Visualização de vídeos

Os vídeos e músicas postados neste espaço podem não ser visualizados em versões mais recentes do Internet Explorer, sugiro a utilização do Google Crome, mais leve e rápido, podendo ser baixado aqui.

segunda-feira, 19 de maio de 2014

ARTEFUTEBOLARTE

Uma exposição menor, onde o curador procura traçar um paralelo entre as várias fases das artes plásticas brasileiras com o futebol e os ídolos de cada época.

Com reproduções fotográficas, quase todas com uma qualidade de ampliação discutível de obras e retratos de várias épocas, apresenta um breve resumo sobre que ocorria em cada década sobre os dois assuntos, tornando assim uma agradável experiência as comparações.

Há uma sala, que imita uma arquibancada de um estádio, com vídeos instalações que apresentam várias jogadas em montagens onde elas ocorrem às vezes sem a bola, às vezes sem os jogadores.

Esse é um tema recorrente de exposições, a cada quatro anos sempre se repetem, como quando visitei no CCBB a mostra Craques do Cartum na Copa, ondes os grandes cartunistas brasileiros fizeram um evento para marcar o campeonato de 2010.

Agora, o que podemos notar é que nosso povo neste últimos anos mudou sua postura referente a esse assunto, tornando-se mais crítico e consciente. Se indignando com os desmandos, as falcatruas e as prioridades do governo no uso de verbas do orçamento.Também há quatro anos escrevi um comentário, A pátria de chuteiras, em que observava a reação da população brasileira frente às grandes questões nacionais. Hoje vejo que fomos tão aviltados que nossa paciência atingiu o limite e bradamos hoje por um país mais digno.

Um passeio agradável para quem gosta do esporte e de artes.



 O Futebol - Francisco Faria e Luiz Cláudio Ramos
( Chico Buarque de Holanda )

Abaixo das imagens, o "press-release", fornecidos pela assessoria de imprensa do Instituto Tomie Ohtake.






INSTITUTO TOMIE OHTAKE

APRESENTA

ARTEFUTEBOLARTE

Abertura: 15 de maio, às 20h (convidados) – até 25 de junho de 2014


Uma viagem pela história do futebol é a proposta da exposição ARTEFUTEBOLARTE, que o Instituto Tomie Ohtake apresenta de 16 de maio e 25 de junho, período quase concomitante ao que o Brasil abriga o rito supremo desse esporte, a Copa do Mundo. Com curadoria de Hélio Campos Mello, fotógrafo e diretor editorial da Brasileiros Editora, a mostra exalta o nosso país como o inventor do “Futebol Arte”, a qualidade da produção fotográfica dedicada ao esporte e traça um paralelo, histórico e contemporâneo, com as artes plásticas. 

Com expografia assinada por Martin Corullon, da Metro Arquitetos, Artefutebolarte dividi-se em três núcleos. No primeiro, que ocupa o grande hall do Instituto, criou-se um espaço retangular que remete a arquibancadas de estádio, onde são apresentadas obras dos premiados fotógrafos Jorge Araújo (Folha de S. Paulo), Ricardo Stuckert e Paulo Pinto (Agência Fotos Públicas). A excelência dos trabalhos, que revelam momentos em campo de jogadores como Neymar, Ronaldo e Ronaldinho, deixa claro que além de craques da bola, o Brasil também é celeiro de grandes fotógrafos.

O segundo núcleo trata da relação entre a arte e o futebol no Brasil. Uma seleção de fotografias - que mostra desde os primórdios do futebol no final do século XIX até os dias de hoje - é intercalada por imagens de obras de arte correspondentes aos períodos ilustrados pelos feitos do esporte. Pinturas de Almeida Junior, Tarsila do Amaral, Alfredo Volpi, Rubens Gerchman, Aguillar, Cildo Meirelles e expoentes do cenário artístico atual são exibidas  ao lado de fotografias de Pelé, Garrincha, Tostão, Zico, Romário, Ronaldo, entre outros, com destaque para os anos de 1958, 62, 70, 94 e 2002.

Para completar a exposição, uma sala recebe obras do artista plástico Lula Wanderley, em uma espécie de reinvenção do futebol. Jogadas antológicas de Maradona, Pelé, Zidane e Romário são retrabalhadas em três vídeos que registram estes ícones em seus momentos sublimes, mas sem a bola - retirada pela arte de Wanderley.

Serviço
ARTEFUTEBOLARTE
Abertura: 15 de maio de 2014 (para convidados).
Visitação do público: de 16 de maio a 25 de junho de 2014.
Entrada franca
Curadoria: Hélio Campos Mello

Instituto Tomie Ohtake
Av. Faria Lima, 201 (Entrada pela Rua Coropés, 88) - Pinheiros SP
Fone: 11.2245-1900
De terça a domingo, das 11h às 20h – entrada franca

Informações à Imprensa
Pool de Comunicação – Marcy Junqueira / Martim Pelisson
Fone: 11.3032-1599

terça-feira, 13 de maio de 2014

Tauromaquia - Goya Picasso Dali

Mais uma magnífica exposição com que o Museu da FAAP nos brinda, com as séries Tauromaquia completas dos três maiores artistas plásticos da Espanha em todos os tempos, nos trás também as ilustrações de Picasso para o livro "Carmen", que conta o romance da personagem com um toureiro e estudos para a confecção de "GUERNICA", talvez sua obra mais importante junto com Les Demoiselles d'Avignon.

Se eu ainda tivesse alguma restrição aos trabalhos de Pablo Picasso, essas foram totalmente superadas pois a força e a beleza de todos seus trabalhos aqui apresentados nos mostram a genialidade de um artista que com quatro ou cinco traços consegue criar expressões faciais plenas de emoção, vide as ilustrações de "Carmen".

A série de Goya já tinha sido apresentada aqui em São Paulo completa aqui em 2007 na mostra Tauromaquia no Masp, de outro acervo, junto com a série "Os Horrores da Guerra", esta sim de um forte impacto.

As obras de Dali, em menor número e nem por isso menos importante, também vem carregadas de movimento e emoção, com o uso da cor vermelha para realçar as cenas.

Um evento imperdível para quem gosta da boa arte ou quer conhecer ou rever esses mestres.



Danza Ritual del Fuego - Pacco de Lucia

Abaixo das imagens, o "press-release", fornecidos pela assessoria de imprensa do evento, menos as duas primeiras, colhidas na internet.










MOSTRA TRAZ OBRAS DE PICASSO, DALÍ E GOYA
EM TORNO DAS TOURADAS

Produtora Mega Cultural leva ao MAB-FAAP a exposição Tauromaquia de 11 de maio a 22 de junho de 2014. A entrada é grátis
O espetáculo das touradas desde sempre inspirou artistas do mundo todo. Por conta deles, o touro ganha lugar especial e significado em muitas das obras de alguns grandes mestres e incontáveis artistas usaram a tauromaquia (combate com touros) como um instrumento para representar simbolicamente a luta contra o poder opressor. Costurando uma seleção sobre a estreita relação da produção artística de Picasso, Dalí e Goya as curadoras Monika Burian Jourdan e Serena Baccaglini trazem, pela primeira vez, a exposição Tauromaquia, que será montada no Museu de Arte Brasileira da Fundação Armando Alvares Penteado (MAB-FAAP), de 11 de maio a 22 de junho de 2014.
A mostra reúne diversas obras e séries que totalizam 300 imagens, entre desenhos originais e gravuras das mais importantes personalidades da arte. Francisco Goya, Pablo Picasso e Salvador Dalí evidenciaram o fascínio pelo universo da corrida de touros e desenvolveram trabalho consistente e relevante em torno do tema, tão intrinsecamente ligado à cultura Ibérica. Muitas das obras trazidas ao Brasil para esta mostra foram raramente vistas antes. Dentre elas está o estudo de Picasso para Guernica, nas mesmas dimensões do painel original.
“Na maioria das civilizações o touro, tema central da exposição, é um símbolo místico que significa força, coragem e fertilidade. Esta força animal que os touros mostram é retratada de forma fascinante nas obras destes artistas”, explica Monika. “Para os artistas a tourada não representa apenas um espetáculo. Para Goya, por exemplo, Tauromaquia foi inicialmente uma ferramenta para expressar sua dissidência política. A exposição apresentará a série completa de gravuras Tauromaquia de Goya, uma das suas séries mais famosas".
Pablo Picasso foi influenciado por Goya. Baseou-se no uso do conhecimento do chiaroscuro de Goya na produção de sua própria obra, utilizando-a como instrumento de protesto contra a ditadura do General Franco. Picasso e Goya utilizaram este tema para manifestar profundo sofrimento e resistência à opressão.
Salvador Dalí teve a ideia de fazer uma releitura da série de desenhos “Los Caprichos”, de Goya, transformando-a em uma obra prima surrealista. Nos anos 1966-67, Dalí transformou a famosa “Tauromaquia Suite” (1957-59) de Picasso numa extensão do diálogo artístico que os dois artistas mantiveram durante anos. Alguns desses trabalhos fazem parte das obras desta exposição. 
Goya, por sua vez, usou a tauromaquia para expressar sua dissidência política contra os nobres, opressores do povo. Suas obras retrataram a tourada como uma arena mística, em que algo está sempre acontecendo. Esta exposição apresentará uma de suas mais famosas séries sobre este tema.
Vista como um confronto entre a liberdade e a força bruta, a tauromaquia pode também ser interpretada neste conjunto de obras como uma metáfora do poder opressor ou da capacidade para autoafirmação e emancipação. Em muitas civilizações o touro, figura central desta mostra, tem o significado de força, bravura e fertilidade.
As obras da exposição pertencem a coleções particulares, à Art Camù – Coleção de Arte (Sardenha – Itália) e à Galeria Fetzer (Alemanha).
Sobre a Mega Cultural
Desde 1997, a Mega Cultural atua na idealização, produção e realização de projetos multiculturais e artísticos, além da captação de recursos. Com foco principal em arte pública, a produtora atua como ponte entre o universo artístico e o público. A empresa fundada por Renata Junqueira também representa um importante canal para a revelação de novos talentos que buscam espaço no universo das artes. Dentre os projetos, ganha destaque a Bienal Internacional Graffiti Fine Arts, iniciada em 2010 e consagrada em 2013 como a exposição mais visitada do ano em São Paulo.
Sobre o MAB-FAAP
O Museu de Arte Brasileira da Fundação Armando Alvares Penteado (MAB-FAAP) possui um acervo próprio com cerca de três mil obras de arte brasileira, como fotos, esculturas, gravuras, pinturas, entre outras, datadas a partir do final do século XIX. Dentre os principais artistas estão Anita Malfatti, Victor Brecheret, Di Cavalcanti, Oswaldo Goeldi, Lasar Segall, Pancetti, Portinari, Alfredo Volpi, Cícero Dias, Tomie Ohtake, Arcângelo Ianelli, Flávio de Carvalho, Lygia Clark e Burle Marx, entre outros. Um painel de vitrais de 230 metros quadrados também integra o acervo de obras do MAB-FAAP.
Criado em 1960, o MAB tem abrigado exposições marcantes, tanto de arte brasileira como de arte internacional, provenientes dos principais museus do mundo. Destacam-se “A Arte do Egito no Tempo dos Faraós” (Museu do Louvre, França), “China. A Arte Imperial, A Arte do Cotidiano, A Arte Contemporânea” (Museu Guimet e coleções particulares da França), “Deuses Gregos” (Coleção Museu Pergamon de Berlim, Alemanha) e “Herança dos Czares” (Museu do Kremlin de Moscou, Rússia). No âmbito da moda, o Museu realizou mostras internacionais de grande repercussão, como a “Papiers à la Mode”, com vestidos confeccionados em papel pela artista belga Isabelle de Borchgrave; “Christian Lacroix - Trajes de Cena”, com figurinos do Centre National du Costume de Scène (CNCS); e “Os Anos Grace Kelly, Princesa de Mônaco”, em parceria com o Grimaldi Forum – Mônaco. 
 O MAB-FAAP já foi contemplado com importantes prêmios do setor. O mais recente foi concedido em 2010 pela Associação Brasileira de Críticos de Arte (ABCA) às exposições ‘Memórias Reveladas’ e ‘Tékhne’.

Exposição Tauromaquia
Vernissage: 10/5/2014, às 17h – imprensa e convidados
Período de visitação: de 11/5 a 22/6/2014
Horário: De terça a sexta-feira, das 10h às 21h
Aos sábados, domingos e feriados, das 13h às 18h
(Fechado às segundas-feiras, inclusive quando feriado / O acesso de visitantes à exposição pode ser feita até uma hora antes do horário de fechamento)
Entrada: gratuita
Local: MAB-FAAP
Endereço: Rua Alagoas, 903 – Higienópolis
Informações: (11) 3662-7198      
Agendamento de visitas educativas: (11) 3662-7200   


Informações à imprensa

FAAP / WN&P COMUNICAÇÃO

Sala de Imprensa: www.faap.br/imprensa

Tel: (11) 3662-7270/ 7271 – Fax: (11) 3662-7271

Jornalistas: Fabiana Dourado (fabiana.dourado@wnp.com.br)

                   Iracema Carvalho (iracema.carvalho@wnp.com.br)

quinta-feira, 8 de maio de 2014

UM TRÁGICO NOS TRÓPICOS - IBERÊ CAMARGO

Considerado um dos mais importantes artistas plásticos brasileiros do século XX recebe uma homenagem em forma de retrospectiva de sua longeva carreira, mostrando obras das suas diversas fases de propriedade tanto do Instituto Iberê Camargo, como de colecionadores.

Nunca fui um fã de Iberê Camargo, sempre que via seus trabalhos tinha a sensação de ser um total ignorante, pois além de não gostar do que via, ficava irritado e intrigado por não perceber valor nenhum naquelas obras. 

E não é que essa exposição suavizou um pouco meu desconforto, pois as obras apresentadas me fizeram perceber que tinha razão. A angustia inicial em seus trabalhos foi muito mais intensificada após a tragédia que se abateu em sua vida, quando em legitima defesa matou um homem.

Esse é um passeio que não pode deixar de ser feito, mesmo que cheguemos já com uma certa prevenção.




Renato Borghetti - Milonga para Missões

Abaixo das imagens, o press-release, fornecidos pela assessoria de imprensa do evento.










CCBB SÃO PAULO APRESENTA


 UM TRÁGICO NOS TRÓPICOS


Retrospectiva inédita no CCBB São Paulo marca o início das homenagens ao centenário de Iberê Camargo

Recorte extenso das obras do artista ocupará todo o prédio da instituição em São Paulo

Projeto é uma co-realização do CCBB São Paulo com a Fundação que leva o nome do artista.

O Centro Cultural do Banco do Brasil de São Paulo dá inicio às homenagens do centenário de nascimento de um dos maiores artistas brasileiros, Iberê Camargo, com a exposição “Um Trágico nos Trópicos”, que acontece no período de 3 de maio a 7 de julho de 2014. O projeto, que tem co-realização da Fundação Iberê Camargo, configura-se como a primeira grande exposição do artista em São Paulo nos últimos dez anos, em alinhamento com as iniciativas da Instituição para o Centenário de seu artista patrono.

O CCBB São Paulo abrigará em torno de 145 obras de Iberê, entre pinturas e gravuras da coleção da Fundação e de colecionadores,  de forma a apresentar ao público parte importante da história do artista e sua relevância para as artes visuais no Brasil. Ao todo, serão aproximadamente 55 pinturas (das quais 50% pertence ao acervo da Fundação), cerca de 80 desenhos e gravuras (todos do acervo da Fundação) e mais de 10 matrizes de gravura.

Com curadoria de Luiz Camillo Osório, a exposição retrospectiva tem como premissa uma relação direta entre a presença viva da matéria pictórica e a potência trágica da pintura de Iberê. “A ênfase está na fase madura do artista, mostrando-a como coroamento de sua trajetória, em que a recuperação da figura foi menos um retorno a algo que havia sido abandonado e mais uma explicitação da corporeidade – do homem e da pintura e sua inscrição como visualidade encarnada”, afirma Camillo.

A primeira sala, no quarto andar, o ponto de partida do percurso, trará uma retrospectiva com os vários momentos da trajetória do artista. Segundo Camillo, “da pequena paisagem dos anos 1940 às enormes telas da última fase, a pintura vai se exasperando, o gesto com pincel e espátula vai ficando mais encrespado e mais introspectivo. A sala do terceiro andar será toda dedicada a esta última fase, das telas trágicas, do pintor diante de uma espécie de desespero inconformado, nada cínico, que aposta todas as suas fichas na força do acontecimento pictórico, como uma espécie de reencantamento sensorial a contrapelo de nossa eficiência técnica e instrumental. No segundo andar, veremos o processo de amadurecimento da trajetória de Iberê, dos carretéis até as telas dos anos 1980, quando a figura humana começa a reaparecer em suas obras. É a conquista de um estilo. No subsolo haverá uma pequena mostra complementar do Iberê gráfico, apresentada como uma exposição de câmara, intimista, em que muitos dos seus temas e obsessões são trabalhados no corte preciso da linha e das várias experimentações realizadas como gravador”.



Iberê Camargo, considerado um dos grandes e mais importantes nomes da arte brasileira do século 20, é autor de uma obra extensa, que inclui pinturas, desenhos, guaches e gravuras, com traços e sensibilidade única. Suas referências desde jovem eram personalidades independentes, como Guignard e Goeldi. Na Europa, estudou com mestres como Giorgio de Chirico, Carlos Alberto Petrucci, Antônio Achille e André Lhote. Iberê exerceu forte liderança no meio artístico e intelectual durante sua carreira. Teve sua obra reverenciada em exposições de renome internacional, como a Bienal de São Paulo, a Bienal de Veneza, a Bienal de Tóquio e a Bienal de Madri, e integrou inúmeras mostras no Brasil e em países como França, Inglaterra, Estados Unidos, Escócia, Espanha e Itália. A questão do corpo e da carne (seja a da pintura e das tintas, seja a do homem e sua existência) marca a obra do artista desde seu início nos anos 1940 e a percorre até o final, nos anos 1990. Esta preocupação faz ressaltar a própria urgência da vida e sua inevitável finitude, com uma pincelada nervosa e precisa. Iberê faleceu em 1994, em Porto Alegre, deixando um acervo de mais de cinco mil obras – entre pinturas, gravuras, desenhos, guaches e documentos pessoais, que em grande parte integram o acervo da Fundação Iberê Camargo na capital sul rio-grandense.

A realização de “Um Trágico nos Trópicos” somente se viabilizou através de uma parceria da Fundação Iberê Camargo e o Centro Cultural Banco do Brasil, ambas instituições de grande magnitude no cenário cultural brasileiro. Sobre a parceria, Marcos Mantoan, Gerente Geral do CCBB SP, comenta: “Estamos muito felizes com a parceria e a grande oportunidade de homenagearmos um dos maiores artistas brasileiros de todos os tempos”.

Para Fábio Coutinho, da Fundação Iberê Camargo, “a oportuna homenagem do CCBB à Iberê Camargo no ano de seu Centenário e a parceria entre essas duas instituições demonstram o seu comprometimento em oferecer projetos de grande relevância cultural. Esperamos que a apresentação da obra de Iberê no CCBB aproxime ainda mais o público do legado desse grande artista.”

Integrando a retrospectiva, o CCBB São Paulo prepara atividades especiais junto à sua equipe educativa, como, por exemplo, visitas mediadas, oficinas educativas e atendimento ao público especial por meio de materiais táteis, no intuito de democratizar o acesso à obra do artista, considerado um dos mais importantes personagens da história da arte no Brasil.

Juntamente com a exposição, será publicado também um catálogo inédito com texto do curador Luiz Camillo Osório, incluindo textos e entrevistas de Iberê envolvendo personalidades como Augusto Massi, Carlos Martins, Clarice Lispector, Flávio Aquino, Joel Pizzini, Jorge Guinle, Lisette Lagnado, Paulo Reis e Pierre Courthion.

“Não há um ideal de beleza, mas o ideal de uma verdade pungente e sofrida que é a minha vida, é tua vida, é nossa vida, nesse caminhar no mundo.” – Iberê Camargo.

Resumo Biográfico – Iberê Camargo

Iberê Camargo nasceu em Restinga Seca, cidade do interior do Rio Grande do Sul, em novembro de 1914. O interesse pela arte manifestou-se cedo em Iberê que, já aos quatro anos, sentado debaixo da mesa, passava horas a fio a desenhar. Sua infância e as lembranças de sua cidade natal, como a estação ferroviária em que seus pais trabalharam, são elementos marcantes nas primeiras obras de sua carreira.

Em 1928, o artista ingressou na Escola de Artes e Ofícios de Santa Maria (RS). Lá, teve aulas com Frederico Lobe e Salvador Parlagreco. Sua mudança para Porto Alegre ocorreu apenas em 1936, ano em que iniciou o curso técnico de desenho de arquitetura do Instituto de Belas-Artes e começou a trabalhar como desenhista na Secretaria de Obras
Públicas do Rio Grande do Sul. Decidido a ser pintor e sentindo a necessidade de encontrar os meios que possibilitassem tal realização, Iberê mudou-se para o Rio de Janeiro, em 1942, com o apoio de uma bolsa de estudos concedida pelo Governo do Estado do Rio Grande do Sul. Insatisfeito, porém, com a proposta acadêmica da Escola Nacional de Belas-Artes, deixou a instituição e, ainda na capital fluminense, passou a ter aulas com Alberto da Veiga Guignard. Em 1943, junto de outros artistas, fundou o Grupo Guignard.

No Salão de Arte Moderna de 1947, Iberê Camargo apresentou a obra intitulada Lapa, pela qual recebeu o Prêmio de Viagem à Europa. Ávido por conhecimento, tornou-se aluno de nomes como Giorgio de Chirico, Carlos Alberto Petrucci, Antônio Achille, Leone Augusto Rosa e André Lhote. Seu retorno ao Brasil aconteceu em 1950. A partir de 1958, devido a limitações físicas provocadas por uma hérnia de disco, Iberê trocou o desenho e a pintura ao ar livre pelo trabalho no ateliê. Como motivo de suas composições, adotou o carretel, seu brinquedo de infância, desenvolvendo a partir dele sua pesquisa formal. Em 1961, recebeu o Prêmio de melhor Pintor Nacional na VI Bienal de São Paulo, com a série Fiada de carretéis.   

Ao longo de sua vida, Iberê Camargo exerceu forte liderança no meio artístico e intelectual. Entre várias outras atividades, destaca-se sua participação na organização do Salão Preto e Branco, em 1954, e, no ano seguinte, do Salão Miniatura, ambos realizados em protesto às altas taxas de importação de material artístico. O artista ainda lecionou, no ano de 1970, na Escola de Belas-Artes da Universidade Federal do Rio Grande do Sul.

Conhecido por seus carretéis, ciclistas e idiotas, Iberê nunca se filiou a correntes ou movimentos artísticos. Suas obras participaram de exposições de renome internacional, como a Bienal de São Paulo, a Bienal de Veneza, a Bienal de Tóquio e a Bienal de Madri, além de integrarem numerosas mostras no Brasil e em países como França, Inglaterra, Estados Unidos, Escócia, Espanha e Itália.

O artista faleceu em 1994, em Porto Alegre, deixando um acervo de mais de cinco mil obras, entre pinturas, gravuras, desenhos, guaches e documentos pessoais. Grande parte delas foi deixada à sua esposa, Maria Coussirat Camargo, e hoje integra o acervo da Fundação Iberê Camargo.

Resumo Biográfico – Luiz Camillo Osório

Luiz Camillo Osorio é Professor do departamento de filosofia da PUC-RJ e curador do Museu de Arte Moderna (MAM) do Rio de Janeiro, desde 2009.

Dedica-se ao ensaio e à crítica e é autor dos livros Flavio de Carvalho: uma poética em trânsito, Cosac&Naify, SP, 2000; História de uma coleção: arte brasileira entre os anos 1960 e 1980 no acervo do banco JPMorgan-Chase, Rio de Janeiro, Andrea Jakobson Estúdio, 2003; Abraham Palatnik, Cosac&Naify, 2004; Razões da Crítica, Zahar, RJ, 2005; Ângelo Venosa, Cosac&Naify, 2008; Ione Saldanha - Fundação Iberê Camargo/ Cosac&Naify, 2012; Coleção Gilberto Chateaubriand – anos 90/ 00 e novíssimos, Barléu, 2014.

Realizou várias exposições como curador independente, entre elas “MAM-SP 60 anos”, OCA-Ibirapuera, 2008; “O Desejo da Forma: do Neoconcretismo a Brasília”, Akademie der Künste, Berlim, 2010; “Raimundo Colares”, MAM-SP, 2010; “Ione Saldanha”, Fundação Iberê Camargo/ MON-Curitiba e MAM-RJ, 2012/13.

Sobre o CCBB São Paulo

Inaugurado em 2001, o CCBB São Paulo busca a diversidade em seus projetos expositivos, que abrangem desde exposições históricas até movimentos contemporâneos, nacionais e internacionais. Depois de sucessos de público e crítica como “Impressionismo, Paris e a Modernidade” e “Mestres do Renascimento”, intervenções urbanas como as dos artistas Antony Gormley e Cai Guo-Qiang, apresenta agora uma homenagem a um dos mais importantes artistas brasileiros.

Sobre a Fundação Iberê Camargo

A Fundação Iberê Camargo, criada em 1995, um ano após a morte do artista, tem como objetivo preservar e divulgar sua obra. Além de aproximar o público deste que é um dos grandes nomes da arte brasileira no século 20, a instituição procura incentivar a reflexão sobre a produção contemporânea. A instituição realiza exposições, seminários, encontros com artistas e curadores, cursos e oficinas sobre a obra de Iberê Camargo e sobre questões ligadas à arte contemporânea, a fim de promover uma reflexão sistemática sobre o fazer artístico. A sede da Fundação, inaugurada em 2008, foi projetada por Álvaro Siza, um dos arquitetos contemporâneos mais importantes do mundo.

SERVIÇO

Iberê Camargo: Um Trágico nos Trópicos
Curadoria: Luiz Camillo Osório
Período: 3 de maio a 7 de julho
Horário de funcionamento: das 9h00 às 21h00, de quarta à segunda.
Local: CCBB - Rua Álvares Penteado, 112 - Centro - São Paulo – SP. Próximo às estações Sé e São Bento do Metrô. Estacionamento conveniado: Estapar Estacionamentos – Rua da Consolação, 228 (Edifícos Zarvos). R$ 15,00 pelo período de 5 horas. Necessário carimbar o ticket na bilheteria do CCBB. Informações: (11) 3256-8935. Van faz o transporte gratuito até as proximidades do CCBB – embarque e desembarque na Rua da Consolação, 228 (Edifício Zarvos) e na XV de novembro, esquina com a Rua da Quitanda, a vinte metros da entrada do CCBB.

Acesso e facilidades para pessoas com deficiência física// Ar-condicionado // Loja // Café Cafezal.
Informações: (11) 3113-3651/ 3113-3652. www.bb.com.br/cultura.

Contato para imprensa:
Adriana Miranda – Cinnamon Comunicação
(11) 3062.2015

Wagner Vasconcelos – CCBB São Paulo

(11) 3534-6558

sexta-feira, 2 de maio de 2014

Giovanni de Angelis - Water Drops

Além do registro das ocorrências sui generis da alta incidência de nascimento de gêmeos na cidade de Cândido Godoi no Rio Grande do Sul, essa mostra nos traz lindas fotos e retratos.

O artista consegue captar as expressões dos fotografados, às vezes de cumplicidade outras de indiferença entre os irmãos, mas todas as fotos de uma beleza incomum, rara de se ver hoje em dia nos trabalhos de vários outros fotógrafos.

Há uma lenda, até citada e não desmentida no folheto de apresentação da exposição, de que essa característica incomum da grande incidência de nascimento de gêmeos seria devido a experiências feitas por Joseph Mengele em sua passagem pela cidade em 1963. Bobagem pois há registro destas ocorrências desde os anos 30, o que poderia ter ocorrido é que esses fenômenos tenham atraído a curiosidade do "Anjo da Morte" para seus estudos sobre a eugenia, pelo qual ele cometeu abomináveis atrocidades.

Um lindo evento num novo espaço cultural nas antigas instalações do Consulado Italiano em Higienópolis que poderia ser melhor apreciado se os horários de funcionamento fossem mais amigáveis. 

Milonga para Missões - Renato Borghetti


Abaixo das imagens, o "press-release", fornecidos pela assessoria de imprensa do evento.










Gêmeos idênticos são tema da mostra fotográfica de Giovanni de Angelis
Water Drops traz 16 fotografias de irmãos gêmeos da cidade de Candido Godói (RS) captadas pelo fotógrafo italiano.
A exposição trazida pela Mega Cultural ao Instituto Italiano de Cultura abre ao público no dia 24 de abril e vai até 22 de maio.

Intrigado com o fenômeno da alta incidência de irmãos gêmeos no município riograndense de Candido Godói, oriunda da pesquisa genética do médico fugitivo nazista, mais conhecido como Anjo da Morte, Josef Mengele, o fotógrafo italiano Giovanni de Angelis partiu para uma expedição fotográfica, ao lado da psicoterapeuta Luisa Laurelli, para esta cidade brasileira e ver com os próprios olhos a intitulada "terra dos gêmeos”. A coleção de imagens deu origem à mostra Water Drops, exposta em 2011 no Museo d'Arte Contemporanea di Roma, o MACRO, e que agora chega ao Instituto Italiano de Cultura, trazido pela produtora Mega Cultural. A exposição contará com 16 obras e ficará no salão do instituto de 24 de abril a 22 de maio.  A entrada é gratuita.
Essencialmente as obras são fotografias em preto e branco, de irmãos gêmeos, retratados um ao lado do outro ou um diante do outro, em posição tal que olhando os perfis de gêmeos se pode perceber as semelhanças dos perfis e ao mesmo tempo a percepção das características distintivas. Únicas e até inquietantes, as imagens carregam densa personalidade e beleza em seu conjunto. O projeto aborda a questão dos gêmeos de uma dupla perspectiva: social e antropológica, ultrapassando a ideia de mera reportagem para explorar os temas da identidade, singularidade do indivíduo e sua relação com o outro.
“Quando Renata Junqueira, Diretora da Mega Cultural, visitou minha casa em Roma, em 2013, foi bonito ver como os retratos dos gêmeos de Water Drops também a fascinaram e estou muito feliz e honrada em poder trazer este projeto pela primeira vez ao seu país de origem, o Brasil”, afirma Ines Musumeci Greco, curadora da exposição.
O município de Cândido Godói registra mais de 100 pares de gêmeos idênticos em toda a população, proporção notável de 10% de incidência se comparada à média das populações, de 1%. Habitada basicamente por famílias de origem alemã e polonesa, De Angelis vai além das suposições de os gêmeos serem frutos de experimentos de criação de uma raça ariana na região. Sua espécie de narrativa educacional ocorre por meio dos detalhes sutis de rostos, expressões e olhares e investiga o processo evolutivo destes indivíduos, que examina o complexo de criação de si mesmo e da identidade pessoal através do reconhecimento de semelhanças e diferenças. Por meio de suas lentes, De Angelis olha para esses pares de gêmeos tentando escolher a singularidade de cada indivíduo e de sua identidade particular, sem confundir suas imagens.
WATER DROPS
Abertura ao público: 24 de abril
Encerramento: 22 de maio de 2014
Horário de visitação: Segunda a quinta, de 8h30 às 17h.
Local: Salão do Instituto Italiano de Cultura - Avenida Higienópolis, 436.
Telefone: (11) 3660 8888
Entrada franca

sexta-feira, 25 de abril de 2014

A Pele de Vênus




Um grande filme, uma aula de interpretação, de direção de atores e quem sabe para os leigos como eu, uma pequena aula de teatro.

Com somente dois atores em cena, num teatro vazio após o fim de um dia de audições e testes de elenco, conta a história de Vanda, uma atriz aparentemente fútil e leviana, que tenta convencer ao diretor e também o autor (adaptador, segundo ele mesmo), que ela é a pessoa ideal para o papel.

Depois de alguma pavana ela consegue chamar-lhe a atenção ao começar a desfilar o texto com uma competência e intensidade surpreendentes, deixando-o em quase êxtase. Pois fora do texto, demonstra uma total ignorância aos fatos e nuances culturais, psicológicos e sociais do contexto.

No decorrer da trama, ela consegue influenciar todo o espetáculo, seja na adequação da iluminação das cenas, como, e o mais importante na melhoria do roteiro.

Com uma magnífica reviravolta e um final inesperado, é um filme que teria tudo para nos aborrecer, mas consegue nos entreter atá à última cena. Uma magnífica diversão.

De Roman Polanski com Emmanuelle Seigner e Mathieu Amalric, abaixo o trailer, colhido na internet.


quarta-feira, 16 de abril de 2014

A arte do Ukiyo-e – A tradição da gravura japonesa

Uma delicada exposição que nos mostra o ecletismo do Museu Afrobrasil onde são apresentadas gravuras tradicionais japonesas feitas ainda no século XIX. O rigor técnico e a profusão de cores nos transcendem quase até ao êxtase, nos prendendo a atenção e nos forçando a observar seus detalhes.

Há também a apresentação de quimonos e obis, complementando o assunto da arte japonesa, de uma suntuosidade inebriante, da elegância tradicional daquele povo.


Kyu Sakamoto - Sukiyaki 


Abaixo das imagens, o "press-release", fornecidos pela assessoria de imprensa da Secretaria de Estado da Cultura. Observem que ele é uma aula sobre o estilo e a execução das obras.








Museu Afro Brasil abre exposições sobre a arte da gravura no Brasil e no Japão
Um raro acervo dos mestres do ukiyo-e compõe uma mostra sobre a tradicional arte da gravura japonesa no Museu Afro Brasil, no Parque Ibirapuera, a partir de 16 de abril. Com 42 trípticos e um políptico, a exposição “A arte do Ukiyo-e – A tradição da gravura japonesa”, tem curadoria de Emanoel Araujo e reúne trabalhos de Toyohara Kunichika, Utagawa Kunisada, Utagawa Yoshitora, Utagawa Kuniaki, Utagawa Yoshiiku, Fusutane, Tsukioka Yoshitoshi e Utagawa Hiroshige II.
Quarenta e três obras pertencentes ao colecionador e artista visual Roberto Okinaka, produzidas na década de 1860, durante a transição do poder dos samurais ao Imperador Meiji, oferecem um panorama da sociedade, da cultura e das tradições do Japão em estampas multicoloridas, de minuciosa realização artística. À montagem foram incorporados quatro quimonos e seis obis do acervo do Museu Histórico da Imigração Japonesa no Brasil, da Sociedade Brasileira de Cultura Japonesa e de Assistência Social.
“A ‘pintura-brocado’, como se chamava a estampa multicolorida se estabelece pelos anos de 1750, na cidade de Edo (atual Tóquio), então sede do xogunato Tokugawa, e passa a servir um mercado editorial crescentemente ávido por novidades. A movimentação de palavra recitada, registrada em caligrafias inesperadas (livros e libretos de diversos gêneros), encenada (teatro kabuki, encontra na imagem seu mais valioso suporte: a pintura impressa, a qual acompanha também dizeres mercadológicos, guias de viagem, convites particulares, publicações didáticas, propaganda de entretenimentos, notícias gerais”, avalia a professora da FFLCH/USP, Madalena Hashimoto Cordaro, autora do texto de apresentação.
Ao mesmo tempo, o museu celebrará os gravuristas brasileiros numa exposição paralela, “Artes gráficas no Brasil: um ensaio”. "Temos uma longa tradição nas diferentes técnicas de gravura sobre madeira e sobre metal, água-forte, água-tinta, ponta-seca. Alguns gravadores tiveram premiações nacionais e internacionais. São Paulo, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Salvador, Pernambuco e o Nordeste, de um modo geral, foram centros produtores de artistas voltados para a antiga e tradicional técnica da gravura", relata o diretor-curador do Museu Afro Brasil, Emanoel Araujo. "Esta mostra faz um 'link' entre a exposição das gravuras ukiyo-e do século 19 e a da gráfica de livros de arte Raízes”.
Nesse panorama, Araujo se refere a artistas como Oswaldo Goeldi, no Rio de Janeiro, Lívio Abramo, em São Paulo, Henrique Oswald, na Bahia, e Samico, em Pernambuco, além dos inúmeros ilustradores anônimos dos folhetos de cordel. "Isso prova a grande eficiência que a gravura teve como fato político popularizador da obra de arte", diz o curador, lembrando-se ainda dos Clubes da gravura, como o de Bagé, a Oficina de Olinda, a Escola de Belas-Artes da Bahia, o Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro.
"Gravadores tornaram-se célebres, a exemplo de Marcelo Grassmann (primeiro como xilogravador e depois como gravador em metal), Maria Bonomi, Anna Letycia, Fayga Ostrower, Isabel Pons, João Câmara, Samico, Rossini Perez, Poty, Odetto Guersoni, Maciej Babinski, Carlos Scliar e Glauco Rodrigues, para citar alguns dos artistas responsáveis pela alta qualidade da gravura brasileira e pelo prestígio mundial que ela alcançou”, afirma Araujo. “Talvez tenha sido a mais importante expressão artística que o Brasil produziu dos anos 60 a 80. Esse prestígio deu espaço à exposição organizada pelo diretor do Museu de Arte Contemporânea (MAC) de São Paulo, Walter Zanini, que se constituía numa forma de apresentar os jovens gravadores".
A transição de uma era em sua mais florida expressão

Madalena Hashimoto Cordaro
Docente da FFLCH/USP

As notórias “pinturas do mundo flutuante” (ukiyo-e 浮世絵) denominam diversas tópicas e procedimentos técnicos, num desenrolar temporal que compreende os primeiros experimentos em tinta sumi sobre papel relativamente branco até sua individuação colorística mais particular. Com efeito, as xilogravuras ukiyo-e podem ser compreendidas como pinturas produzidas através de matrizes nas quais se processam pigmentos mais ou menos raros que são transferidos para o papel por diferentes processos de fricção de mãos hábeis, especializadas em seu ofício.
A “pintura-brocado” (nishiki-e 錦絵), como se chamava a estampa multicolorida se estabelece pelos anos de 1750, na cidade de Edo 江戸 (atual Tóquio 東京), então sede do xogunato Tokugawa, e passa a servir um mercado editorial crescentemente ávido por novidades. A movimentação de palavra recitada (poema haiku 俳句 e senryû 川柳), registrada em caligrafias inesperadas (livros e libretos de diversos gêneros 草双紙), encenada (teatro kabuki 歌舞伎), encontra na imagem seu mais valioso suporte: a pintura impressa, a qual acompanha também dizeres mercadológicos, guias de viagem, convites particulares, publicações didáticas, propaganda de entretenimentos, notícias gerais.
Assim se compreende a avassaladora quantidade de estampas produzidas durante a égide do período Tokugawa (1603-1868): a serviço de uma editoria variada, mais ou menos sofisticada, mais ou menos valorizada conforme nuanças de público e cultivo estético. Quando estas estampas chegam ao Ocidente (entenda-se: França e Inglaterra principalmente), vêm com seu valor local de transmissão de conhecimento relativamente descartável, produzidas por pintores das cidades baixas, citadinos de pouca monta socialmente fadados à gangorra da sorte e do sucesso mercadológico.
Seu impacto e influência em obras dos artistas da Escola de Paris de fins do século XIX são notórios, em especial as dos gêneros mais palatáveis e acessíveis ao repertório europeu: vistas-famosas meisho-e 名所絵 (compreendidas como “paisagens”), figuras-bonitas de profissionais do amor bijinga 美人画 e de atores yakusha-e 役者絵 (compreendidas como “retratos”), flores-e-pássaros da estação fûgetsukachôga 風月花鳥画(aproximadas à “natureza-morta”?), usos-e-costumes fûzokuga 風俗画(associados à “pintura de gênero”). Mas, para além das tópicas, a impressão maior causada se encontra nos meios técnicos propriamente ditos: o aprimoramento da cor repetida em estampas airosas de papel artesanalmente produzido, resultado de extensa divisão de trabalho entre pintor, escritor, calígrafo, entalhador, impressor e editor. Desta feita, ao se analisar as estampas, notam-se efeitos e faturas idênticas em obras de diferentes pintores, que também trabalham em estreita colaboração na composição de imagens, como se vê em exemplo na presente exposição, de Kunichika e Hiroshige II.
Compreendem os teóricos japoneses que a expressão pictórica ukiyo-e que não é xilografada segue a tradição dos modos da família Tosa 土佐派, tradicional, que deságua na atual Nihonga 日本画, “pintura japonesa”, uma produção que está sendo crescentemente conhecida, e que se aproxima às estampas apresentadas na presente mostra. É digno de nota, também, que xilogravuras que imitam as aguadas de sumi não são muito difundidas, embora atraentes.
A coleção de estampas aqui apresentada segue uma coerência notável já à primeira vista: são multicoloridos os ambiciosos trípticos, sofisticados em suas alusões literárias e teatrais, em especial ao personagem emblemático Hikaru Genji 光源氏, protagonista das Narrativas de Genji 源氏物語, cuja elegância e cultivo do amor se mesclam de lírica apreciação à lua, às flores de cerejeira, aos pirilampos do verão, aos estabelecimentos das áreas de prazeres (kuruwa 廓) e sua burocracia de graduação das mulheres-entretenimentos (yûjo 遊女), imitando a corte clássica do período Heian 平安時代 (794-1185), a intrigas da presentificada corte xogunal. Tão apreciados foram os caminhos do amor kôshoku 好色, que retomam os da corte imperial de que Genji é mestre contumaz nos modos irogonomi 色好, e torna-se gênero de pinturas e estampas, “pinturas-de-Genji” (Genji-e 源氏絵), que tomam por objeto essa figura esguia, elegante, com o topo do cabelo raspado, um penteado típico do perído Edo, um praticante das artes da música, do arranjo floral, da poesia, da caligrafia, do jogo sugoroku, de passeios ao luar e ao amanhecer, do incenso, do tabaco, das folhas de bordo e das flores de cerejeira, do saquê e do sashimi.
São complexos também os trípticos na composição em perspectiva euclidiana, importada do Ocidente através da Holanda, e invariavelmente elegantes as figuras, mesmo em exibição de corpos nus qual flores de íris. Produzidos na década de 1860, justamente na transição do poder de samurais ao Imperador Meiji e seu séquito, os trípticos mostram uma harmonia plácida, posada apesar das torções kabukianas de torsos, de figuras sempre bonitas, de maravilhosos quimonos e adereços, representadas por Toyohara Kunichika 豊原国周 (1835-1900), com dezenove obras, Utagawa Kunisada 歌川国貞 (1823-80), sete obras, Utagawa Yoshitora 歌川芳虎 (ativo c. 1836-82), quatro obras, Utagawa Kuniaki 歌川国明 (1835-1880), quatro obras, Utagawa Yoshiiku 歌川芳幾 (1833-1904), três obras, e Fusutane 房種 (?-?), Tsukioka Yoshitoshi 月岡芳年 (1835-92) e Utagawa Hiroshige II 二代目歌川広重 (1826-69), duas obras.
Lá fora, nas nesgas de vistas que nos legam as figuras ocupadíssimas em seus afazeres poéticos ou musicais, divertimentos em interiores e exteriores, e fruições de raríssimas plantas em vasos chineses extraordinários, apenas se notam calmos rios de azul-da-prússia (ou da Bielo Rússia, como era conhecido no período), ou um pouco revoltos na caça às ostras abalones, com seus pigmentos alizarines também importados em gradações de velas ao longe, ou em labuta de pesca com redes em prontidão, ou em cascatas de iluminação religiosa e purificação do corpo. Somos obrigados a nos perguntar: onde se encontram os sinais da uma era que se encerra, de uma mudança radical na privação do poder a samurais e um retorno ao Imperador, com uma abertura sem parâmetro anterior, para o Ocidente, agora não mais apenas a Holanda?
Conhecendo a produção violenta de estampas de assassinatos, torturas, violências pessoais e políticas, animais assustadores e vorazes, fantasmas e monstros, turbilhões e vinganças, também do mesmo período, chama-nos a atenção, sem dúvida, “o luxo, a calma e a volúpia” desse universo ora apresentado. Em outras estampas dos mesmos pintores, em outras obras, de diferentes olhares, pode-se notar o mundo que então se esvaía, mas este, que ora apresenta o Museu Afro Brasil, em mais uma realização significativa, se eterniza, retomando o período de outro dos tempos do brilhante príncipe Hikaru Genji.

Abertura das exposições:
“A arte do Ukiyo-e – A tradição da gravura japonesa” 
“Artes gráficas no Brasil: um ensaio”
Lançamento dos catálogos “A nova mão afro-brasileira” e “Da Cartografia do Poder aos Itinerários do Saber”.
Abertura para o público: 16 de abril
Abertura para convidados: 15 de abril, às 19h

Museu Afro Brasil - Organização Social de Cultura
Av. Pedro Álvares Cabral, s/n
Parque Ibirapuera - Portão 10
São Paulo / SP - 04094 050
Fone: 55 11 3320-8900
Entrada gratuita
www.museuafrobrasil.org.br
O funcionamento do museu é de terça-feira a domingo, das 10 às 17hs,
Com permanência até às 18hs.
Na última quinta-feira de cada mês, o horário de funcionamento será estendido até às 21hs, para atendimento noturno ao público visitante.

Informações para a imprensa - Secretaria de Estado da Cultura
Natalia Inzinna – (11) 3339-8162 - ninzinna@sp.gov.br
Jamille Menezes – (11) 3339-8243 - jmferreira@sp.gov.b

quarta-feira, 9 de abril de 2014

LENORA DE BARROS @ PIVÔ

Acho que não haveria em São Paulo espaço melhor para a apresentação desta mostra. O PIVÔ é hoje a mais instigante e intrigante sala de exposições em São Paulo.
Um espaço mágico no Edifício Copan, o mítico prédio projetado por Oscar Niemeyer, que estava abandonado já há mais de vinte anos, que está sendo recuperado pelos curadores deste centro cultural a cada evento. A simples visita a este lugar já é um espetáculo em si, pois nos permite compartilhar as visões e soluções encontradas pelo arquiteto quando da criação deste marco arquitetônico.

Os trabalhos de Lenora de Barros apresentados nesta exibição são os recortes de textos, ensaios e reflexões publicados em sua coluna no finado Jornal da Tarde nos anos 90, além de dois videos e uma instalação sonora.

Os trabalhos impressos em jornal são até hoje atuais, vinte anos após sua criação, com temas que nos agradam a visão e nos fazem refletir. 

Sua poesia concreta em muito me agrada, pois além das mensagens carregam um apelo visual impactante, que possibilita inúmeras interpretações.



O Pulsar - Caetano Veloso

Abaixo da foto, tirada por mim, o release colhido no site da PIVÔ.





O Pivô abre, no dia 29 de março, a exposição “Umas e Outras”, individual de Lenora de Barros na qual a artista apresenta 65 colunas de jornal realizadas na década de 1990, além de dois vídeos inéditos em preto e branco – “Jogo de Damas” e “Em si as mesmas” – e uma intervenção sonora, intitulada “Duplicar Imagens”.
Entre 1993 e 1996, Lenora de Barros assinou uma coluna experimental, publicada aos sábados, no Jornal da Tarde, em São Paulo, sob o título de “… umas”. Nesse espaço nasceram obras e ideias que se transformariam em vídeos e foto-performances autônomos ao longo dos anos seguintes. Depois de mostrar 13 dessas colunas numa vitrine, na 11ª Bienal de Lyon, na França, em 2011, a artista decidiu agora emoldurar e expor um conjunto maior, extraído de seu arquivo pessoal.
Nas colunas, Lenora, entre outros experimentos, dialogou com trabalhos de diversos artistas. Posteriormente, fez um recorte dessas “conversas” envolvendo temas femininos ou obras de artistas como Lygia Clark, Yoko Ono, Cindy Sherman, Annette Messager e Méret Oppenheim. Essa seleção deu origem a um livro, intitulado “Jogo de Damas – Crítica de Arte – Livro Primeiro”. A publicação, ainda inédita, foi o ponto de partida para os dois vídeos exibidos, com direção de David Pacheco.
Em “Jogo de Damas”, o livro homônimo serve de roteiro de leitura para performances vocais realizadas por Lenora e foi concebido em formato de tríptico para projeção simultânea . “Em si as mesmas”, por sua vez, tem seu título pinçado de uma coluna na qual Lenora comenta uma fotografia de 1925, de autor desconhecido, de duas irmãs siamesas, as irmãs Hilton. Foi produzido para dupla projeção, em duas paredes opostas. Nele, Lenora joga damas consigo própria. Em uma tela, ela move as pedras brancas e na outra, as pretas, numa espécie de “jogo infinito, sem ganhador nem perdedor”, nas palavras da artista.
Lenora filmou os vídeos novos no espaço do Pivô e a exposição, que tem curadoria de Glória Ferreira e foi apresentada antes no Centro Cultural Laura Alvim no Rio de Janeiro, agora é apresentada no mesmo espaço em que foi produzida.
A exposição “Umas e Outras” de Lenora de Barros é realizada em parceria com a Galeria Millan.