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sexta-feira, 25 de agosto de 2017

Raphael Galvez - Galeria Almeida e Dale

Quem disse que não mais existem tesouros escondidos? Nesta mostra, mais uma vez percebi  que há sim, e muitos, tão belos e ricos como imaginávamos em nossa infância.

Talvez pela sua pouca vontade do artista em vender suas obras em vida, elas hoje se encontram nas mãos de poucos colecionadores que não as compartilham com a merecida frequência, uma pena, pois um mestre como Raphael Galvez merece estar no acervo de vários museus do Brasil e do mundo.

Fiquei encantado ao ver as obras dessa  exposição, colocadas à venda pelo colecionador Orandi Momesso num projeto beneficente, ver release abaixo.

Que lindas as visões das cenas paulistanas, que já não existem mais, fixadas em suas telas em cores discretas e ao mesmo tempo vibrantes.

Um belíssimo passeio a uma galeria que se torna cada dia mais imprescindível na cultura nacional.







Abaixo das imagens, o "press-release", fornecidos pela assessoria de imprensa do evento.


























Galeria Almeida e Dale apresenta mostra beneficente de Raphael Galvez
 Colecionador Orandi Momesso expõe e doa obras de seu acervo; valores arrecadados serão destinados à organização internacional Médicos Sem Fronteiras

O pintor, escultor e desenhista Raphael Galvez sempre teve um apreço muito grande por suas obras. Por toda vida, recusou-se a vender seus trabalhos, sendo um artista pouco conhecido pelo grande público, apesar do seu reconhecimento por toda crítica, que sempre o considerou um importante artista do modernismo brasileiro. Entre 18 de agosto e 16 de setembro, o público paulistano poderá conhecer de perto seu trabalho, em uma mostra beneficente realizada na Galeria Almeida e Dale.
A exposição traz um conjunto de 60 obras de Galvez, sendo 40 pinturas e 20 desenhos. Os trabalhos foram doados pelo colecionador Orandi Momesso, que decidiu colocar obras do artista que fazem parte da sua coleção à venda , de modo a arrecadar recursos e doar integralmente a Médicos Sem Fronteiras, organização internacional sem fins lucrativos, que leva cuidados de saúde a pessoas afetadas por graves crises humanitárias pelos quatro cantos do mundo.
A ideia da mostra beneficente surgiu em 2016, quando Orandi se deparou com uma videorreportagem que apresentava o trabalho da instituição. Encantado com a atuação dos profissionais de MSF, decidiu que deveria ajudar a organização e resolveu doar parte do acervo do artista pertencentes a sua coleção. O colecionador, aliás, foi amigo de Galvez e, após a sua morte, em 1998, herdou toda a sua extensa produção.
“Galvez é um dos grandes nomes da segunda geração do modernismo brasileiro, autor de uma obra extraordinária. Ao lodo de figuras como Alfredo Volpi e Mario Zanini, de quem foi colega inclusive, o artista ocupa espaço no Pantheon das artes deste período”, afirma Orandi.
Para auxiliá-lo no processo de escolha das obras, o colecionador convidou o curador Rui Moreira Leite, que assina a curadoria da exposição. Além dos óleos e desenhos que estarão à venda, o curador integrou à mostra um núcleo de pinturas e esculturas que permitirão aos visitantes uma maior e melhor compreensão do conjunto da obra de Galvez e de sua trajetória.
“A exposição traz um recorte bastante interessante da produção de Galvez, um registro do que foram, para o artista, os anos 30 até 80. Ganham destaque nesta época uma série de paisagens de São Paulo, às margens do rio Tietê. São pinturas de tons baixos, normalmente cinzas e ocres, com a qual registra os arrabaldes da cidade. Seus flagrantes mostram paisagens praticamente despovoadas, com presença humana raramente sugerida por lavadeiras ou remadores”, diz o curador.
Durante a abertura da mostra na Galeria Almeida e Dale, será também lançado um livro que apresentará ao leitor a vida e a obra de Raphael Galvez. A publicação trará textos de Orandi Momesso e de Rui Moreira Leite, que na ocasião participará ainda de um bate-bapo com o público interessado. O livro, de capa dura e 256 páginas, é editado pela Via Impressa Design Gráfico e Edições de Arte.
O artista 
Raphael Galvez passou grande parte da sua vida dividido entre as pinturas, desenhos e esculturas que realizava por puro prazer, e as esculturas tumulares e projetos para monumentos, que lhe rendiam dinheiro para o sustento próprio e de seus irmãos.
Acolhido pelo Grupo Santa Helena, associação de artistas fundado em 1934, Galvez foi parceiro de ateliê de Mário Zanini. O pintor construiu sua obra a partir dessa experiência, que o levou a aplicar-se em intermináveis sessões de modelo vivo e a observar com curiosidade as variadas manifestações artísticas realizadas pela cidade.
Em meados dos anos 1950, seu trabalho foi integrado a duas mostras panorâmicas: 50 anos de paisagem brasileira, apresentada no Museu de Arte Moderna por Sérgio Milliet, e Exposição do Retrato Moderno, montada no Parque Ibirapuera. Neste momento, suas obras foram exibidas junto não apenas às do Santa Helena, mas às dos modernistas - o que marca um inequívoco reconhecimento de seu trabalho pelo circuito e pela crítica.
A partir da década de 1960, Galvez passa a viver em prolongado recolhimento, ao dar depoimentos sobre seus contemporâneos e participar de mostras dedicadas aos anos de 1940.
O artista ganhou uma série de exposições próprias retrospectivas. A mais extensa delas ocorreu em 1999, no ano seguinte ao de sua morte, na Pinacoteca do Estado de São Paulo.
Serviço:
Exposição Raphael Galvez
Local: Galeria Almeida e Dale
Endereço: Rua Caconde, 152 | Jardim Paulista | São Paulo
Vernissage: 17 de agosto, a partir das 19h30
Período expositivo: de 18 de agosto a 16 de setembro
A4&Holofote+55 (11) 3897-4122
Cristiane Nascimento - cristianenascimento@a4eholofote.com.brNeila Carvalho – neilacarvalho@a4eholofote.com.br




segunda-feira, 7 de agosto de 2017

O impressionismo e o Brasil

Essa é uma daquelas exposições que além de nos encantar também nos causa um sentimento de inconformismo, inconformismo ao percebermos como nossas artes plásticas estão se apequenando, empobrecendo mesmo.

Onde estão aquelas magníficas escolas que preparavam nossos artistas a exercer com maestria e exuberância seus diversos talentos.

Hoje em dia, com raras e honrosas exceções o que vemos são produções rasteiras, descuidadas e cheias de pretensão. E somos encarados como uns imbecis que não captam toda a genialidade dos "artistas" contemporâneos.

O curador teve o cuidado de nos apresentar obras majestosas de Renoir para ilustrar as características dessa escola bem como a evolução das tintas e suas embalagens que permitiram a saídas dos ateliês e a criação ao ar livre, onde com as novas paletas de cores puderam fixar todas as nuances de luzes e espectros cromáticos da natureza. Há também um belo vídeo onde um artista cria uma belíssima pintura dentro do Parque do Ibirapuera, explanando os passos e as técnicas necessários a um resultado de notável beleza.

Um belo passeio a ser aproveitado com um interessado vagar. 



Conjunto De Chiquinha Gonzaga - 1912 - Falena

Abaixo das imagens, o "press-release", fornecidos pela assessoria de imprensa do MAM.












Exposição no MAM narra a trajetória do movimento impressionista no Brasil a partir da chegada
das tintas industriais

Mostra exibe cerca de 70 pinturas, com destaque para Renoir, um dos precursores do impressionismo na França, ao lado de 10 artistas brasileiros e estrangeiros residentes no país, como Parreiras, Castagneto, Grimm, os irmãos Arthur e João Timotheo da Costa e Visconti

Objetos de uso pessoal de Parreiras, utilizados em suas incursões para pintura ao ar livre, como bisnagas de tinta, pincéis e equipamento portátil, integram a exposição

Linha do tempo explica o curso do impressionismo no Brasil e no mundo, incluindo o expressivo aumento no número de lojas de tintas e de materiais para artistas no Rio de Janeiro de 1844 a 1889; três vídeos de Carlos Nader complementam a parte didática


O MAM – Museu de Arte Moderna de São Paulo – abre no dia 16 de maio (terça-feira), às 20h, a mostra O impressionismo e o Brasil, com cerca de 70 pinturas do período, levando ao espaço expositivo obras do final dos anos 1860 até a década de 1930. Oito telas são de Pierre-Auguste Renoir, um dos precursores do impressionismo na França, e as demais são de 10 artistas brasileiros e estrangeiros residentes no país. Uma linha do tempo narra o curso do impressionismo no Brasil e no mundo, e uma série de objetos utilizados por Antonio Parreiras, um dos ícones do movimento no país, complementam a mostra. Há ainda três filmes didáticos de Carlos Nader sobre o tema. Com curadoria de Felipe Chaimovich, a exposição permanece em cartaz até 27 de agosto. O patrocínio master é do Bradesco e o patrocínio de Levy & Salomão Advogados.

Com a exposição, Chaimovich busca revelar o benefício trazido pelos avanços da indústria da tinta a óleo para os pintores impressionistas, que, trabalhando ao ar livre, precisavam realizar uma pintura rápida, a fim de captar a luz desejada. O impressionismo surgiu no Brasil impulsionado pela chegada de tintas e insumos para pintura ao mercado local, em paralelo com o intercâmbio artístico entre o Rio de Janeiro e a França.

Assim como na Europa, a pintura pitoresca virou moda no Rio de Janeiro, levando uma infinidade de pintores amadores a pintar ao ar livre, estimulados pela praticidade da tinta a óleo em bisnagas, os novos pincéis e o equipamento portátil. A explosão desse fenômeno no Brasil se deu nos anos 1880, com muitas semelhanças com o que ocorre em nossos dias, quando tudo é fotografado, pela facilidade do registro, através da utilização de smartphones.

Para comprovar o fenômeno no período, o curador Felipe Chaimovich, teve o auxílio de dois documentos da época: do Almanak Laemmert, um guia de ruas e de estabelecimentos comerciais e industriais da cidade do Rio (publicado anualmente entre 1844 e 1889), e de um mapa comercial da região central do Rio de Janeiro, de 1874 (uma litogravura de Joaquim Rocha Fragoso), que reúne as fachadas numeradas de todos os edifícios. Chaimovich pôde assim registrar o aumento crescente de casas de artigos para pintura do Rio do Segundo Reinado: em 1844, a cidade contava com seis lojas de tintas em geral; Já em 1889, o negócio prosperava, com 52 lojas especializadas no comércio de materiais para artistas.    

Artistas

Das obras apresentadas, além das telas de Pierre-Auguste Renoir, que trazem principalmente retratos que utilizam a técnica da pintura rápida adotada no impressionismo, há trabalhos dos irmãos negros João e Arthur Timotheo da Costa, de Georgina de Moura Andrade Albuquerque, Lucílio de Albuquerque, Eliseu D’Angelo Visconti, Antônio Garcia Bento, Mário Navarro Costa, Giovanni Battista Castagneto, Antonio Parreiras, além de uma tela de Georg Grimm, pintor pitoresco bávaro que chegou ao Brasil no momento da explosão do movimento no país. Grimm foi professor interino de paisagem da Academia Imperial de Belas-Artes, contra a vontade dos acadêmicos, adotando o método de pintura de paisagem ao ar livre. Castagneto e Parreiras foram alunos do artista.

Estão presentes também na exposição uma série de objetos que pertenceram a Antônio Parreiras, utilizados para seu trabalho em suas incursões ao ar livre, bem como desenhos e fotos do artista em campo, que ilustraram sua autobiografia, publicada em 1926.  

Linha do tempo e vídeos didáticos

A mostra é pontuada por uma linha do tempo, que tem início em 1782, quando é lançado na Grã-Bretanha um guia de viagens voltado para o turismo pitoresco, passando pela evolução da indústria, com dados sobre o lançamento de novos pigmentos, a patente norte-americana do tubo de tinta metálico (1840), nascimento, trajetória e morte dos principais artistas do movimento no Rio de Janeiro e na França.

Há também três vídeos didáticos de Carlos Nader sobre o tema. O primeiro deles trata do turismo pitoresco e a busca por locais com irregularidades e desenhos e pinturas em aquarela, a expansão do mercado de equipamentos portáteis já na primeira metade do século 19, surgimento de cores sintetizadas pela indústria química e a invenção do tubo de tinta metálico, chegando a Renoir e a pintura ao ar livre,  e nascimento da expressão “Impressionismo”; O segundo trata do ensino da pintura de paisagem no Brasil por Grimm, que introduziu a pintura pitoresca na Academia Imperial de Belas-Artes, e o Rio de Janeiro como tema predominante do movimento no país; O terceiro vídeo demonstra a preparação da paleta, a diferença no uso do pincel chato e do pincel cônico, demonstração da pintura rápida nos estilos de Monet e Renoir e retrabalho do quadro.




Serviço:
O impressionismo e o Brasil
Curadoria: Felipe Chaimovich
Abertura: 16 de maio de 2017 (terça-feira), às 20h
Visitação: de 17 de maio a 27 de agosto de 2017
Grande Sala
Entrada: R$ 6,00 - gratuita aos sábados
Local: Museu de Arte Moderna de São Paulo - Grande Sala
Endereço: Parque Ibirapuera (Av. Pedro Álvares Cabral, s/nº - Portão 3)
Horários: terça a domingo, das 10h às 17h30 (com permanência até as 18h)
Tel.: (11) 5085-1300
Estacionamento no local (Zona Azul: R$5 por 2h)
Acesso para deficientes / Ar condicionado
Restaurante/café

Mais informações para a imprensa
Conteúdo Comunicação
Mariana Ribeiro – mariana.ribeiro@conteudonet.com – (11) 99328-1101
Roberta Montanari - roberta.montanari@conteudonet.com – (11) 99967-3292
Tel. (11) 5056-9800

quarta-feira, 2 de agosto de 2017

Loucuras Anunciadas - Francisco de Goya

Essa é uma mostra inquietante que nos apresenta obras que abrem e escancaram o subconsciente do artista com imagens atormentadas, que muito provavelmente assombravam suas noites ou momentos de introspecção.

Uma surpresa para quem só estava acostumado a ver seus retratos da nobreza espanhola. Havia sim muita violência em suas séries "Os Horrores da Guerra" e Tauromaquia" mas que retratavam cenas reais, testemunhadas por ele.

Deve ser por isso que o artista foi renitente em divulgá-las, pois expõem seus desvãos e mais escuros recônditos.

Uma bela oportunidade de conhecermos uma faceta inesperada de um grande artista, que nessas obras usa toda sua maestria para nos extrair instigantes sensações.






Mortal Loucura - Caetano Veloso



Abaixo das imagens, o "press-release", fornecidos pela assessoria de imprensa do evento.


















“Loucuras Anunciadas” – obras de Francisco Goya desembarcam em São Paulo


Coleção de gravuras que revela o período mais obscuro do artista espanhol entra em cartaz no dia 29 de julho na Caixa Cultural São Paulo

CAIXA Cultural São Paulo apresenta, de 29 de julho a 24 de setembro, a mostra Loucuras Anunciadas, do artista espanhol Francisco de Goya (1746-1828). A coleção, também chamada de Disparates, que reúne 20 gravuras, é uma edição póstuma da Academia de Belas Artes de Madri, que adquiriu as pranchas em 1864. O ciclo apresentado em São Paulo é considerado o mais obscuro e complexo da produção de Goya.

O período em que as gravuras foram feitas não é muito preciso; de acordo com especialistas, devem ser de 1815 a 1820. Goya tinha decidido não publicá-las, por causa da perseguição aos iluministas à época.
As enigmáticas gravuras são as últimas obras gráficas de Goya. Disparates é uma série que revela visões, violência, sexo, deboche das instituições relacionadas com o regime absolutista, crítica aos costumes e ao clero.
Gravuras ampliadas
Segundo a curadora Mariza Bertoli, a exposição contará também com diversas atividades interativas. “Pensei em um espaço que gerasse inquietações e curiosidade. Os participantes estarão vivenciando, de fato, o exercício estético. O estético na arte é o que comove, e a sua finalidade é colocar-nos na obra que está nos nossos olhos; promover um conhecimento sensível”, explica Mariza.
“Será uma experiência forte fotografar-se nestes cenários, que são as gravuras aumentadas. Ver-se entre os loucos é inusitado. Valorizar a liberdade de não estar ‘ensacado’. Afinal, no início da mostra, nos perguntamos: pode-se anunciar loucuras?”, completa a curadora.
A mostra contará com duas grandes gravuras impressas para que as pessoas se fotografem diante das imagens. Uma delas, contará com sacos, tal como na gravura original Os ensacados (Los ensacados), que estará na exposição. A gravura remete à opressão, ao desespero e à própria sensação da surdez. Goya perdeu a audição aos 46 anos.
Acessórios e vestuários também ficarão à disposição, para que as pessoas possam se caracterizar e fazer suas próprias produções para fotografia. As gravuras ampliadas medem 1,8m X 2,75m. Além disso, estarão disponíveis ainda diversas máscaras e dois espelhos, um côncavo e outro convexo, para que os visitantes se vejam por outras perspectivas.
A mostra encerra temporada na Caixa Cultural Curitiba no dia 02 de julho e, após estada em São Paulo, seguirá para a Caixa Cultural Brasília, onde ficará em cartaz do dia 09/01/2018 ao 04/03/2018.
Serviço:
Exposição “Loucuras Anunciadas – Francisco de Goya
Local: CAIXA Cultural São Paulo (Praça da Sé, 111 – Centro) – próximo à estação do metrô Sé
Abertura: 29 de julho de 2017 (sábado), às 11h
Visitação: de 29 de julho de 2017 até 24 de setembro de 2017 (terça-feira a domingo)
Horário: 9h às 19h
Informações: (11) 3321-4400
Classificação indicativa: livre para todos os públicos
Entrada franca
Acesso para pessoas com deficiência
Patrocínio: Caixa Econômica Federal

Palestra Vida e obra de Francisco Goya
Palestrante: Mariza Bertoli – curadora da exposição
Data: Dia 19 de agosto de 2017, sábado, às 11h
Local: CAIXA Cultural São Paulo – Praça da Sé, 111 – Centro. 
Classificação indicativa livre para todos os públicos.
Capacidade:  50 participantes
Inscrições: (11) 3321-4400
Informações à imprensa:
Assessoria de imprensa – CAIXA Cultural São Paulo
Tel: (11) 3321-4400/ 3549-6001  
www.caixa.gov.br/imprensa /@imprensaCAIXA
www.facebook.com/CaixaCulturalSaoPaulo
cultura.sp@caixa.gov.br

Assessoria de Imprensa da exposição: “Loucuras Anunciadas” – de Francisco Goya
Colateral Comunicação – Clayton Jeronimo
Tel: (11) 2767-8125 / (11) 9.9996-9185
clayton@colateralcomunicacao.com.br

quinta-feira, 27 de julho de 2017

Modos de Ver o Brasil: Itaú Cultural 30 Anos

Essa é uma exposição que vale várias visitas, pois além de seu gigantismo, espalhada no quatro pisos da OCA, também uma magnífica obra de arte de Neimeyer, apresenta um belíssimo apanhado do que de bom se produziu nas artes plásticas brasileiras desde o descobrimento.

Com obras dos artistas  das missões estrangeiras, como as francesas, holandesas e alemãs, até aos nossos contemporâneos ainda vivos, podemos perceber o rigor com que todas essas preciosidades foram adquiridas para se montar essa coleção, que apesar de particular, já é um patrimônio nacional.

Essa coleção é em si uma enciclopédia de artes brasileiras pois seus curadores não demonstram predileção por nenhuma escola ou movimento artístico, tendo em seu acervo preciosos exemplos de tudo de bom que se produz ou se produziu por aqui.

Um lindo passeio que se completa com a visita ao MAM, onde ocorre a mostra "O impressionismo e o Brasil".



Tropicália - Caetano Veloso

Abaixo das imagens, o "press-release", fornecidos pela assessoria de imprensa do Itaú Cultural.


















Uma constelação da arte brasileira celebra os 30 anos do Itaú Cultural em mostra na Oca


No maior recorte do Acervo de Obras de Arte Itaú Unibanco exibido em conjunto até hoje, que vai da primeira obra adquirida por Olavo Egydio Setubal, no final dos anos de 1960, às novas aquisições para a coleção e a reconstrução da escultura pública de Ascânio MMM – retirada em 1989 pela prefeitura para manutenção, foi dada como irrecuperável e não voltou ao seu lugar –, a exposição Modos de Ver o Brasil: Itaú Cultural 30 Anos comemora três décadas de existência do instituto dedicadas às artes e à cultura brasileiras e dá visibilidade à cadeia de ações desempenhada pelo instituição desde a sua fundação, em 1987.


A exposição Modos de Ver o Brasil: Itaú Cultural 30 Anos, com abertura para convidados no dia 24 de maio e apresentação ao público de 25 de maio a 13 de agosto, ocupa os mais de 10 mil metros quadrados da Oca, um dos símbolos arquitetônicos de São Paulo, integrante do conjunto de instalações do Parque Ibirapuera, projetado por Oscar Niemeyer. Com curadoria de Paulo Herkenhoff, co-curadoria de Thais Rivitti e Leno Veras, realizada em colaboração com as equipes do instituto e expografia de Álvaro Razuk, a mostra apresenta ao público mais de 750 obras – 48 delas recém adquiridas – pertencentes ao Acervo
de Obras de Arte Itaú Unibanco.

Em 1969, o empresário Olavo Egydio Setubal adquiriu Povoado numa Planície Arborizada, do pintor holandês Frans Post, a primeira obra de um conjunto que atualmente soma cerca de 15 mil peças reunidas neste acervo mantido e gerenciado pelo Itaú Cultural – todas adquiridas com recursos próprios. Complementado pelas coleções de Arte Cibernética e Filmes e Vídeos de Artistas, formadas pelo instituto, hoje é tido como um dos maiores acervos corporativos do mundo e o maior da América Latina (leia mais aqui, Acervo). Alguns anos depois, em 1987, Setubal lançou a pedra base do projeto – as Galerias Itaú –, que se tornaria o Itaú Cultural, uma das mais importantes instituições culturais em atividade no país, com atuação nacional, respeitando e conferindo visibilidade à diversidade das expressões culturais em todo o território brasileiro.

Para reunir essa história que se mescla à da construção do Brasil, os curadores optaram por apresentar uma constelação de 20 núcleos a serem percorridos pelos visitantes, fazendo articulações e linhas de continuidade e ruptura entre eles. Os trabalhos permeiam os quatro andares da Oca, procurando estabelecer uma leitura ampliada do acervo. Sem seguir uma sequência cronológica e construindo nexos e diálogos diversificados entre as obras, o público é levado a descobertas estéticas, linguísticas, conceituais e políticas, dando indicações para que novos modos de ver a arte brasileira sejam construídos.

A exposição busca, ainda, dar visibilidade à cadeia de ações desempenhada pelo instituto nestes 30 anos: a formação de uma coleção, o registro de bens culturais, sua preservação e estudo e a difusão da cultura com a edição de publicações e a realização de debates, exposições e extensa programação. Elas perpassam a mostra, entre produções de obras selecionadas pelo programa Rumos, um dos principais editais de produção de arte e cultura no país, e a enciclopédia, que deu origem ao instituto e hoje se tornou o maior compêndio de arte e cultura brasileira na web, passando pelas atividades da instituição que abrangem as mais diversas áreas de expressão artística e cultural no Brasil.
Algumas obras
Entre as quase oito centenas de obras que podem ser vistas na exposição, as mais antigas, pela data, são dois mapas Jodocus Hondius: AmericaSeptentrionalis, de 1613, e Henricus Hondius: Accuratissima Brasiliae Tabula, de 1630, e seis livros raros Sebastiano Beretario: Iosephi Anchietatae Societatis Iesu Sacerdotis In Brasilia Defuncti Vita, de 1617, Nicolaus Orlandini: Historiae Societatis Iesv, de 1620, George de Spilbergen: Miroir Oost & West-Indical Auquel sont defcriptes les deux dernieres Navigations, de 1621, Sebastiano Beretario: Vita del Padre Gioseffo Anchieta, de 1621,  Guilhermo Piso, Georg Marcgraf: Indiae Utriusque, de 1648, e Simão de Vasconcellos: Chronica da Companhia de Jesus do Estado do Brasil, 1663. Todas provenientes da Coleção Brasiliana do Acervo de Obras de Arte Itaú Unibanco.

Há, também, trabalhos do pintor brasileiro Candido Portinari, considerado um dos mais importantes artistas nacionais do século XX, Emiliano Di Cavalcanti, a escultora Maria Martins, o artista Hélio Oiticica, o escultor ítalo-brasileiro Victor Brecheret e a artista Lygia Clark. Entre os modernistas estrangeiros está o pintor francês Fernand Leger.

Como um presente à cidade, a organização desta mostra proporcionou a reconstrução da escultura vertical sem título, com 5,35 metros de altura, de Ascânio MMM. O trabalho foi encomendado nos anos de 1970, quando Olavo Setubal era prefeito de São Paulo. Terminadas as obras do metrô Sé, ele criou, ao lado, uma área para reunir um conjunto de 15 esculturas de artistas renomados, como Sergio Camargo, Rubem Valentim, Felícia Leirner, além de Ascânio. Em 1989, a obra foi retirada para restauração pela prefeitura da época para manutenção, mas foi dada como irrecuperável e não voltou ao seu lugar (leia mais sobre o assunto, aqui, Obras de Ascânio MMM).

Modos de Ver o Brasil: Itaú Cultural 30 Anos inclui, ainda, peças significativas de artistas contemporâneos, como Adriana Varejão, Beatriz Milhazes, Vik Muniz, Berna Reale, Jaime Lauriano, Ayrson Heráclito e Eder Oliveira. Destes últimos, algumas figuram entre as novas aquisições, como Bandeira Nacional # 10, Novus Brasilia Typus: invasão, etnocídio, democracia racial e apropriação cultural e Artefatos # (1, 2 e 3), de Lauriano, todas de 2016; quatro trabalhos da série Cabeças Bori, de Heráclito, ou duas sem título, de autoria de Eder Oliveira, ambas de 2015.
Os andares
O prédio da Oca, por sua arquitetura específica, no característico formato hemisférico, cria um espaço fluido, sem arestas, e, segundo a curadoria, permite que as diferentes visões criadas a partir dessa coleção possam conviver em pé de igualdade. A espiral que o percurso do prédio sugere ao visitante remete a uma trajetória em que não há ponto de chegada, mas sim uma relação de continuidade entre as temáticas e enfoques abordados.

São Paulo recebe o público no piso Térreo. Fotos e obras sobre a cidade, desde a sua fundação até trabalhos produzidos em 2017, convidam a um novo entendimento sobre a capital do estado e seus arredores, nos núcleos Esculturas, História, Paisagens, Urbanidade, Urbanismo, Modernismos, Concretistas. Mesclam-se, neste piso, temas como o início da vila, passando pela construção do interior do estado, com obras de Benedito Calixto ou telas sobre a era do café, de Cândido Portinari, e, mais recentemente, trabalhos de Caio Reisewitz, por exemplo.

O andar trata da modernidade, do concretismo, do neo-concretismo, da contemporaneidade – passado, presente e indicações para o futuro. Para isso, cruzam-se olhares de artistas como Militão, Joaquim Pedro, Mario de Andrade, assim como paisagens gerais de Alfredo Volpi, personagens de Almeida Junior, naturezas de Calixto. Mais próximas, fotos de indígenas feitas por Claudia Andujar, dos prédios da cidade, de Cláudia Jaguaribe, detalhes de edifícios, de Claudio Edinger, paisagens urbanas interpretadas nos grafites de Alexandre Órion, entre outros.

O subsolo guarda experimentos da arte brasileira, com os núcleos Cibernética Conceitual, Teoria dos Valores, Natureza, Subjetividade, Escritura e Gambiarra. Cildo Meirelles está neste piso, com a litografia sobre papel moeda Zero Cruzeiro. Além destes, o andar reúne um grande número de artistas que vão do pop Antonio Dias ou Antonio Henrique Amaral, a Beatriz Milhazes ou Berna Reale, em subjetividades, passando por Portinari, e os contemporâneos Iran Espírito Santo, Paulo Bruscky, Hélio Oiticia, Lygia Clark.

O primeiro andar se situa no pós-guerra (Segunda Guerra Mundial), um momento, segundo os curadores, em que um conjunto de questões aglutinaram os artistas brasileiros em torno das artes visuais. Os núcleos são: Geracional, Bidimensional – Regimes da Cor, Bidimensional – Geometria da Luz, Tridimensional. Estão aqui a primeira geração de cinéticos, como Abraham Palatnik, as cores de Amélia Toledo ou as gravuras de Maria Bonomi, em transversalidades por momentos históricos e ideias conceituais. Estão obras, ainda, de Ana Maria Maiolino, Antonio Manuel, José Resende, Paulo Pasta, Volpi e Maria Martins, entre outros.


No segundo piso e último, o passeio segue pela formação social do Brasil: o Barroco e Neo Barroco, tendo, igualmente, foco em duas passagens traumáticas da história brasileira – a escravidão e a conquista das terras indígenas. Aqui tem Aleijadinho e Mestre Valentim, mas também a contemporânea Adriana Varejão; ou, ainda, Albert Eckhout e Alberto da Veiga Guignard. Pode se ver, neste andar, um documento de venda de escravos ao lado da quantidade de moedas de ouro que representava o seu valor como mercadoria. É aqui que se concentra o núcleo afro-brasileiro, com 17 das obras recém adquiridas de artistas como Alcides Pereira dos Santos, Ayrson Heráclito e Jaime Lauriano.