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quarta-feira, 10 de março de 2010

Irina Ionesco - Espelhos de Luz e Sombra

Sempre pensei que esta música fosse de algum compositor americano, pois ouvi grandes interpretações de Louis Armstrong, Ella Fitzgerald e outros, com o nome de Mack Knife, e qual não foi minha surpresa quando descobri há alguns anos que ela é uma canção da Ópera dos Três Vinténs de Bertolld Brecht e Kurt Weil.



Die Moritat vom Mackie Messer -Bertolt Brecht/ Kurt Weil


A escolha da música se deu em função da impressão que tive das maravilhosas fotos de Irina Ionesco, que me transportaram a um palco ou a uma platéia de um espetáculo teatral, como era também a intenção da artista, pois como ela disse, seus modelos nunca poderiam ser encontrados no cotidiano.
Todas as imagens são de modelos posando dentro de um estúdio, em tomadas ensaiadas, caracterizando assim o refinamento desta arte como forma de expressão.
Esta é mais uma artista que terá sua obra sempre atual, pois sempre nos causará uma agradável surpresa contemplá-las.
Abaixo das imagens o "press-release" da Caixa Cultural.







CAIXA CULTURAL SÃO PAULO APRESENTA A EXPOSIÇÃO ‘ESPELHOS DE LUZ E SOMBRA’

A francesa Irina Ionesco, uma das grandes damas da fotografia mundial, expõe sua obra pela primeira vez no país.


A obra de Irina Ionesco, fotógrafa pouco conhecida no Brasil, pela primeira vez vai percorrer o país na exposição “Espelhos de Luz e Sombra”, graças à itinerância promovida pela CAIXA Cultural em suas unidades em São Paulo, Brasília e Salvador. Na capital paulista, os trabalhos da artista poderão ser vistos de 6 de março a 11 de abril, na Galeria Michelon da Praça da Sé, no centro da cidade.

Essa mostra apresentará 30 fotos assinadas (26 com 40 x 50 e 4 com 60 x 90) de 1968 a 2006, em preto-e-branco analógicas, sem nenhuma interferência de tecnologias digitais. Durante a exposição, será exibido o documentário Irina Ionesco, Nocturnes Porte Dorée (1998-2003, 58’) de Delphine Camolli, que propõe a descoberta de seu universo barroco com base em depoimentos, cenas da fotógrafa em ação com a modelo Isis, apresentação de algumas de suas séries, como as Amantes Fúnebres e as fotos de Baby Jane, inspiradas no filme What ever happened to Baby Jane. O filme revela também que seu espaço de criação é o apartamento em que vive.

Criadora de uma obra original e insólita, ela produz, a partir de adornos e da encenação teatral, uma mulher mítica. Suas fotografias estão presentes tanto em museus e galerias quanto em revistas de moda. Seu universo onírico em torno da mulher promove o diálogo entre o pop e o sublime, entre o eterno e o moderno.

SOBRE A ARTISTA:

Irina Ionesco, de origem romena, nasceu em Paris em 1935. Adolescente, começa uma trajetória de mulher-espetáculo: encantadora de cobras, dançarina acrobática e contorcionista, alvo vivo de um lançador de facas. Depois de um acidente que a impede de continuar dançando, começa a desenhar espaços vazios. Em 1964, ganha uma máquina Nikon do pintor Corneille. Em 1970, faz sua primeira exposição pessoal como fotógrafa, desenvolvendo uma das obras mais insólitas e singulares da arte contemporânea, presente em galerias européias, japonesas, norte-americanas e museus como a Maison Européenne de la Photographie (Paris), a Bibliothèque Nationale (Paris), BPI (Paris), o Musée d'Art Moderne (Paris), o Museu Ludwig (Köln - Alemanha) e o Museu Simbolista da Bélgica (Bruxelas).

Assim Irina Ionesco, uma das grandes damas da fotografia mundial, define seu trabalho:
“A fotografia é para mim um elemento essencialmente poético […] Cada sessão de fotos, encenada e concebida como uma seqüência teatral, integra a mulher em um universo de sonho, onde ela mesma é mítica, múltipla, inventada.”


PRINCIPAIS EXPOSIÇÕES INDIVIDUAIS

1970 – Jalmar Galerie, Amsterdam
1971 – Galleria La Lanterna, Trieste – Milão
1973 – Photographer’s Gallery, Londres
1974 – Galerie Nikon, Paris
Galeria Spectrum, Barcelona
1975 – Canon Photo Gallery, Amsterdam
Pentax Gallery, Tóquio
Galerie Bernard Letu, Genebra
1976 – Studio d’Arte Contemporanea, Roma
Museum, Tóquio
1978 – FNAC Montparnasse, Paris
1980 – Galerie Aspects, Bruxelas
Hansen Gallery, New York
1989 – Rêve d’Egypte, Centre Culturel Français, Cairo e Alexandria
1992 – Kafka, Le cercle de Prague, Praga
Gallery Turbulence, New York
1996-1997 – Souvenirs des jours, Galerie Nikon, Tóquio-Osaka
In color, Delta Mirage, Tóquio
1998 – Past Rays Photo Gallery, Yokohama
2001 – Anges, Past Rays Photo Gallery, Yokohama
Galeria 70, Milão
2004 – Le Japon Interdit, Arts Galerie Benchaieb, Paris
2006 – Galleria 70, Milão
2007 (janeiro) – Fotos de Martine Dassault, Librairie Artcurial, Paris
2007 (junho) Espaço Sesc, Rio de Janeiro

BIBLIOGRAFIA DE IRINA IONESCO (seleção)

· Liliacées langoureuses aux parfums d’Arabie , prefácio de André Pieyre de Mandiargues, ed. Le Chêne, Paris, 1974
· Femmes sans tain, Bernard Letu, Genebra/ Siècle, Paris, 1975
· Nocturnes, Lustrum Press, New York, 1976
· Litanies pour une amante funèbre , Georgio Cegna, Milão, 1976
· Le temple aux miroirs, texto de Alain Robbe-Grillet, ed. Seghers, Paris,1977
· Cent onze photographies érotiques, ed. Borderie, Paris,1980
· Le divan , ed. Borderie, Paris, 1981
· Contemporary Photographers, Macmillan, New York, 1982
· Les Passions, ed. Pink Star, Paris, 1984
· The eros of Baroque , Libroport, Tóquio, 1988
· Les immortelles , ed. Contrejour, Paris, 1991
· Egypte chambre noire , catálogo da Mostra, França, 1991
· Méditerranéennes , ed. Contrejour, Paris, 1991
· Kafka ou le passant de Prague , E. Sand, Paris, 1992
· TransEurope , catálogo da Mostra, 1994
· Metamorphose de la Medusa , TIS Co. Ltd, Tóquio,1995
· Nudes , ed. Dtemmle, Zurique,1996
· Eva: Eloge De Ma Fille , Alice Press, Los Angeles, 2004
· L'œil de la poupée , ed. Des Femmes, Paris, 2004
· Le Japon Interdit , Romantica, ed. Arts Galerie Benchaieb, Paris, 2004
· Collection Gilles Deves, Editions du Valhermeil, Auvers-sur-Oise, 2009

SERVIÇO:
Exposição: “Espelhos de Luz e Sombra”, com Irina Ionesco
Curadoria: Betch Cleinman
Abertura para convidados e imprensa: dia 06 de março de 2010, às 11h
Visitação: 06 de março a 11 de abril de 2010
Local: CAIXA CULTURAL São Paulo - Praça da Sé, 111 – Centro - São Paulo (SP) - Galeria Michelon
Horários: De terça-feira a domingo, das 9 às 21h.
Informações: (11) 3321-4400
Acesso para pessoas com necessidades especiais
Entrada: franca
Recomendação etária: livre
Produção: Imagem-Tempo e Solar das Metamorfoses
Patrocínio: Caixa Econômica Federal










terça-feira, 9 de março de 2010

Lothar Charoux

Pierre Henry juntamente com Pierre Schaeffer um dos criadores da música concreta, portanto, para acompanhar este comentário fui buscar uma obra desta corrente.



Psyche Rock - Pierre Henry


Esta foi uma exposição que esperei com ansiedade, pois a Arte Concreta é uma das correntes das artes plásticas que mais me agradam, não sei se por minha cabeça cartesiana, ou pela exatidão dos traços, que podem ser transformados seguramente em equações matemáticas que os reproduzirão.

Como já havia escrito no "post" Amilcar de Castro - 34 Gravuras penso que arte concreta deve ser executada com régua, compasso, esquadros e transferidores, para dar à obra precisão total no resultado.

As peças apresentadas tem uma atemporidade que transcende uma época, estão sempre atuais, proporcionando-nos agradáveis experiências sensoriais.

Os trabalhos de Charoux criam efeitos visuais de curvas perfeitas onde só existem retas, e outras figuras geométricas dentro de retas paralelas, mudando-se somente a largura das linhas.

Os azulejos mostrados são tão bonitos, que apesar de serem em preto e branco, tem infinitas aplicações possíveis.

Abaixo da imagens, "press-release" da Caixa Cultural.


Nanquim e Guache sobre papel


Sem título - s/d serigrafia sobre papel


Azulejos




OBRAS E DOCUMENTOS INÉDITOS DE LOTHAR CHAROUX EM EXPOSIÇÃO NA CAIXA CULTURAL SP

Mostra apresenta o lado pessoal e peças do acervo familiar de expoente da arte concreta do Brasil



De 11 de fevereiro a 21 de março de 2010 a Caixa Cultural São Paulo apresenta a exposição “Lothar Charoux: entre vida e obra”.
A mostra sobre o artista concretista de origem austríaca trará 40 obras e documentos pertencentes ao acervo da família Charoux nunca antes exibidos ao público.
Entre as peças encontram-se exemplares de guache, serigrafia e nanquin sobre papel, bem como telas em óleo e tintas acrílicas, e uma matriz para impressão.
A exposição terá, ainda, vitrines expositivas com alguns objetos, como os Triângulos Componíveis, o Novelo e os Azulejos, além de documentos e fotografias.
A curadoria é de Maria Alice Milliet, autora do livro “Lothar Charoux, a poética da linha”.

Sobre a mostra:

Um dos fundadores do Grupo Ruptura (1952), que pretendia discutir os novos rumos da arte, da arquitetura e do design, Lothar Charoux, desde que aderiu ao concretismo, concentrou seu interesse na linha entendida como ponto que se desloca no espaço, como define a geometria.
Fazer arte concreta, racional e livre de qualquer ímpeto subjetivo e, simultaneamente, ser movido por afetos, pelo gosto pela improvisação, sem compromisso com metas rígidas, parece, à primeira vista, impossível. O artista, atraído pela ambigüidade das soluções compositivas no plano, pela instabilidade do equilíbrio e pelos fenômenos ópticos, tinha, porém, a inexatidão como uma constante em sua personalidade.
O intuito da exposição é sintetizar a aparente ambivalência existente entre a essência e a expressão de um dos grandes artífices da arte concreta no Brasil.

Sobre o artista:

Lothar Charoux nasceu em Viena, Áustria, em 5 de fevereiro de 1912. Muito jovem iniciou estudos artísticos com o tio, o escultor Siegfried Charoux. Veio para o Brasil em 1928, fixando-se em São Paulo.
Na década de 1930, matriculou-se no Liceu de Artes e Ofícios. Nesta instituição conheceu Waldemar da Costa, com quem estudou pintura a partir de 1940. Posteriormente, lecionou desenho no Liceu de Artes e Ofícios e também no Senai.
Desde 1942 e até o encerramento do evento, participou de várias edições do Salão do Sindicato dos Artistas Plásticos. Sua obra esteve presente diversas vezes no Salão de Belas Artes (Seção Moderna), no Rio de Janeiro. Em 1947, realizou sua primeira exposição individual na Galeria Itapetininga, em São Paulo. Foi um dos fundadores do Grupo Ruptura, em 1952, ao lado de Waldemar Cordeiro, Geraldo de Barros, Anatol Wladyslaw e outros. Participou de todos os eventos em que se apresentaram os concretistas: em 1952, no MAM-SP, em 1956 e 1957, no MAM-SP e no MAM-RJ.
Em 1963, com Hermalindo Fiaminghi e Luiz Sacilotto, criou a Associação de Artes Visuais NT - Novas Tendências. Entre 1951 e 1967, participou das nove primeiras edições da Bienal de São Paulo. Suas obras figuraram em todas as mostras do Salão Paulista de Arte Moderna até 1968 e Charoux fez parte dos júris de seleção e premiação das 12ª, 15ª e 16ª edições.
Foi eleito pela APCA - Associação Paulista de Críticos de Arte, como “Melhor desenhista de São Paulo” em 1972. Nesse mesmo ano, Charoux projetou o troféu Noel Rosa para premiar os melhores na música popular. Ele integrou a sala especial Arte Construída, na 12ª Bienal Internacional de São Paulo, realizada em 1973. Em 1974, foi homenageado com uma retrospectiva realizada no MAM-SP e no MAM-RJ. Expôs ainda nas mostras Projeto Construtivo na Arte (Pinacoteca do Estado de São Paulo e MAM-RJ,1977); e Tradição e Ruptura (Fundação Bienal de São Paulo, 1984).
Sua obra esteve presente nas mais importantes exposições panorâmicas dos últimos anos, tais como a Bienal Brasil Século XX (Fundação Bienal de São Paulo, 1994); Tendências Construtivas no Acervo do MAC (MAC-USP,1994); Arte Construtiva no Brasil – Coleção Adolpho Leirner (MAM-SP, 1998 e MAM-RJ, 1999) e Mostra do Redescobrimento (Associação Brasil 500 Anos, 2000).
Em 2005, uma seleção de seus trabalhos apresentada no MAM-SP recebeu da APCA - Associação Paulista dos Críticos de Arte o prêmio de melhor retrospectiva do ano. Nessa mesma data, foi publicado o livro “Lothar Charoux a poética da linha” de autoria Maria Alice Milliet.
O artista, que foi casado com Ondina Bueno Charoux, teve 3 filhos e 4 netos, faleceu em fevereiro de 1987.

Sobre a curadora:

Maria Alice Milliet é historiadora da arte, crítica e curadora. Mestre em História da Arte pela ECA/USP e Doutora pela FAU/USP. Diretora Técnica da Pinacoteca do Estado de São Paulo de 1989 a 1992 e do Museu de Arte Moderna de São Paulo de 1993 a 94, dirige atualmente a Fundação José e Paulina Nemirovsky, em São Paulo. Como curadora independente tem realizado exposições em inúmeras instituições, dentre elas, o MASP, o MAC-USP, o MAM-SP e o MAM-RJ, e em inúmeras galerias.

É autora dos livros Lygia Clark: obra-trajeto, 1992; Tiradentes, o corpo do herói, 2001; Lothar Charoux, a poética da linha, 2005, e de ensaios críticos em catálogos e periódicos.

Serviço:

Exposição: Lothar Charoux: entre vida e obra
Curadoria: Maria Alice Milliet
Produção: BR3 Produções Culturais e da Faina Moz
Local: Caixa Cultural São Paulo (Galeria Vitrine da Paulista) - Conjunto Nacional – Av. Paulista, 2083 térreo – Cerqueira César - São Paulo (SP) - Metrô Consolação
Abertura para convidados e imprensa: 11 de fevereiro de 2010, das 19h às 23h.
Visitação: 12 de fevereiro a 21 de março de 2010
Horário de visitação: terça-feira a sábado, das 9h às 21h e domingos e feriados das 10h às 21h.
Agendamento e informações: (011) 3321-4400
Recomendação etária: livre
Entrada: franca
Patrocínio: Caixa Econômica Federal



segunda-feira, 1 de março de 2010

Cia Truks - Gigante


Achou! - Palavra Cantada (Sandra Peres e Paulo Tatit)


Levei Maria Lydia para ver este espetáculo, e quem se encantou foi eu; que coisa bonita esta peça feita por uma companhia já com 20 anos de existência e premiadíssima.
Escolhi uma música do Palavra Cantada, por ter a mesma doçura e qualidade deste trabalho.
A Cia. Truks se apresenta na Biblioteca Monteiro Lobato,na Vila Buarque, um oásis rodeado pela miséria do centro mal cuidado; mas isto não impede o excelente resultado desta experiência.
Com roteiro, dramaturgia e direção de Henrique Sitchin, também co-autor da linda trilha sonora, é um turbilhão de gratas surpresas.
A começar pela história, que nos resgata os sonhos, imaginações e sensações de nossa infância.
Também a interação dos atores com os bonecos, onde os gestos dos bonecos são complementados com as expressões faciais dos atores, trazendo então toda a emoção do texto à tona; eu só conhecia peças de animação onde os atores estão todos de negro, e com o rosto coberto, somente fazendo o manuseio e a locução.
Que maravilha é testemunhar um trabalho feito com amor, dedicação e apuro técnico.
Virei fã e já agendei os outros espetáculos.
As imagens foram fornecidas pela companhia e na seqüência a sinopse tirada do site.








GIGANTE

"GIGANTE" conta a "saga" de um pequeno vilarejo onde estranhos fatos acontecem: Um pintor confuso não sabe mais onde estão as suas tintas, e acaba por deixar sua tela sem cores; O músico não sabe a nota seguinte de sua canção, os semáforos não representam mais regra alguma ao caótico trânsito de carros desgovernados e sem destino. Até mesmo os animais andam bastante confusos. Os moradores da vila, no entanto, de nada se apercebem. Nada estranham. Nada sentem. Porque já não podem mais sentir. É uma gente esquecida da vida e das coisas da vida. É uma gente a viver sem saber exatamente porque e pra que...

Ali perto vive o grande e solitário gigante, a quem ninguém vê. Astuto, ele se esconde durante o dia, e invade a noite do lugar. É então que deposita, em sua enorme sacola, os sonhos que rouba da gente da pequena aldeia. Tudo para... ALIMENTAR-SE! Sim, o gigante de nossa história literalmente alimenta-se dos sonhos que rouba daquela pobre gente que, sem sonhos, perde os anseios, os desejos, as memórias, a música e a poesia que lhes faria mover a vida.

Uma esperta garotinha, no entanto, parece sentir que algo não vai bem com suas noites de sono. Percebe que seus sonhos são estranhamente cortados ao meio. E por um incrível sexto sentido, percebe a presença do gigante a lhe roubar os sonhos. É então que, esperta, criará sonhos falsos, feitos de fumaça e ilusão, que o gigante não pode pegar. É assim que, consciente, ela se depara com o enorme ser, que lhe revela sua triste sina - não há nada, além de sonhos, que ele possa comer.

A esperta garota, então, encontrará uma maneira simples de resolver os terríveis problemas. A notícia se espalha. É possível, agora, que cada gigante produza o seu próprio alimento. É possível, agora, permitir ao outro uma existência plena. É possível respeitarmos, cada um, a identidade do nosso semelhante. É possível, agora, sonhar, encher os nossos pratos e as nossas almas, e, assim, repartir o pão.

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

Arnaldo Pedroso d’Horta – Desenho da mão



Carly & Carole - Eumir Deodato

Esta é uma bela mostra levada em um dos espaços nobres da Pinacoteca do Estado, de um artista de vários suportes, e muito bom por sinal em cada um dos apresentados, o que não é muito comum, pois normalmente a maioria se destaca em um específico.
Além de um excelente desenhista, Arnaldo Pedroso d'Horta nos brinda com obras feitas de recortes de bisturi, realizando um trabalho de rara beleza.
O melhor da exposição é perceber a versatilidade do artista, que nos apresenta trabalhos de muita qualidade.
Abaixo das imagens, clipe publicado no portal estadao.com.br .







A poesia do experimental no papel

Pinacoteca abre hoje retrospectiva especial de Arnaldo Pedroso d'Horta, com mais de 150 obras e destaque para o desenho

Camila Molina

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Arnaldo Pedroso d"Horta (1914-1973) tinha uma "certeza da mão" que o compositor Paulo Vanzolini não via em ninguém. Artista, crítico de arte, ensaísta, jornalista e colaborador do Estado, foi premiado na Bienal de Veneza, em 1954, assim como na Bienal de São Paulo. Tratava o desenho como uma arte de "alta precisão", como define outro de seus amigos, o artista e fotógrafo Fernando Lemos. "Para devolver ao mundo os restos da matéria que absorveu, para que essas emanações incolores se tornem legíveis, para que sua fala sem língua se faça audível, para que sua dança recenda perfume - dai à mão uma caneta com pena. Os cinco rios secos para esta irão confluir, e por ela despejar-se no mar de papel", escreveu Pedroso d"Horta em 1956, justamente em texto intitulado Desenho da Mão. Tamanha ligação com a arte gráfica pode ficar esquecida, daí a importância do resgate feito pela mostra que a Pinacoteca do Estado inaugura hoje, com mais de 150 obras, perpassando toda a vida e produção do artista, também em documentos e escritos.

É uma retrospectiva especial, feita pela curadoria da crítica e historiadora Vera d"Horta, filha de Arnaldo. "Essa mostra é uma surpresa porque havia tendências diferentes naquela época (década de 1950). Era um tempo em que as utopias e as crenças das próprias ideias tinham espaço, inclusive para as individuais", diz Vera, rechaçando a simplificação que faz com que se pense ser aquele período apenas o da arte concreta. Mas a arte de Arnaldo tem a poesia e a experimentação de técnicas que a colocam além dos rótulos. O desenho, que sempre tratou como prática de "alta precisão", é valorizado como campo autônomo, não o primeiro passo para outros voos.

Como se pode ver na exposição, Pedroso d"Horta não apenas se utilizou da "caneta com pena", mas criou obras em papéis recortados a bisturi, cortiças e couro, como também gravuras e painéis de cerâmica. "Tinha um certo prazer no artesanato", diz a curadora sobre a ética do trabalho de seu pai. Nas obras, ainda ressalta, o artista deixava o gesto (sofisticado, inventivo, paciente, concentrado) conduzir as formas orgânicas, abstratas, figuras de animais, de pássaros, etc., que se entrelaçam nos desenhos - mas que são leves, como feitas "no silêncio do segredo", diz o artista Fernando Lemos em documentário presente na mostra.

A retrospectiva começa com obras nos anos 1950. Depois, inclui pinturas a óleo que Pedroso d"Horta realizou em 1949; gravuras (as matrizes foram doadas à Pinacoteca); projetos, ilustrações (para o Suplemento Feminino do Estado) e, com destaque, os desenhos.

Arnaldo Pedroso D"Horta. Estação Pinacoteca. Lgo. Gal. Osório, 66, 3337-0185. 10h/18h (fecha 2.ª). R$ 6 (sáb., grátis). Até 14/3

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

Marc Chagall no Masp


Marc Chagall e Igor Stravinsky, além de serem conterrâneos e contemporâneos também tiveram que sair de suas terras para poderem exercer e aprimorar sua arte, pois o centralismo soviético engessava seu crescimento.
A música que acompanha este comentário é da suite "Pássaro de Fogo", que foi coreografada por George Balanchine em 1949 para o The New York City Ballet, com cenários e trajes desenhados por Marc Chagall, ficando como repertório da companhia até 1965.




Danse infernale de tous les sujets de Kastcheï - Igor Stravinsky


O Masp conseguiu mais uma bela exposição, trouxe a São Paulo a mostra "O mundo mágico de Marc Chagall - Gravuras", que só seria apresentada em Belo Horizonte e no Rio de Janeiro.
Pena que esta é uma versão reduzida daquelas mostras, pois só vieram as gravuras, sendo que as pinturas, esculturas, desenhos e guaches tiveram que retornar a seus acervos originais, pois já estavam fora há bastante tempo; mas mesmo assim isto não tira o brilho deste evento, pois temos uma belissíma oportunidade de conhecermos um pouco mais da obra deste artista, com três séries de gravuras, "As fábulas de La Fontaine", "A Bíblia" e "Dafne e Cloé", inéditas no Brasil, complementada com gravuras da coleção da Fundação José e Paulina Nemirowsky.
É claro que temos a expectativa de nos aprofundarmos em suas obras, principalmente os quadros, porém suas gravuras também nos encantam, trazendo-nos toda a dramaticidade dos eventos retratados, bem como a explosão de cores na série "Dafne e Cloé".
Abaixo das imagens, clipe publicado no portal "Estadao".









Mostra traz 178 gravuras de séries completas como A Bíblia e ilustrações das fábulas de La Fontaine


Quando o artista russo Marc Chagall (1887-1985), considerado o maior pintor judeu do século 20, aceitou a encomenda do marchand francês Ambroise Vollard (1866-1939) para ilustrar a Bíblia na década de 1930, ainda não dominava totalmente a técnica da gravura. Seus detratores, entre eles o pintor Georges Rouault (1871-1958), aproveitaram para destilar o veneno acumulado nas rodinhas parisienses dos modernistas. Rouault, na época, comentou que Chagall teria razões de sobra para chorar diante do Muro das Lamentações. Não foi, obviamente, o que aconteceu. A série bíblica de Chagall, que Vollard não viu pronta (o marchand morreu antes), é, hoje, um dos pontos altos da carreira do artista, homenageado pelo Masp com uma exposição de 178 gravuras, O Mundo Mágico de Marc Chagall, que reúne, além dela, suas ilustrações para as fábulas de La Fontaine e uma série de litogravuras baseada no idílio pastoral de Dafne e Cloé.

Em linha direta, as três séries acompanham toda a evolução da linguagem artística de Chagall desde que o pintor desembarcou na França, em 1923, antes de passar pela Alemanha um ano antes e ter aulas com o artista alemão de origem judaica Hermann Struck (1876- 1944). Foi por influência de Struck, sionista que vislumbrou a criação de um Estado judeu, que Chagall visitou a Palestina em abril de 1931, em busca de inspiração para criar a série A Bíblia, encomendada por Vollard e exibida em versão integral na mostra do Masp. O artista trabalhou nela de 1931 a 1939, ano da morte de Vollard, retomando-a depois da guerra, quando já morava nos EUA. Aquareladas à mão por Chagall, essas 105 gravuras foram publicadas em 1956 por Teriade, nome artístico do crítico de arte e editor grego Stratis Eleftheriades (1889-1983).

Curador da mostra, o crítico e museólogo Fábio Magalhães destaca a série bíblica por representar uma mudança notável na linguagem artística de Chagall. "Ele havia passado por Amsterdã para estudar Rembrandt, que, como se sabe, foi um mestre na ilustração de cenas bíblicas, e aproveitou para ver as pinturas de El Greco em Toledo, que inspiraram o alongamento das figuras da série bíblica, marcada por uma verticalidade espiritual". Mais ambiciosa que sua série de águas-fortes aquareladas para as fábulas de La Fontaine, igualmente executada (nos anos 1920) a pedido de Vollard, a série bíblica representou um duplo desafio para Chagall. Primeiro, obrigou o artista a confrontar sua herança cultural e ignorar o segundo mandamento, ao criar imagens correspondentes às palavras do livro sagrado, o que é interdito pela lei mosaica. Em segundo lugar, para não tomar como referência seus contemporâneos franceses - especialmente Matisse e Rouault, este último especialista em cenas bíblicas -, Chagall foi buscar em suas raízes russas um dos elementos formadores de sua poética. São notáveis as referências aos pintores russos de ícones na série.

Já a série de ilustrações das fábulas de La Fontaine despertam menos interesse. Justificável. São quase exercícios de um neófito, ainda experimentando timidamente a incorporação das cores em águas-fortes. Produzidas entre 1926 e 1927 para Vollard, que já lhe encomendara as ilustrações para o livro Almas Mortas, de Gógol, as 23 (das 100) gravuras das fábulas provocam impacto inferior, por exemplo, ao da litografia O Cocho (1924), mais próxima de uma realidade vivida por Chagall, a de tipos feudais da antiga Rússia czarista que conheceu na infância. O Cocho e o Autorrretrato com Chapéu Enfeitado (1928) são duas das gravuras expostas no Masp que não integram suas três séries mais famosas. Elas pertencem ao acervo da Fundação José e Paulina Nemirowsky. São magníficos exemplos (em preto e branco) do universo de um artista conhecido por sua maestria cromática. Picasso, econômico em elogios, dizia dele que era o único capaz de tomar o lugar de Matisse no uso da cor.

Chagall prova isso na série dedicada ao mito grego de Dafne e Cloé. A partir dela, o artista abandona a gravura em metal e adota a litografia. Foram duas viagens à terra dos pastores apaixonados com o objetivo de conhecer melhor a cultura rural da Grécia, a primeira delas em 1952. Dois anos depois dos primeiros guaches, os gregos receberiam novamente sua visita, dessa vez para aprofundar o estudo da luz mediterrânea. Para conseguir as transparências e as variações cromáticas da série, finalmente editada por Teriade em 1961, foi necessário usar uma pedra para cada tonalidade de cor. Uma única gravura exigiu 25 pedras matrizes, ou seja, 25 impressões.

A série de Dafne e Cloé não teria sido realizada sem a intervenção do impressor Charles Sorlier (1921-1990). Chagall e ele trabalharam arduamente no estúdio parisiense de Fernand Mourlot, nos anos 1950, para resgatar o cromatismo das primeiras pinturas do artista, ainda consideradas seus melhores trabalhos, inclusive pelo curador da mostra, Fábio Magalhães. "Não teremos essas pinturas de juventude no Masp como tivemos na abertura mostra na Casa Fiat de Cultura em Minas, pois o empréstimo das telas, de museus estrangeiros como a Galeria Tretyakov de Moscou, era por tempo limitado". A exposição mineira, aberta de outubro a dezembro, apresentava quase o dobro de trabalhos. Eram 300 obras, entre pinturas, guaches, esculturas e gravuras como as da série Almas Mortas, na maior mostra de Chagall realizada no Brasil.

Em contrapartida, o Masp tem a primeira edição do livro autobiográfico Ma Vie (Minha Vida, 1931) com gravuras originais de Chagall, em que conta sua vida na Rússia e sua experiência como comissário de Belas Artes do primeiro governo socialista após a revolução de 1917, até comprar uma briga com o suprematista Malevitch e se demitir do cargo, decidindo, então, tentar a sorte em Paris. O livro, segundo Magalhães, é um marco na carreira de gravador de Chagall, que nasceu numa comunidade pobre de judeus hassídicos de Vitebsk, na Bielo-Rússia.

O Mundo Mágico de Marc Chagall - Gravuras. Masp. Av. Paulista, 1.578, tel. 3251-5644. 11 h/18 h (5.ª, 11 h/20 h; fecha 2.ª). R$ 15 (3.ª grátis). Até 28/3. Na 2.ª (25), o museu estará aberto para visitação com entrada franca - fechará na 3.ª.

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

Memória da Cidade

Ninguém cantou melhor São Paulo do que Adoniran Barbosa, portanto nada mais apropriado que ouvi-lo junto a este comentário.



Adoniran Barbosa - Viaduto Santa Efigênia


Após meu desabafo no comentário "Guerra dos Porcos", me sinto novamente à vontade para escrever sobre esta exposição, que esta na Caixa Cultural, junto com as outras que já comentei aqui, O Brazil de John Graz , A Arte de J. Borges e Brava Gente .
Sempre gostei de fotos documentais antigas de lugares ou paisagens brasileiras, lembro da mostra "O Brasil de Marc Ferrez", levada na Fiesp no fim de 2006, que me agradou bastante.
Esta montagem nos traz fotos de Militão Augusto de Azevedo e Renato Suzuki.
A confrontação entre fotos do fim do século XIX e dos dias atuais, trazem a percepção das mudanças ocorridas em nossa cidade, algumas nem tão boas, como a demolição do Palácio do Pátio do Colégio e a destruição do Boulevard do Anhangabaú.
As fotos de Militão são totalmente documentais, e nos apresentam São Paulo como ela era naquela época, e as fotos de Renato Suzuki são mais poéticas, mostrando detalhes que quase sempre nos passam despercebidos.
O bom desta exposição é a grande quantidade de fotos antigas, que mostram como era a São Paulo antiga e provinciana, no início de sua transformação em metrópole.
O fato triste é ter notado que talvez os negativos de Militão não tenham tido a conservação ideal, e estão perdendo parte da definição, não sei quem é o proprietário atual deste acervo, mas penso que deveriam ser enviados ao Instituto Moreira Salles que deve ter a tecnologia necessária à recuperação e à manutenção ideal destes negativos.
Abaixo da imagens, o "press-release" da Caixa Cultural.

















CAIXA CULTURAL SÃO PAULO APRESENTA A EXPOSIÇÃO MEMÓRIA DA CIDADE
Fotos representam História e Patrimônio de São Paulo, no mês de seu aniversário
São Paulo, megalópole de onze milhões de habitantes, babel contemporânea, cidade global, selva de concreto, aço e vidro, fumaça, trânsito caótico, polifonia de ruídos, ou, como quis Caetano Veloso: mais possível novo quilombo de Zumbi.
São Paulo, cidade provinciana, algumas dezenas de milhares de almas habitando casas de barro, transitando lentamente por ruas estreitas e tortas, esbarrando em escravos. Nos chafarizes públicos, filas para se obter água para os lares. Um sino soa - São Francisco ou São Bento - avisando da saída da procissão, cascos de cavalo batem no chão, algumas carroças. Na Rua do Comércio imperam os trajes austeros e a infinita coleção de barbas, bigodes, cavanhaques, suíças e afins.
Há uma cidade, duas ou muitas?
A cidade de São Paulo recebeu ao longo de sua existência uma vastidão de interpretações, títulos, rótulos e mitos: Cidade que nunca dorme, Locomotiva do Brasil, Túmulo do Samba, Capital da Solidão, Berço da Nação...
Todas as denominações, como mitos, trazem possibilidades de compreensão, mas não verdades ou mentiras absolutas. Memória da Cidade: história e patrimônio de São Paulo põe no mesmo espaço e tempo duas cidades separadas não por uma distância geográfica, mas por mais de uma centena de anos, flagradas cada uma no seu tempo por um fotógrafo.
O projeto Memória da Cidade é uma realização da Caixa Cultural de São Paulo, produzido pela Conceito e Famiglia Produções, com apoio do Museu Paulista da Universidade de São Paulo, detentor da coleção original de fotos de Militão Augusto de Azevedo expostas agora.
Sobre os fotógrafos:
Militão Augusto de Azevedo (Rio de Janeiro, 1837 – São Paulo, 1905) foi o primeiro fotógrafo a registrar a cidade de São Paulo, no início da década de 1860. Suas fotografias (um conjunto de aproximadamente três dezenas de cenas da cidade, diante de mais de 12.000 retratos executados pelo fotógrafo) se tornaram uma fonte de inestimável valor para o conhecimento da São Paulo oitocentista. Desse conjunto de fotografias de cenas, Memória da Cidade trará 25 delas, pela primeira vez reunidas e expostas tal como foram produzidas por Militão: tendo a cidade como “modelo”.

Renato Suzuki (São Paulo, 1978), fotógrafo da nova geração, também dedicado à tradução fotográfica da cidade de São Paulo, retorna aos espaços retratados por Militão há mais de cem anos, e os relê, reinterpreta, busca as aproximações e distanciamentos entre esses dois mundos, a cidade hoje e a do século XIX. Nesse jogo de aproximações revela-se a linha vital que liga dois fotógrafos, dois mundos, duas cidades, duas técnicas, dois olhares: um único espaço e a memória. O conjunto de aproximadamente 50 imagens, produzido nos últimos dois anos por Renato Suzuki, materializa esse jogo.
Curso livre sobre a história da cidade
Simultaneamente à exposição, o projeto Memória da Cidade traz um curso livre a respeito da história cultural da cidade de São Paulo, ministrado pelos professores Carlos Eduardo França de Oliveira, Erik Hörner e Rodrigo da Silva, formados pela Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo e pesquisadores ligados ao Museu Paulista da USP (mais conhecido como Museu do Ipiranga). O curso busca fazer um itinerário pelos modos de vida na cidade de São Paulo ao longo de sua história, dos hábitos, do cotidiano, do espaço da cidade, sua evolução, procurando apresentar outras possibilidades de interpretação, algumas das quais pondo em questão mitos e pressupostos a respeito dela. Nesse caminho, a cidade, sobretudo sua região central, ressurge como espaço, como cenário das interpretações fotográficas de Militão Augusto de Azevedo e de Renato Suzuki e como “patrimônio cultural”, repositório de memórias da população, lugares – inclusive – de parte da “mitologia paulistana”.
Ele será ministrado do dia 26 de janeiro (terça-feira) a 03 de março de 2010 (quarta-feira), todas terças e quintas-feiras das 7 às 21h, sendo que haverá recesso no dia 16 de fevereiro (Carnaval). Também haverá dois módulos especiais nos sábados (20 e 27 de fevereiro), das 09 ao meio dia. São 60 vagas e certificação mediante freqüência superior a 70% da grade.
SERVIÇO:
Exposição MEMÓRIA DA CIDADE: HISTÓRIA E PATRIMÔNIO DE SÃO PAULO
Abertura para convidados e imprensa: dia 23 de janeiro de 2010, às 11h
Visitação: 23 de janeiro a 28 de fevereiro de 2010
Local: CAIXA CULTURAL São Paulo - Praça da Sé, 111 – Centro - São Paulo (SP) - Galerias Florisbela e Octogonal
Horários: De terça-feira a domingo, das 9h às 21h.
A CAIXA CULTURAL SP estará aberta durante o feriado de 25 de janeiro de 2010 (segunda-feira, aniversário de São Paulo)
Informações e Agendamento para curso livre sobre história da cidade: (11) 3321-4400
Acesso para pessoas com necessidades especiais.
Entrada: franca
Recomendação etária: livre
Patrocínio: Caixa Econômica Federal

A Guerra dos Porcos

Esta música ilustra bem o que estamos vivendo em nossa cidade, a guerra dos porcos, onde um povo sem consciência encontra um mau administrador.





War Pigs - Black Sabath






Ontem no centro de São Paulo presenciei esta "maravilha" da arte de administrar.
O que fizemos nós para recebermos este castigo? Como é que um administrador público, tido como capaz de gerenciar nossa cidade comete tais desatinos?
Não me lembro nos meus 50 anos tamanha incompetência e burrice, isto mesmo, porque para tanta bobagem cometida, só mesmo sendo muito burro.
É claro que as chuvas neste mês foram, talvez, as maiores de todos os tempos, mas iniciar a limpeza de bueiros e piscinões após as tragédias, é no mínimo risível se não fosse trágico.
Culpar a população por jogar lixo nas ruas é querer eximir-se da responsabilidade de executar um boa limpeza pública, se há um bom programa para isto, não haverá acumulos como os das fotos, que estão por toda a cidade, e não localizados em certas regiões.
Estive no centro da cidade domingo e não acreditei na quantidade de moradores de rua, dormindo ao relento e usando as vias como seus banheiros, mais uma burrice da nossa administração, fechar 750(?) vagas nos albergues municipais, jogando estes seres humanos na mais vil condição.
Tirar verbas do serviços de recapeamento das vias, só esta trazendo prejuízos, tanto ao cidadão individualmente, como coletivamente, pois um veículo quebrado nas ruas e avenidas gera enormes congestionamentos, trazendo transtornos incalculáveis.
Estes são só alguns pontos que me lembrei agora, existem outros tão graves quanto, fica aqui meu desabafo.