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quarta-feira, 20 de maio de 2015

JOAN MIRÓ - A FORÇA DA MATÉRIA

Esta foi uma mostra que fui já cheio de preconceitos pois Joan Miró nunca tinha sido, nem de longe, alguma referência no meu universo das artes plásticas.

E não é que numa agradável surpresa comecei a mudar meus conceitos. Esta exposição nos apresenta uma enorme variedade de seus trabalhos em suas diversas fases  e também vários vídeos do artista exercendo seu mister, onde percebemos o rigor com que executava suas obras.

O bom de ir a abertura destes eventos é observar a reação das pessoas ao se deparar com suas peças, uns parecem chocados, outros quase em transe. 

Mais uma magnífica ação do Instituto Tomie Ohtake que se firma como um dos mais importantes centros culturais do país. Já nos tento brindado com outras estupendas mostras como as OBSESSÃO INFINITA, DE YAYOI KUSAMA e SALVADOR DALI entre tantas outras.

Um passeio a ser feito com calma para se desfrutar plenamente o que é exibido.

On the run - Pink Floyd



Abaixo das imagens, o "press-release", fornecidos pela assessoria de imprensa do Instituto Tomie Ohtake.














INSTITUTO TOMIE OHTAKE

APRESENTA

JOAN MIRÓ - A FORÇA DA MATÉRIA

Abertura 24 de maio, das 11h às 20h
Visitação até 16 de agosto de 2015


O Instituto Tomie Ohtake organiza e traz ao Brasil, em parceria com a Fundação Joan Miró de Barcelona, a maior exposição dedicada ao artista Joan Miró (1893-1983). Serão 112 obras: 41 pinturas, 22 esculturas, 20 desenhos, 26 gravuras e três objetos (pontos de partida de esculturas), além de fotografias sobre a trajetória do pintor catalão. As peças pertencem à Fundação Joan Miró, de Barcelona, e a coleções particulares. A mostra fica em cartaz na sede do Instituto Tomie Ohtake em São Paulo até 16 de agosto, e segue para o MASC - Museu de Arte de Santa Catarina (Florianópolis), de 02 de setembro a 14 de novembro.

A exposição, com obras selecionadas pela Fundação Joan Miró, divide-se em três grandes blocos cronológicos que coincidem com momentos vitais do artista nos quais vai outorgar à matéria um papel preponderante. Nos Anos 30 e 40, as pinturas e desenhos da época da Guerra Civil Espanhola e da Segunda Guerra Mundial manifestam o início do interesse de Miró pela matéria. No período, seu caráter transgressor também se evidencia, sobretudo no terreno dos procedimentos técnicos. Foi no final dos anos 20 que Miró manifestou de forma explícita seu propósito de "assassinar a pintura", referindo-se a intenção de terminar com a concepção clássica da pintura de cavalete. É neste momento que Miró começa a fazer suas conhecidas colagens e objetos a partir de assemblage de materiais diversos.

Já nos Anos 50 e 60, com a presença maior de técnicas diversas, destaca-se o interesse continuado do artista pela experimentação da matéria, que o levará a trabalhar de forma profusa no campo da escultura, enquanto nos Anos 70 verifica-se como Miró, sobre suportes mais inusitados, segue questionando o sentido final da arte. Neste período, uma importante coleção de gravuras indica a destreza do artista a desafiar os padrões da técnica.

Paulo Miyada, curador do Instituto Tomie Ohtake, defende que a obra de Miró coloca em questão um aspecto tão determinante quanto subreptício na história da arte moderna: a espontaneidade. "A liberdade do traço de Miró seria uma força iconoclasta, gesto de física entrega de si mesmo ao desconhecido e inominado que não é bem o inconsciente, mas a espontânea canalização de energia e vontade através da materialidade da pintura",  afirma.

Já o escritor angolano radicado em Portugal, Valter Hugo Mãe, apontou em um dos trechos de seu texto, concebido especialmente para esta exposição do artista no Brasil, a ligação de João Cabral de Melo Neto com a obra de Miró. O autor ressalta que este encontro ocorreu enquanto o poeta brasileiro fora vice-cônsul do Brasil em Barcelona, de 1947 a 1950, e mais tarde cônsul, de 1967 a 1969.

Em Joan Miró - A Força da Matéria, segundo os curadores da Fundação, busca-se evidenciar o desafio que, desde os anos vinte, o artista manteve com as artes plásticas do mundo ocidental por seu afã ilusionista, para recuperar as qualidades espirituais e mágicas que a pintura e as artes em geral haviam tido na Antiguidade.

"Começar de novo a cultura implica abrir o futuro com a lúcida reflexão acerca do princípio de todas as coisas. O gesto de Miró é uma génese tout court. (...) As obras de Miró parecem conscientes da dimensão mágica, quase protetora, da expressão e, ao criar visões para o mundo das ideias, como das coisas puras, reacende, sublinha, o aspeto milagroso da natureza e da vida. A arte regressa ao seu propósito de implicar verdadeiramente com a espiritualidade. A arte é um cuidado espiritual", aponta o escritor português.

O artista entende que tem que buscar novas formas de recuperação da cultura da matéria, próxima aos povos ditos primitivos e, para isso, experimenta com os mais heterogêneos materiais, transformando-os por meio de inesperados procedimentos técnicos. "O interessante é perceber que a opção de Miró por uma linguagem mais despida o coloca verdadeiramente entre as sabedorias populares, como se emanasse como uma natureza efetivamente primordial, estrutural, capaz de se ausentar do que a cultura mascarou para se encontrar no ponto de partida, como alguém que reinaugura a cultura para reinaugurar a expressão", escreve Valter Hugo Mãe.

O Instituto tem se destacado por realizar uma programação múltipla e independente, possível graças ao apoio de empresas que acreditam no poder da cultura e da arte na formação do país. São parcerias construídas a cada projeto. No caso da exposição de Miró, foram fundamentais os patrocínios da Arteris e do Bradesco, responsáveis pela realização da mostra.

Joan Miró nasceu em Barcelona, em 1893, na Catalunha no final do século XIX e, ainda muito jovem, participou das vanguardas artísticas que agitaram a vida cultural espanhola no inicio do século XX. Desde o início, Miró praticou uma pintura de colorido intenso, com forte influência do movimento fauvista, que na França, teve como seus principais expoentes os artistas Henry Matisse e Maurice de Vlaminck. Uma grave doença levou-o a passar uma longa fase em Montroig. Nesse período, resolveu dedicar-se inteiramente à pintura. A vida, o trabalho no campo e a forte paisagem da região exerceram grande influência na formação de sua linguagem plástica.Miró viajou a Paris pela primeira vez em 1920 e o impacto artístico e cultural da cidade sobre ele foi de tal ordem que permaneceu sem pintar durante toda a sua estadia parisiense. Entretanto, se aproximou das artes de vanguardas: conheceu o revolucionário cubista Pablo Picasso e impressionou-se com as ideias de Tristan Tzara, o grande agitador do movimento Dada, fez amizade com André Masson e inúmeros intelectuais. André Breton, líder do movimento surrealista afirmou que "Miró é o mais surrealista de todos nós", ao se referir aos outros artistas membros daquele movimento. Miró nutre grande simpatia pelo movimento, mas permaneceu sempre independente. A liberdade será, durante toda a sua vida, um modo de pensar e de pintar.

ATENÇÃO! Imagens com copyright obrigatório: © Successión Miró, Miró, Joan AUTVIS, Brasil, 2015

Exposição: Joan Miró - A Força da Matéria
Inauguração: 23 de maio, das 11h às 18h para convidados
Visitação de 24 de maio a 16 de agosto de 2015
De terça a domingo, das 11h às 20h
R$10,oo e R$5,00 (até 10 anos grátis); às terças grátis; compra de ingressos: ingresse.com, aplicativo do Instituto Tomie Ohtake, ou na bilheteria do Instituto de terça a domingo, das 10h às 19h.

Instituto Tomie Ohtake
Av. Faria Lima 201 (Entrada pela Rua Coropés 88) - Pinheiros SP
Metrô mais próximo - Estação Faria Lima/Linha 4 - amarela
De terça a domingo, das 11h às 20h

Informações à Imprensa
Pool de Comunicação – Marcy Junqueira
Atendimento: Martim Pelisson e Luana Ferrari

segunda-feira, 4 de maio de 2015

MENINO LUA

Espetáculo baseado livremente na vida e obra de Luiz Gonzaga, que conta uma ficção com o auxílio das músicas do Véio Lua.

Uma bela homenagem ao músico que é um dos maiores de todos os tempos, que mesmo  quase  trinta anos de sua morte é diariamente lembrado e regravado por artistas de várias gerações, mostrando que seu legado é atual e eterno.

Com um elenco competente e afinado que conduz muito bem o enredo, esta montagem apresenta dois pecadinhos técnicos, o primeiro é a falta de microfonização dos atores, que têem trechos das falas e das músicas perdidos no posicionamento no palco ou escondidos pelos timbres dos instrumentos e o segundo é da iluminação, muito estática.

É um grande passeio onde as crianças terão maior contado com a obra deste gênio cujas músicas estão em nosso subconsciente.

Em temporada até 26/05/2015 no Teatro Anchieta do SESC Consolação.


Que nem jiló - Gilberto Gil



As fotos abaixo foram colhidas no facebook da companhia.






segunda-feira, 27 de abril de 2015

TOMIE OHTAKE 100-101

Esta é uma magnífica mostra dos últimos trabalhos feitos por Tomie Ohtake, já centenária em seu derradeiro ano de vida.

Com obras monocromáticas ou com no máximo a inclusão de outra cor ela trabalha muito mais criando texturas e volumes com as tintas que transformam as telas em quase esculturas. Imagino que isso se deva à diminuição de sua acuidade visual, que a fez abandonar a sua quase sempre exuberância no uso das cores.

Um evento que nos leva a refletir quanto às dificuldades em aceitar a passagem dos anos, pois Tomie Ohtake parece nunca ter se importado com isso se mantendo produtiva até sua morte.


Resposta ao Tempo - Milton Nascimento


Abaixo das imagens, o "press-release", fornecidos pela assessoria de imprensa do Instituto Tomie Ohtake.










INSTITUTO TOMIE OHTAKE

APRESENTA

TOMIE OHTAKE 100-101

Abertura: 01 de abril, às 20h - 07 de junho de 2015


Após o falecimento de Tomie Ohtake, ocorrido dia 12 de fevereiro, o Instituto que leva seu nome realiza uma exposição com suas pinturas recentes. As cerca de 30 telas reunidas, concebidas pela artista dos seus 100 aos 101 anos, auspiciosamente reafirmam o seu desejo: "gostaria de viver enquanto puder trabalhar". 

Com curadoria de Paulo Miyada, a exposição apresenta pinturas, em sua maioria, monocromáticas, iniciadas por uma série branca, seguida pela as de cores. "Essas telas arriscam reduzir drasticamente a variação cromática, exibindo em grande parte monocromos brancos, vermelhos, azuis e amarelos em que linhas e formas se delineiam por relevos e aglomerados de tinta dispostos de forma irregular". Segundo os curadores, ainda, essas obras, especialmente gestuais, contam com a projeção de sombras sutis e a interpretação do olho do espectador para se conformarem.

Para dimensionar a produção da artista, a exposição traz também esculturas em metal em que o gesto manual do processo - Tomie fazia seus estudos com arames -, evidencia-se pelas curvas e torções. Em homenagem à pintora, escultora e gravadora, completam a mostra textos e cerca de sete depoimentos em vídeo inéditos (gravados após 12 fevereiro de 2015) de críticos e artistas, como Carmela Gross, Leda Catunda, Jac Leirner, Miguel Chaia, entre outros.

Trajetória
A carreira de Tomie Ohtake atinge plena efervescência a partir dos seus 50 anos, quando realiza mostras individuais e conquista prêmios na maioria dos salões brasileiros. Participou de 20 Bienais Internacionais (seis de São Paulo, uma das quais recebeu o Prêmio Itamaraty, Bienal de Veneza, Tóquio, Havana, Cuenca, entre outras), contabiliza em seu currículo mais de 120 exposições individuais (em São Paulo e mais vinte capitais brasileiras, além de cidades como Nova York, Washington DC, Miami, Tóquio, Roma, Milão, etc.), e quase quatro centenas de coletivas, entre o Brasil e o exterior, além de 28 prêmios. 

A obra de Tomie destaca-se tanto na pintura e na gravura, quanto na escultura. Marcam ainda a sua produção as mais de 30 obras públicas desenhadas na paisagem de várias cidades brasileiras como São Paulo (Av. 23 de Maio, 1988; Anhangabaú, 1984; Cidade Universitária, 1994, 1997 e 1999; Auditório Ibirapuera, 2004; Auditório do Memorial da América Latina, 1988; Teatro Pedro II em Ribeirão Preto, 1996; entre outras), Belo Horizonte, Curitiba, Brasília, Araxá e Ipatinga, feito raro para um artista no Brasil. Entre 2009 e 2010, suas esculturas alcançaram também os jardins do Museu de Arte Contemporânea de Tóquio e a província de Okinawa, no Japão e em 2012, foi convidada pelo Mori Museum, em Tóquio, a produzir uma obra pública.  

Tomie levou a sua arte para outras frentes. Criou dois cenários para a ópera Madame Butterfly, o primeiro em 1983, no Teatro Municipal do Rio de Janeiro, e o segundo em 2008, no Teatro Municipal de São Paulo. Foi convidada a criar obras para prêmios e comemorações, como por ocasião do centenário da imigração japonesa, em 2008, quando concebeu a monumental escultura em Santos e a do Aeroporto Internacional de Guarulhos em São Paulo. Peças de pequenas dimensões, como o troféu da Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, a homenagem-prêmio para a Fórmula 1, utilizando a pedra do pré-sal (2011), cartazes, ilustrações de livros e periódicos, medalhas e objetos para laureados de muitos eventos fazem também parte de sua diversificada produção. Sobre o seu trabalho foram publicados livros, inúmeros catálogos e  filmes/vídeos, entre os quais o realizado pelo cineasta Walter Salles Jr.

Em 2012, além da obra pública para Tóquio, criou uma série de pinturas azuis, nas quais, mais uma vez, ficava evidente o seu interesse em se renovar, ao inventar uma nova pincelada – a pincelada como forma, sem que a tela perca o movimento e a profundidade característicos de sua produção.  Em 2013 Tomie Ohtake chegou aos 100 anos, comemorados com 17 exposições pelo Brasil, com destaque para as do Instituto que leva o seu nome, Gesto e Razão Geométrica, com curadoria de Paulo Herkenhoff no mês em que completou cem anos (novembro) e Tomie Ohtake Correspondências e Influxo das Formas, ambas com curadoria de Agnaldo Farias e Paulo Miyada, em fevereiro e agosto respectivamente. Em 2014 concebeu as pinturas que fazem parte desta exposição. Em dezembro do mesmo ano, a cineasta Tizuka Yamasaki lançou o documentário Tomie, que retrata com afetividade e delicadeza o universo da artista, mesclando momentos íntimos de Tomie com depoimentos dos críticos Paulo Herkenhoff, Agnaldo Farias e Miguel Chaia.

Exposição: Tomie Ohtake 100-101
Abertura: 01 de abril, às 20h (convidados)
Até 07 de junho de 2015
Terça a domingo, das 11h às 20h – entrada franca
Instituto Tomie Ohtake
Av. Faria Lima, 201 (Entrada pela Rua Coropés, 88) – Pinheiros, São Paulo
Fone: 11.2245-1900
Informações à Imprensa
Pool de Comunicação - Marcy Junqueira
Contato: Martim Pelisson/ Luana Ferrari
Fone: 11.3032-1599

terça-feira, 14 de abril de 2015

David Drew Zingg: Imagem sobre imagem

Tio Dave deve estar um pouco desapontado, afinal mesmo após 15 anos de sua morte é um personagem místico e sempre lembrado da cultura nacional, um dos ícones do desbunde dos anos 70 e 80, quando além de fazer um grande jornalismo fotográfico foi uma "locomotiva" da contra-cultura brasileira ao criar a persona que teve seu auge quando ressuscitou junto a Zé Rodrix o conjunto Joelho de Porco.

Um artista de olhar atendo registrou vários detalhes, às vezes pequenos, às vezes parte de uma paisagem vistas em suas andanças pelo mundo. 

Mesmo que não tenha sido o mote desta mostra senti falta dos seus trabalhos icônicos.

Talvez em função do modesto espaço da atual sede do IMS aqui em São Paulo, fomos privados de uma maior visão sobre esta vertente de sua produção, que imagino tenha milhares de imagens desfrutáveis.

Como um amante da fotografia tenho um sonho de que o IMS, que imagino o mais importante mantenedor de grandes acervos, sejam próprios ou em comodato do Brasil, nos permita acesso físico a ele aqui em São Paulo, quando da abertura de sua nova sede.

Mas nossa curiosidade é satisfeita numa visita virtual ao site do Instituto onde podemos apreciar uma grande parte de suas maravilhas, separadas e classificadas por diversos índices que nos conduzem ao objetivo.

A música abaixo, campeã no quesito melhor letra no "Festival dos Festivais" de 1985 tem a apresentação e narração de David Drew Zingg, o tio Dave, que além de tudo tinha uma coluna cultuada na Folha de São Paulo até no ano de sua morte




A última voz do Brasil - Joelho de Porco


Abaixo das imagens, o "press-release", fornecidos pela assessoria de imprensa do IMS.











IMS-SP apresenta a exposição
David Drew Zingg: Imagem sobre imagem

O Instituto Moreira Salles apresenta, a partir de 15 de abril, em seu centro cultural de São Paulo, a exposição David Drew Zingg: Imagem sobre imagem, dedicada ao trabalho do fotógrafo norte-americano David Drew Zingg (1923-2000). Com curadoria de Tiago Mesquita, a mostra reúne cerca de 70 imagens, integrantes do acervo do fotógrafo, depositado desde 2012 no IMS. No dia 14, às 19h30, por ocasião da abertura, acontecerá uma visita guiada com o curador.

A mostra reúne fotografias de cartazes, letreiros, imagens e anúncios em meio a construções, ruas e pessoas. Imagens feitas ao longo do tempo, e nem sempre ligadas aos trabalhos comissionados que fazia como fotógrafo. Por pelo menos duas décadas, Zingg caçou essa iconografia no Brasil e no exterior, em regiões rurais e em grandes centros urbanos. Retirando escritos e figuras do seu contexto, essas fotografias evidenciam uma certa dimensão pop, componente fundamental dessa vertente do trabalho de David Zingg. Sua força imagética está exatamente naquilo que não tem por pressuposto ser um ícone. Letreiros de épocas e de procedências diversas, reunidos nas imagens do fotógrafo, anunciam e comunicam suas mensagens simultaneamente. Uma figura na parede comenta algo sobre um letreiro acima, que desmente a inscrição ao lado. Assim, em uma das fotos, em uma fachada de azulejos verdes, vemos uma porta em formato de ogiva de igreja gótica ao lado de uma pintura a imitar o anúncio fotográfico da Brahma Chopp. Na mesma casinha, o lugar é descrito como drogaria, restaurante e hotel. E o lugar é de fato tudo isso, e algo mais que não pode ser bem expresso por legendas.

São resíduos de uma época que insiste em não ir embora e de um presente que se estabelece de maneira pouco convincente. Passado e presente convivem em uma única imagem. Em uma fotografia da pitoresca Vila Tororó, em São Paulo, todas as ambiguidades se mostram juntas. Naquela época, o antigo palacete havia se tornado um cortiço. Na foto, a vila já é mostrada como casa modesta. A coluna, no centro da imagem, é adornada com uma versão kitsch de uma divindade greco-romana. Na imagem, ela está alheia ao uso da casa, por ser encoberta com varais carregados de roupa. A construção já não é mais a mesma coisa. Mas a escultura permanece, mesmo fora de contexto.

Para o curador, “são nesses momentos que o trabalho fica mais forte. Quando nos faz perceber esses desequilíbrios. Melhor, quando coloca junto construções, elementos arquitetônicos, textos, paisagens e personagens que parecem não se conhecer, mas compartilham o mesmo espaço. É como se os lugares fossem feitos dessas colagens, de empilhamentos de diversas épocas, de diversos lugares. O cartaz de trás deixa manchas no da frente e outro rouba o fim de uma palavra. Por vezes, os papéis amontoados estão em conflito: um impede que o outro seja entendido. Mas, às vezes, por sorte, ao se juntarem, se tornam mais graciosos. Há junções divertidas. Em um tom de crônica, as fotografias de Zingg mostram essas coincidências felizes e o ruído ensurdecedor de um amontoado de ruínas. Muitas vezes tudo isso está na mesma imagem.”

Sobre David Drew Zingg

Nascido em Nova Jersey, nos Estados Unidos, David Drew Zingg estudou na Columbia University, onde mais tarde seria professor de jornalismo. Foi repórter e fotógrafo da revista Look e trabalhou para outras publicações, como LifeEsquire e Vogue.
Em 1959, Zingg veio ao Rio de Janeiro como membro da equipe do veleiro Ondine na corrida oceânica Buenos Aires-Rio. Encantado com o país, começou a viajar frequentemente para o Brasil. Suas reportagens sobre acontecimentos nacionais, incluindo a construção de Brasília, foram publicadas em várias revistas americanas e britânicas.

Esteve presente na noite de abertura do Show de Bossa Nova, estrelado por Tom Jobim e Vinicius de Moraes na boate Au Bon Gourmet, no Rio, e contribuiu para a organização do memorável Concerto de Bossa Nova no Carnegie Hall, de Nova York, em 1962. Colaborou com os principais veículos de comunicação do país, como Veja, Manchete, Playboy, entre outros.

Em 1978, mudou-se para São Paulo, onde foi consultor e cronista da Folha de S. Paulo, escrevendo de 1987 a 2000 a coluna “Tio Dave”. Zingg também participou da banda Joelho de Porco, célebre pelas letras recheadas de humor.

Nas inúmeras viagens que fez pelo país, produziu um dos mais significativos registros do Brasil dos anos 1970 a 1990. Fotografou o povo brasileiro e sua cultura, além de realizar milhares de retratos de músicos e personalidades, como João Gilberto, Os Novos Baianos, Chico Buarque, Pixinguinha, Leila Diniz, Elke Maravilha, Vinicius de Moraes e Juscelino Kubitschek.

Sobre seus registros fotográficos, David Zingg escreveu: “Fotografia é história, e é essa sua função fundamental. A máquina mostra os dias de hoje àqueles que queiram ver os dias de hoje. Mas a máquina também mostra o ontem àqueles que queiram aprender. (…). O dever de um fotógrafo no Brasil, me parece, é insistir no registro do sofrimento e do prazer, do belo e do irônico. Só o tempo e o público decidirão o significado que as fotografias realmente têm.”

David Drew Zingg morreu no dia 28 de julho de 2000, em São Paulo. Seu acervo, composto por mais de 250 mil imagens fotográficas (principalmente diapositivos coloridos), documentos e objetos pessoais, passou a integrar o acervo do Instituto Moreira Salles em 2012, por meio de comodato realizado com seus descendentes.

Exposição David Drew Zingg: Imagem sobre imagem
Abertura: 14 de abril, a partir de 19h. Às 19h30, acontecerá uma visita guiada com o curador, Tiago Mesquita.
Visitação: de 15 de abril a 9 de agosto
De terça a sexta, das 13h às 19h
Sábado, domingo e feriado, das 13h às 18h
Entrada franca - Classificação livre
Instituto Moreira Salles – São Paulo
Rua Piauí, 844, 1º andar, Higienópolis
Tel.: (11) 3825-2560


Informações para a imprensa:
Barbara Giacomet de Aguiar – (11) 3371-4490
Andressa Lelli - (11) 3371-4424

quarta-feira, 25 de março de 2015

Picasso e a modernidade espanhola | Obras da coleção do Museo Nacional Centro de Arte Reina Sofía

Para quem gosta de Pablo Ruiz Picasso, essa  exposição será uma imersão em seu universo, quase que um mergulho numa piscina infantil, não há tantas obras dele que valham o anúncio.

Mas há sim além de excelentes pinturas do mestre, obras de seus contemporâneos que mostram sua efervescência e também as influências as quais o mestre exerceu e absorveu.

Picasso sempre será incensado como a referência das artes plásticas "modernas" espanholas, sem que nos esqueçamos de Dali e Miró também presentes.

Engraçado, mas gosto muito mais dos desenhos e gravuras de Picasso do que a maioria de suas pinturas, onde ele mostra que realmente é um grande artista, com pleno domínio de seu mister. E nesta mostra fui brindado com vários e valiosos exemplos disto.

Todas as salas merecem uma visita  atenta, mas se fosse para escolher ou indicar uma única, seria a do segundo andar, que faz valer o nome da exposição com obras magníficas de diversos artistas de sua época.

Um passeio imperdível, daqueles que marcarão época com filas quase impossíveis de se aturar, mas que iluminam a alma e nos traz um sorriso ao rosto.



Abaixo das imagens, o "press release", fornecidos pela assessoria de imprensa do evento.

Pablo Ruiz Picasso
El pintor y la modelo
O pintor e a modelo
1963
Óleo sobre tela
130 x 161 cm
Coleção do Museo Nacional Centro de Arte Reina Sofía, Madrid 


 Pablo Ruiz Picasso
Femme assise accoudée
Mulher sentada apoiada sobre os cotovelos
1939
Óleo sobre tela
92 x 73 cm
Coleção do Museo Nacional Centro de Arte Reina Sofía, Madrid
© Succession Pablo Picasso / AUTVIS, Brasil, 2015.


Rafael Barradas
Hombre en el café (Atocha)
Homem no Café (Atocha)
1923
Óleo sobre tela
84 x 106 cm
Coleção do Museo Nacional Centro de Arte Reina Sofía, Madrid


Pablo Gargallo Catalán
Femme au repos en creux
Mulher oca em repouso
1922
Bronze patinado
25,5 x 32,5 x 25 cm
Coleção do Museo Nacional Centro de Arte Reina Sofía, Madrid


 Joan Miró i Ferrà
Pintura (Cabeza y araña)
Pintura (Cabeça e aranha)
1925
Óleo sobre tela
89 x 116 cm
Coleção do Museo Nacional Centro de Arte Reina Sofía, Madrid
© Successión Miró, Miró, Joan/ AUTVIS, Brasil, 2015.


Pablo Ruiz Picasso
Cabeza de caballo. Boceto para “Guernica”
Cabeça de cavalo. Esboço para “Guernica”
1937 (2 de maio, Paris)
Óleo sobre tela
65 x 92 cm
Coleção do Museo Nacional Centro de Arte Reina Sofía, Madrid. Le­gado Picasso, 1981.
© Succession Pablo Picasso / AUTVIS, Brasil, 2015.

OBRAS-PRIMAS DE PICASSO E OUTROS GRANDES NOMES DO MODERNISMO ESPANHOL CHEGAM AO BRASIL EM MOSTRA INÉDITA NO CCBB
PEÇAS DO ACERVO DO REINA SOFÍA, DE MADRI, SERÃO EXPOSTAS EM SÃO PAULO E NO RIO DE JANEIRO
Em parceria com uma das mais destacadas instituições dedicadas à arte moderna, o Museo Reina Sofía, de Madri, Espanha, o Centro Cultural Banco do Brasil e a Fundação Mapfre trazem agora para solo brasileiro obras de Pablo Picasso e de outros artistas modernistas espanhóis da maior importância. Picasso e a modernidade espanhola | Obras da coleção do Museo Nacional Centro de Arte Reina Sofía vai, entre outros aspectos, oferecer ao público brasileiro diferentes abordagens sobre as contribuições do fundador do Cubismo e de seus contemporâneos ao cenário internacional da arte. Com curadoria de Eugenio Carmona, professor de História da Arte da Universidade de Málaga e conceituado especialista no tema, a exposição conta com 90 obras e fica em cartaz de 25 de março a 8 de junho no CCBB de São Paulo e de 24 de junho a 7 de setembro no CCBB do Rio de Janeiro.

Além da Fundação Mapfre e do Centro Cultural Banco do Brasil (instituições responsáveis por Impressionismo: Paris e a Modernidade, a 3ª exposição mais visitada no mundo em 2013), a mostra conta com o apoio do Ministério da Cultura, por meio da Lei de Incentivo à Cultura – Lei Rouanet, e patrocínio do Grupo Segurador Banco do Brasil Mapfre e do Banco do Brasil, empresas que vêm desenvolvendo um amplo trabalho de fomento à cultura.
Picasso e os artistas espanhóis tiveram papel decisivo na criação e nas definições da arte moderna internacional, e esta exposição pretende propor um encontro com as mais singulares contribuições desses criadores, porém não de forma convencional, por meio de rótulos, ou “ismos”, mas sim a partir dos fundamentos estéticos que configuraram as experiências espanholas da modernidade.
               A mostra destaca a forma como Picasso concebeu a modernidade e como influenciou ou se relacionou com os principais criadores espanhóis da época – mas não é apenas isso. A exposição apresenta também os diálogos, as inter-relações e os desafios que se estabeleceram entre o próprio Picasso e Juan Gris, Miró, Dalí, Julio González, Óscar Domínguez e o conjunto de mestres espanhóis da arte moderna.
A exposição é dividida em oito módulos, que contam oito histórias e resumem oito possibilidades criativas. No que diz respeito a Picasso, fala-se especificamente da sua relação com a modernidade nos espaços, em “Picasso. O trabalho do artista” e “Picasso. Variações”. Além disso, sempre de forma transversal, são apresentadas obras que unem “Ideia e forma”, “Signo, superfície, espaço”, “Realidade e super-realidade” e “Natureza e cultura”. Um módulo especial é dedicado a um mergulho no imaginário de Picasso, para se perceber como ele concebeu a iconografia de sua conhecida obra Guernica – para tanto, recorre-se a suas elaborações em torno de “O monstro e a tragédia”. Finalmente, a conclusão da mostra destaca como a arte espanhola no final dos anos 1950 caminhou "Em direção a outra modernidade".
Entre as obras presentes estão Cabeça de Mulher (1910), Busto e Paleta (1932), Retrato de Dora Maar (1939) e O Pintor e a Modelo (1963), além de estudos e esboços para Guernica, que ajudam a entender o processo de criação dessa que é uma das mais impactantes obras de arte de todos os tempos. Concebida como uma reação imediata ao bombardeio nazista que, durante a Guerra Civil Espanhola, matou mais de 100 civis na pequena cidade que dá nome à pintura, Guernica de Picasso é um pungente e atemporal manifesto em favor da paz.
Com o conjunto emblemático das realizações de um ícone da pintura universal e de outros artistas de primeira grandeza, o público brasileiro poderá, por meio de uma mostra inédita, se aproximar ainda mais desse capítulo da história da arte.


A coordenação e a organização de Picasso e a modernidade espanhola estão a cargo da Expomus, empresa brasileira que atua há mais de 30 anos no mercado cultural.

terça-feira, 24 de março de 2015

Monica Silva - LUX ET FILUM

Essa é mais uma belíssima exposição com que nos brinda o Instituto Italiano di Cultura - San Paolo  no lindo casarão em Higienópolis que abrigava as instalações do consulado.

De uma magnífica fotógrafa de origem brasileira é a releitura das obras de Caravaggio com interpretação pessoal da artista, que diferente do mestre escolheu a luz para nos mostrar esse trabalho.

Com diversas leituras, às vezes quase literais outras só com as impressões que lhe causam as cenas originais, consegue nos encantar e prender a atenção, fazendo com que na sua apreciação nos concentremos em todos seus detalhes.

Vale também a visita ao site da artista onde podemos conhecer seus vários projetos e trabalhos quando também percebemos seu enorme ecletismo.




Abaixo das imagens, o currículo da artista, colhidos em seu site.









MONICA SILVA
OVERVIEW WORKS
Birth Name: Monica Maria da Silva known as “Monica Silva”
Born: 13 March 1965, Sao Paulo, Brazil
Nationality: Brazilian
Education: Campus Sales College, Sao Paulo, Brazil, Oxford House College, London UK
Awards: International Biennale of Art 2011, Venice, Italy Best Picture “Dorfles infinito e lo sguardo a Ghirri”
Monica Silva is a self taught photographer. Her first steps into photography happened in a very young age, shooting with polaroids and instamatics cameras. Keen of experiments in photography and specially on staged psychology portraiture, she creates complex projects on how the conflict between the existential and cultural daily life has a grip on the contemporary psyche of today’s society.
Monica is a descendant of Tupi Guarani indigenous tribe and was raised in Sao Paulo in Brazil untill 1986 year in which she moved to London to complete english studies. A curious spirit and thirsty of learning, she moved on to Italy where she has been living for 26 years. For many years she worked on commercial projects, creating album covers for international music labels and a series of portraits of movie stars, musicians, corporate managers and politics published on international editorial magazines and newspapers as Max, Corriere della Sera, Vanity Fair, Style, El Pais Sette, Io Donna, Panorama.
Monica often inspires on the works of Marcel Duchamp, De Chirico, Salvador Dali, Caravaggio, Horst P. Horst, Man Ray, Jeanloup Sieff, Gilbert Garcin, Peter Witkin, Andy Warhol, Jan Vermeer.
Monica Silva has exhibited in many important group and solo exhibitions including Life Above All, Mazzoleni Art Gallery (Milan 2008), Suggestions of Spoon River, Stefano Forni, Codigoro City Hall, (Bologna, Italy 2009), GEMLUC, Mazzoleni Art, (Montecarlo, France 2009),  On My Skin, Arte Fiera Off, (Bologna, Italy 2010), My Hidden Ego, (Sansepolcro, Italy 2013), The Butterfly’s Fall – Postcards from Tokyo, Nuova Galleria Morone, (Milan 2013), Lux Et Filum A Contemporary Vision of Caravaggio, (Sao Paulo, Brazil 2014)
Monica Silva lives and works in Milan, Italy
Past Reviews
Marie Claire Italia Lux Et Filum, Caravaggio’ sequences portrayed in a modern vision: from The Musicians to Narcissus, and contemporary minutiae carefully chosen by Monica Silva to make Caravaggio’s aesthetics still powerful, new, revolutionary.  Manuela Ravasio
La Repubblica:
Monica Silva has posed poetry by dressing it up with color … made of it’s shadows, a film in a stream of emotions …Franco Basile
Il Giornale:
Monica Silva’s works are only apparently simple. If we observe them carefully, we will realize that in an world in which many people now seem to copy ideas and styles, she is capable to think with her own head and experiment, even taking the risk of not being fully understood. Barbara Silbe
Corriere della Sera:
“Her photography is related with the world’s breathe, almost a sort of psychological therapy to build a path of intimate painfull narration in which lies memories of violence and a poetic voice of hope.”
 Gianluigi Colin
Nikon Italia:
“…In order to carve out a moment of fame the subject ends up on the other side of the lens, showing all his brutal authenticity and essence. A perfectly successful experiment that confirms once again Monica Silva’s ability, to go beyond barriers and deeply read other people’s inner soul. Dino Del Vescovo
Foaiano Photography Festival:
In Monica Silva’s works you can find people and landscapes in an unambiguous and characteristic view of the four corners of the planet, in a light and colorful composition, where places are settings for expressions, where days are subtle intangible, almost familiar, with a touch of curiosity. 
 Chiara Oggioni Tiepolo