre outras.

Pude observar que haviam grupos de estudantes, sendo muito bem monitorados pela equipe do museu, e também crianças levadas por familiares, que mostravam genuíno interesse no que viam.

Que alegria perceber a curiosidade e a atenção das crianças, isto faz parte da formação de um povo, de uma nação.

Pena que esta riqueza não esteja sempre disponível ao nosso deleite, pois este acervo maravilhoso, junto com os outros mais que a FAAP possui, só venham à luz eventualmente.

Escolhi esta música para este comentário pois acredito que a Tropicália foi o movimento artístico que sucedeu e aprimorou o Modernismo Brasileiro; as roupas, a postura, as artes plásticas e principalmente a música criada por seus integrantes são a prova disto.

Os arranjos de Rogério Duprat e Júlio Medalha nos transmitem toda a grandeza e sofisticação que existiam dentro desta escola.

As imagens foram fornecidas pela assessoria de imprensa da FAAP e estão em alta definição.


Tropicália - Caetano Veloso










segunda-feira, 19 de abril de 2010

Portinari na Coleção Castro Maia - Pinacoteca

São Paulo estava pedindo uma mostra como esta, com obras que são muito significativas na história das artes plásticas brasileira.
Eu acho que Cândido Portinari é, disparado, o maior pintor de todos os tempos no Brasil, suas obras de diversas fases e suportes continuam nos encantando, como se tivessem sido feitas hoje.


Bachianas Brasileiras, No. 2 for chamber orchestra (1930), IV. Toccata - O trenzinho do Caipira (The Peasant's Little Train)

A Pinacoteca do Estado de São Paulo nos apresenta as obras de Portinari do Acervo dos Museus Castro Maia do Rio de Janeiro.
São obras encomendadas a Portinari ou adquiridas de terceiros por Raimundo Ottoni de Castro Maia, dos anos 40 até sua morte em 1968.
A admiração de Castro Maia por Portinari possibilitou ao artista ter a tranquilidade necessária ao desenvolvimento de sua carreira, através de seu mecenato e encomendas.
Abaixo das imagens colhidas na internet as informações sobre esta magnífica exposição.









A Pinacoteca do Estado de São Paulo apresenta a exposição Portinari na Coleção Castro Maya. Com cerca de 60 obras, a mostra evidencia a relação de amizade entre o pintor Candido Portinari (Brodósqui, SP, 1903 – Rio de Janeiro, RJ 1962), um dos maiores nomes da arte brasileira no século 20, e o mecenas e colecionador de obras de arte Raymundo Ottoni de Castro Maya. Esta exposição já passou pela Caixa Cultural de Brasília e Salvador e também pelo Museu Oscar Niemayer – MON, Curitiba. Com curadoria de Anna Paola Baptista, curadora dos Museus Castro Maya, Ibram / Minc, no Rio de Janeiro.


Abertura dia 10 de abril, sábado, a partir das 11h.
Em cartaz até o dia 06 de junho de 2010.


Portinari na Coleção Castro Maya
A Pinacoteca do Estado apresenta a exposição Portinari na Coleção Castro Maya, com cerca de 60 obras, entre pinturas, desenhos e gravuras, realizadas entre 1938 e 1958. A exposição trata das relações tecidas ao longo do tempo entre Candido Portinari e Raymundo Ottoni de Castro Maya,queresultou na acumulação do maior acervo público do pintor, com 168 obras originais do artista.

O primeiro núcleo da mostra,Colecionador, traz as obras de Portinari adquiridas por Castro Maya em leilões, galerias de arte e no próprio ateliê do artista. Destaque para os trabalhos Menino com Pião,1947, O Sonho,1958, A Barca, 1941, O Sapateiro de Brodósqui, 1941, Grupo de Meninas Brincando,1940, Lavadeiras,1943, e Morro n.11, 1958.

Em Mecenas, segundo núcleo da exposição, são exibidos trabalhos e projetos especiais encomendados por Castro Maya a Portinari, como as gravuras Menino a chupar cana, Trabalhadores do engenho, Retrato de Menino, Velha Totonha e Homem a cavalo,todos realizados entre 1958-59. A última seqüência, Amigo, é composta por registros, fotos, documentos e obras que testemunham o afeto e as afinidades que uniram Portinari e Castro Maya. Destaque para a obra Retrato de Castro Maya,1943. Todos os segmentos se complemen tam com documentos, fotografias e material bibliográfico.

Adquiridos entre as décadas de 1940 e 1960, os trabalhos apresentados na exposição pertencem à Coleção Castro Maya, hoje o maior acervo público de obras do pintor. A coleção teve início em 1943, quando Castro Maya convidou Portinari para ilustrar o primeiro livro da Sociedade dos Cem Bibliófilos do Brasil. No Natal daquele ano, o pintor presenteou o colecionador com a tela Retrato de Castro Maya. “A partir daí, encomendas, doações e aquisições foram enriquecendo o acervo e o fluxo de obras continuou mesmo após a morte de Portinari, em 1962”, comenta a curadora da mostra Anna Paola Batista. Castro Maya continuou a negociar e a perseguir as pinturas de Portinari até as vésperas da própria morte em 1968.
Candido Portinari
Nascido em 1903, numa fazenda de café em Brodowski, no interior de São Paulo, Portinari desde cedo manifestou talento para a pintura. O artista começou a desenhar aos seis anos e aos nove participou, durante vários meses, dos trabalhos de restauração da igreja de Brodowski, auxiliando os pintores italianos. Aos 15 anos, mudou-se para o Rio de Janeiro, para frequentar a Escola Nacional de Belas Artes. Ainda jovem, ganhou um prêmio de pintura que permitiu a ele se aprimorar em Paris, na França.
Portinari voltou ao Brasil para registrar imagens ligadas ao povo e foi quem melhor retratou a identidade do trabalhador brasileiro, foi cultuado por muitos de seus contemporâneos. Mário de Andrade, por exemplo, considerava que o amigo era a mais útil e exemplar aventura de arte que já se viveu no Brasil. Foi reconhecido nacional e internacionalmente, virou tema de livros e mostras dentro e fora do País. Além de desenhos, pinturas e gravuras, Portinari destacou-se com seus painéis e murais. Alguns exemplos são o Conjunto Arquitetônico da Pampulha e os painéis que decoram o edifício-sede da Organização das Nações Unidas, ONU, em Nova York. A produção de Portinari, ao longo da vida, é estimada em aproximadamente cinco mil obras. Portinari morreu no Rio de Janeiro, em 1962.

Raymundo Ottoni de Castro Maya
Os Museus Castro Maya, no Rio de Janeiro, – Museu do Açude e Museu da Chácara do Céu – nasceram em 1963, quando Raymundo Ottoni de Castro Maya (1894-1968) transformou sua coleção particular em patrimônio público. Hoje, a instituição integra o Instituto Brasileiro de Museus (Ibram) / Minc. Filho de colecionadores, Castro Maya aumentou consideravelmente sua coleção, com obras nacionais e estrangeiras, que foram produzidas entre os séculos 4 a.C. e o século 20. A coleção engloba peças de arte moderna brasileira, arte oriental, arte européia dos séculos 19 e 20, mobiliário, porcelana e prataria, azulejaria e louça do Porto, arte popular brasileira, livros raros, entre outros.

Castro Maya foi editor de livros, criou a Sociedade dos Cem Bibliófilos do Brasil, a Sociedade dos Amigos da Gravura, e também foi fundador e primeiro presidente do Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro; e ainda, presidente da Associação de Amigos do Museu Nacional de Belas Artes e membro do Conselho Federal de Cultura. Na década de 1940, coordenou a reforma da Floresta da Tijuca, no Rio de Janeiro, e presidiu a comissão preparativa das comemorações do IV Centenário da Cidade do Rio de Janeiro.

Pinacoteca do Estado
Praça da Luz, 2 – 11 3324 1000

Aberta de terça a domingo, das 10 às 18h
R$ 6,00 e R$ 3,00 (meia). Grátis aos sábados

Site: www.pinacoteca.org.br

quinta-feira, 15 de abril de 2010

Coleção Brasiliana Itaú

A música que acompanha este comentário é de um compositor contemporâneo à maioria das obras desta mostra.


Já não pode a natureza - Francisco da Luz Pinto ( 1798 - 1865)

Uma exposição ao mesmo tempo magistral e instigante, com obras adquiridas por Olavo Setúbal no curto espaço de 8 anos.

O fantástico acervo desta coleção abrange todas as fases da história do país, desde as Capitanias até hoje, estando expostas as obras antigas de maior valor.

A dúvida que me surgiu é quanto à origem dos recursos necessários à sua criação. Vieram da fortuna pessoal de Olavo Setúbal, de dinheiro do banco, portanto dos acionistas ou de renúncia fiscal, sendo então propriedade do contribuinte? E aí a curiosidade quanto à guarda, ao acesso e a possibilidade de serem objeto de negociação futura.

Imagino que este acervo, sendo adquirido num curto período, terá custado muito mais caro do que se tivesse se formado durante uma vida, como foi a criação da Brasiliana de José e Guita Mindlin, doada à USP.

As obras constantes no acervo do MASP tem a origem dos recursos necessários à sua aquisição, descritos ao lado de cada uma, onde estão nomeados os doadores.

Abaixo das imagens colhidas da internet, apresentação feita no guia da Folha de São Paulo.











FERNANDO MASINI
do
Guia da Folha
Divulgação
O britânico Samuel Walters retrata o resgate de passageiros, uma das obras expostas no museu
O britânico Samuel Walters retrata o resgate de passageiros; obra está exposta na Pinacoteca
Mais uma exposição resgata o trabalho de viajantes que cruzaram o Brasil no passado e deixaram obras cujo valor artístico se equipara ao histórico. Depois de Hercules Florence e da expedição Langsdorff, ambas em cartaz, a Pinacoteca recebe, a partir de sábado (6), a "Coleção Brasiliana Itaú", com 300 itens que ajudam a contar a história do país.
"É reflexo de um interesse maior de todos pela arte do passado", diz o curador Pedro Corrêa do Lago. A mostra traz mapas, ilustrações, pinturas e objetos que passaram pelas mãos da família real portuguesa.
Um dos registros mais fascinantes é a "Vista da Cidade de São Paulo" (1821), de Arnaud Julien Pallière, uma das raras telas que retratam a cidade antes do advento da fotografia. Já gravuras de Jean-Baptiste Debret e Johann Moritz Rugendas ocupam uma vitrine que retrata a vida dos escravos.
Lago defende que "essas obras documentais têm grande valor artístico", sendo que, às vezes, reproduzem uma visão romantizada. Ele destaca como exemplo de exuberância estética a vista de São Luís do Maranhão pintada pelo italiano Giuseppe Leone Righini.
Pinacoteca do Estado - pça. da Luz, 2, Bom Retiro, região central, São Paulo, SP. Tel.: 0/xx/11/3324-1000. Ter. a dom.: 10h às 17h30 (c/ permanência até as 18h). Abertura 6/3. Até 2/5. Ingr.: R$ 6 (sáb.: grátis). Estac. grátis. Classificação etária: livre.

quarta-feira, 14 de abril de 2010

Skank - Uma pequena decepção

Sempre que escutava a música "Ainda gosto dela" do Skank ficava um pouco irritado, sem saber o porque, ainda mais que sempre a ouvia na Eldorado, uma rádio com o repertório irretocável.

Procurei então prestar atenção na letra, já que a melodia não é das melhores, então percebi a causa de meu desconforto.


Ainda gosto dela - Skank

Eu sempre brinquei que a fórmula de sucesso para uma dupla "breganeja" é, nascer em Goiás, ter trabalhado na roça e ser corno.

E não é que o Skank, em música de Samuel Rosa e Nando Reis, chora o abandono e a traição, se mostrando dispostos a receber de volta a razão de seu sofrimento.

Qual é a morbidez que leva o indivíduo anunciar aos quatro cantos sua infelicidade e sua incapacidade em aceitar o fim do romance ou de uma relação afetiva?

Lembrei então de um clássico do Ivan Lins, onde em vez de se lamentar, chorar em desespero e ficar aguardando o retorno do objeto de sua obsessão, o personagem simplesmente canta o recomeço, a oportunidade de retomar a vida, tendo aprendido a ser melhor com seus erros e desacertos.


Começar de novo - Ivan Lins

É uma pena, já que tinha no Skank um sucessor dos Titãs e dos Paralamas do Sucesso, estes sim grupos longevos, que mantém a coerência em seus trabalhos.

Segue a linda letra.


Começar De Novo

Composição: Ivan Lins / Vitor Martins

Começar de novo e contar comigo
Vai valer a pena ter amanhecido
Ter me rebelado, ter me debatido
Ter me machucado, ter sobrevivido
Ter virado a mesa, ter me conhecido
Ter virado o barco, ter me socorrido
Começar de novo e só contar comigo
Vai valer a pena ter amanhecido
Sem as tuas garras sempre tão seguras
Sem o teu fantasma, sem tua moldura
Sem tuas escoras, sem o teu domínio
Sem tuas esporas, sem o teu fascínio
Começar de novo e só contar comigo
Vai valer a pena já ter te esquecido
Começar de novo...

sexta-feira, 9 de abril de 2010

Brasil e a transformação da paisagem

Comitiva Esperança é uma música que casa bem com este comentário, já que grande parte das fotos são de áreas rurais ou de reserva.



Comitiva Esperança - Almir Sater e Sérgio Reis


Esta é mais uma das boas mostras de fotografia proporcionadas pela Caixa Cultural, que nos mostram os contrastes e as mudanças sofridas em nossa terra.

O autor é José Caldas com imagens produzidas nos últimos 20 anos.

São fotos documentais de uma beleza ímpar de rincões intocados e de regiões que sofreram a invasão dos agricultores, que devastaram as florestas e cerrados, não respeitando ao menos as matas ciliares, tão importantes para a preservação dos rios e suas nascentes.

São registros muito bem feitos, pois o autor, além de escolher os panoramas, teve o cuidado de usar a luz para aumentar o impacto da cena.

As fotos do mesmo farol, feitas com um intervalo de 17 anos, nos mostram as conseqüências do abuso ao meio ambiente, dando cada vez mais razão à frase:

"Quando agredida, a natureza não se defende. Apenas se vinga." ( Albert Eisntein)

Há também fotos do Rio e de São Paulo que nos mostram o gigantismo destas metrópoles.

Abaixo das imagens, o "press-release" da Caixa Cultural.













CAIXA CULTURAL SÃO PAULO APRESENTA A EXPOSIÇÃO BRASIL E A TRANSFORMAÇÃO DA PAISAGEM


Impressas em grandes formatos, as imagens captadas em 20 anos de trabalho, pelo fotógrafo José Caldas, fazem-nos lembrar um Brasil de múltiplas paisagens e realidade em contínua transformação

Viajar pelo interior do Brasil pode proporcionar experiências das mais variadas e revelar cenários e situações surpreendentes. Admirando as fotos expostas – muitas delas em grandes formatos (até 2,7 metros de largura) – essa sensação de imponência salta das paredes, somando-se a ela uma viagem no tempo, que reflete as transformações ocorridas em um período intenso e recente da história do Brasil, equivalente aos 20 anos de formação do acervo de José Caldas.

O Brasil teve um percurso histórico muito predatório de seus recursos naturais, o que se intensificou com a ascenção de sua capacidade produtiva e realidade demográfica. Ao mesmo tempo, a consciência ambiental ganhou força com uma postura crítica frente ao uso indiscriminado das reservas naturais do planeta.

A forma que Caldas encontrou de se posicionar diante desse dilema histórico foi colecionar imagens e tecer com isso o mapa iconográfico de um Brasil particular. Seus registros focam a natureza e a presença humana no território, no que ele próprio prefere denominar “documentação geográfica”. Retratos do que está em vias de extinção, do que é novo, do que merece ser preservado.

Expressar a visão do artista do que é emblemático de cada contexto, ou simplesmente de cenas expressivas que se apresentam à sua frente, sem explicação. Suas fotos são documentos que se agregam ao patrimônio de imagens da nação, não só pelo que documentam, mas por expressarem a visão do artista.

Ao alcançar a retina dos espectadores, as fotos de José Caldas são impregnadas de seus sentimentos. As curadoras Ângela Magalhães e Nadja Peregrino definem a obra do artista ressaltando que “não se detém num formalismo vazio e anacrônico. Ao contrário, o conteúdo estético alinha-se a uma preocupação ecológica e política conectada com suas próprias indagações existenciais. Não à toa, é um trabalho in progress que vem sendo realizado por mais de duas décadas, sem sinais visíveis de que tenha esgotado o interesse pelo assunto”

Sobre José Caldas:

Fotógrafo especializado em natureza e documentação geográfica, desde 1989 viaja intensamente pelo Brasil. Tem publicados nove livros sobre diversas regiões e participou de mais seis com outros fotógrafos. Há também trabalhos publicados nas principais revistas e jornais brasileiros e fotos distribuídas internacionalmente.
Participou de várias exposições nacionais e internacionais com temas ligados ao meio ambiente e cultura popular, com destaque para a recente individual A Presença, na Galeria do Ateliê da Imagem no Rio de Janeiro. Presidente da AFNatura, Associação Brasileira de Fotografia de Natureza.

Ficha Técnica
Curadoria: Angela Magalhães e Nadja Peregrino
Realização: Editora Olhares e Len Comunicação e Branding
Coordenação: Otávio Nazareth / Editora Olhares / Eduardo Len / Len Comunicação e Branding
Direção de arte: Daniel Brito / Len Comunicação e Branding
Projeto expositivo: Giovana Cruz / Len Comunicação e Branding
Produção gráfica: Marcos França / Len Comunicação e Branding
Marketing digital: Rui Gianolla / Agência Air
Ampliações fotográficas: Labtec
Molduras: Capricho

SERVIÇO:
Exposição: Brasil e a Transformação da Paisagem
Abertura para convidados e imprensa: dia 03 de abril de 2010, às 11h
Visitação: 03 de abril a 23 de maio de 2010
Local: CAIXA CULTURAL São Paulo - Praça da Sé, 111 – Centro - São Paulo (SP) - Galeria Humberto Betetto
Horários: De terça-feira a domingo, das 9 às 21h.
Informações: (11) 3321-4400
Acesso para pessoas com necessidades especiais
Entrada: franca
Recomendação etária: livre
Patrocínio: Caixa Econômica Federal

quarta-feira, 7 de abril de 2010

Wifredo Lam - Gravuras



Murmullo - Buena Vista Social Club

Quando estive na Estação Pinacoteca para ver Andy Warhol ,tive como bonificação a visita a esta mostra, que apresenta verdadeiras obras de arte, feitas com o intelecto e a emoção, de um artista que conheci na exposição Arte de Cuba, no CCBB em 2006, onde com outros artistas nos apresentava a arte cubana do século XX.
Confesso que já naquela ocasião fiquei muito bem impressionado com Wifredo Lam, pois as obras expostas lembravam muito Picasso na fase de Guernica, fui informado então que eles foram amigos em Paris e que Picasso o considerava como seu primo cubano.
As gravuras expostas nesta primeira mostra individual do artista no Brasil, apresentam um surrealismo muito permeado ainda da influência cubista, sendo para mim impossível dissociar as duas escolas.
A primeira imagem foi fornecida pela assessoria de imprensa da Pinacoteca e está em alta definição, as demais foram colhidas na internet, sendo que nem todas as obras estão nesta mostra e são apresentadas para melhor conhecermos o artista.
Abaixo das imagens, o "press-release" da Pinacoteca.















Governo do Estado de São Paulo apresenta na Estação Pinacoteca
Lam: a obra gráfica

A Pinacoteca do Estado de São Paulo em colaboração com a Association des Amis de
Wifredo Lam, de Paris, apresenta, na Estação Pinacoteca, exposição de Wilfredo Lam
(Sagua La Grande, Cuba, 1902 – Paris, França, 1982), um dos expoentes da pintura
moderna da America Latina e do movimento surrealista. Lam: a obra gráfica exibe cerca de 120 gravuras e quatro desenhos que percorrem mais de quarenta anos da obra do pintor e gravador cubano. Com curadoria de Paulo Venâncio Filho, critico de arte e professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

Lam: a obra gráfica

A Pinacoteca do Estado de São Paulo apresenta, na Estação Pinacoteca, exposição com cerca de 120 gravuras e quatro desenhos de Wifredo Lam (Sagua La Grande, Cuba, 1902 – Paris, França, 1982). Lam:a obra gráfica percorrerá mais de quarenta anos da obra do pintor e gravador cubano, desde os desenhos
que serviram de ilustração para o livro de poemas “Fata Morgana”, do poeta surrealista André Breton,publicado em 1941, até as últimas gravuras realizadas em 1982. Também será exibido um grupo de gravuras inspiradas na mais famosa pintura de Wifredo Lam, “A Selva”, realizada entre 1942 e 1944, e que pertence ao acervo do Museu de Arte Moderna de Nova Iorque (MoMA).
A exposição tem o objetivo de aprofundar o caráter surrealista manifesto na obra do artista, tanto no registro da linguagem plástica como no pioneirismo que tanto atraiu a atenção de estudiosos, escritores e artistas do mundo todo. Ao longo de sua extensa obra, o artista produziu uma síntese única e inovadora dos elementos culturais formadores da miscigenação na América tropical e aos quais deu uma expressão
absolutamente original.
Paulo Venancio Filho, curador da mostra, ressalta que essa exposição irá corrigir uma lacuna da vida
cultural e artística brasileira, que jamais exibiu uma mostra individual do artista no país: “Lam teve participação em duas Bienais de São Paulo e também na exposição 'Arte de Cuba', no Centro Cultural Banco do Brasil, em 2006. Entretanto, uma exposição individual, como mereceria, nunca foi realizada.Felizmente, isso acontece agora”.
Todos os trabalhos exibidos foram selecionados do acervo da Association des Amis de Wifredo Lam, com a colaboração do filho do artista, Eskil Lam, que virá ao Brasil na época da abertura da mostra. A exposição também terá a edição de um catálogo bilíngüe, com textos de Paulo Venancio Filho, Jacques Leenhardt, diretor Association des Amis de Wifredo Lam e da École des Hautes Études en Sciences Sociales, e Xênia Bergman, além de imagens de todas as obras.

O artista

Wilfredo Lam (Sagua La Grande, Cuba, 1902 – Paris, França, 1982) é o artista cubano que maior reconhecimento internacional obteve em vida. Filho de um chinês e de uma mulata cubana, a sua infância foi marcada por sua madrinha, Mantonica Wilson, destacada sacerdotisa afro-cubana.
Em 1923, formou-se no curso da Academia de Bellas Artes San Alejandro, em Havana. Durante os primeiros anos da década de 20, exibiu seus trabalhos no Salão da Associação de Pintores e Escultores, de Havana. No mesmo ano, foi para a Espanha, em busca de horizontes artísticos mais alargados.
Estudou no atelier de Alvarez de Sottomayor - pintor acadêmico (mestre de Dali) e Diretor do Museu do Prado, em Madri -, onde tomou contacto com as obras de El Bosco, Brueghel e Goya.
Em 1938, viajou para Paris, onde conheceu Picasso; no ano seguinte, expôs na galeria de Pierre Loeb.
Com o início da 2ª Guerra Mundial, e a invasão alemã de Paris, Lam foi obrigado a deixar Paris, em função das suas convicções anti-fascistas e da sua origem cubana, refugiando-se em Marselha, onde conviveu com a vanguarda francesa, em especial com André Breton. De Marselha, Lam seguiu para Martinica,juntamente com outros artistas. Chegou a Cuba em 1941. O seu regresso foi marcado pela constatação das difíceis condições em que os seus conterrâneos se encontravam. Nesse ambiente Lam pintou uma
das suas mais importantes obras, A Selva (1943), exposta no Museu de Arte Moderna (MoMA), em Nova Iorque.
Os anos 1940 foram de constantes viagens entre Cuba, Paris e Nova Iorque, onde fez várias exposições
na galeria Pierre Matisse. Em 1952, Lam foi viver em Nova Iorque. Em 1964, instalou-se em Albisola Mare, próximo de Genova, na Itália, e lá conheceu Asger Jorn, um dos fundadores do grupo COBRA, que o iniciou na arte da cerâmica. Neste mesmo ano, recebeu o prêmio Guggenheim International Award.
Wifredo Lam morreu em 11 de Setembro de 1982, em Paris.