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sábado, 31 de outubro de 2015

ISMAEL NERY – EM BUSCA DA ESSÊNCIA

Ismael Nery é um dos primeiros artista em que comecei a prestar atenção, suas figuras e formas, aliados ao jogo de luzes criaram uma estética que encanta e intriga.

Seu legado é atemporal, pois a força de seus traços transmitem todo o estado de  espírito de seus retratados, mostrando a ira, o enfado, o amor e a indiferença.

Uma magnífica seleção de obras de colecionadores de todo o país, com trabalhos das diversas fases do artista, mostrando a importância cada vez maior da curadora Denise Mattar no universo das artes plásticas brasileiras.

O evento nos brinda também com um magnífico catálogo que nos trás a história da vida e obra do artista.





Último retrato - Francis Hime


Abaixo das imagens, o "press-release", fornecidos pela assessoria de imprensa do evento


















ISMAEL NERY – EM BUSCA DA ESSÊNCIA


Vísceras que podem revelar a alma, a cruz que não exclui o gozo, o corpo que procura a alma. A comunhão entre os paradoxos marca a obra de Ismael Nery (1900-1934), um dos artistas mais singulares da produção moderna brasileira, que terá sua obra revista na exposição ISMAEL NERY – EM BUSCA DA ESSÊNCIA, a partir de 28 de outubro, na galeria Almeida e Dale. Com curadoria de Denise Mattar, a mostra reúne 61 obras, entre pinturas, desenhos e aquarelas, além de uma seleção de poemas do artista. A exposição permance em cartaz até 12 de dezembro e é uma rara oportunidade de ver a obra de Ismael Nery, concentrada majoritariamente em coleções particulares. A mostra reúne obras de São Paulo, Fortaleza, Salvador e Rio de Janeiro e apresenta algumas obras até então INÉDITAS.

EM BUSCA DA ESSÊNCIA é a primeira individual do artista em 15 anos, desde a mostra ganhadora dos prêmios da Associação Paulista de Críticos de Arte - APCA e da Associação Brasileira dos Críticos de Arte - ABCA:  Ismael Nery 100 Anos - A Poética de um Mito, realizada no centenário de sua morte, no Centro Cultural do Banco do Brasil do Rio de Janeiro e no Museu de Arte Brasileira da FAAP, também com curadoria de Denise Mattar.

Obra

Nery nadou contra a corrente dos acadêmicos e dos modernistas: sua obra não buscou nem o social, nem o belo; não pregou uma ruptura drástica com o passado. Místico e católico quando a intelectualidade defendia o ateísmo, construiu um vocabulário plástico universal no mesmo momento em que seus pares mergulhavam de cabeça no nacionalismo.
Nery foi um enigma. Encarou a arte como o meio catalisador através do qual podia expressar suas ideias. A arte nunca foi considerada por ele um ofício, mas o território por meio do qual buscou pesar e conjugar seus paradoxos. Temente a Deus e hedonista, Nery foi um homem que contagiou a muitos que o conheceram com sua beleza, elegância, inteligência e carisma, mas que viveu, desenhou e pintou com sofrimento, oriundo das marcas deixadas pelas mortes do pai e do irmão e a loucura da mãe.

O tema único da obra de Nery é o ser humano. Um ser humano do qual foram retiradas, deliberadamente, todas as referências de tempo e de espaço. Um ser humano que se move na busca do eu e de sua fusão com o outro; que tenta se compreender olhando no reflexo do espelho, e que se assusta ao ver um rosto desconhecido. Nos seus retratos e autorretratos, Nery mostra o Eu divino e o Eu satânico, o Eu masculino e feminino, se funde com seu amigo, o poeta Murilo Mendes, e sua mulher, a poeta Adalgisa Nery, uma das grandes inspirações de sua obra, assim como sua trágica família.

A fusão é outro tema constante da sua obra. Corpos que se entrelaçam, entrecruzam, entredevoram, renascendo numa outra forma, sempre na esfera mítica.

O diagnóstico de tuberculose em 1930 foi o grande divisor da obra de Nery. O corpo que o torturava tornou-se o centro de sua investigação. A partir da descoberta da doença, seu mundo de sedução fora substituído pela presença da morte. Ao expor suas vísceras, Nery tentou fazer, de modo ainda mais radical, a reconexão com aquilo que está por trás (ou ao lado? Ou dentro? Não se sabe) da massa de órgãos, sangue e fluidos: tenta tangenciar a alma. Fragmentar o corpo doente pode ter sido também uma maneira de buscar religá-lo ao sublime.

É o período no qual mais escreve e realiza seus desenhos mais acres e narrativos: A história de Ismael Nery e a série Miserabilia.

Na obra pictórica de Ismael Nery, estimada em cerca de apenas cem óleos, o desenho ocupa um lugar fundamental. A liberdade da técnica adapta-se admiravelmente bem ao pensamento rápido do artista. Notadamente nos seus últimos trabalhos, o artista atinge uma mordacidade e uma sutileza, que o coloca como precursor dos artistas contemporâneos.

Vida

Nascido em 1900, em Belém do Pará, Nery mudou-se com a família para o Rio de Janeiro aos nove anos de idade. A chegada à antiga capital da República brasileira foi marcada por um acontecimento que determinou a vida de Nery: a morte de seu pai, o médico Ismael Nery (1876-1909), aos 33 anos, a idade de Cristo, o que tornou a perda ainda mais trágica para a católica família.

Aos 17 anos, Nery entrou para a Escola Nacional de Belas Artes (ENBA). Como estudante, era conhecido por sua excepcional habilidade no desenho, como por não se adaptar às regras do ensino.
Em 1918, por causa da Gripe Espanhola a ENBA interrompeu suas atividades. A epidemia vitimou João, o irmão caçula de Ismael.

A morte do filho levou a mãe de Ismael, Marieta Macieira Nery, às bordas da loucura. Dilacerada pelas duas perdas, passou a viver vestida de negro, usando o hábito da Ordem Terceira de São Francisco e utilizando o nome de Irmã Verônica. Sobre a mãe, Nery diria adiante: “Ela me construiu e me destruiu.”

Tempo depois da morte do irmão, Ismael viajou para Paris, onde frequentou a Academia Julian. Na Europa, o artista entrou em contato com o modernismo e a tradição artística do Velho Mundo.
Voltou para o Rio no final de 1921. Passou a trabalhar como desenhista da seção de Arquitetura do Patrimônio Nacional, onde conheceu o poeta Murilo Mendes (1901-1975), iniciando uma amizade que duraria até sua morte e marcaria a obra e a vida de ambos. Após a morte do artista, Murilo tornou-se o principal preservador e divulgador de seu legado.

Em 1922, Ismael casou-se com Adalgisa (1905-1980), com quem formaria um dos casais paradigmáticos do Modernismo brasileiro. A beleza incomum da futura poeta, que tinha então dezesseis anos, tornou-se um de seus temas favoritos.

Em 1927, Ismael Nery retornou à Europa, acompanhado de Adalgisa e do filho Ivan. Conheceu Chagall, um de seus grandes interlocutores, ao qual dedicou uma série de aquarelas conhecidas como conhecida como Chagallianas.

O artista foi um dos destaques do Salão de 1931 no Rio de Janeiro, que marcou a segunda fase do modernismo brasileiro. Neste ano, Nery descobriu que sofria de tuberculose.
A doença fez com que sua produção pictórica diminua até sua morte, em 6 abril de 1934, aos 33 anos, como o pai, conforme preconizou em 1909, encerrando uma história familiar trágica e uma das produções mais singulares do modernismo brasileiro.

Legado

A sua obra ocupa uma posição singular na história da arte brasileira.
Nas palavras do poeta Murilo Mendes, seu grande amigo, Nery foi sempre “ismaelíssimo”, que, em 1948, publicou n’O Estado de S. Paulo a série de artigos Recordações de Ismael Nery.

Viúva do artista, a poeta Adalgisa Nery publicou, em 1959, a autobiografia A Imaginária, na qual a trágica relação familiar de Nery é um dos temas em destaque.

A sua primeira retrospectiva foi realizada somente 32 anos após sua morte, em 1966. O impacto no mercado de arte, porém, foi imediato. Nos anos 1970, as telas do artista já alcançavam um preço excepcional.

Em 1973, Antônio Bento publicou o livro Ismael Nery, fazendo no seu texto O pintor maldito uma análise crítica da obra do artista. Em 1984, Aracy Amaral apresentou no Museu de Arte Contemporânea da USP, do qual era diretora, uma grande exposição e ao mesmo tempo, publicou Ismael Nery – 50 anos depois.

Em 2004, Denise Mattar publicou o livro Ismael Nery. Com 324 páginas o livro faz um extenso levantamento da obra do artista.

Ismael Nery – Em busca da essência
Abertura: 28 de outubro, a partir das 19h
Período da exposição: 29 de outubro (quinta-feira) a 12 de dezembro
Galeria Almeida e Dale
R. Caconde, 152 - Jardim Paulista, São Paulo - SP
Tel.: 11 3887-7130
De segunda a sexta, das 10h às 18h; sábados das 10h às 14h

segunda-feira, 28 de setembro de 2015

Frida Kahlo - conexões entre mulheres surrealistas no México

São Paulo tem sido brindada no último ano com magníficas exposições, das quias essa com certeza se destacará.

Parece ser tendência agora os curadores montarem suas mostras com obras de artistas correlatos aos principais, pela sua contemporaneidade, semelhança de estilo ou mesmo relação próxima entre eles, vide "Picasso e a modernidade espanhola", "Kandisk - Tudo começa num ponto" e essa mesma que nos trazem uma perfeita simbiose.

Este evento nos apresenta um belo panorama do trabalho de Frida, com algumas de suas telas icônicas, bem como magníficos trabalhos de suas parceiras.

Cada dia mais o Instituto Tomie Ohtake vem se firmando como uns dos principais centros culturais do país, ajudando São Paulo a se manter como a capital cultural da América Latina. Suas exposições tem tido visitações recordes e imagino que neste ano mais de dois milhões de pessoas  passarão por suas instalações.



Burn It Blue - Caetano Veloso; Lila Downs
Da trilha sonora do filme Frida


Abaixo das imagens, o "press-release", fornecidos pela assessoria do Instituto Tomie Ohtake


Frida Kahlo, Diego en mi pensamiento, 1943, Oil on masonite, 76 x 61 cm, ©2015 Banco de México Diego Rivera & Frida Kahlo Museums Trust. Photo, Gerardo Suter

Frida Kahlo, El abrazo de amor del Universo, la Tierra, México, Diego, yo y el señor Xólotl, 1949, Óleo sobre Masonite, ©2015 Banco de México Diego Rivera & Frida Kahlo Museums Trust.

Frida Kahlo, Frida y el aborto, 1932, Litografía, 31,7 x 23,5 cm, ©2015 Banco de México Diego Rivera & Frida Kahlo Museums Trust. Photo, Gerardo Suter

Frida Kahlo, Retrato de Diego Rivera, 1937, Oil on Masonite, 46 x 32 cm, ©2015 Banco de México Diego Rivera & Frida Kahlo Museums Trust. Photo, Gerardo Suter

Frida Kahlo autorretrato con monos 1943_óleo sobre tela Courtesy the Guelman Collection_©2015 Banco de México Diego Rivera & Frida Kahlo Museums Trust

Frida Kahlo autorretrato con vestido rojo y dorado 1941 óleo sobre tela courtesy of the Gelman Collection©2015 Banco de México Diego Rivera & Frida Kahlo Museums Trust

Leonora Carrington Three Women with Crows 1951_óleo sobre tela 52X30 Private Collection_© Carrigton, Leonora - AUTVIS, Brasil, 2015

Lucienne Bloch Frida Kahlo en el hotel Barbizon Plaza 1931 Gelatin Silver Print 29.2X19cm-Courtesy the Gelman Collection
Marjorie Cameron Sem título (Mystial Landscape with Spirits) 8.3X20.3cm Cameron Parsons Foudation , Santa Monica, Ca Courtesy Nicole Klagsburn Galleryn New Yorkn NY - Cam-046

Nickolas Muray Frida Kahlo en una banca #5 Carbro print 45.5X36cm Courtesy the Gelman Collection, © Nickolas Muray Photo Archives

Nikolas Muray Frida Kahlo en vestido azul 1939 Carbro print, Ed. 2de30 Courtesy the Gelman Collection, © Nickolas Muray Photo Archives

Remedios Varo Roulotte 1955 oil on masonite 78X60cm Collection of The Museum of Modern Art of México © Varo, Remédios - AUTVIS, Brasil, 2015
Traje composto de Tehuana (Tehuana Attire) ©Coleção Collection of Comisión Nacional para el Desarrollo de los Pueblos Indígenas (CDI) Foto Francisco Kochen

Alice Rahon Balada por Frida Kahlo,1956-66 óleo sobre tela 120X178cm ©Alice Rahon State Collection Museo de Arte Moderno, México
Alice Rahon El Juglar, From the Orion's Ballet Series 1946 tinta branca em cartolina 33X25.1cm ©Alice Rahon State Courtesy of Oscar Roman Gallery


INSTITUTO TOMIE OHTAKE

APRESENTA

Frida Kahlo - conexões entre mulheres surrealistas no México

Abertura 26 de setembro (convidados) das 11h às 18h
Visitação de 27 de setembro de 2015 a 10 de janeiro de 2016


Com curadoria da pesquisadora Teresa Arcq, Frida Kahlo: conexões entre mulheres surrealistas no México, com cerca de 100 obras de 16 artistas, revela a forma como uma intricada rede, com inúmeras personagens, se formou tendo como eixo a figura de Frida Kahlo (06 de julho de 1907, Coyoacán, México - 13 de julho de 1954, Coyoacán, México).O recorte focaliza especialmente artistas mulheres nascidas ou radicadas no México, protagonistas, ao lado de Kahlo, de potentes produções, como Maria Izquierdo, Remedios Varo e Leonora Carrington.

Durante toda a sua vida, Frida Kahlo pintou apenas 143 telas. Nesta exposição, num caso raro e inédito no Brasil, estão reunidas 20 delas, além de 13 obras sobre papel - nove desenhos, duas colagens e duas litografias -, proporcionando ao público brasileiro amplo panorama de seu pensamento plástico. A sua presença vigorosa perpassa ainda a exposição pelas obras de outras artistas participantes, que retrataram a sua figura icônica. Por meio da fotografia, destacam-se os trabalhos de Lola Álvarez Bravo, Lucienne Bloch e Kati Horna. Imagens de Frida estão impregnadas ainda nas lentes de Nickolas Muray, Bernard Silberstein, Hector Garcia, Martim Munkácsi e em uma litografia de Diego Rivera, Nu (Frida Kahlo), 1930.

Entre as mulheres artistas mexicanas vinculadas ao surrealismo surpreende a abundância de autorretratos e retratos simbólicos. Entre as 20 pinturas de Frida na exposição, seis são autorretratos. Há ainda mais duas de suas telas que trazem a sua presença, como em El abrazo de amor del Universo, la terra (México). Diego, yo y el senõr Xóloti, 1933, e Diego em mi Pensamiento, 1943, além de uma litografia, Frida y el aborto, 1932.Conforme destaca Teresa Arqc, os autorretratos e os retratos simbólicos marcam uma provocativa ruptura que separa o âmbito do público do estritamente privado. Segundo a curadora, impressiona constatar como estas artistas subvertem o cânone para realizar uma exploração de sua psique carregada de símbolos e mitos pessoais. "Em alguns de seus autorretratos Frida Kahlo, Maria Izquierdo e Rosa Rolanda elegeram cuidadosamente a identificação com o passado pré-hispânico e as culturas indígenas do México, utilizando ornamentos e acessórios que remetem a mulheres poderosas, como deusas ou tehuanas, apropriando-se das identidades destas matriarcas amazonas", afirma.

A confluência dos grupos de exiladas europeias, como a inglesa Leonora Carrington, a francesa Alice Rahon, a espanhola Remedios Varo e a fotógrafa húngara Kati Horna, e das artistas que vieram dos Estados Unidos, como Bridget Tichenor e Rosa Rolanda, permanecendo no México o resto de suas vidas, além de outras visitantes vinculadas ao surrealismo, atraídas pelas culturas ancestrais mexicanas, como as francesas Jacqueline Lamba e Bona de Mandiargues, a suíça Sonja Sekula e as norte-americanas Marjorie Cameron e Sylvia Fein -, favoreceu uma atmosfera criativa intelectual e uma completa rede de relações e influências com Kahlo e demais artistas mexicanas. "A multiplicidade cultural, rica em mitos, rituais e uma diversidades de sistemas e crenças espirituais influenciaram na transformação de suas criações. A estratégia surrealista da máscara e da fantasia, que no México forma parte dos rituais cotidianos em torno da vida, a morte no âmbito do sagrado, funcionava também como um recurso para abordar o tema da identidade e de gênero", completa Arcq.

Conforme aponta Paulo Miyada, curador do Instituto Tomie Ohtake, entre pinturas, esculturas e fotografias – além de documentos, registros fotográficos, catálogos e reportagens – a mostra permite confrontar uma face desafiadora do surrealismo. Para Miyada, intensidade, dramaticidade e subjetividade das obras dessas artistas tornam este conjunto inquietante até para aqueles mais familiarizados com o movimento, que originalmente surgiu na França na década de 1920, tendo como maior predicado a tentativa de escapar do império do realismo e da racionalidade, acenando para o inconsciente, o acaso e o onírico. "Na produção das artistas conectadas ao surrealismo que passaram pelo México, os tópicos já consagrados na discussão do surrealismo se multiplicam e extravasam muitas fronteiras, o que se reflete em imagens pungentes e inesquecíveis por suas cores e traços impositivos, pelos elementos da cultura nativa mexicana, pelos gestos confrontadores e pelo desprezo por qualquer convenção do que seja o bom gosto burguês tradicional", completa.

A mostra, uma realização do Instituto Tomie Ohtake, contou com os patrocínios do Bradesco e do IRB Brasil RE, do copatrocínio do SESI e dos apoios do Aché, Akzo Nobel, Arezzo, Calvin Klein, Recovery e Tozzini. Para a sua organização, foram inestimáveis as colaborações do SRE – Secretaria de Relaciones Exteriores do México, da Embaixada do México no Brasil, do INBA – Instituto Nacional de Bellas Artes, do CONACULTA – Consejo Nacional para la Cultura y las Artes e do CPTM - Conselho de Promoção Turística do México.



Teresa Arcq

Teresa Arcq, historiadora de arte, Mestre em Museologia e Gestão em Arte e em Arte Cinematográfica pela Universidade de Casa Lamm na Cidade do México, trabalhou como curadora chefe do Museu de Arte Moderna da Cidade do México entre 2003 e 2006. Foi co-curadora da exposição A Arte de Mark Rothko - Coleção da The National Gallery of Art, e de várias exposições do acervo permanente, destacando-se a de Remedios Varo. A partir de 2007, como curadora independente produziu para o Museu de Arte Moderna da Cidade do México Remedios Varo - Cinco Chaves, uma retrospectiva em comemoração ao centenário do nascimento da artista inspirada em seu livro homólogo; e Alice Rahon - Uma surrealista no México, que também foi apresentada no El Cubo, em Tijuana. Arcq é Professora de História da Arte no Centro de Cultura Casa Lamm. Publicou vários ensaios e faz palestras sobre arte moderna mexicana, movimento avant-garde europeu e mulheres surrealistas no México, Estados Unidos, Europa e Ásia.




FRIDA KAHLO (Magdalena Carmen Frieda Kahlo y Calderón)
1907, Coyoacán, México – 1954, Coyoacán, México

            Frida Kahlo é a artista mexicana de maior reconhecimento internacional. Seu legado artístico constitui uma narrativa pictórica autobiográfica em que explora o seu corpo e sua realidade interior através de autorretratos e obras impregnadas de significação. Produziu 143 pinturas ao longo de sua vida, das quais 55 são autorretratos. Aos dezoito anos sofreu um terrível acidente de bonde que mudou o rumo de sua vocação, que tendia à medicina, e fez com que ela começasse a pintar. Na adolescência frequentou um grupo de jovens intelectuais “Los cachuchas” interessados nas vanguardas europeia e essa influência marcou suas primeiras pinturas. Em 1929 casou-se com o famoso muralista Diego Rivera que despertou o seu interesse pela arte popular mexicana e as culturas pré-hispânicas que incorporou em suas pinturas. Durante uma estadia em Detroit, acompanhando o marido, Frida experimentou técnicas surrealistas e produziu primorosas imagens de cadáveres em colaboração com a artista norte-americana Lucienne Bloch. Em 1938, recebeu, no México, os artistas Jacqueline Lamba e André Breton, que se maravilhou com as suas pinturas considerando-as manifestações surrealistas. Nesse mesmo ano teve a sua primeira exposição individual na Julien Levy Gallery em Nova Iorque. As pinturas apresentadas foram posteriormente levadas a Paris para a exposição Mexique organizada por Breton na galeria Renou & Colle, que incluiu objetos de arte popular e fotografias de Manuel Álvarez Bravo. Em Paris, Frida conheceu o grupo de surrealistas que se exilou no México: Alice Rahon e Wolfgang Paalen, Leonora Carrington, Remedios Varo e Benjamin Péret entre outros. Em 1940, após o seu divórcio de Rivera, pintou duas grandes telas para a Exposição Internacional de Surrealismo na cidade do México. Em 1953, um ano antes de sua morte, teve a sua primeira exposição individual no México, na Galeria de Arte Contemporânea de Lola Álvarez Bravo.


Frida Kahlo – conexões entre mulheres surrealistas no México
Inauguração: 26 de setembro, das 11h às 18h para convidados
Visitação de 27 de setembro de 2015 a 10 de janeiro de 2016
De terça a domingo, das 11h às 20h
R$10,00 e R$5,00 (até 10 anos grátis); às terças grátis; compra de ingressos: ingresse.com, aplicativo do Instituto Tomie Ohtake, ou na bilheteria do Instituto de terça a domingo, das 10h às 19h. Vendas a partir do dia 01 de setembro de 2015.

Instituto Tomie Ohtake
Av. Faria Lima 201 (Entrada pela Rua Coropés 88) - Pinheiros SP
Metrô mais próximo - Estação Faria Lima/Linha 4 - amarela
De terça a domingo, das 11h às 20h

Informações à Imprensa
Pool de Comunicação – Marcy Junqueira
Atendimento: Martim Pelisson e Luana Ferrari
Fone: 11 3032 1599

segunda-feira, 24 de agosto de 2015

Kandinsky - Tudo Começa Num Ponto

Esta á a segunda exposição seguida apresentada pelo CCBB que usa como atrativo o nome de um grande artista para mostrar obras de seus pares, contemporâneos ou que influenciaram ou foram influenciados por eles, vide Picasso e a modernidade espanhola.

A mostra nos traz obras de várias fases do trabalho do artista, desde o figurativismo até seu auge no abstracionismo.

É muito interessante apreciar as trabalhos dos outros artista presentes, de uma beleza e força raras vezes vistas no país e que chegam a ser até mais interessantes que as do homenageado.

Um belo passeio que com a solução encontrada pelo agendamento de horários para a visita, torna-se divertido e nada cansativo. 
 Suite für Klavier op. 25 -  Gigue- Rasch (Schoenberg)

Imagens fornecidas pela assessoria de imprensa do evento.










segunda-feira, 10 de agosto de 2015

ANDY SUMMERS - LEICA GALLERY SÃO PAULO

Essa é uma boa exposição de fotos que se torna magnífica pelo lugar onde ocorre. Um lindo prédio dos anos 30 que com uma criteriosa restauração proporciona a qualquer evento a que veja receber um grande enlevo.

Do músico e nas horas vagas fotógrafo Andy Summers nos apresenta belas fotos que denotam um olhar atento e sensível às coisas do cotidiano.

Distribuídas em  três ambientes muito agradáveis que nos permite apreciar as instalações da galeria, o projeto original e as soluções encontradas pelos arquitetos na modernização e adequação do espaço expositivo.

Um belo passeio que pode ser estendido aos outros centros culturais do bairro, como o IMS ou o Museu de Arte Brasileira da FAAP.  
Spirits in the material world - The Police

Abaixo das fotos, o "press-release", fornecidos pela assessoria de imprensa da galeria.




















LEICA GALLERY SÃO PAULO É INAUGURADA COM MOSTRA INÉDITA DE ANDY SUMMERS

A galeria fica aberta ao público a partir de 5 de agosto de 2015, quando acontece o vernissage da exposição Del Mondo, que traz imagens inéditas do músico e fotógrafo Andy Summers, feitas ao redor do mundo, entre 1978 e 2014.


A Leica Gallery São Paulo promove sua inauguração com a mostra Del Mondo, do músico e fotógrafo inglês Andy Summers, e curadoria de Karin Rehn-Kaufmann. A exposição, composta por 42 imagens em preto e branco, feitas entre 1978 e 2014, apresenta registros da vida do artista em viagens que fez ao redor do planeta, evidenciando um estilo de fotografia de rua emotivo e atento. 
Desde 1978, Andy Summers exercita, com a fotografia, um olhar afiado. Quando os membros da banda The Police decidiram cada um seguir seu próprio caminho, em meados da década de 1980, o guitarrista se aproximou do jazz e da música clássica e, simultaneamente, passou a dedicar ainda mais tempo à câmera fotográfica. Sua produção artística é influenciada tanto por viagens, da Tanzânia a Shangai, quanto por seu profundo interesse pela música, experimentando diferentes tipos de filmes fotográficos, lentes, ângulos e composições. Saindo noite após noite, vagando pelas ruas com sua câmera, Andy Summers registrava cenas noturnas em lugares como Los Angeles, Tóquio, Londres, Bali, Nepal, Macau ou por onde quer que passasse. “É você e o mundo ao redor. Reagindo a isso. Olhando para isso. Se eu saio pela rua, estou olhando, estou procurando. Vendo o que aparece. Poderia ser uma forma, um movimento.”, comenta o fotógrafo.   
Neste contexto, Del Mondo apresenta fotografias de vendedores, pedestres, motoristas, quartos de hotel, garçons e até do próprio artista. Cenas espontâneas, que o fotógrafo encontrava em suas andanças pelo mundo. 
Esta mostra inédita no Brasil marca a inauguração da Leica Gallery São Paulo, a primeira na América do Sul, e traz ao país Karin Rehn-Kaufmann, responsável pela curadoria de todas as unidades da Leica Gallery no mundo. A partir de agosto, o público encontra um lugar dedicado à fotografia, localizado em uma região privilegiada de Higienópolis, entre universidades e escolas de arte e design. Construída em um edifício da década de 1930 - em processo de tombamento como Patrimônio Histórico -, a galeria reúne o estilo Art Deco da fachada com um espaço interior bastante moderno, complementado por dois containers, anexos ao edifício em uma área externa. A proposta da Leica Gallery São Paulo é apoiar artistas, promover workshops e encontros, no intuito de gerar uma relação íntima entre fotografia, espectador e espaço expositivo.


Evento                                   Inauguração da Leica Gallery São Paulo e abertura da exposição Del Mondo
Artista                                    Andy Summers
Curadoria                              Karin Rehn-Kaufmann
Coordenação                                   Luiz Marinho e Valéria Blay
Data                                       5 de agosto de 2015, quarta-feira, às 19h
Período expositivo                 6 de agosto a 5 de outubro de 2015
Local                                      Leica Gallery São Paulowww.leicagallerysp.com.br
Rua Maranhão, 600 – Higienópolis – São Paulo, SP
Tel.: (11) 3512-3909
Horário                                   Terça-feira a sábado, das 11 às 19h
Número de obras                   42
Técnica                                  Fotografia
Dimensões                             19 x 12,5 cm a 31 x 47 cm
Preços                                                Sob consulta



Ass. Imprensa            - Balady Comunicação – Silvia Balady / Zeca Florentino
Tel.: (11) 3814.3382 – contato@balady.com.br


Andy Summers
Conquistou a fama no início dos anos 1980, como o guitarrista da banda The Police, que dominou o cenário musical e da mídia nos anos oitenta com vários álbuns e singles em primeiro lugar nas paradas, incluindo Every Breath You Take, Roxanne, Invisible Sun e Message in a Bottle, entre outros. Depois da banda, Andy fez treze discos solo, colaborou com muitos outros músicos e percorreu o mundo como artista solo. Além disso, compôs trilhas sonoras de filmes, realizou exposições em galerias de arte e publicou livros com suas fotografias. Em 2006, sua autobiografia One Train Later foi lançada com grande sucesso, sendo eleito o livro de música número 1 do ano, no Reino Unido. Os projetos recentes incluem o álbum Circus Hero, de sua nova banda Circa Zero, lançado em abril de 2014, em turnê no Brasil com Rodrigo Santos. Realizou exposições recentes na Leica Gallery de Los Angeles, na Paris Photo LA, Knust, Licht Gallery, em Shangai, CCC Gallery de Beijing e Photokina em Colônia, Alemanha. É membro do Rock and Roll Hall of Fame, no Guitar Player Hall of Fame, e foi premiado com o Chevalier De L’Ordre Des Arts et Des Lettres, pelo Ministério da Cultura da França.


Karin Rehn-Kaufmann
Nascida em 1957, em Freiburg – Alemanha, a inclinação de Karin Rehn-Kaufmann para a cultura foi natural. Seu currículo inclui estudos em filosofia, língua e literatura alemã, euritmia, direção de eventos e mídia. Foi professora na Waldorf School. É diretora da Leica Gallery Salzburg - Áustria, e participa de todos os detalhes na organização de exposições e de projetos de alto padrão: encontrando fotógrafos com excepcional linguagem visual, realizando a curadoria e a disposição das imagens, colaborando com pessoas de diferentes áreas ou trocando inspirações com alguma Leica Gallery ao redor do mundo. A demanda de Karin Rehn-Kaufmann por fotografias de excelência é perpétua: “A imagem tem que restar na memória das pessoas”. Como sua própria orientação, leva o alto padrão Leica para sempre colocar o ser humano como foco. Acredita que a fotografia tem o poder de mudar o mundo.


Leica Gallery São Paulo

A Leica Camera compartilha com pessoas do mundo todo uma paixão e um amor pela fotografia criativa nos patamares mais altos – é por esta razão que, tornar as obras e seus criadores acessíveis ao público, com essa paixão, tem sido sempre tão importante para a Leica. Afinal, o nome Leica também possui o significado de uma cultura pictórica muito especial. Durante décadas, a Leica tem oferecido tanto a seus fotógrafos proeminentes como a novos talentos, a oportunidade de apresentar seus trabalhos a um vasto público. A Leica Gallery foi concebida como o espaço ideal para essa finalidade. A tradição da Leica Gallery remonta à década de 1970, quando a primeira foi inaugurada em Wetzlar, Alemanha, em 1976, onde reside atualmente a sede da Leica Camera AG. Outras galerias surgiram em seguida e, hoje, unidades da Leica Gallery são encontradas em muitas partes do mundo, como Frankfurt, Milão, Los Angeles, Kyoto, Nova York, Praga, Tóquio, entre outras. A Leica Gallery São Paulo, primeira unidade na América Latina, conta com infraestrutura completa, composta por 200m2 de espaço expositivo em área interna, 120m2 de área externa, Leica Boutique, cozinha equipada, elevador, segurança e profissionais especializados em equipamentos de áudio e vídeo.

segunda-feira, 27 de julho de 2015

Arte da França: de Delacroix a Cézanne

Numa avaliação informal, hoje me senti envolto em US$ 1 bilhão, que sensação maravilhosa estar no meio de um dos acervos de arte francesa mais significativos do mundo, de artistas que estão entre os maiores de todos os tempos.

Essa é uma mostra que nos causa sensações quase místicas ao percebermos o beleza que o homem pode criar e que se perpetuaram para nosso deleite.

Que alegria em perceber que minha impressão ao ver que o MASP se modernizou voltando ao passado, com a retomada da expografia criada por Lina Bo Bardi quando da sua inauguração, como já tinha escrito no meu comentário Arte da Itália – de Rafael a Ticianoestava correta. A cada visita a esse incrível museu me rendo à Assis Chateaubriand e Pietro Maria Bardi, seus idealizadores, que nos conseguiram esses tesouros.

Um passeio imperdível, daqueles que ficarão por muito tempo na nossa memória.

Sonata for cello and piano III. Ballabile - Debussy


Abaixo das imagens, o "press-release" fornecidos pela assessoria de imprensa do MASP












COM OBRAS EMBLEMÁTICAS DE SEU ACERVO, MASP EXPÕE DOIS SÉCULOS DE HISTÓRIA DA ARTE DA FRANÇA

Arte da França: de Delacroix a Cézanne apresenta cerca de 80 trabalhos, incluindo Renoir, Manet, Toulouse-Lautrec, Degas, Monet e Picasso, ao lado de documentos de seu arquivo histórico e fotográfico. A expografia retoma projeto de Lina Bo Bardi da década de 1940.





Artistas franceses e estrangeiros, que migraram para a capital francesa, participando da chamada Escola de Paris, integram a próxima exposição do MASP. Arte da França: de Delacroix a Cézanne acontece de 17 de julho a 25 de outubro e apresenta cerca de 80 obras do acervo do museu, formando o mais significativo conjunto de arte francesa do hemisfério sul. A exposição tem curadoria de Adriano Pedrosa, diretor artístico do MASP, Eugênia Gorini Esmeraldo, coordenadora de Intercâmbio, e Fernando Oliva, curador assistente.

A mostra atravessa quase 200 anos de produção artística na França, dos séculos 18 ao 20, exibindo retratos, paisagens, naturezas-mortas e cenas históricas e do cotidiano de 24 importantes artistas do período. Estão representados pintores de herança neoclássica, como Jean-Auguste-Dominique Ingres (1780-1867), e romântica, como Eugène Delacroix (1798-1863); além de nomes ligados aos movimentos precursores do Modernismo, como o Realismo, de Gustave Courbet (1819-1877); o Impressionismo, de Claude Monet (1840-1927) e Edgar Degas (1834-1917); o Pós-Impressionismo, de Paul Cézanne (1839-1906), Vincent Van Gogh (1853-1890) e Paul Gauguin (1848-1903); o grupo dos Nabis, de Edouard Vuillard (1868-1940); e o Cubismo, de Pablo Picasso (1881-1973).


Somam-se à lista artistas que não participaram de grupos específicos, mas incorporaram em suas obras tendências artísticas diversas, como Jean-Baptiste-Camille Corot (1796–1875), que tinha traços românticos e realistas, Edouard Manet (1832-1883), que influenciou os impressionistas, e Amedeo Modigliani (1884-1920). O MASP possui em seu acervo conjuntos expressivos de arte francesa. Parte deles é agora reunida nesta exposição, com destaque para Pierre-Auguste Renoir (1841-1919), com 12 pinturas em exibição; Henri de Toulouse-Lautrec (1864-1901), com 10 trabalhos expostos; Modigliani, com 6 trabalhos; e Cézanne, com 5.

Arte da França: de Delacroix a Cézanne contempla nomes anteriores e posteriores a esses artistas. É o caso de Ingres, Jean-Marc Nattier (1685-1766), Jean-Baptiste-Siméon Chardin (1699-1779), Jean-Honoré Fragonard (1732-1806), Henry Matisse (1869-1954), Fernand Léger (1881-1955), Picasso e Modigliani.
  
Em Delacroix, as narrativas líricas, heroicas e monumentais alcançaram o ápice, mesmo com suas pinceladas aparentemente inacabadas e tratamento igual para figura e fundo. Cézanne, que via em Delacroix um mestre, se propôs enfrentar a tradição com o olhar do novo, abandonando uma arte de efeito em favor da materialidade e da estrutura das imagens, como se pintasse os objetos de dentro para fora. A mudança está no abandono do dramático e do imaginário, substituídos por uma nova forma de perceber o real, focada no ato de pintar, como se ele valesse mais por si mesmo e não apenas pela história que evoca.
  
As pinturas de Delacroix e Cézanne, juntas, abrem a mostra. “Delacroix e Cézanne, reunidos no mesmo espaço, na entrada da exposição, funcionam como vetores para todo o percurso do público, pois apontaram, cada um em seu tempo, tanto para o passado quanto para o futuro da história da arte, pontuando nítidas transições entre a tradição e o moderno; o antigo e o novo; entre, por exemplo, Ingres e Léger, entre outros artistas aqui presentes”, comenta Fernando Oliva. A seguir, a mostra se estrutura em torno de outros três conjuntos centrais na coleção do MASP: Toulouse-Lautrec, Modigliani e Renoir.
   
Assim como a exposição Arte da Itália: de Rafael a Ticiano, atualmente em cartaz no segundo subsolo do MASP, Arte da França: de Delacroix a Cézanne também exibe, ao lado das obras de arte, documentos do arquivo histórico e fotográfico do museu. São correspondências sobre doações, aquisições, convites, folhetos de exposições, recortes de jornais e revistas e fotografias que contam curiosidades e recuperam parte da história das obras e do próprio museu.

É o caso da tela de Paul Cézanne, Madame Cézanne em vermelho (1890-94), que chegou ao Brasil a bordo do navio Uruguai, em 1949, e foi desembalada ainda dentro da própria embarcação, como revelam fotografias históricas. Uma das imagens comprova que os artistas Lasar Segall e Anita Malfatti também participaram das comemorações.

Já o recorte do jornal suíço Confédéré, de outubro de 1988, traz à tona um episódio trágico sobre uma das personagens da pintura Rosa e azul (As Meninas Cahen d´Anvers) (1881), de Renoir. Ao visitar uma exposição na Fundação Pierre Gianadda, da qual a obra participava, Jean de Monbrison reconheceu sua tia Elisabeth Cahen d’Anvers, a menina loira, à direita na tela. O visitante emocionou-se com a imagem e escreveu ao diretor da fundação, Léonard Gianadda: “Eu sou o último membro da família a ter visto ainda em vida Elisabeth Cahen-d’Anvers, filha de meu avô, enviada ao campo de concentração em 27 de março de 1944. Eu agradeço ao Sr. Bardi e à Fundação Pierre Gianadda por ter-me permitido ver este quadro em meio a tantas maravilhas”. Elisabeth, apesar de convertida ao catolicismo havia mais de 50 anos, foi enviada para Auschwitz, durante a Segunda Guerra Mundial (1939-1945), como comprova a lista do comboio de número 70, onde seu nome é visível. Ela morreu no trem, a caminho do campo de concentração.
  
A reportagem destaca ainda um depoimento da irmã menor, Alice Cahen d’Anvers, que lembrava que o desconforto das mais de 60 sessões posando para Renoir eram recompensadas pelo prazer de usar um vestido de renda tão bonito. Os pais Cahen d’Anvers haviam encomendado dois retratos ao pintor: um de sua filha mais velha, Irène, e a obra do MASP, com as outras duas irmãs menores. No entanto, apenas o retrato de Irène satisfez a família, que escondeu Rosa e azul nas dependências dos empregados de sua casa. Com a morte do conde Cahen d’Anvers, a obra foi colocada em circulação, até finalmente ser adquirida pelo MASP em 1952. Rosa e azul (As Meninas Cahen d´Anvers) é hoje uma das telas mais conhecidas e estimadas do acervo do museu.

A expografia da mostra, desenvolvida pelo escritório Metro Arquitetos Associados, retoma projeto de Lina Bo Bardi (1914–1992), arquiteta do MASP, para o acervo do museu. Ele resgata as estruturas tubulares de metal que exibiam as pinturas de forma suspensa, em painéis de madeira, e foram projetadas para o MASP, em 1947, ano de sua fundação, na antiga sede da rua 7 de Abril, região central de São Paulo. A recuperação de projetos de Lina Bo nas exposições de 2015 apresenta ao público o percurso da arquiteta até chegar aos famosos cavaletes de vidro, que ela projetou para a exposição do acervo no segundo andar do museu na Avenida Paulista, inaugurado em 1968. Ausentes desde 1996, os cavaletes voltarão ao segundo andar do MASP no final deste ano.

SERVIÇO
Arte da França: de Delacroix a Cézanne
Curadoria: Adriano Pedrosa, Eugênia Gorini Esmeraldo e Fernando Oliva
Data: 17 de julho a 25 de outubro de 2015
Abertura: 16 de julho, a partir das 19h30
Local: primeiro andar do MASP
Endereço: Avenida Paulista, 1578, São Paulo, SP
Horários: terça a domingo: 10h às 18h (bilheteria aberta até as 17h30); Quinta-feira: 10h às 20h (bilheteria até 19h30)
Ingressos: R$25,00 (entrada); R$12,00 (meia-entrada)
O MASP tem entrada gratuita às terças-feiras, durante o dia todo, e às quintas-feiras, a partir das 17h.
O ingresso dá direito a visitar todas as exposições em cartaz no dia da visita.
Estudantes, professores e maiores de 60 anos pagam R$12,00 (meia entrada).
Menores de 10 anos de idade não pagam ingresso.
O MASP aceita todos os cartões de crédito. O Vale cultura é bem-vindo.
Estacionamento: Convênios para visitante MASP, período até 3h. É preciso carimbar o ticket do estacionamento na bilheteria ou recepção do museu.
CAR PARK (Alameda Casa Branca, 41)
Segunda a sexta-feira, 6h-23h: R$ 14,00
Sábado, domingo e feriado, 8h-20h: R$ 13,00
PROGRESS PARK (Av. Paulista, 1636)
Segunda a sexta-feira, 7h-23h: R$ 15,00
Sábado, domingo e feriados, 7h-18h: R$ 15,00

Acessível a deficientes, ar condicionado, classificação livre.


Imprensa
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