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quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Chaplin e a sua imagem

O maior cineasta de todos os tempos? Foi um mestre no cinema mudo e passou incólume pela transformação do cinema falado. Fez filmes eternos que nunca serão esquecidos, numa época que só havia a película cinematográfica; sem auxílio de computadores, as cenas eram todas filmadas na "raça", com todos os possíveis riscos aos atores.

Foi também o criador do cinema independente, quando fundou com seus colegas a United Artists, onde tomou as rédeas de seu processo criativo.

Sua longeva carreira teve a tentativa de mácula pela meritocracia americana que por suas idéias esquerdistas, o obrigou ao exílio. Chaplin preservou seu carisma e história, diferente de outros artistas que foram condenados ao ostracismo, mesmo sendo talentosos e produtivos. Incrível como os "crimes" de consciência ainda persistem nos dias de hoje e sempre.

Chaplin mereceu uma cinebiografia, um grande filme que foi o ápice da carreira de Robert Downey Jr., em que podemos ter uma grande visão sua vida, carreira e intimidade.

Em mais uma magnífica instalação o Instituto Tomie Ohtake nos brinda com momentos de sonho e magia, com imagens e cenas de sua carreira, fazendo com que tenhamos vontade de rever ou conhecer suas obras que são imortais.

Além de um grande contador de histórias, era também um grande compositor, com músicas eternas que até hoje são clássicos, estando no nosso imaginário, mesmo dos mais jovens, que não tem ideia de que Smille e Luzes da Ribalta, entre outras, são de sua autoria.

Pelo ecletismo e excelência das mostras, o Instituto Tomie Ohtake virá a ser, se já não o é, um dos mais importantes centros culturais e de cidadania do país. Que continue assim.

Diferente de outras matérias, este post vai com duas de suas músicas .


Abaixo das imagens, o "press-release" fornecidos pela assessoria de imprensa do evento.





Smile - Nat King Cole




Luzes da Ribalta








Chaplin e a sua imagem

Abertura: 19 de outubro, às 20h – até 27 de novembro de 2011

Chega ao Brasil pelo Instituto Tomie Ohtake a primeira grande exposição concebida a partir dos arquivos da família Chaplin que conta a história de Charles Chaplin - ator e figura pública – confrontando o homem e a sua imagem, ao mostrar como foi criado o mito. Com curadoria de Sam Stourdzé e organizada com o apoio da Chaplin Association, juntamente com a Cineteca del Comune di Bologna – projetto Chaplin, e MK2, a mostra Chaplin e a sua imagem já foi exibida em alguns países europeus, nos Estados Unidos e no México.

A exposição


· uma profusão de filmes e material de documentário


O arquivo fotográfico dos Estúdios Chaplin

A exposição apresenta mais de 200 fotografias, que compreendem stills da produção e fotografias de estúdio - de forma muito original. As fotografias são cercadas e acompanhadas de uma série de pequenas gravuras modernas que se desdobram como sequências cinematográficas. Os múltiplos níveis de interpretação daí resultantes sugerem montagens que acabam por contextualizar as diversas facetas de Charles Chaplin.


O Álbum de Keystone

Em exposição inédita ao público, o Álbum de Keystone, em homenagem ao primeiro estúdio em que Chaplin trabalhou, é um objeto único e original. Cada uma das chapas é composta de fotogramas acompanhados por textos manuscritos que remetem às histórias dos primeiros 35 curtas em que Chaplin atuou, em 1914. Testemunha-se com este material o desenvolvimento gradual do personagem Carlitos, de um Chaplin que contava 25 anos incompletos.


Trechos dos filmes

No intuito de estabelecer um diálogo real entre imagem fixa e em movimento, quinze telas e oito projeções apresentam itens selecionados da obra de Chaplin como trechos ou montagens que se contrapõem às fotografias. Entre eles:

- Um “making of” em cores filmado no final da década de 1930 pelo irmão de Chaplin, Sydney, durante as filmagens de O Grande Ditador.

- Uma tomada com mais de oito minutos de duração de Luzes da Cidade, em que Charles, somente com um pequeno pedaço de madeira, dá uma demonstração maravilhosa de quantos elementos cômicos podem ser extraídos de uma situação simples.

- O filme How To Make Movies, de 1918 e jamais exibido na época, que mostra um pouco dos bastidores dos Estúdios de Chaplin.

- Filmes caseiros em cores, produzidos em 8 mm, onde se vê um Chaplin já grisalho, cercado por seus filhos e reencenando as peripécias que o tornaram famoso.


Obras de artistas

O Vagabundo tornou-se um ícone para os movimentos artísticos que eclodiram nos anos 10 e 20 para abalar as estruturas da antiga cidadela das artes. Incorporando as principais preocupações dos movimentos vanguardistas, Chaplin nutria verdadeira fascinação por artistas como Fernand Léger. A exposição mostra como Fernand Léger apropriou-se da imagem de Carlitos.


Cartazes de coleção

O cartaz é um meio de comunicação cujo impacto depende da clareza e do efeito imediato produzido por sua mensagem. Na mostra, cartazes originais retratam a evolução da imagem de Carlitos desde o nascimento até a morte do personagem.

· Quatro principais temas se destacam a partir dos filmes e outros materiais que compõem a exposição:


A criação de Carlitos

As fotografias e trechos de filmes nos permitem reconstruir a formação gradativa e consolidação do personagem Carlitos. Carlitos não foi sempre o vagabundo triste, solitário e extremamente humano, tão profundamente enraizado na memória coletiva. Pelo contrário, o Carlitos pela primeira vez exibido na tela, em 1914, revelava uma figura trapaceira, estúpida e antipática, com grande inclinação pela mulher do vizinho, que aplicava golpes em seus próprios comparsas, truques sujos em geral, além de pontapés dissimulados, sempre e onde quer que pudesse fazê-lo. O personagem não seria diferente até a produção do longa The Kid (O Garoto, 1921).


Chaplin como cineasta

De volta a uma locação, retomando a construção de uma cena, desnudando a mecânica de uma peripécia ou a coreografia de um movimento: são esses os detalhes que nos permitem vislumbrar a preocupação de Chaplin em fazer as coisas do jeito certo. Chaplin foi universalmente aclamado como um ator, mas por trás da figura central de Carlitos, se encontra a de um grande cineasta.


Da fama ao exílio

No auge da glória, Chaplin optou pelo engajamento, e da década de 1930 em diante, seus filmes foram notadamente marcados por elementos de crítica social. Seria este o marco de seu lento processo de divórcio com relação ao público. Em 1952, no navio que o levava para a Inglaterra, Chaplin foi informado de que seu visto americano não seria renovado. Ele passaria então a viver na Suíça com Oona, sua última esposa, e seus oito filhos.


Fala Chaplin, morre Carlitos

Chaplin adiou a data fatídica o máximo que pôde. Em Luzes da Cidade (1931), seguiu alegremente protagonizando um personagem cujo mundo era mudo. Ao final de Tempos Modernos (1936), se vê Carlitos, agora pronto para fazer-se ouvir, lançar-se em uma canção cuja letra havia esquecido: o público descobre sua voz sem entender uma única palavra. Finalmente, decidindo, em 1940, encarar abertamente um assunto sério, permite que Carlitos fale, no que seria o último papel do personagem. E o discurso tanto tempo reprimido é entregue a toda a humanidade, na forma de uma mensagem de paz e esperança.


Charles Chaplin – breve histórico

Charles Chaplin nasceu em Londres, a 16 de abril de 1889. Morreu em Vevey, na Suíça, em 25 de Dezembro de 1977. Aos vinte anos, partiu com o grupo teatral de Fred Karno para os Estados Unidos, onde chamou a atenção de Mack Sennett, diretor da Keystone Studios. Seu primeiro curta, Making a Living, data de 1914 e foi no segundo, Kid Auto Races in Venice, que Carlitos, o Vagabundo fez sua primeira aparição. Entre 1914 e 1923, Chaplin fez mais de 70 curtas-metragens. Depois de concluir The Gold Rush (A Corrida do Ouro), em 1925 - neste ano, o filme completa seu 80º aniversário - Chaplin começou a diminuir sua produção e a se concentrar em filmes de longa-metragem. Entre 1925 e 1967, fez oito filmes, entre eles The Circus (O Circo, 1928), City Lights (Luzes da Cidade, 1931), Modern Times (Tempos Modernos, 1936), The Great Dictator (O Grande Ditador, 1940) e Limelight (Luzes da Ribalta, 1952). A princípio um ator, Chaplin transformou-se em uma “banda de um homem só”, passando a dirigir e produzir seus filmes, além de compor a trilha sonora para eles.


Exposição: Chaplin e a sua imagem

Abertura convidados: 19 de outubro, às 20h

Até 27 de novembro de 2011, de terça a domingo, das 11h às 20h – entrada franca

Instituto Tomie Ohtake

Av. Faria Lima, 201 (Entrada pela Rua Coropés) - Pinheiros SP Fone: 11.2245-1900

Informações à Imprensa

Marcy Junqueira – Pool de Comunicação

Contato: Martim Pelisson / Fone: 11.3032-1599

marcy@pooldecomunicacao.com.br / martim@pooldecomunicacao.com.br

domingo, 16 de outubro de 2011

Meia noite em Paris



"Let´s do it" de Cole Porter, com Ella Fitzgerald.


Com um certo atraso, finalmente consegui assistir a esse filme, que de tão falado e elogiado, já tinha até me criado um certa expectativa.

Partindo da ideia "prá" lá de manjada, já um clichê, do retorno no tempo, Woody Allen criou um roteiro ao mesmo tempo instigante, encantador e também empolgante, coisa meio difícil em suas obras anteriores.

Com uma cenografia espetacular, tanto nas cenas externas, quanto na recriação dos ambientes dos anos 20, é uma aula de cinema, de como contar uma história.

Com um time de atores corretos, com a exceção da maravilhosa Marion Coutillard, que é disparado a melhor figura do filme, conseguem conduzir a trama dentro de um fator de quase excelência.

Descobri também que os melhores filmes de Woody Allen são aqueles em que ele é somente o diretor, vide o magnífico Vick Cristina Barcelona, pois ele acabou por se tornar caricatura de si mesmo, sempre com os mesmos gestos e cacoetes, interpretando repetidas vezes o mesmo personagem, contando uma trama diferente. Penso ele tentou fazer com Owen Wilson, que tem um interpretação cheia de gagueiras e hesitações, quase que uma cópia de si mesmo como ator.

Um grande filme com uma trilha sonora melhor ainda, para acompanhar o comentário - "Let´s do it" de Cole Porter, com Ella Fitzgerald.








quarta-feira, 5 de outubro de 2011

facebook e o mal entendido

Sempre fico maravilhado com o poder de rastilho da internet, mas agora com o advento do Facebook isto se tornou uma progressão geométrica, muito poderosa, tanto para o bem quanto para o mal.

Cansei de ver "correntes" dizendo para termos cuidados com pedófilos, atentarmos para pessoas perdidas, pirâmides, conspirações, até do fb, e campanhas pontuais que não seriam nada mais do que lendas urbanas.

Pois bem, nesta semana da criança, criou-se e imagino que não foi geração espontânea, um movimento para que cada um dos associados trocassem suas fotos de perfil por um dos seus heróis de infância, sejam dos cartuns ou dos quadrinhos.

Claro que não fiz isso, mas citei que se fosse escolher algum "herói", seriam os personagens do Henfil, do Jaguar ou do Millor, e até publiquei duas charges no meu mural do fb, que com certa vergonha confesso que tenho.

E não é que houve uma reação dizendo que a semana da criança deveria ter um caráter mais pueril, declarando que aquilo seria uma forma de protesto?

Só se fosse o protesto, ou declaração de ter vivido numa época em que haviam heróis verdadeiros, que com seu humor conseguiam transmitir a necessária indignação que formou a consciência que ajudou a mudar o Brasil.

Tenho uma história com meu pai, sempre em minhas lembranças, de que quando estávamos em algum lugar de São Paulo, ele foi abordado por dois representantes da TFP que queriam lhe oferecer um exemplar de algum manifesto; pois bem, qual foi sua reação?

Perguntou ao jovem:- " Tem o Pasquim?" - E a resposta indignada do cruzado foi:- " Não somos porcos, lidamos com coisas sérias!". Essa sim foi a grande demonstração de reação ao fanatismo, nos mostrando que havia muito mais do que a devoção religiosa, política ou educacional; havia um mundo pleno de beleza, boas intenções, com uma estética diferente daquelas que os cânones queriam nos impor.

Era grande a ansiedade da espera, às sextas feiras, quando Seu Sérgio vinha com o nosso exemplar do Pasquim, que só era vendido nas bancas; as charges dos mestres, além de divertidas, abriram toda a realidade do país de então.


Para completar o comentário, ou desabafo, uma música que seria manjada se fosse com Elis, sigam com Beth Carvalho.



O bêbado e o equilibrista - Beth Carvalho






segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Mil perdões - Chico Buarque

Já tinha guardado um comentário para essa música, quando hoje vi no blog "Passeando Pelo Cotidiano", um post contando sua história.

É um caso bem interessante que trata das relações entre dois dos maiores intelectuais brasileiros, Chico Buarque e Nelson Rodrigues.

Mas o que guardei foi a minha impressão em relação a essa obra prima do Chico, que é, na minha opinião, o tratado definitivo de como estragar uma relação afetiva, expondo de uma maneira gentil, mas ao mesmo tempo cruel as inseguranças, os medos, a falta de confiança e a tênue fronteira entre o amor e o sentimento de posse.

Só mesmo um gênio poderia, partindo de uma encomenda, usar o idioma desta maneira, jogando uma luz nos sentimentos de pessoas imaturas que não sabem viver a plena felicidade.








Mil Perdões

Chico Buarque

Te perdôo
Por fazeres mil perguntas
Que em vidas que andam juntas
Ninguém faz
Te perdôo
Por pedires perdão
Por me amares demais
Te perdôo
Te perdôo por ligares
Pra todos os lugares
De onde eu vim
Te perdôo
Por ergueres a mão
Por bateres em mim
Te perdôo
Quando anseio pelo instante de sair
E rodar exuberante
E me perder de ti
Te perdôo
Por quereres me ver
Aprendendo a mentir (te mentir, te mentir)
Te perdôo
Por contares minhas horas
Nas minhas demoras por aí
Te perdôo
Te perdôo porque choras
Quando eu choro de rir
Te perdôo
Por te trair

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

NELSON LEIRNER 2011-1961=50 ANOS

Retrospectiva da obra de Nelson Leirner, com trabalhos de diversas fases do artista, em diferentes estilos, linguagens e suportes.

Há nesta mostra obras geniais e deslumbrantes, mas há também obras menores, rasteiras, que parecem terem sido feitas às pressas.

O grande risco de uma exposição desta magnitude é apresentar fases menos inspiradas, ou menos valiosas de cada autor, causando uma certa decepção aos visitantes.

Minha relação com as instalações ainda é difícil, não consigo entendê-las e acho que não são nada mais do que cenários, como já disse Mauro Andriole em um comentário no meu post Aguilar no CCBB; ainda valendo a minha opinião expressada neste.



Birdland - Quincy Jones


Abaixo da imagens, o "press-release", fornecidos pela assessoria de imprensa da FIESP.






SESI-SP APRESENTA EXPOSIÇÃO
NELSON LEIRNER 2011-1961=50 ANOS

Mostra reúne mais de 40 obras que atravessaram cinco décadas. Público poderá conhecer os trabalhos gratuitamente, a partir de 6 de setembro.


São Paulo, 30/8/2011 - Entre 6 de setembro e 6 de novembro de 2011, Nelson Leirner volta a São Paulo para repassar, na Galeria de Arte do SESI-SP, sua brilhante e controvertida trajetória. A mostra Nelson Leirner 2011-1961=50 anos apresentará, gratuitamente, a retrospectiva dos anos em que o artista reinou absoluto no meio da arte. Uma série que reúne as obras que o colocaram em posição de destaque na história da nossa arte. A mostra inclui, ainda, monumental e inédita instalação “Um, nenhum e cem mil”, realizada ao longo dos últimos 15 anos.
Sua obra é considerada uma das mais provocativas na história da arte brasileira, com trabalhos iconoclastas, fundamentados no persistente desmantelamento da noção de arte, na crítica de seus processos e valores e, acima de tudo, na compreensão do seu caráter grandioso.
A exposição tem curadoria de Agnaldo Farias e abarca três momentos decisivos da trajetória de Leirner: os primeiros anos, quando o artista mesmo fazendo uso de suportes convencionais – pintura, pintura/objeto e desenho – alcança resultados; a segunda fase, de meados de 1965 até 1994, quando alcança a maturidade sob a forma de obra polimórfica (troca a noção de criação pela de apropriação, realiza happenings, performances, intervenções em espaço público até trabalhos pautados na paródia do circuito artístico, passando por ensino da arte e a compreensão do espaço pedagógico como extensão de seu trabalho artístico; e a terceira fase, inaugurada com a mostra retrospectiva de 1994, sua primeira exposição do gênero, quando utiliza objetos industriais, materializadores do repertório infinito proporcionado pelas empresas comprometidas com o imaginário social, de crianças aos adultos, cuja devoção encontra um poderoso apoio em imagens e estatuetas.
Essa fase, em que o artista enxerga seu trabalho como um verdadeiro hobby, coroa-se com a realização da grande instalação “Um, nenhum e cem mil”, composta por objetos e trabalhos portáteis de toda sorte, a exemplo de colagens e intervenções gráficas realizadas sobre cartões postais, livros, revistas e tudo o mais que cai nas mãos do artista e o faz se sentir estimulado a acrescentar algo.


Saiba mais sobre o artista



Nelson Leirner é filho da escultora Felícia Leirner e do empresário Isaí Leirner. Desde a infância, a arte moderna está muito presente em sua vida. Seus pais conviveram com boa parte da vanguarda brasileira e ajudaram a fundar o Museu de Arte Moderna de São Paulo - MAM/SP e a Galeria de Arte da Folha, além de instituírem o Prêmio Leirner de Arte Contemporânea.
Tornou-se artista apenas na década de 50, estimulado por trabalhos de Paul Klee. Em 1956, passou a ter aulas de pintura com Joan Ponç. Dois anos depois, frequentou o Atelier-Abstração, de Flexor, mas não se entusiasmou com os cursos. Suas telas se aproximam da abstração informal de pintores como Alberto Burri e Antoni Tàpies. Entre 1961 e 1964, continuou com a pesquisa de materiais, mas seguiu em outra direção. Interessado nas poéticas dadaístas, produziu seus quadros com objetos recolhidos na rua, criando a série Apropriações.
Em 1964, o artista abandonou a pintura e passou a trabalhar com elementos prontos, fabricados industrialmente. A partir de então passou a recolher objetos de uso e deslocou seu sentido, como em Que Horas São D. Candida (1964). Seus trabalhos estão entre a escultura e o objeto. Dois anos mais tarde, a participação do espectador é incorporada em obras como Você Faz Parte I e II (1966). Ainda em 1966, fundou o Grupo Rex, com Wesley Duke Lee, Geraldo de Barros, Frederico Nasser, José Resende e Carlos Fajardo. O coletivo promove happenings e publica o jornal Rex Time. O grupo se volta a problemas como as relações da arte com o mercado, as instituições e o público.

Em 1967, montou a exposição Da Produção em Massa de uma Pintura, mostrando a série Homenagem a Fontana, uma das primeiras séries de múltiplos do país. As "pinturas" são produzidas industrialmente. Feitas de zíperes e tecidos, objetos que tradicionalmente não têm propriedades artísticas. No mesmo ano, enviou seu Porco Empalhado (1966) para o 4º Salão de Arte Moderna de Brasília. O júri aceita o trabalho. Leirner questionou o resultado e solicitou manifestação explicita dos critérios de admissão da mostra, criando polêmica com críticos como Mário Pedrosa e Frederico Morais. A partir da década de 1970, o teor questionador do trabalho migrou da ação direta para um sentido alegórico, que muitas vezes envolve o erotismo. Nessa época, Leirner se dedicou a outras linguagens, como o design, os múltiplos e o cinema experimental.

A presença de elementos da cultura popular brasileira, marcante desde os anos 1960, cresceu a partir da década de 1980. Em 1985, realizou a instalação O Grande Combate, em que utiliza imagens de santos, divindades afro-brasileiras, bonecos infantis e réplicas de animais. Desde o ano 2000, seu trabalho se apropria de imagens artísticas banalizadas pela sociedade de consumo. De maneira bem-humorada, lida com as reproduções da Gioconda (Mona Lisa), 1503/1506 de Leonardo da Vinci, e a Fonte, 1917 de Marcel Duchamp, como tema artístico. Com a mesma ironia, o artista replica em couro de boi imagens da tradição concreta brasileira, na série Construtivismo Rural.


SERVIÇO:
Exposição Nelson Leirner 2011-1961=50 anos
Vernissage: dia 5 de setembro de 2011, às 19h – fechada para convidados
Local: Galeria de Arte do SESI-SP - Av. Paulista, 1313 – metrô Trianon-Masp
Datas e horários: 6 de setembro a 6 de novembro de 2011 - segunda-feira, das 11h às 20h; terça a sábado, das 10 às 20 horas; domingo, das 10 às 19 horas.
Informações: (11) 3146-7405 / 3146-7406 / www.sesisp.org.br/centrocultural
Entrada: franca
Recomendação etária: Livre
Agendamento de grupos: (11) 3146-7396 – de segunda a sexta-feira, das 10h às 13h e das 14h às 17h.

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SESI-SP e SENAI-SP / FIESP www.sesisp.org.br e www.sp.senai.br
Jornalistas responsáveis: Rosângela Gallardo, Rodrigo Marinheiro, Maysa Penna e Danusa Etcheverria
Apoio de atendimento: Karina Silva
E-mail: imprensa@sesisenaisp.org.br
Tels.: (11) 3146-7703 / 7702 / 7724

terça-feira, 27 de setembro de 2011

SuperHeavy - Miracle Worker

Acabei de ver este vídeo, um clipe promocional do álbum do grupo SuperHeavy, composto por pesos super-pesados da música mundial, Mick Jagger, Joss Stone e Damian Marley (um dos inúmeros filhos de Bob).

Nas resenhas de lançamento descobrimos que a inusitada reunião destes talentos nasceu de um desejo de Mick Jagger se reinventar, experimentar outras vertentes sonoras que não a do Rock'n Roll, afinal ele sempre foi extremamente versátil e com o perdão do trocadilho, pedra que muito rola não cria musgo.

Conheço pouco de Joss Stone, mas com essa voz e principalmente a aparência, terá uma carreira longeva, já que também escolhe muito bem seu repertório.

Agora Sir Mick dispensa maiores comentários é um "enterteiner " cuja voz e molejo são os mesmos de há 40 anos, sem estarem presos aos dogmas do passado.

Boa diversão.



terça-feira, 20 de setembro de 2011

Extremos: fotografias na coleção da Maison Européene de la Photographie – Paris

Faz muito tempo que São Paulo não é brindada com um exposição de fotos dessa magnitude.

Espetacular, é a única definição que posso dar, pois temos oportunidade de ver reunidas, se não numa mostra original, obras de artistas ícones no mister da fotografia, alguns já incensados no panteão dos mestres.

Com fotos posadas ou instantâneos de situações reais e momentâneas, mostram o ser humano no seu melhor e no seu pior momento, nos extremos da angustia, desesperança, do dissabor, mas também em seu extremo de beleza e bem estar.

As fotos contém toda carga emocional do momento, magistralmente captadas pelos artistas. Momentos que transcendem uma época, se eternizando.

Vemos algumas fotos que expõem o extremo final, a morte, ou de seus diversos instrumentos.

Reparei que só há uma única foto do primeiro extremo, o nascimento, pensei que os curadores só imaginam o fim como o único extremo, ou a explosão de sexualidade e a perfeita forma física.
Acho que também deveriam lembrar que a perfeita forma intelectual é o apogeu, ou o "extremo" de qualquer ser pensante.

Abaixo das imagens, o "press-release" fornecidos pela assessoria de imprensa do IMS.




Baião Malandro - Egberto Gismonte


Sprays químicos protegem este bombeiro da alta temperatura das chamas. Campo petrolífero Greater Burhan, Kuwait, 1991.

Sebastião Salgado © Sebastião Salgado/ Amazonas imagens



Sue, Debbie, Berlim, 1993

25/34 Photographes © Ralf Marsault/ Heino Müller



Da série Surfistas de trem, Rio de Janeiro, 1990

Rogério Reis © Rogério Reis



Da série O Invisível, 1976

Claudia Andujar © Claudia Andujar



Da série The Last Resort, New Brighton, 1983-1985

Martin Parr © Martin Parr/ Magnum/ Latinstock



Estética do limite é abordada em exposição de fotografias no Instituto Moreira Salles de São Paulo

Mostra reúne imagens de importantes fotógrafos brasileiros e internacionais da coleção da Maison Européene de La Photographie, de Paris


O Instituto Moreira Salles, em parceria com a MEP - Paris, abre no dia 20 de setembro, às 19h30, a exposição Extremos: fotografias na coleção da Maison Européene de la Photographie – Paris. Com curadoria de Milton Guran, coordenador do FotoRio, e de Jean-Luc Monterosso, diretor da MEP, e com a colaboração de Sergio Burgi, coordenador de fotografia do IMS, a mostra reúne 100 imagens que representam situações extremas da história, das sociedades, dos indivíduos e dos costumes ao longo dos últimos 65 anos, todas registradas pelas lentes de grandes nomes da fotografia mundial.

Na exposição, serão exibidas fotografias que, em seu tempo e a seu modo, tornaram-se ícones de situações extremas ao registrar o belo, o transcendente, entre outros temas que marcam a contemporaneidade. “Nossa época, que ama todos os tipos de excesso, a desmedida, o moralmente inadmissível, o horror, parece ter esgotado todos os recursos da emoção e do desejo de ver. Por meio dessa coleção, temos diante de nós não um espetáculo do pior, mas uma antologia do extremo, uma estética que só o pêndulo da história poderia, num ou noutro momento, representar”, explicam os curadores.

Deve-se ressaltar que, no período delimitado pelos trabalhos reunidos nesta exposição, ocorreram transformações radicais no âmbito da cultura e da comunicação, o que alterou a percepção que temos hoje do mundo e, consequentemente, da fotografia. “É nesse contexto de permanente transformação da fotografia que esta exposição deve ser apreciada, tanto por aquilo que traz de icônico e emblemático, quanto, por outro lado, pelo que eventualmente revela como fugaz e transitório, em função da própria dinâmica da vida, dos costumes e das culturas”, explica Sergio Burgi.

A exposição Extremos: fotografias na coleção da Maison Européene de la Photographie – Paris foi organizada a partir do acervo da MEP (que possui uma coleção de mais de 25 mil fotografias originais) e exposta durante o Mois de la Photo (Mês da Foto) de 2010, em Paris. A mostra ficou em cartaz no centro cultural do IMS no Rio de Janeiro de junho a agosto deste ano.

Veja a lista completa de fotógrafos que compõem a exposição (ordem alfabética): 25/34 Photographes, Alberto Ferreira, Andres Serrano, Ansel Adams, Bernard-Pierre Wolff, Bettina Rheims, Bill Brandt, Bruce Davidson, Claude Alexandre, Claudia Andujar, Claudia Jaguaribe, Christine Spengler, David Nebreda, Diane Arbus, Don McCullin, Duane Michals, Edward Weston, Elliott Erwitt, Emmet Gowin, Fouad Elkoury, Gabriele Basilico, George Dureau, George Robert Caron, Helmut Newton, Henri Cartier-Bresson, Irving Penn, Jean Depara, Jean-Philippe Charbonnier, Jeanloup Sieff, Joel-Peter Witkin, Larry Clark, Manuel Álvarez Bravo, Marc Riboud, Martial Cherrier, Martin Parr, Miguel Rio Branco, Neil Armstrong, Oumar Ly, Pierre et Gilles, Pierre Molinier, Pierre Verger, Raphaël Dallaporta, Raymond Depardon, Richard Avedon, Robert Frank, Robert Mapplethorpe, Rodrigo Braga, Roger F. Ballen, Rogério Reis, Sebastião Salgado, Seymour Jacobs, Shomei Tomatsu, Tony Ray-Jones, Touhami Ennadre, Valérie Belin, Vik Muniz.

Extremos: fotografias na coleção da Maison Européene de La Photographie – Paris

184 pp.

21 x 26 cm

ISBN 978-85-86707-69-8

R$75,00

Exposição Extremos: fotografias na coleção da Maison Européene de La Photographie – Paris

Vernissage: 20 de setembro de 2011, às 19h30

Exposição: de 21 de setembro a 27 de novembro de 2011

Horário de visitação: de terça a sexta-feira, das 13h às 19h

Sábados e domingos, das 13h às 18h

Entrada franca.

Classificação: 14 anos

Instituto Moreira Salles - São Paulo

Rua Piauí, 844, 1° andar, Higienópolis.

Tel.: (11) 3825-2560

Nathalia Pazini
Instituto Moreira Salles
(11) 3371-4490
www.ims.com.br

http://twitter.com/imoreirasalles

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Beuys e Bem Além – Ensinar como Arte

Demorei a escrever minhas impressões sobre esta exposição porque, sinceramente, tinha ficado sem saber o que dizer.

O mote da mostra, descrito no "press-release" abaixo das imagens, já dá a exata dimensão e seu objetivo, que é apresentar a relação entre Joseph Beuys e seus mais destacados alunos, com o contraponto, a convite dos curadores estrangeiros, de semelhante relação entre um destacado mestre brasileiro e seus pupilos, no caso Nelson Leirner.

Há nesta exposição, algumas obras de uma beleza ímpar, tanto no lado alemão, quanto no lado brasileiro, mas há também obras de tamanha vanguarda e arrojo que me fugiram, fiquei sem condições de apreciá-las plenamente.

É um passeio que vale muito a pena, pois ali temos contato com vários artistas e obras que dificilmente teremos outras oportunidades de conhecer ou rever.



Seu Tipo - Ney Matogrosso






INSTITUTO TOMIE OHTAKE

APRESENTA

Beuys e Bem Além – Ensinar como Arte

Coleção Deutsche Bank

Abertura: 12 de setembro, às 20h (convidados) – até 30 de outubro de 2011

Beuys e Bem Além – Ensinar como Arte apresenta obras em papel, diretamente do Acervo do Deutsche Bank, de autoria do influente artista alemão Joseph Beuys (1921-1986), e de seis de seus mais destacados alunos: Lothar Baumgarten (1944), Imi Knoebel (1940), Jörg Immendorff (1945 – 2007), Blinky Palermo (1945-1976), Katharina Sieverding (1944) e Norbert Tadeuz (1940). A exposição documenta a busca de Beuys, como artista e professor, durante o pós-guerra na Alemanha e demonstra a ampla gama de posturas, técnicas e meios que incentivou seus alunos a explorar.

Este projeto, que comemora os 100 anos da presença do Deutsche Bank no Brasil, foi idealizado pelos curadores da Coleção, Friedhelm Hütte, Liz Christensen e Christina März, e se completa ao colocar ao lado do núcleo de Beuys outro artista que, assim como ele, também inovou no ensino da arte e teve papel fundamental na formação de novas gerações. Desta forma, no Brasil, a convite dos idealizadores alemães, os curadores brasileiros, Agnaldo Farias e Paulo Miyada, agregaram à exposição obras do artista e professor iconoclasta Nelson Leirner (1932), juntamente com trabalhos de sete se seus ex-alunos: Caetano de Almeida (1964), Leda Catunda (1961), Dora Longo Bahia (1961), Iran do Espírito Santo (1963), Sergio Romagnolo (1957), Edgard de Souza (1962) e Laura Vinci (1962).

Portanto a mostra traz esta seleção de trabalhos – cerca de 100 vindos da Alemanha e 50 brasileiros – sob a ótica de uma curadoria que vincula arte e educação em uma turnê que passa por seis museus latino-americanos em cinco países deste continente. Não se tem aqui o propósito de identificar uma versão latino-americana de Joseph Beuys, mas sim perceber um intercâmbio de ideias sobre pedagogia e arte, a partir do contexto histórico de cada país. A mostra parte em busca de diferenças e de bases compartilhadas na forma de experimentação e diálogo.

Na condição de artistas e professores excepcionais, cujas aulas gozavam de grande popularidade, Beuys e Leirner revelam vários pontos de intersecção, sobretudo no tocante à natureza disseminadora de seus ensinamentos, o teor político de suas obras e os seus esforços voltados à propagação da arte ao maior número possível de pessoas.

As ideias radicais de Beuys sobre ensino, bem como suas teorias acerca do elevado papel do artista na sociedade, renderam-lhe reputação como um dos artistas mais importantes e polêmicos do século XX. “Minha maior obra de arte é ser professor”, declarou Beuys em uma entrevista concedida à revista Artforum em 1977. “O restante é um produto residual, uma mera demonstração.” A frase reflete a importância por ele atribuída ao magistério, que considerava extensão de sua própria atividade artística. Beuys lecionou oficialmente na Academia de Artes de Düsseldorf de 1961 a 1972 e, de forma alternativa, em projetos realizados em parceria com a Universidad Libre Internacional (1973 - 1988), uma proposta educacional concebida juntamente com o escritor alemão Heinrich Böll (1917-1985).

Beuys descobriu na prática do ensino uma plataforma para suas ideias utópicas e provocativas sobre a “arte como capital social”, e para atuar como defensor de uma abordagem mais ampla e democrática à arte, através da qual as pessoas pudessem participar da criação de novos modelos de arte como “escultura social”. Beuys colocou em xeque as convenções acadêmicas de seu tempo, fundadas na hierarquia, declarando que qualquer um poderia matricular-se em suas aulas de arte, sem nenhum portfólio como pré-requisito, sendo então demitido da Academia com grande alarde e repercussão. Exaltou o engajamento direto da arte à vida, promovendo o ativismo político, frequentando ao mesmo tempo aulas de desenho.

A prática pedagógica de Nelson Leirner, por sua vez, também nasceu de seu engajamento político como artista e da defesa apaixonada da liberdade de expressão, fruto de sua experiência anterior da arte e da cultura anestesiadas pela linha dura do regime militar, iniciada em 1969. Naquele período, Nelson lecionava arte na Fundação Armando Álvares Penteado (FAAP) e reinventava, em conjunto com seus colegas Julio Plaza, Regina Silveira e Walter Zanini, técnicas não convencionais de treinamento de artistas.

Os métodos adotados por Leirner para minar o sistema pedagógico vigente e rejeitar seu caráter pretensioso seriam memoráveis e, muitas vezes, impiedosos: ele era capaz de tecer elogios e analisar uma obra que alunos de níveis mais avançados poderiam julgar ingênua ou mal estruturada, dar notas seguindo critérios aleatórios, a partir, por exemplo, de cartas de baralho, ou acatar auto-avaliações de alunos, ainda que eles próprios não tivessem conhecimento do motivo pelo qual haviam sido solicitados a fazê-la. Uma simples mesa sobre a qual colocasse uma folha de papel poderia tornar-se espaço de trabalho, e uma sala de aula poderia transformar-se em alguma coisa entre um palco e um púlpito. As aulas de Leirner revelavam-se verdadeiras performances, muito procuradas por alunos de todos os níveis e até mesmo por estudantes já formados, que regressavam para ouvir suas proposições e participar de discussões abertas.

Assim como Beuys, as perguntas e provocações de Leirner tinham claramente o intuito de tirar as pessoas de sua zona de conforto e de rejeitar o mercado como medida ou objetivo de suas investigações. Os alunos de ambos os professores eram, e ainda são, influenciados por esses dois referenciais que vivenciaram regimes militares e por eles foram transformados. Os atos de lançar luzes sobre áreas obscuras e incentivar os alunos a explorarem e defenderem suas próprias posições de forma pessoal, conceitual e material atestaram o comprometimento pedagógico desses dois homens. Valendo-se do poder do humor, da oposição, da mitologia e da performance/representação pessoal, os próprios Beuys e Leirner empregaram a arte como instrumento de navegação para averiguar as falácias em construções de sentido em diferentes sociedades, tendo propiciado estratégias de direcionamento individual por meio da prática educacional e criativa.

Beuys e Bem Além – Ensinar como Arte foi anteriormente exibida em Santiago do Chile, Buenos Aires, Cidade do México e Monterrey, também no México, e em Bogotá.

Exposição: Beuys e Bem Além – Ensinar como Arte

Abertura convidados: 12 de setembro, às 20h

Visitação: de 13 de setembro a 30 de outubro de 2011, de terça a domingo, das 11h às 20h – entrada franca

Instituto Tomie Ohtake

Av. Faria Lima, 201 (Entrada pela Rua Coropés) - Pinheiros SP Fone: 11.2245-1900

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