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domingo, 13 de novembro de 2011

Steve McCurry – Alma Revelada

Fotos icônicas que fazem parte de nosso subconsciente. De uma beleza ímpar, de um profissional que sabe como poucos capturar a emoção de um momento pela expressão dos fotografados. Com o tema "Alma Revelada" concentra-se em retratos que expõem e escancaram o íntimo do fotografado.

Há nesta mostra a foto de um menino, talvez 10 anos, que me chocou, apontando uma pistola contra a própria têmpora, chorando, mostra toda a angústia e desesperança que lhe vai no pensamento, espero sinceramente que ele tenha sido demovido de sua intenção.

Agora, em contraponto a esta foto há várias de uma beleza deslumbrante, que nos enlevam a um mundo mágico e misterioso.

Todas as obras feitas ainda com o filme Kodachrome, extinto em 2009, que teve seu último rolo revelado em 2010, num laboratório no Kansas, que fechou logo após esse processo, do último filme fornecido pela Kodak ao artista. Vale aqui um aparte, a tecnologia digital ainda não alcançou a pureza e a sofisticação de captação de imagens e sons que conseguíamos com as tecnologias analógicas, mesmo com a compressão das músicas no formato mp3, as que foram gravadas antes deste advento carregam faixas de frequências não registradas pelos modernos microfones; mesmo as fotos feitas com as câmeras mais sensíveis ainda perdem em muito quando comparadas às imagens fixadas quimicamente.

Com uma seleção que nos mostra somente uma pequena parte de sua magnifica produção merece a visita, pois apresenta vários trabalhos que já são clássicos da fotografia mundial.


Abaixo das imagens (carregadas em alta definição), o "press-release" fornecidos pela assessoria de imprensa do Instituto Tomie Ohtake.



Happiness is a Warm Gun - The Beatles



Steve McCurry, Sharbat Gula, Afghan Girl, Pakistan, 1984

Steve McCurry, September 11, New York, NY, USA, 2011

Steve McCurry, September 11, New York, NY, USA, 2011

Steve McCurry, Monks Praying at Golden Rock, Kyaikto, 1994

Steve McCurry, Flower Seller, Dal Lake, Kashmir, 1996

Steve McCurry, Fisherman at Weligama, South coast, Sri Lanka, 1995

Steve McCurry, Dust Storm, Rajasthan, Índia, 1983

INSTITUTO TOMIE OHTAKE

APRESENTA

Steve McCurry – alma revelada

Abertura: 10 de novembro de 2011, às 20h - 29 de janeiro de 2012

A mostra realizada em parceria com a Galeria Babel traz cerca de 100 imagens que passam pelos muitos lugares e muitas cores vivas presentes no trabalho do fotógrafo americano, trazendo também as guerras, o atentado de 11 de setembro e seu último rolo Kodachrome.

Reconhecido universalmente como um dos maiores criadores de imagens da atualidade, o autor da famosa foto da menina Afegã e membro da Magnum Photos desde 1986 conquistou vários entre os mais importantes prêmios da fotografia. McCurry, de acordo com a tradição mais refinada dos documentaristas, captura a essência das lutas e das alegrias humanas.

A exposição reúne alguns dos mais marcantes e reconhecidos grupos de imagens de países como a Índia, Paquistão e Nigéria. Há décadas McCurry percorre lugares incomuns, trazendo consigo imagens cuja solidez narrativa alimenta fantasias, mistérios e deslumbramentos acerca do desconhecido – o “outro” que conhecemos através de jornais, filmes e revistas. Estão nesses grupos de imagens retratos como a da garota afegã refugiada que encara a lente da câmera com um olhar que se tornou célebre em todo o mundo, ao lado de cenas de festividades e rituais indianos que parecem saídos dos sonhos dos mais inventivos diretores de arte e cenógrafos. A estas imagens, juntam-se visadas para paisagens naturais tão deslumbrantes quanto surpreendentes, sobretudo algumas registradas no Afeganistão, de onde o senso comum não espera senão imagens de guerra e miséria.

A exposição, contudo, não ignora a produção feita por McCurry ao pensar visualmente a marca dos conflitos geopolíticos que marcaram as últimas décadas, e traz um abrangente recorte destas cenas. Nesse conjunto, vemos as cicatrizes da violência diretamente incrustadas nas terras das regiões afetadas, contextualizadas pelo mesmo território impressionante cultural e geograficamente que se revela na primeira parte da exposição.

O destaque, então, se dá pela inclusão de seis fotografias feitas em 11 de Setembro de 2001, em Nova York. A diferença entre a destruição das torres gêmeas e os inúmeros conflitos registrados, por exemplo, no Kuwait, é que o ataque em solo americano foi transmitido em tempo real para todo o planeta. Por isso, independentemente de afinidades ideológicas, entende-se essa tragédia de outra maneira: conhece-se o seu tempo e o choque que provocou. A destruição nos escombros do World Trade Center, da forma como foi registrada por McCurry, ressignifica todas as demais imagens de guerra presentes na exposição.

Por fim, um grupo de imagens reunido por sua qualidade processual nos aproxima de McCurry enquanto profissional. Trata-se das fotos tomadas com o último rolo Kodachrome – película famosa entre os fotógrafos por sua qualidade cromática e que deixou de ser fabricada pelo avanço das tecnologias digitais – que passou pela mão de McCurry. Ciente da escassez que tornava o rolo de filme de alguma maneira especial, o fotógrafo teve que repensar o ritmo e a densidade do ato fotográfico. A série traz, no mesmo rolo, imagens de Robert de Niro, atores da Bollywood indiana, cenas urbanas e, até, os pés descalços do fotógrafo diante da televisão em um quarto de hotel.

Exposição: Steve McCurry – alma revelada

Abertura: 10 de novembro de 2011, às 20h (convidados)

Até 29 de janeiro de 2012, de terça a domingo, das 11h às 20h – entrada franca

Instituto Tomie Ohtake

Av. Faria Lima, 201 (Entrada pela Rua Coropés) - Pinheiros SP Fone: 11.2245-1900

Informações à Imprensa

Marcy Junqueira – Pool de Comunicação

Contato: Martim Pelisson / Fone: 11.3032-1599

marcy@pooldecomunicacao.com.br / martim@pooldecomunicacao.com.br

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Preciso aprender a ser só

Duas grandes canções de dois gênios da música mundial, feitas num intervalo de 8 anos, a de Marcos Valle é de 1965 e a do Gilberto Gil de 1973, possuem uma delicadeza que quase chega a ser empolgante.

Com o mesmo título nos conta como lidar com a solidão, um recomeçando e o outro ainda ferido tentando achar um rumo, um consolo.

A última estrofe da música do Gil é uma homenagem à canção do Marcos Valle.

Pena que hoje em dia somente algumas rádios ainda preservem em sua programação estes clássicos, que se comparados com estas porcarias que hoje são jogadas na atmosfera e que só contribuem com o aumento da poluição ambiental, assumem a condição de eternos.

Nada como num momento de introspecção escutar estas canções, nos acalmam e fazem nosso dia melhorar.







Preciso aprender a só ser - Marcos Valle




Preciso aprender a ser só - Gilberto Gil


Eu Preciso Aprender A Ser Só

Marcos Valle

Ah, se eu te pudesse fazer entender
Sem teu amor eu não posso viver
E sem nós dois o que resta sou eu
Eu assim tão só
E eu preciso aprender a ser só
Poder dormir sem sentir teu calor
E ver que foi só um sonho e passou
Ah, o amor
Quando é demais ao findar leva a paz
Me entreguei sem pensar
Que a saudade existe e se vem
É tão triste, vê
Meus olhos choram a falta dos teus
Esses olhos que foram tão meus
Por Deus entenda que assim eu não vivo
Eu morro pensando no nosso amor
Por Deus entenda que assim eu não vivo
Eu morro pensando no nosso amor
Ah o amor
Quando é demais ao findar leva a paz
Me entreguei sem pensar
Que a saudade existe e se vem
É tão triste, vê
Meus olhos choram a falta dos teus
Esses olhos que foram tão meus
Por Deus entenda que assim eu não vivo
Eu morro pensando no nosso amor



Preciso Aprender a Só Ser

Gilberto Gil

Sabe, gente.
É tanta coisa pra gente saber.
O que cantar, como andar, onde ir.
O que dizer, o que calar, a quem querer.
Sabe, gente.
É tanta coisa que eu fico sem jeito.
Sou eu sozinho e esse nó no peito.
Já desfeito em lágrimas que eu luto pra esconder.
Sabe, gente.
Eu sei que no fundo o problema é só da gente.
E só do coração dizer não, quando a mente.
Tenta nos levar pra casa do sofrer.
E quando escutar um samba-canção.
Assim como: "Eu preciso aprender a ser só".
Reagir e ouvir o coração responder:
"Eu preciso aprender a só ser."


sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Cachimbo da Paz - Uma Fábula Urbana



Maresia - Gabriel, o pensador & Lulu Santos



Essa música já tem quase 20 anos, e é umas das mais geniais obras de protesto já escritas na MPB.

Sim protesto, um grito inconformado contra toda a situação de corrupção, violência e hipocrisia que grassa nas entranhas de nossa sociedade. Imagino que muitas pessoas pensarão que as canções de protestos só são validas quando expõem as injustiças sociais, as desigualdades; não é a minha opinião.

Gabriel sempre foi um artista preocupado com a realidade à sua volta; sua mãe, a jornalista Belisa Ribeiro, então assessora de Fernando - O Belo, segundo Jorge Ben, o nosso messiânico presidente Fernando Afonso Collor De Mello, sofreu pesado constrangimento quando ele gravou Tô feliz (Matei o Presidente). Engraçado, esse é um período que ela deve se envergonhar, pois em seu site, essa informação se não é omitida, não é devidamente informada em sua biografia.

Infelizmente essa é a trilha sonora de nossa realidade, a crua e nua, que devemos ter como objetivo extirpá-la, devendo essa ser somente um registro de como foi nosso país um dia.




A criminalidade toma conta da cidade
A sociedade põe a culpa nas autoridades
O cacique oficial viajou pro Pantanal
Porque aqui a violência tá demais
E lá encontrou um velho
índio que usava um fio dental e fumava um cachimbo da paz
O presidente deu um tapa no cachimbo e na hora de voltar pra capital ficou com preguiça
Trocou seu pallitó pelo fio dental e nomeou o velho índio pra ministro da justiça
E o novo ministro, chegando na cidade, achou aquela tribo violenta demais
Viu que todo cara-pálida vivia atrás das grades e chamou a tv e os jornais
E disse: "Índio chegou trazendo novidade
Índio trouxe cachimbo da paz
Maresia, Sente a maresia Maresia ...
Apaga a fumaça do revólver, da pistola
Manda a fumaça do cachimbo pra cachola
Acende, puxa, prende passa
Índio quer cachimbo, índio quer fazer fumaça
Todo mundo experimenta o cachimbo da floresta
Dizem que é do bom
Dizem que não presta
Querem proibir, querem liberar
E a polêmica chegou até o congresso.
Tudo isso deve ser pra evitar a concorrência
Porque não é Hollywood mas é o sucesso
O cachimbo da paz deixou o povo mais tranquilo
Mas o fumo acabou porque só tinha oitenta quilos
E o povo aplaudiu quando o índio partiu pra selva e prometeu voltar com uma tonelada
Só que quando ele voltou "Sujou"!!!
A polícia federal preparou uma cilada -
"O cachimbo da paz foi proibido
Entra na caçamba, vagabundo!
Vâmo pra DP! Ê, ê, ê, ê! Índio tá fudido porque lá o pau vai comer!"
Maresia, Sente a maresia Maresia ...
Apaga a fumaça do revólver, da pistola
Manda a fumaça do cachimbo pra cachola
Acende, puxa, prende passa
Índio quer cachimbo, índio quer fazer fumaça
Na delegacia só tinha viciado e delinquente
Cada um com um vício e um caso diferente
Um cachaceiro esfaqueou o dono do bar porque ele não vendia pinga fiado
E um senhor bebeu uísque demais, acordou com um travesti e assassinou o coitado
Um viciado no jogo apostou a mulher, perdeu a aposta e ela foi sequestrada
Era tanta ocorrência, tanta violência, que o índio não tava entendendo nada
Ele viu que o delegado fumava um charuto fedorento e acendeu um "da paz" pra relaxar
Mas quando foi dar um tapinha levou um tapão violento e um chute naquele lugar
Foi mandado pro presídio e no caminho assistiu um acidente provocado por excesso de cerveja:
Uma jovem que bebeu demais atropelou o padre e os noivos na porta da igreja
E pro índio nada mais faz sentido
Com tantas drogas proque só o seu cachimbo é proibido?
Maresia, Sente a maresia Maresia ...
Apaga a fumaça do revólver, da pistola
Manda a fumaça do cachimbo pra cachola
Acende, puxa, prende passa
Índio quer cachimbo, índio quer fazer fumaça
Na penitenciária o
"índio fora da lei" conheceu os criminosos de verdade
Entrando, saíndo e voltando cada vez mais perigosos pra sociedade
Aí cumpádi, tá rolando um sorteio na prisão
Pra reduzir a superlotação todo mês alguns presos tem que ser executados
E o índio dessa vez foi um dos sorteados
E tentou acalmar os outros presos:
"Peraí, vâmo fumar um cachimbinho da paz ..."
Eles começaram a rir e espancaram o velho índio até não poder mais
E antes de morrer ele pensou:
"Essa tribo é atrasada demais ...
Eles querem acabar com a violência, mas a paz é contra a lei e a lei é contra a paz"
E o cachimbo do índio continua proibido
Mas se você quer comprar é mais fácil que pão
Hoje em dia ele é vendido pelos mesmos bandidos que mataram o velho índio na prisão.

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Chaplin e a sua imagem

O maior cineasta de todos os tempos? Foi um mestre no cinema mudo e passou incólume pela transformação do cinema falado. Fez filmes eternos que nunca serão esquecidos, numa época que só havia a película cinematográfica; sem auxílio de computadores, as cenas eram todas filmadas na "raça", com todos os possíveis riscos aos atores.

Foi também o criador do cinema independente, quando fundou com seus colegas a United Artists, onde tomou as rédeas de seu processo criativo.

Sua longeva carreira teve a tentativa de mácula pela meritocracia americana que por suas idéias esquerdistas, o obrigou ao exílio. Chaplin preservou seu carisma e história, diferente de outros artistas que foram condenados ao ostracismo, mesmo sendo talentosos e produtivos. Incrível como os "crimes" de consciência ainda persistem nos dias de hoje e sempre.

Chaplin mereceu uma cinebiografia, um grande filme que foi o ápice da carreira de Robert Downey Jr., em que podemos ter uma grande visão sua vida, carreira e intimidade.

Em mais uma magnífica instalação o Instituto Tomie Ohtake nos brinda com momentos de sonho e magia, com imagens e cenas de sua carreira, fazendo com que tenhamos vontade de rever ou conhecer suas obras que são imortais.

Além de um grande contador de histórias, era também um grande compositor, com músicas eternas que até hoje são clássicos, estando no nosso imaginário, mesmo dos mais jovens, que não tem ideia de que Smille e Luzes da Ribalta, entre outras, são de sua autoria.

Pelo ecletismo e excelência das mostras, o Instituto Tomie Ohtake virá a ser, se já não o é, um dos mais importantes centros culturais e de cidadania do país. Que continue assim.

Diferente de outras matérias, este post vai com duas de suas músicas .


Abaixo das imagens, o "press-release" fornecidos pela assessoria de imprensa do evento.





Smile - Nat King Cole




Luzes da Ribalta








Chaplin e a sua imagem

Abertura: 19 de outubro, às 20h – até 27 de novembro de 2011

Chega ao Brasil pelo Instituto Tomie Ohtake a primeira grande exposição concebida a partir dos arquivos da família Chaplin que conta a história de Charles Chaplin - ator e figura pública – confrontando o homem e a sua imagem, ao mostrar como foi criado o mito. Com curadoria de Sam Stourdzé e organizada com o apoio da Chaplin Association, juntamente com a Cineteca del Comune di Bologna – projetto Chaplin, e MK2, a mostra Chaplin e a sua imagem já foi exibida em alguns países europeus, nos Estados Unidos e no México.

A exposição


· uma profusão de filmes e material de documentário


O arquivo fotográfico dos Estúdios Chaplin

A exposição apresenta mais de 200 fotografias, que compreendem stills da produção e fotografias de estúdio - de forma muito original. As fotografias são cercadas e acompanhadas de uma série de pequenas gravuras modernas que se desdobram como sequências cinematográficas. Os múltiplos níveis de interpretação daí resultantes sugerem montagens que acabam por contextualizar as diversas facetas de Charles Chaplin.


O Álbum de Keystone

Em exposição inédita ao público, o Álbum de Keystone, em homenagem ao primeiro estúdio em que Chaplin trabalhou, é um objeto único e original. Cada uma das chapas é composta de fotogramas acompanhados por textos manuscritos que remetem às histórias dos primeiros 35 curtas em que Chaplin atuou, em 1914. Testemunha-se com este material o desenvolvimento gradual do personagem Carlitos, de um Chaplin que contava 25 anos incompletos.


Trechos dos filmes

No intuito de estabelecer um diálogo real entre imagem fixa e em movimento, quinze telas e oito projeções apresentam itens selecionados da obra de Chaplin como trechos ou montagens que se contrapõem às fotografias. Entre eles:

- Um “making of” em cores filmado no final da década de 1930 pelo irmão de Chaplin, Sydney, durante as filmagens de O Grande Ditador.

- Uma tomada com mais de oito minutos de duração de Luzes da Cidade, em que Charles, somente com um pequeno pedaço de madeira, dá uma demonstração maravilhosa de quantos elementos cômicos podem ser extraídos de uma situação simples.

- O filme How To Make Movies, de 1918 e jamais exibido na época, que mostra um pouco dos bastidores dos Estúdios de Chaplin.

- Filmes caseiros em cores, produzidos em 8 mm, onde se vê um Chaplin já grisalho, cercado por seus filhos e reencenando as peripécias que o tornaram famoso.


Obras de artistas

O Vagabundo tornou-se um ícone para os movimentos artísticos que eclodiram nos anos 10 e 20 para abalar as estruturas da antiga cidadela das artes. Incorporando as principais preocupações dos movimentos vanguardistas, Chaplin nutria verdadeira fascinação por artistas como Fernand Léger. A exposição mostra como Fernand Léger apropriou-se da imagem de Carlitos.


Cartazes de coleção

O cartaz é um meio de comunicação cujo impacto depende da clareza e do efeito imediato produzido por sua mensagem. Na mostra, cartazes originais retratam a evolução da imagem de Carlitos desde o nascimento até a morte do personagem.

· Quatro principais temas se destacam a partir dos filmes e outros materiais que compõem a exposição:


A criação de Carlitos

As fotografias e trechos de filmes nos permitem reconstruir a formação gradativa e consolidação do personagem Carlitos. Carlitos não foi sempre o vagabundo triste, solitário e extremamente humano, tão profundamente enraizado na memória coletiva. Pelo contrário, o Carlitos pela primeira vez exibido na tela, em 1914, revelava uma figura trapaceira, estúpida e antipática, com grande inclinação pela mulher do vizinho, que aplicava golpes em seus próprios comparsas, truques sujos em geral, além de pontapés dissimulados, sempre e onde quer que pudesse fazê-lo. O personagem não seria diferente até a produção do longa The Kid (O Garoto, 1921).


Chaplin como cineasta

De volta a uma locação, retomando a construção de uma cena, desnudando a mecânica de uma peripécia ou a coreografia de um movimento: são esses os detalhes que nos permitem vislumbrar a preocupação de Chaplin em fazer as coisas do jeito certo. Chaplin foi universalmente aclamado como um ator, mas por trás da figura central de Carlitos, se encontra a de um grande cineasta.


Da fama ao exílio

No auge da glória, Chaplin optou pelo engajamento, e da década de 1930 em diante, seus filmes foram notadamente marcados por elementos de crítica social. Seria este o marco de seu lento processo de divórcio com relação ao público. Em 1952, no navio que o levava para a Inglaterra, Chaplin foi informado de que seu visto americano não seria renovado. Ele passaria então a viver na Suíça com Oona, sua última esposa, e seus oito filhos.


Fala Chaplin, morre Carlitos

Chaplin adiou a data fatídica o máximo que pôde. Em Luzes da Cidade (1931), seguiu alegremente protagonizando um personagem cujo mundo era mudo. Ao final de Tempos Modernos (1936), se vê Carlitos, agora pronto para fazer-se ouvir, lançar-se em uma canção cuja letra havia esquecido: o público descobre sua voz sem entender uma única palavra. Finalmente, decidindo, em 1940, encarar abertamente um assunto sério, permite que Carlitos fale, no que seria o último papel do personagem. E o discurso tanto tempo reprimido é entregue a toda a humanidade, na forma de uma mensagem de paz e esperança.


Charles Chaplin – breve histórico

Charles Chaplin nasceu em Londres, a 16 de abril de 1889. Morreu em Vevey, na Suíça, em 25 de Dezembro de 1977. Aos vinte anos, partiu com o grupo teatral de Fred Karno para os Estados Unidos, onde chamou a atenção de Mack Sennett, diretor da Keystone Studios. Seu primeiro curta, Making a Living, data de 1914 e foi no segundo, Kid Auto Races in Venice, que Carlitos, o Vagabundo fez sua primeira aparição. Entre 1914 e 1923, Chaplin fez mais de 70 curtas-metragens. Depois de concluir The Gold Rush (A Corrida do Ouro), em 1925 - neste ano, o filme completa seu 80º aniversário - Chaplin começou a diminuir sua produção e a se concentrar em filmes de longa-metragem. Entre 1925 e 1967, fez oito filmes, entre eles The Circus (O Circo, 1928), City Lights (Luzes da Cidade, 1931), Modern Times (Tempos Modernos, 1936), The Great Dictator (O Grande Ditador, 1940) e Limelight (Luzes da Ribalta, 1952). A princípio um ator, Chaplin transformou-se em uma “banda de um homem só”, passando a dirigir e produzir seus filmes, além de compor a trilha sonora para eles.


Exposição: Chaplin e a sua imagem

Abertura convidados: 19 de outubro, às 20h

Até 27 de novembro de 2011, de terça a domingo, das 11h às 20h – entrada franca

Instituto Tomie Ohtake

Av. Faria Lima, 201 (Entrada pela Rua Coropés) - Pinheiros SP Fone: 11.2245-1900

Informações à Imprensa

Marcy Junqueira – Pool de Comunicação

Contato: Martim Pelisson / Fone: 11.3032-1599

marcy@pooldecomunicacao.com.br / martim@pooldecomunicacao.com.br

domingo, 16 de outubro de 2011

Meia noite em Paris



"Let´s do it" de Cole Porter, com Ella Fitzgerald.


Com um certo atraso, finalmente consegui assistir a esse filme, que de tão falado e elogiado, já tinha até me criado um certa expectativa.

Partindo da ideia "prá" lá de manjada, já um clichê, do retorno no tempo, Woody Allen criou um roteiro ao mesmo tempo instigante, encantador e também empolgante, coisa meio difícil em suas obras anteriores.

Com uma cenografia espetacular, tanto nas cenas externas, quanto na recriação dos ambientes dos anos 20, é uma aula de cinema, de como contar uma história.

Com um time de atores corretos, com a exceção da maravilhosa Marion Coutillard, que é disparado a melhor figura do filme, conseguem conduzir a trama dentro de um fator de quase excelência.

Descobri também que os melhores filmes de Woody Allen são aqueles em que ele é somente o diretor, vide o magnífico Vick Cristina Barcelona, pois ele acabou por se tornar caricatura de si mesmo, sempre com os mesmos gestos e cacoetes, interpretando repetidas vezes o mesmo personagem, contando uma trama diferente. Penso ele tentou fazer com Owen Wilson, que tem um interpretação cheia de gagueiras e hesitações, quase que uma cópia de si mesmo como ator.

Um grande filme com uma trilha sonora melhor ainda, para acompanhar o comentário - "Let´s do it" de Cole Porter, com Ella Fitzgerald.








quarta-feira, 5 de outubro de 2011

facebook e o mal entendido

Sempre fico maravilhado com o poder de rastilho da internet, mas agora com o advento do Facebook isto se tornou uma progressão geométrica, muito poderosa, tanto para o bem quanto para o mal.

Cansei de ver "correntes" dizendo para termos cuidados com pedófilos, atentarmos para pessoas perdidas, pirâmides, conspirações, até do fb, e campanhas pontuais que não seriam nada mais do que lendas urbanas.

Pois bem, nesta semana da criança, criou-se e imagino que não foi geração espontânea, um movimento para que cada um dos associados trocassem suas fotos de perfil por um dos seus heróis de infância, sejam dos cartuns ou dos quadrinhos.

Claro que não fiz isso, mas citei que se fosse escolher algum "herói", seriam os personagens do Henfil, do Jaguar ou do Millor, e até publiquei duas charges no meu mural do fb, que com certa vergonha confesso que tenho.

E não é que houve uma reação dizendo que a semana da criança deveria ter um caráter mais pueril, declarando que aquilo seria uma forma de protesto?

Só se fosse o protesto, ou declaração de ter vivido numa época em que haviam heróis verdadeiros, que com seu humor conseguiam transmitir a necessária indignação que formou a consciência que ajudou a mudar o Brasil.

Tenho uma história com meu pai, sempre em minhas lembranças, de que quando estávamos em algum lugar de São Paulo, ele foi abordado por dois representantes da TFP que queriam lhe oferecer um exemplar de algum manifesto; pois bem, qual foi sua reação?

Perguntou ao jovem:- " Tem o Pasquim?" - E a resposta indignada do cruzado foi:- " Não somos porcos, lidamos com coisas sérias!". Essa sim foi a grande demonstração de reação ao fanatismo, nos mostrando que havia muito mais do que a devoção religiosa, política ou educacional; havia um mundo pleno de beleza, boas intenções, com uma estética diferente daquelas que os cânones queriam nos impor.

Era grande a ansiedade da espera, às sextas feiras, quando Seu Sérgio vinha com o nosso exemplar do Pasquim, que só era vendido nas bancas; as charges dos mestres, além de divertidas, abriram toda a realidade do país de então.


Para completar o comentário, ou desabafo, uma música que seria manjada se fosse com Elis, sigam com Beth Carvalho.



O bêbado e o equilibrista - Beth Carvalho






segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Mil perdões - Chico Buarque

Já tinha guardado um comentário para essa música, quando hoje vi no blog "Passeando Pelo Cotidiano", um post contando sua história.

É um caso bem interessante que trata das relações entre dois dos maiores intelectuais brasileiros, Chico Buarque e Nelson Rodrigues.

Mas o que guardei foi a minha impressão em relação a essa obra prima do Chico, que é, na minha opinião, o tratado definitivo de como estragar uma relação afetiva, expondo de uma maneira gentil, mas ao mesmo tempo cruel as inseguranças, os medos, a falta de confiança e a tênue fronteira entre o amor e o sentimento de posse.

Só mesmo um gênio poderia, partindo de uma encomenda, usar o idioma desta maneira, jogando uma luz nos sentimentos de pessoas imaturas que não sabem viver a plena felicidade.








Mil Perdões

Chico Buarque

Te perdôo
Por fazeres mil perguntas
Que em vidas que andam juntas
Ninguém faz
Te perdôo
Por pedires perdão
Por me amares demais
Te perdôo
Te perdôo por ligares
Pra todos os lugares
De onde eu vim
Te perdôo
Por ergueres a mão
Por bateres em mim
Te perdôo
Quando anseio pelo instante de sair
E rodar exuberante
E me perder de ti
Te perdôo
Por quereres me ver
Aprendendo a mentir (te mentir, te mentir)
Te perdôo
Por contares minhas horas
Nas minhas demoras por aí
Te perdôo
Te perdôo porque choras
Quando eu choro de rir
Te perdôo
Por te trair

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

NELSON LEIRNER 2011-1961=50 ANOS

Retrospectiva da obra de Nelson Leirner, com trabalhos de diversas fases do artista, em diferentes estilos, linguagens e suportes.

Há nesta mostra obras geniais e deslumbrantes, mas há também obras menores, rasteiras, que parecem terem sido feitas às pressas.

O grande risco de uma exposição desta magnitude é apresentar fases menos inspiradas, ou menos valiosas de cada autor, causando uma certa decepção aos visitantes.

Minha relação com as instalações ainda é difícil, não consigo entendê-las e acho que não são nada mais do que cenários, como já disse Mauro Andriole em um comentário no meu post Aguilar no CCBB; ainda valendo a minha opinião expressada neste.



Birdland - Quincy Jones


Abaixo da imagens, o "press-release", fornecidos pela assessoria de imprensa da FIESP.






SESI-SP APRESENTA EXPOSIÇÃO
NELSON LEIRNER 2011-1961=50 ANOS

Mostra reúne mais de 40 obras que atravessaram cinco décadas. Público poderá conhecer os trabalhos gratuitamente, a partir de 6 de setembro.


São Paulo, 30/8/2011 - Entre 6 de setembro e 6 de novembro de 2011, Nelson Leirner volta a São Paulo para repassar, na Galeria de Arte do SESI-SP, sua brilhante e controvertida trajetória. A mostra Nelson Leirner 2011-1961=50 anos apresentará, gratuitamente, a retrospectiva dos anos em que o artista reinou absoluto no meio da arte. Uma série que reúne as obras que o colocaram em posição de destaque na história da nossa arte. A mostra inclui, ainda, monumental e inédita instalação “Um, nenhum e cem mil”, realizada ao longo dos últimos 15 anos.
Sua obra é considerada uma das mais provocativas na história da arte brasileira, com trabalhos iconoclastas, fundamentados no persistente desmantelamento da noção de arte, na crítica de seus processos e valores e, acima de tudo, na compreensão do seu caráter grandioso.
A exposição tem curadoria de Agnaldo Farias e abarca três momentos decisivos da trajetória de Leirner: os primeiros anos, quando o artista mesmo fazendo uso de suportes convencionais – pintura, pintura/objeto e desenho – alcança resultados; a segunda fase, de meados de 1965 até 1994, quando alcança a maturidade sob a forma de obra polimórfica (troca a noção de criação pela de apropriação, realiza happenings, performances, intervenções em espaço público até trabalhos pautados na paródia do circuito artístico, passando por ensino da arte e a compreensão do espaço pedagógico como extensão de seu trabalho artístico; e a terceira fase, inaugurada com a mostra retrospectiva de 1994, sua primeira exposição do gênero, quando utiliza objetos industriais, materializadores do repertório infinito proporcionado pelas empresas comprometidas com o imaginário social, de crianças aos adultos, cuja devoção encontra um poderoso apoio em imagens e estatuetas.
Essa fase, em que o artista enxerga seu trabalho como um verdadeiro hobby, coroa-se com a realização da grande instalação “Um, nenhum e cem mil”, composta por objetos e trabalhos portáteis de toda sorte, a exemplo de colagens e intervenções gráficas realizadas sobre cartões postais, livros, revistas e tudo o mais que cai nas mãos do artista e o faz se sentir estimulado a acrescentar algo.


Saiba mais sobre o artista



Nelson Leirner é filho da escultora Felícia Leirner e do empresário Isaí Leirner. Desde a infância, a arte moderna está muito presente em sua vida. Seus pais conviveram com boa parte da vanguarda brasileira e ajudaram a fundar o Museu de Arte Moderna de São Paulo - MAM/SP e a Galeria de Arte da Folha, além de instituírem o Prêmio Leirner de Arte Contemporânea.
Tornou-se artista apenas na década de 50, estimulado por trabalhos de Paul Klee. Em 1956, passou a ter aulas de pintura com Joan Ponç. Dois anos depois, frequentou o Atelier-Abstração, de Flexor, mas não se entusiasmou com os cursos. Suas telas se aproximam da abstração informal de pintores como Alberto Burri e Antoni Tàpies. Entre 1961 e 1964, continuou com a pesquisa de materiais, mas seguiu em outra direção. Interessado nas poéticas dadaístas, produziu seus quadros com objetos recolhidos na rua, criando a série Apropriações.
Em 1964, o artista abandonou a pintura e passou a trabalhar com elementos prontos, fabricados industrialmente. A partir de então passou a recolher objetos de uso e deslocou seu sentido, como em Que Horas São D. Candida (1964). Seus trabalhos estão entre a escultura e o objeto. Dois anos mais tarde, a participação do espectador é incorporada em obras como Você Faz Parte I e II (1966). Ainda em 1966, fundou o Grupo Rex, com Wesley Duke Lee, Geraldo de Barros, Frederico Nasser, José Resende e Carlos Fajardo. O coletivo promove happenings e publica o jornal Rex Time. O grupo se volta a problemas como as relações da arte com o mercado, as instituições e o público.

Em 1967, montou a exposição Da Produção em Massa de uma Pintura, mostrando a série Homenagem a Fontana, uma das primeiras séries de múltiplos do país. As "pinturas" são produzidas industrialmente. Feitas de zíperes e tecidos, objetos que tradicionalmente não têm propriedades artísticas. No mesmo ano, enviou seu Porco Empalhado (1966) para o 4º Salão de Arte Moderna de Brasília. O júri aceita o trabalho. Leirner questionou o resultado e solicitou manifestação explicita dos critérios de admissão da mostra, criando polêmica com críticos como Mário Pedrosa e Frederico Morais. A partir da década de 1970, o teor questionador do trabalho migrou da ação direta para um sentido alegórico, que muitas vezes envolve o erotismo. Nessa época, Leirner se dedicou a outras linguagens, como o design, os múltiplos e o cinema experimental.

A presença de elementos da cultura popular brasileira, marcante desde os anos 1960, cresceu a partir da década de 1980. Em 1985, realizou a instalação O Grande Combate, em que utiliza imagens de santos, divindades afro-brasileiras, bonecos infantis e réplicas de animais. Desde o ano 2000, seu trabalho se apropria de imagens artísticas banalizadas pela sociedade de consumo. De maneira bem-humorada, lida com as reproduções da Gioconda (Mona Lisa), 1503/1506 de Leonardo da Vinci, e a Fonte, 1917 de Marcel Duchamp, como tema artístico. Com a mesma ironia, o artista replica em couro de boi imagens da tradição concreta brasileira, na série Construtivismo Rural.


SERVIÇO:
Exposição Nelson Leirner 2011-1961=50 anos
Vernissage: dia 5 de setembro de 2011, às 19h – fechada para convidados
Local: Galeria de Arte do SESI-SP - Av. Paulista, 1313 – metrô Trianon-Masp
Datas e horários: 6 de setembro a 6 de novembro de 2011 - segunda-feira, das 11h às 20h; terça a sábado, das 10 às 20 horas; domingo, das 10 às 19 horas.
Informações: (11) 3146-7405 / 3146-7406 / www.sesisp.org.br/centrocultural
Entrada: franca
Recomendação etária: Livre
Agendamento de grupos: (11) 3146-7396 – de segunda a sexta-feira, das 10h às 13h e das 14h às 17h.

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Jornalistas responsáveis: Rosângela Gallardo, Rodrigo Marinheiro, Maysa Penna e Danusa Etcheverria
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terça-feira, 27 de setembro de 2011

SuperHeavy - Miracle Worker

Acabei de ver este vídeo, um clipe promocional do álbum do grupo SuperHeavy, composto por pesos super-pesados da música mundial, Mick Jagger, Joss Stone e Damian Marley (um dos inúmeros filhos de Bob).

Nas resenhas de lançamento descobrimos que a inusitada reunião destes talentos nasceu de um desejo de Mick Jagger se reinventar, experimentar outras vertentes sonoras que não a do Rock'n Roll, afinal ele sempre foi extremamente versátil e com o perdão do trocadilho, pedra que muito rola não cria musgo.

Conheço pouco de Joss Stone, mas com essa voz e principalmente a aparência, terá uma carreira longeva, já que também escolhe muito bem seu repertório.

Agora Sir Mick dispensa maiores comentários é um "enterteiner " cuja voz e molejo são os mesmos de há 40 anos, sem estarem presos aos dogmas do passado.

Boa diversão.