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sábado, 27 de junho de 2015

Arte da Itália – de Rafael a Ticiano

É sempre uma maravilhosa sensação visitarmos os grandes mestres, principalmente estes que fazem parte de nosso tesouro cultural, sim pois apesar de não ser uma instituição pública o MASP já é e desde sempre do povo paulistano.

Com essa seleção de obras de seu vasto e respeitado acervo nos trás à luz obras que se encontravam em sua reserva técnica e que não eram vistas há muito tempo pelo grande público.

E com grande euforia que percebi o MASP está se modernizando voltando às suas origens, retomando as maneiras de exibição de suas pinturas como eram feitas em sua sede original na rua Sete de Abril e recuperando os cavaletes de vidro criados por Lina Bo Bardi, quando da inauguração desta sede monumental da Paulista. Nunca entendi a antiga direção da instituição ter optado por colocar paredes internas naquele imenso salão de exposições que aproveita todo o vão livre criado pela arquiteta, onde o que importava era a plena observação das obras mostradas, banhadas pela luz natural vindas de suas imensas janelas. A péssima solução adotada, além de escurecer o ambiente, tirou espaço da sala nos privando assim o pleno deleite de seu acervo.

Outro detalhe a se guardar é a apresentação, nas legendas dos doadores das obras expostas, comum nas mostras permanentes e que era neglicenciado nas temporárias como esta. Recomendo a leitura de "Chatô - O Rei do Brasil" de Fernando de Morais onde descobrimos as artimanhas e expedientes que seu fundador usava para conseguir as doações e formar o mais importante museu de artes da América Latina.

Um passeio imperdível.

Concerto in C major 'Per la Santissima Assunzione di Maria Vergine'
Antonio Vivaldi

Abaixo das imagens, o "press-release" fornecidos pela assessoria de imprensa do MASP.





Giovanni Bellini (Veneza, Itália [Venice, Italy], circa 1430/35- 1516)
A Virgem com o menino de pé, abraçando a mãe (Madonna Willys) [The Virgin with Standing Child, Embrancing Mother (Madonna Willys), 1480-90
Óleo sobre madeira [Oil on wood], 75 x 59 cm
Doação [Gift] Walther Moreira Salles, 1957


Jacopo Tintoretto (Veneza, Itália [Venice, Italy], 1518- 1594)
Ecce Homo ou Pilatos apresenta Cristo à multidão [Ecce Homo or Pilate Presents Christ to the Crowd], 1546-47
Óleo sobre tela [Oil on canvas], 109 x 136 cm
Doação [Gift] Cia. Siderúrgica Belgo-Mineira S.A., Banco do Estado de São Paulo-Banespa, Gastão Vidigal,
Clemente de Faria, Miguel Maurício, Banco da Lavoura de Minas Gerais S.A. e [and] Alberto Quattrini Bianchi, 1949


Carlo Saraceni (Veneza, Itália [Venice, Italy], 1579- 1620)
Marte e Vênus, com uma roda de cupidos e paisagem [Mars and Venus, with a Circle of Cupids and Lanscape], 1605-10
Óleo sobre cobre [Oil on cooper], 40 x 52 cm
Doação [Gift] Moinho Santista Indústrias Gerais S.A., 1947


Alessandro Magnasco (Gênova, Itália [Genoa, Italy], 1667- 1749)
Paisagem com pastores [Landscape with Shepherds], circa 1710-30
Óleo sobre tela [Oil on canvas], 114 x 146 cm
Doação [Gift] Moinho Santista Indústrias Gerais S.A., 1947


Rafael [Raphael], (Urbino, Itália [Italy], 1483 – Roma, Itália [Rome, Italy], 1520)

Ressurreição de Cristo [The Resurrection of Christ], 1499-1502
Óleo sobre madeira [Oil on wood], 52 × 44 cm
Doação [Gift] Sr. e Sra. [Mr. and Mrs.] Moreira Salles, Leão Gondin de Oliveira, Hélio Muniz, Gastão Vidigal Filho, 
Francisco Matarazzo Sobrinho, João di Pietro, Brasílio Machado Neto, Diários e [and] Emissoras Associados, 1958



Ticiano [Titian] (Pieve di Cadore, Belluno, Itália [Italy], 1488/90 – Veneza, Itália [Venice, Italy], 1576)
Retrato do cardeal Cristoforo Madruzzo [Portrait of Cardinal Cristoforo Madruzzo], 1552
Óleo sobre tela [Oil on canvas], 230 x 131 cm
Doação [Gift] ......., 1951


Andrea Mantegna (Isola di Carturo, província de Pádua, Itália [Province of Padua, Italy], circa 1431 – Mântua, Itália [Mantua, Italy], 1506)
São Jerônimo penitente no deserto [Saint Jerome Penitent in the Desert], 1448-51
Têmpera sobre madeira [Tempera on wood], 48 x 36 cm
Doação [Gift] Câmara Municipal de São Paulo, 1952


Pietro Perugino e ateliê [and studio] (Cittá dela Pieve, Itália [Italy], 1446 – Fontignano, Itália [Italy], 1524)
São Sebastião na coluna [St. Sebastian at the Column], circa 1500-10
Óleo sobre tela [Oil on canvas], 181 x 115 cm
Doação [Gift] doado pela Companhia Antarctica Paulista S.A., 1947


Maestro di San Martino Alla Palma (Florença, Itália [Florence, Italy)
Virgem com o menino Jesus [The Virgin and the Child],  1310-20
Têmpera sobre madeira [Tempera on wood], 66 x 39 cm
Aquisição [Purchased], 1958



MASP EXPÕE O MAIS SIGNIFICATIVO CONJUNTO DE ARTE ITALIANA DO HEMISFÉRIO SUL

Arte da Itália – de Rafael a Ticiano faz um recorte com obras de mestres do século 13 ao 18




De 26 de junho a 20 de setembro, o MASP apresenta a exposição Arte da Itália – de Rafael a Ticiano, que traz uma seleção da coleção de arte italiana que integra o acervo do MASP, juntamente com documentos relacionados a esses trabalhos. As cerca de 30 obras escolhidas formam o mais significativo conjunto de arte italiana do hemisfério sul.

O recorte da mostra vai do século 13 ao 18, passando pelos períodos Medieval, Renascimento e Barroco, com telas de artistas como Rafael (1483–1520), Andrea Mantegna (1413–1506), Giovanni Bellini (1430–1516), Jacopo Tintoretto (1518–1594), Sandro Botticelli (1445–1510 ), Ticiano (1488/1490–1576) e Alessandro Magnasco (1667–1749).

Os documentos que serão exibidos foram pesquisados e selecionados nos arquivos documentais e fotográficos do museu e incluem correspondências sobre doações, aquisições, atribuições de obras e empréstimos entre o MASP e outras instituições ou indivíduos, notas fiscais e recibos. Também serão mostrados fichas de registro do acervo, convites e folhetos de exposições, recortes de jornais e revistas e fotografias de obras e de exposições anteriores. “Ao exibir esse tipo de documentação no espaço expositivo, justapondo-os às obras que estão relacionados, oferecemos uma nova camada de leitura sobre a coleção, revelando parte da história do museu”, comenta Tomás Toledo, curador assistente.
            
O núcleo central da exposição mostra as transformações estéticas e técnicas do Renascimento, período fundamental da história da arte, abrangendo um arco temporal que vai de Rafael, com o rigor do desenho em Florença, a Ticiano, com o uso da cor em Veneza. 

A expografia, desenvolvida pelo escritório Metro Arquitetos Associados, retoma dois projetos de Lina Bo Bardi (1914 – 1992), arquiteta do MASP, para o acervo do museu. O primeiro é uma reconfiguração dos painéis suspensos que foram utilizados na Fundação Armando Alvares Penteado (FAAP), para expor a coleção do museu, entre 1957 e 1959 – originalmente painéis de 18 metros, aqui eles são de 24 metros. O segundo projeto resgata as estruturas tubulares de metal que exibiam as pinturas, também de forma suspensa, estas projetadas para o MASP, em 1947, ano de sua fundação, na antiga sede da rua 7 de Abril. A recuperação de projetos de Lina nas exposições de 2015 apresenta ao público o percurso da arquiteta até chegar aos famosos cavaletes de vidro. Lina projetou os cavaletes para a exposição do acervo no segundo andar do museu na Avenida Paulista, inaugurado em 1968. Sem uso desde 1996, eles voltarão no final do segundo semestre de 2015.

A exposição tem curadoria de Adriano Pedrosa, diretor artístico do MASP, Eugenia Gorini Esmeraldo, coordenadora de Intercâmbio, e Tomás Toledo, curador assistente.


SERVIÇO
Arte da Itália – de Rafael a Ticiano
Abertura: 25 de junho, 19h30
Período da exposição: 26 de junho e 20 de setembro de 2015
Local: 2º subsolo do MASP
Endereço: Avenida Paulista, 1578, São Paulo, SP
Horários: terça a domingo: 10h às 18h (bilheteria aberta até as 17h30); Quinta-feira: 10h às 20h (bilheteria até 19h30)
Ingressos: R$25,00 (entrada); R$12,00 (meia-entrada)
O MASP tem entrada gratuita às terças-feiras, durante o dia todo, e às quintas-feiras, a partir das 17h.
O ingresso dá direito a visitar todas as exposições em cartaz no dia da visita.
Estudantes, professores e maiores de 60 anos pagam R$12,00 (meia entrada).
Menores de 10 anos de idade não pagam ingresso.
O MASP aceita todos os cartões de crédito. O Vale cultura é bem-vindo.

Estacionamento: Convênio com Progress Park: Avenida Paulista, 1636, R$ 15,00 por um período de 3 horas.
De segunda a sexta-feira, das 7h às 21h30, pelo período de 2 horas: R$14
Sábados, domingos e feriados pelo período integral (das 7h às 21h30): R$13

Acessível a deficientes, ar condicionado, classificação livre.


Imprensa
A4 Comunicação (11) 3897-4122
Francine Kath: francinekath@a4com.com.br
Mai Carvalho:  maicarvalho@a4com.com.br

sábado, 20 de junho de 2015

Cândido Portinari na Galeria Almeida & Dale

Mais uma magnífica mostra com que a Galeria Almeida e Dale nos brinda, daquelas de aquecer ao coração, daquelas que confirmam a frase proferida pelo próprio artista - "Uma pintura que não fala ao coração não é arte, porque só ele a entende." 

É uma emoção quase indescritível o prazer que temos ao ver tantas obras maravilhosas assim reunidas, todas as pintura nos enlevam e prendem nossa atenção, fazendo com que até percamos a noção do tempo.

As pinturas desta mostra faz com que percebamos como o mestre influenciou e foi influenciado por seus pares criando assim a nova identidade das artes plásticas nacional.

Um evento dessa magnitude nunca seria possível sem a credibilidade da curadora Denise Mattar que com rara sensibilidade e conhecimento consegue lidar com as diversas restrições, preocupações e vaidades dos colecionadores fazendo com que eles, mesmo que num breve período, compartilhem seus tesouros conosco. Imaginem a complexidade em conciliar agendas, transporte e seguro dessas obras.

O espaço de exposições da galeria é muito bem construído, permitindo assim o pleno desfrute das obras expostas.
Como já havia escrito em meu comentário sobre a mostra Guignar - Sonhos e Sussuros, a galeria Almeida e Dale se firma como um importante centro cultural da cena paulistana.

Um magnífico passeio que ficará por muito tempo em nossa memória pois Cândido Portinari é o mair pintor brasileiro de todos os tempos.   




Bachianas Brasileiras, No. 7 Giga (Quadrilha Caipira)



Abaixo das imagens, o "press-release" fornecidos pela assessoria de imprensa da galeria.













Galeria Almeida & Dale inaugura mostra de Candido Portinari com obras raramente reunidas

Individual trará pinturas realizadas entre 1931 e 1944, período que elevou Portinari ao posto de maior artista brasileiro




A Galeria Almeida e Dale inaugura no dia 18 de Junho a exposição Portinari e a poética da modernidade brasileira. Com curadoria de Denise Mattar, a mostra traz ao público um corpo de 35 obras emblemáticas, produzidas entre 1931 e 1944, período importante que elevou Portinari ao posto de maior artista brasileiro.

O enfoque da exposição surgiu a partir da pesquisa da curadora sobre dois acontecimentos marcantes do Modernismo no Brasil: o XXXVIII Salão de Belas-Artes, em 1931, no Rio de Janeiro, e a Exposição de Arte Moderna, de 1944, em Belo Horizonte. Cândido Portinari teve papel decisivo nos dois eventos, e por conta deles acabou por se tornar o principal protagonista da expansão do Modernismo em território nacional.

Em 1931, Portinari, recém-chegado da Europa, foi convidado a participar, da Comissão Organizadora do XXXVIII Salão de Belas-Artes (o Salão Revolucionário de 1931, de Lúcio Costa). A mostra levou para o Rio de Janeiro - então capital do país e reduto acadêmico - obras dos modernistas Tarsila do Amaral, Anita Malfatti, Di Cavalcanti, entre outros.

Além de ter contribuído na organização, Portinari apresentou 17 trabalhos que chamaram a atenção do escritor e crítico Mário de Andrade, que estava decepcionado com as obras de Tarsila e Anita, e viu em Portinari as qualidades que buscava. Os dois se tornaram grandes amigos, e esse encontro contribuiria para que Portinari elegesse seu grande tema : Os Brasileiros.

Treze anos depois, em 1944, aconteceu a Exposição de Arte Moderna, a última grande mostra do Modernismo brasileiro. Organizada por Juscelino Kubitschek, na época prefeito de Belo Horizonte, reuniu artistas da Semana de 22, do Grupo Santa Helena, do Núcleo Bernardelli e os, então iniciantes, Iberê Camargo, Milton Dacosta e Carlos Scliar, entre outros. Mas a estrela foi Portinari. Seu trabalho O Olho, conhecido como O Galo, causou furor na imprensa dividindo opiniões.

A polêmica obra integra agora um conjunto de cerca de 35 - a serem expostas na galeria Almeida & Dale - pertencentes ao acervo de importantes colecionadores particulares de São Paulo, Rio de Janeiro, Salvador e Fortaleza e de instituições como a Coleção Roberto Marinho. Da coleção desta última serão apresentadas a quase épica obra Flora e Fauna Brasileira (1934), Floresta (1942), um trabalho delicado e sutil; e Brodowsky (1942)  que retrata crianças brincando com pipas em sua terra natal.

A mostra também inclui as obras: O Violinista (1931), considerado por Mário de Andrade a melhor obra do Salão Revolucionário de 1931; O Flautista e Domingo no Morro (1934 e 35), que marcam o momento no qual o artista começa a pintar o povo brasileiro; e Jangada e Carcaça, Bois e Espantalho e Enterro, obras de 1940 nas quais o artista aborda com colorido candente o drama da seca.

A mostra também inclui as obras: O Violinista (1931), descrito por Mário de Andrade em sua apresentação do Salão Revolucionário; O Flautista e Domingo no Morro (1934 e 35), que marcam o momento no qual o artista começa a pintar o povo brasileiro; e Jangada e Carcaça, Bois e Espantalho e Enterro, obras de 1940 nas quais o artista aborda com colorido candente o drama da seca.

O lirismo do artista estará presente em trabalhos como Amigas (1938), Mulher e Criança (1940) e As Moças de Arcozelo (1940) - obra que ilustrou a capa do Catálogo Portinari of Brazil, realizada no MoMA, em 1940.

A mostra dá continuidade a ação institucional que a galeria vem desenvolvendo, tendo apresentado exposições de outros importantes mestres como Fernando Botero, Aldo Bonadei, Alfredo Volpi, Alberto da Veiga Guignard e Willys de Castro.



Sobre a curadora Denise Mattar - Denise Mattar é uma das mais conhecidas e premiadas curadoras do Brasil. Em instituições, trabalhou no Museu da Casa Brasileira, SP (1985-1987); Museu de Arte Moderna, SP (1987-1989); Museu de Arte Moderna, RJ (1990-1997). Como curadora independente realizou, de 1997 a 2014, mostras retrospectivas de Di Cavalcanti, Flávio de Carvalho (Premio APCA), Ismael Nery (Prêmios APCA e ABCA), José Pancetti, Anita Malfatti, Samson Flexor (Prêmio APCA), Frans Krajcberg, Mary Vieira, Maria Tomaselli, Aluísio Carvão, Abelardo Zaluar, Raymundo Colares, Hildebrando de Castro, Norberto Nicola, Aldo Bonadei, Alfredo Volpi, Alberto da Veiga Guignard.

Entre suas principais mostras temáticas, destacam-se: Traço, Humor e Cia (Museu de Arte Brasileira da FAAP, 2002), O Olhar Modernista de JK (Palácio Itamaraty/DF, MAB-FAAP/SP, MNBA/RJ, Palácio das Artes/BH, 2004-06), O Preço da Sedução (Itaú Cultural, São Paulo, 2004), O’ Brasil – Da Terra Encantada à Aldeia Global (Palácio Itamaraty, 2005), Homo Ludens – Do Faz de Conta à Vertigem (Itaú Cultural, São Paulo, 2006), Nippon (Galeria de Valores, CCBB Rio de Janeiro, 2008), Brasília – Síntese das Artes (CCBB Brasília, 2010), Tékhne e Memórias Reveladas (Museu de Arte Brasileira da FAAP, 2010) (prêmio ABCA), Pierre Cardin (CCBB Rio de Janeiro, 2011), Mário de Andrade (Centro Cultural dos Correiros, Rio de Janeiro, 2012), Projeto Sombras (MAM Rio de Janeiro, 2012), No Balanço da Rede (Caixa Cultural, Rio de Janeiro, 2014), Duplo Olhar (Paço das Artes, São Paulo, 2014).

Serviço

Portinari e a poética da modernidade brasileira
Curadoria de Denise Mattar
Abertura: quinta-feira, 18 de junho, às 19h
Visitação: De 19 de junho a 15 de agosto de 2015
De segunda à sexta, das 10h às 18h; sábado, das 10h às 14h

Palestra com João Candido
06 de agosto de 2015, às 19h

Galeria Almeida e Dale
R. Caconde, 152 - Jardim Paulista, São Paulo - SP
Tel.: (11) 3887-7130

Informações para a imprensa:
A4 Comunicação 
+55 (11) 3897-4122

Thais Gouveia - thaisgouveia@a4com.com.br
Laís Caldeira – laiscaldeira@a4com.com.br

Neila Carvalhoneilacarvalho@a4com.com.br

quarta-feira, 20 de maio de 2015

JOAN MIRÓ - A FORÇA DA MATÉRIA

Esta foi uma mostra que fui já cheio de preconceitos pois Joan Miró nunca tinha sido, nem de longe, alguma referência no meu universo das artes plásticas.

E não é que numa agradável surpresa comecei a mudar meus conceitos. Esta exposição nos apresenta uma enorme variedade de seus trabalhos em suas diversas fases  e também vários vídeos do artista exercendo seu mister, onde percebemos o rigor com que executava suas obras.

O bom de ir a abertura destes eventos é observar a reação das pessoas ao se deparar com suas peças, uns parecem chocados, outros quase em transe. 

Mais uma magnífica ação do Instituto Tomie Ohtake que se firma como um dos mais importantes centros culturais do país. Já nos tento brindado com outras estupendas mostras como as OBSESSÃO INFINITA, DE YAYOI KUSAMA e SALVADOR DALI entre tantas outras.

Um passeio a ser feito com calma para se desfrutar plenamente o que é exibido.

On the run - Pink Floyd



Abaixo das imagens, o "press-release", fornecidos pela assessoria de imprensa do Instituto Tomie Ohtake.














INSTITUTO TOMIE OHTAKE

APRESENTA

JOAN MIRÓ - A FORÇA DA MATÉRIA

Abertura 24 de maio, das 11h às 20h
Visitação até 16 de agosto de 2015


O Instituto Tomie Ohtake organiza e traz ao Brasil, em parceria com a Fundação Joan Miró de Barcelona, a maior exposição dedicada ao artista Joan Miró (1893-1983). Serão 112 obras: 41 pinturas, 22 esculturas, 20 desenhos, 26 gravuras e três objetos (pontos de partida de esculturas), além de fotografias sobre a trajetória do pintor catalão. As peças pertencem à Fundação Joan Miró, de Barcelona, e a coleções particulares. A mostra fica em cartaz na sede do Instituto Tomie Ohtake em São Paulo até 16 de agosto, e segue para o MASC - Museu de Arte de Santa Catarina (Florianópolis), de 02 de setembro a 14 de novembro.

A exposição, com obras selecionadas pela Fundação Joan Miró, divide-se em três grandes blocos cronológicos que coincidem com momentos vitais do artista nos quais vai outorgar à matéria um papel preponderante. Nos Anos 30 e 40, as pinturas e desenhos da época da Guerra Civil Espanhola e da Segunda Guerra Mundial manifestam o início do interesse de Miró pela matéria. No período, seu caráter transgressor também se evidencia, sobretudo no terreno dos procedimentos técnicos. Foi no final dos anos 20 que Miró manifestou de forma explícita seu propósito de "assassinar a pintura", referindo-se a intenção de terminar com a concepção clássica da pintura de cavalete. É neste momento que Miró começa a fazer suas conhecidas colagens e objetos a partir de assemblage de materiais diversos.

Já nos Anos 50 e 60, com a presença maior de técnicas diversas, destaca-se o interesse continuado do artista pela experimentação da matéria, que o levará a trabalhar de forma profusa no campo da escultura, enquanto nos Anos 70 verifica-se como Miró, sobre suportes mais inusitados, segue questionando o sentido final da arte. Neste período, uma importante coleção de gravuras indica a destreza do artista a desafiar os padrões da técnica.

Paulo Miyada, curador do Instituto Tomie Ohtake, defende que a obra de Miró coloca em questão um aspecto tão determinante quanto subreptício na história da arte moderna: a espontaneidade. "A liberdade do traço de Miró seria uma força iconoclasta, gesto de física entrega de si mesmo ao desconhecido e inominado que não é bem o inconsciente, mas a espontânea canalização de energia e vontade através da materialidade da pintura",  afirma.

Já o escritor angolano radicado em Portugal, Valter Hugo Mãe, apontou em um dos trechos de seu texto, concebido especialmente para esta exposição do artista no Brasil, a ligação de João Cabral de Melo Neto com a obra de Miró. O autor ressalta que este encontro ocorreu enquanto o poeta brasileiro fora vice-cônsul do Brasil em Barcelona, de 1947 a 1950, e mais tarde cônsul, de 1967 a 1969.

Em Joan Miró - A Força da Matéria, segundo os curadores da Fundação, busca-se evidenciar o desafio que, desde os anos vinte, o artista manteve com as artes plásticas do mundo ocidental por seu afã ilusionista, para recuperar as qualidades espirituais e mágicas que a pintura e as artes em geral haviam tido na Antiguidade.

"Começar de novo a cultura implica abrir o futuro com a lúcida reflexão acerca do princípio de todas as coisas. O gesto de Miró é uma génese tout court. (...) As obras de Miró parecem conscientes da dimensão mágica, quase protetora, da expressão e, ao criar visões para o mundo das ideias, como das coisas puras, reacende, sublinha, o aspeto milagroso da natureza e da vida. A arte regressa ao seu propósito de implicar verdadeiramente com a espiritualidade. A arte é um cuidado espiritual", aponta o escritor português.

O artista entende que tem que buscar novas formas de recuperação da cultura da matéria, próxima aos povos ditos primitivos e, para isso, experimenta com os mais heterogêneos materiais, transformando-os por meio de inesperados procedimentos técnicos. "O interessante é perceber que a opção de Miró por uma linguagem mais despida o coloca verdadeiramente entre as sabedorias populares, como se emanasse como uma natureza efetivamente primordial, estrutural, capaz de se ausentar do que a cultura mascarou para se encontrar no ponto de partida, como alguém que reinaugura a cultura para reinaugurar a expressão", escreve Valter Hugo Mãe.

O Instituto tem se destacado por realizar uma programação múltipla e independente, possível graças ao apoio de empresas que acreditam no poder da cultura e da arte na formação do país. São parcerias construídas a cada projeto. No caso da exposição de Miró, foram fundamentais os patrocínios da Arteris e do Bradesco, responsáveis pela realização da mostra.

Joan Miró nasceu em Barcelona, em 1893, na Catalunha no final do século XIX e, ainda muito jovem, participou das vanguardas artísticas que agitaram a vida cultural espanhola no inicio do século XX. Desde o início, Miró praticou uma pintura de colorido intenso, com forte influência do movimento fauvista, que na França, teve como seus principais expoentes os artistas Henry Matisse e Maurice de Vlaminck. Uma grave doença levou-o a passar uma longa fase em Montroig. Nesse período, resolveu dedicar-se inteiramente à pintura. A vida, o trabalho no campo e a forte paisagem da região exerceram grande influência na formação de sua linguagem plástica.Miró viajou a Paris pela primeira vez em 1920 e o impacto artístico e cultural da cidade sobre ele foi de tal ordem que permaneceu sem pintar durante toda a sua estadia parisiense. Entretanto, se aproximou das artes de vanguardas: conheceu o revolucionário cubista Pablo Picasso e impressionou-se com as ideias de Tristan Tzara, o grande agitador do movimento Dada, fez amizade com André Masson e inúmeros intelectuais. André Breton, líder do movimento surrealista afirmou que "Miró é o mais surrealista de todos nós", ao se referir aos outros artistas membros daquele movimento. Miró nutre grande simpatia pelo movimento, mas permaneceu sempre independente. A liberdade será, durante toda a sua vida, um modo de pensar e de pintar.

ATENÇÃO! Imagens com copyright obrigatório: © Successión Miró, Miró, Joan AUTVIS, Brasil, 2015

Exposição: Joan Miró - A Força da Matéria
Inauguração: 23 de maio, das 11h às 18h para convidados
Visitação de 24 de maio a 16 de agosto de 2015
De terça a domingo, das 11h às 20h
R$10,oo e R$5,00 (até 10 anos grátis); às terças grátis; compra de ingressos: ingresse.com, aplicativo do Instituto Tomie Ohtake, ou na bilheteria do Instituto de terça a domingo, das 10h às 19h.

Instituto Tomie Ohtake
Av. Faria Lima 201 (Entrada pela Rua Coropés 88) - Pinheiros SP
Metrô mais próximo - Estação Faria Lima/Linha 4 - amarela
De terça a domingo, das 11h às 20h

Informações à Imprensa
Pool de Comunicação – Marcy Junqueira
Atendimento: Martim Pelisson e Luana Ferrari

segunda-feira, 4 de maio de 2015

MENINO LUA

Espetáculo baseado livremente na vida e obra de Luiz Gonzaga, que conta uma ficção com o auxílio das músicas do Véio Lua.

Uma bela homenagem ao músico que é um dos maiores de todos os tempos, que mesmo  quase  trinta anos de sua morte é diariamente lembrado e regravado por artistas de várias gerações, mostrando que seu legado é atual e eterno.

Com um elenco competente e afinado que conduz muito bem o enredo, esta montagem apresenta dois pecadinhos técnicos, o primeiro é a falta de microfonização dos atores, que têem trechos das falas e das músicas perdidos no posicionamento no palco ou escondidos pelos timbres dos instrumentos e o segundo é da iluminação, muito estática.

É um grande passeio onde as crianças terão maior contado com a obra deste gênio cujas músicas estão em nosso subconsciente.

Em temporada até 26/05/2015 no Teatro Anchieta do SESC Consolação.


Que nem jiló - Gilberto Gil



As fotos abaixo foram colhidas no facebook da companhia.






segunda-feira, 27 de abril de 2015

TOMIE OHTAKE 100-101

Esta é uma magnífica mostra dos últimos trabalhos feitos por Tomie Ohtake, já centenária em seu derradeiro ano de vida.

Com obras monocromáticas ou com no máximo a inclusão de outra cor ela trabalha muito mais criando texturas e volumes com as tintas que transformam as telas em quase esculturas. Imagino que isso se deva à diminuição de sua acuidade visual, que a fez abandonar a sua quase sempre exuberância no uso das cores.

Um evento que nos leva a refletir quanto às dificuldades em aceitar a passagem dos anos, pois Tomie Ohtake parece nunca ter se importado com isso se mantendo produtiva até sua morte.


Resposta ao Tempo - Milton Nascimento


Abaixo das imagens, o "press-release", fornecidos pela assessoria de imprensa do Instituto Tomie Ohtake.










INSTITUTO TOMIE OHTAKE

APRESENTA

TOMIE OHTAKE 100-101

Abertura: 01 de abril, às 20h - 07 de junho de 2015


Após o falecimento de Tomie Ohtake, ocorrido dia 12 de fevereiro, o Instituto que leva seu nome realiza uma exposição com suas pinturas recentes. As cerca de 30 telas reunidas, concebidas pela artista dos seus 100 aos 101 anos, auspiciosamente reafirmam o seu desejo: "gostaria de viver enquanto puder trabalhar". 

Com curadoria de Paulo Miyada, a exposição apresenta pinturas, em sua maioria, monocromáticas, iniciadas por uma série branca, seguida pela as de cores. "Essas telas arriscam reduzir drasticamente a variação cromática, exibindo em grande parte monocromos brancos, vermelhos, azuis e amarelos em que linhas e formas se delineiam por relevos e aglomerados de tinta dispostos de forma irregular". Segundo os curadores, ainda, essas obras, especialmente gestuais, contam com a projeção de sombras sutis e a interpretação do olho do espectador para se conformarem.

Para dimensionar a produção da artista, a exposição traz também esculturas em metal em que o gesto manual do processo - Tomie fazia seus estudos com arames -, evidencia-se pelas curvas e torções. Em homenagem à pintora, escultora e gravadora, completam a mostra textos e cerca de sete depoimentos em vídeo inéditos (gravados após 12 fevereiro de 2015) de críticos e artistas, como Carmela Gross, Leda Catunda, Jac Leirner, Miguel Chaia, entre outros.

Trajetória
A carreira de Tomie Ohtake atinge plena efervescência a partir dos seus 50 anos, quando realiza mostras individuais e conquista prêmios na maioria dos salões brasileiros. Participou de 20 Bienais Internacionais (seis de São Paulo, uma das quais recebeu o Prêmio Itamaraty, Bienal de Veneza, Tóquio, Havana, Cuenca, entre outras), contabiliza em seu currículo mais de 120 exposições individuais (em São Paulo e mais vinte capitais brasileiras, além de cidades como Nova York, Washington DC, Miami, Tóquio, Roma, Milão, etc.), e quase quatro centenas de coletivas, entre o Brasil e o exterior, além de 28 prêmios. 

A obra de Tomie destaca-se tanto na pintura e na gravura, quanto na escultura. Marcam ainda a sua produção as mais de 30 obras públicas desenhadas na paisagem de várias cidades brasileiras como São Paulo (Av. 23 de Maio, 1988; Anhangabaú, 1984; Cidade Universitária, 1994, 1997 e 1999; Auditório Ibirapuera, 2004; Auditório do Memorial da América Latina, 1988; Teatro Pedro II em Ribeirão Preto, 1996; entre outras), Belo Horizonte, Curitiba, Brasília, Araxá e Ipatinga, feito raro para um artista no Brasil. Entre 2009 e 2010, suas esculturas alcançaram também os jardins do Museu de Arte Contemporânea de Tóquio e a província de Okinawa, no Japão e em 2012, foi convidada pelo Mori Museum, em Tóquio, a produzir uma obra pública.  

Tomie levou a sua arte para outras frentes. Criou dois cenários para a ópera Madame Butterfly, o primeiro em 1983, no Teatro Municipal do Rio de Janeiro, e o segundo em 2008, no Teatro Municipal de São Paulo. Foi convidada a criar obras para prêmios e comemorações, como por ocasião do centenário da imigração japonesa, em 2008, quando concebeu a monumental escultura em Santos e a do Aeroporto Internacional de Guarulhos em São Paulo. Peças de pequenas dimensões, como o troféu da Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, a homenagem-prêmio para a Fórmula 1, utilizando a pedra do pré-sal (2011), cartazes, ilustrações de livros e periódicos, medalhas e objetos para laureados de muitos eventos fazem também parte de sua diversificada produção. Sobre o seu trabalho foram publicados livros, inúmeros catálogos e  filmes/vídeos, entre os quais o realizado pelo cineasta Walter Salles Jr.

Em 2012, além da obra pública para Tóquio, criou uma série de pinturas azuis, nas quais, mais uma vez, ficava evidente o seu interesse em se renovar, ao inventar uma nova pincelada – a pincelada como forma, sem que a tela perca o movimento e a profundidade característicos de sua produção.  Em 2013 Tomie Ohtake chegou aos 100 anos, comemorados com 17 exposições pelo Brasil, com destaque para as do Instituto que leva o seu nome, Gesto e Razão Geométrica, com curadoria de Paulo Herkenhoff no mês em que completou cem anos (novembro) e Tomie Ohtake Correspondências e Influxo das Formas, ambas com curadoria de Agnaldo Farias e Paulo Miyada, em fevereiro e agosto respectivamente. Em 2014 concebeu as pinturas que fazem parte desta exposição. Em dezembro do mesmo ano, a cineasta Tizuka Yamasaki lançou o documentário Tomie, que retrata com afetividade e delicadeza o universo da artista, mesclando momentos íntimos de Tomie com depoimentos dos críticos Paulo Herkenhoff, Agnaldo Farias e Miguel Chaia.

Exposição: Tomie Ohtake 100-101
Abertura: 01 de abril, às 20h (convidados)
Até 07 de junho de 2015
Terça a domingo, das 11h às 20h – entrada franca
Instituto Tomie Ohtake
Av. Faria Lima, 201 (Entrada pela Rua Coropés, 88) – Pinheiros, São Paulo
Fone: 11.2245-1900
Informações à Imprensa
Pool de Comunicação - Marcy Junqueira
Contato: Martim Pelisson/ Luana Ferrari
Fone: 11.3032-1599

terça-feira, 14 de abril de 2015

David Drew Zingg: Imagem sobre imagem

Tio Dave deve estar um pouco desapontado, afinal mesmo após 15 anos de sua morte é um personagem místico e sempre lembrado da cultura nacional, um dos ícones do desbunde dos anos 70 e 80, quando além de fazer um grande jornalismo fotográfico foi uma "locomotiva" da contra-cultura brasileira ao criar a persona que teve seu auge quando ressuscitou junto a Zé Rodrix o conjunto Joelho de Porco.

Um artista de olhar atendo registrou vários detalhes, às vezes pequenos, às vezes parte de uma paisagem vistas em suas andanças pelo mundo. 

Mesmo que não tenha sido o mote desta mostra senti falta dos seus trabalhos icônicos.

Talvez em função do modesto espaço da atual sede do IMS aqui em São Paulo, fomos privados de uma maior visão sobre esta vertente de sua produção, que imagino tenha milhares de imagens desfrutáveis.

Como um amante da fotografia tenho um sonho de que o IMS, que imagino o mais importante mantenedor de grandes acervos, sejam próprios ou em comodato do Brasil, nos permita acesso físico a ele aqui em São Paulo, quando da abertura de sua nova sede.

Mas nossa curiosidade é satisfeita numa visita virtual ao site do Instituto onde podemos apreciar uma grande parte de suas maravilhas, separadas e classificadas por diversos índices que nos conduzem ao objetivo.

A música abaixo, campeã no quesito melhor letra no "Festival dos Festivais" de 1985 tem a apresentação e narração de David Drew Zingg, o tio Dave, que além de tudo tinha uma coluna cultuada na Folha de São Paulo até no ano de sua morte




A última voz do Brasil - Joelho de Porco


Abaixo das imagens, o "press-release", fornecidos pela assessoria de imprensa do IMS.











IMS-SP apresenta a exposição
David Drew Zingg: Imagem sobre imagem

O Instituto Moreira Salles apresenta, a partir de 15 de abril, em seu centro cultural de São Paulo, a exposição David Drew Zingg: Imagem sobre imagem, dedicada ao trabalho do fotógrafo norte-americano David Drew Zingg (1923-2000). Com curadoria de Tiago Mesquita, a mostra reúne cerca de 70 imagens, integrantes do acervo do fotógrafo, depositado desde 2012 no IMS. No dia 14, às 19h30, por ocasião da abertura, acontecerá uma visita guiada com o curador.

A mostra reúne fotografias de cartazes, letreiros, imagens e anúncios em meio a construções, ruas e pessoas. Imagens feitas ao longo do tempo, e nem sempre ligadas aos trabalhos comissionados que fazia como fotógrafo. Por pelo menos duas décadas, Zingg caçou essa iconografia no Brasil e no exterior, em regiões rurais e em grandes centros urbanos. Retirando escritos e figuras do seu contexto, essas fotografias evidenciam uma certa dimensão pop, componente fundamental dessa vertente do trabalho de David Zingg. Sua força imagética está exatamente naquilo que não tem por pressuposto ser um ícone. Letreiros de épocas e de procedências diversas, reunidos nas imagens do fotógrafo, anunciam e comunicam suas mensagens simultaneamente. Uma figura na parede comenta algo sobre um letreiro acima, que desmente a inscrição ao lado. Assim, em uma das fotos, em uma fachada de azulejos verdes, vemos uma porta em formato de ogiva de igreja gótica ao lado de uma pintura a imitar o anúncio fotográfico da Brahma Chopp. Na mesma casinha, o lugar é descrito como drogaria, restaurante e hotel. E o lugar é de fato tudo isso, e algo mais que não pode ser bem expresso por legendas.

São resíduos de uma época que insiste em não ir embora e de um presente que se estabelece de maneira pouco convincente. Passado e presente convivem em uma única imagem. Em uma fotografia da pitoresca Vila Tororó, em São Paulo, todas as ambiguidades se mostram juntas. Naquela época, o antigo palacete havia se tornado um cortiço. Na foto, a vila já é mostrada como casa modesta. A coluna, no centro da imagem, é adornada com uma versão kitsch de uma divindade greco-romana. Na imagem, ela está alheia ao uso da casa, por ser encoberta com varais carregados de roupa. A construção já não é mais a mesma coisa. Mas a escultura permanece, mesmo fora de contexto.

Para o curador, “são nesses momentos que o trabalho fica mais forte. Quando nos faz perceber esses desequilíbrios. Melhor, quando coloca junto construções, elementos arquitetônicos, textos, paisagens e personagens que parecem não se conhecer, mas compartilham o mesmo espaço. É como se os lugares fossem feitos dessas colagens, de empilhamentos de diversas épocas, de diversos lugares. O cartaz de trás deixa manchas no da frente e outro rouba o fim de uma palavra. Por vezes, os papéis amontoados estão em conflito: um impede que o outro seja entendido. Mas, às vezes, por sorte, ao se juntarem, se tornam mais graciosos. Há junções divertidas. Em um tom de crônica, as fotografias de Zingg mostram essas coincidências felizes e o ruído ensurdecedor de um amontoado de ruínas. Muitas vezes tudo isso está na mesma imagem.”

Sobre David Drew Zingg

Nascido em Nova Jersey, nos Estados Unidos, David Drew Zingg estudou na Columbia University, onde mais tarde seria professor de jornalismo. Foi repórter e fotógrafo da revista Look e trabalhou para outras publicações, como LifeEsquire e Vogue.
Em 1959, Zingg veio ao Rio de Janeiro como membro da equipe do veleiro Ondine na corrida oceânica Buenos Aires-Rio. Encantado com o país, começou a viajar frequentemente para o Brasil. Suas reportagens sobre acontecimentos nacionais, incluindo a construção de Brasília, foram publicadas em várias revistas americanas e britânicas.

Esteve presente na noite de abertura do Show de Bossa Nova, estrelado por Tom Jobim e Vinicius de Moraes na boate Au Bon Gourmet, no Rio, e contribuiu para a organização do memorável Concerto de Bossa Nova no Carnegie Hall, de Nova York, em 1962. Colaborou com os principais veículos de comunicação do país, como Veja, Manchete, Playboy, entre outros.

Em 1978, mudou-se para São Paulo, onde foi consultor e cronista da Folha de S. Paulo, escrevendo de 1987 a 2000 a coluna “Tio Dave”. Zingg também participou da banda Joelho de Porco, célebre pelas letras recheadas de humor.

Nas inúmeras viagens que fez pelo país, produziu um dos mais significativos registros do Brasil dos anos 1970 a 1990. Fotografou o povo brasileiro e sua cultura, além de realizar milhares de retratos de músicos e personalidades, como João Gilberto, Os Novos Baianos, Chico Buarque, Pixinguinha, Leila Diniz, Elke Maravilha, Vinicius de Moraes e Juscelino Kubitschek.

Sobre seus registros fotográficos, David Zingg escreveu: “Fotografia é história, e é essa sua função fundamental. A máquina mostra os dias de hoje àqueles que queiram ver os dias de hoje. Mas a máquina também mostra o ontem àqueles que queiram aprender. (…). O dever de um fotógrafo no Brasil, me parece, é insistir no registro do sofrimento e do prazer, do belo e do irônico. Só o tempo e o público decidirão o significado que as fotografias realmente têm.”

David Drew Zingg morreu no dia 28 de julho de 2000, em São Paulo. Seu acervo, composto por mais de 250 mil imagens fotográficas (principalmente diapositivos coloridos), documentos e objetos pessoais, passou a integrar o acervo do Instituto Moreira Salles em 2012, por meio de comodato realizado com seus descendentes.

Exposição David Drew Zingg: Imagem sobre imagem
Abertura: 14 de abril, a partir de 19h. Às 19h30, acontecerá uma visita guiada com o curador, Tiago Mesquita.
Visitação: de 15 de abril a 9 de agosto
De terça a sexta, das 13h às 19h
Sábado, domingo e feriado, das 13h às 18h
Entrada franca - Classificação livre
Instituto Moreira Salles – São Paulo
Rua Piauí, 844, 1º andar, Higienópolis
Tel.: (11) 3825-2560


Informações para a imprensa:
Barbara Giacomet de Aguiar – (11) 3371-4490
Andressa Lelli - (11) 3371-4424