Visualização de vídeos

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quarta-feira, 25 de junho de 2014

Canalha - Walter Franco X Titãs ( ou "E a nova MPB? II")

Tive que escutar pela segunda vez o novo disco dos Titãs, lançado agora neste semestre para poder escrever esse comentário sobre a regravação desse clássico de Walter Franco lançado no início dos anos 80.

Como sempre tenho dito e escrito sempre prefiro os arranjos originais às regravações que mudam o conceito original do autor.

Apesar deste arranjo dos Titãs não ser de todo ruim, perde em muito para a gravação original, mantendo assim meu dogma; tudo bem sei que posso às vezes parecer pernóstico, mas essa minha regrinha sofreu pouquíssimas exceções.

O disco foi  elogiado pela mídia como um retorno da banda às origens, me pareceu mais, isso sim, uma patética tentativa de recuperar o vigor e o inconformismo com o qual eles se fizeram notar. As letras e os arranjos e os solos de guitarra  parecem já datados e o pior, empoeirados. Hoje os integrantes são senhores burgueses, perfeitamente adaptados ao "mainstream", que soam desafinados ao tentar recuperar seu vigor juvenil.

Ouçam as duas versões e tirem suas próprias conclusões.








Canalha - Titãs

Canalha - Walter Franco

quinta-feira, 5 de junho de 2014

Oscar Niemeyer: Clássicos e Inéditos

O poeta dos balanços e alavancas impossíveis, das curvas suaves e dos poucos pontos de apoio que criam a sensação de leveza e até mesmo de flutuação em edifícios magníficos, de traços tão instigantes que serão sempre de vanguarda. Algumas de suas obras, já com mais de cinquenta anos ainda nos encantam por sua ousadia e ineditismo.

Nesta exposição o Itaú Cultural nos apresenta, além das já conhecidas maravilhas do arquiteto, projetos inéditos que não foram realizados, mas que contém todas as características de seu trabalho. Alguns singelos, como o projeto de casa na praia para seu uso pessoal, outros como o do monumental prédio da sede da CESP, que possui linda uma maquete digital que nos mostra que São Paulo perdeu um ponto de referência e um cartão postal.

Os traços dos desenhos apresentados, sejam nas pranchas ou no rolo de papel com quinze metros de comprimento utilizado na gravação de um documentário, nos mostram que Oscar, mesmo com um rabisco consegue nos transmitir a beleza de suas idéias e pensamentos, arrancando do papel uma sensação tridimensional.

Oscar Niemeyer, junto com Heitor Villa-Lobos e Cândido Portinari formam a troika que representa o que de melhor se produziu nas artes brasileiras em todos os tempos. Podem não ser uma unanimidade, mas nunca serão esquecidos ou ignorados.

Esta mostra, além dos belíssimos trabalhos apresentados, é em si um evento digno de nota, pois sua distribuição em um espaço todo branco, mistura sem confundir as maquetes, os desenhos e os áudio-visuais tornando sua visita um passeio agradável e instrutivo.

A música abaixo é de autoria de Oscar Niemeyer, Edu Krieger e Caio Almeida (seu enfermeiro quando de sua internação em 2010, às vésperas de seu centésimo terceiro aniversário).



Tranqüilo com a vida

Abaixo das imagens, o "press-release", fornecidos pela assessoria de imprensa do Itaú Cultural.





















O pensamento de Oscar Niemeyer da prancheta

para o espaço expositivo do Itaú Cultural


A mostra, que tem como extensão ao nome do arquiteto Clássicos e Inéditos, apresenta
pela primeira vez o conjunto de sua obra ao exibir  projetos que registram o seu percurso,
mas, sobretudo, ao expor outros que nunca saíram do papel e ganharam luz graças à pesquisa
e digitalização de seus originais realizados em parceria  entre a Fundação Oscar Niemeyer
e o Itaú Cultural



De 5 de junho, com coquetel de inauguração para convidados um dia antes, a 27 de julho, o público pode acompanhar o pensamento de Oscar Niemeyer (1907-2012) quando se debruçava em sua prancheta de trabalho. Os traços do arquiteto que revolucionaram a forma, ao fundir estrutura e arquitetura, estão nas mais de 300 obras exibidas na exposição Oscar Niemeyer: Clássicos e Inéditos e ocupam os três andares do espaço expositivo do Itaú Cultural. São plantas, croquis e desenhos originais, maquetes, filmes e fotos.

A curadoria é de Lauro Cavalcanti e a expografia é de Pedro Mendes da Rocha. A organização é do Núcleo de Artes Visuais do instituto que trabalha em parceria com a Fundação Oscar Niemeyer a qual, com patrocínio do Itaú Unibanco, realizaram a digitalização de 4800 desenhos e croquis originais do acervo da fundação já catalogados e parte desse material está presente na mostra.

O Itaú Cultural tem uma forte preocupação e atuação no resgate de ícones da cultura brasileira.”, comenta Eduardo Saron, diretor da instituição. “O apoio do instituto para a digitalização de todo o acervo deste arquiteto primordial para o país e o mundo, se insere nesse caminho que seguimos para a preservação do legado cultural produzido aqui.”

Também por esta razão, o Itaú Cultural procura aprofundar a exibição de trabalhos de Niemeyer raramente vistos. “Várias exposições sobre a obra construída de Oscar Niemeyer foram feitas por ele próprio ou por outros curadores”, comenta Cavalcanti apontando o diferencial da proposta desta mostra: “Sem descartar o registro de um percurso que, por vezes, se confunde com aquele da arquitetura do século XX, o objetivo desta mostra é revelar projetos inéditos que, por vários motivos, permaneceram no papel.”

Divididos tematicamente em cada um dos três andares – Clássicos, no 1º piso; Inéditos, no piso -1 , e São Paulo, no piso -2 – são apresentados 70 projetos, sendo 51 deles inéditos e 19 construídos, disponibilizados também em formato digital para consulta do público. Eles se desdobram em 309 plantas, desenhos e croquis originais. Também faz parte da mostra, um rolo de 16 metros de comprimento, praticamente desconhecido, desenhado por Niemeyer durante a gravação do documentário Oscar Niemeyer - O Filho das Estrelas, dirigido por Henri Raillard em 2001.

Completam o circuito, sete maquetes – quatro delas inéditas e uma eletrônica, que apresenta o projeto para sede da Companhia Energética de São Paulo (CESP) em dois terrenos na confluência da Alameda Ministro Rocha Azevedo e São Carlos do Pinhal. “Nela podemos acompanhar seu raciocínio no sentido de recriar um espaço urbano com menor adensamento e maior incidência de ar e luz”, observa o curador. A projeção contínua de dois documentários sobre ele, exibidos na íntegra, aprofundam o conhecimento não somente do profissional como do homem Niemeyer: o citado acima, e Oscar Niemeyer – A Vida é um Sopro, com direção e roteiro de Fabiano Maciel.  E, ainda, depoimentos gravados em vídeo de outros arquitetos como Paulo Mendes da Rocha, Ciro Pirondi e Ruy Ohtake. Some-se, 179 imagens de célebres fotógrafos como Thomas Farkas, Marcel Gautherot, Leonardo Finotti, Chico Albuquerque, Domingos de Miranda Ribeiro, Michel Moch, Mauricio Simonetti e Kadu Niemeyer.

Outros destaques
Ainda entre os destaques a serem exibidos na mostra deste arquiteto está a maquete do Ministério da Educação e Saúde, famoso edifício projetado por Niemeyer e Lucio Costa no Rio de Janeiro em 1936. Entre os projetos para residências está a planta para a família Buarque de Hollanda em São Paulo, de 1953.

O visitante também pode ver o projeto para Cidade do Futuro, mais um nunca realizado, assim como o plano da Cidade de Negev projetado em 1964 para a construção de uma cidade no deserto de Negev, em Israel.

Sobre os inéditos
Os originais inéditos provém, em sua grande maioria, de cadernos de trabalhos não executados.  De acordo com o curador, eles permitem ver a metodologia de Niemeyer, assim como seguir o seu modo de conceber, desenhar, escrever e, em alguns casos, acompanhar o desenvolvimento dos projetos. Ele colocava suas opções visuais por escrito, em textos que chamava de “explicações necessárias”, caso tivesse dificuldade de clareza ou síntese voltava para a prancheta para redesenhá-lo.

A monumentalidade de sua obra está patente, entre outras, no desenho de mansões projetadas para Bruxelas, Jeddah e Brasília. Ao contrário, o domínio da pequena escala foi exercido na casa projetada para Oswald, assim como na residência circular, sobre pilotis, concebida para ele próprio nos anos 1980, e na pequena habitação, de 1979, presenteada a um amigo seu, do qual só se sabe o prenome Salim.

Também de acordo com o curador, a mostra permite perceber uma linha de coerência entre, por exemplo, a casca proposta em décadas distintas para a sede social do Jockey Clube Brasileiro no Rio (1973).

Clássicos
O setor dedicado aos clássicos reúne fotografias e maquetes de suas obras emblemáticas e, também, traz novidades. Pela primeira vez são mostrados os originais do conjunto de 20 croquis preparados pelo arquiteto, em 1997, denominados Aula. O objetivo de Niemeyer era que fossem multiplicados, percorrendo universidades de todo país, de modo a transmitir seu pensamento plástico, político e existencial.

Chamam à atenção, ainda, as cópias heliográficas da sede da Organização das Nações Unidas (ONU), interferidas por traços de lápis de cor. Elas registram um momento histórico de Niemeyer, quando ele, cedendo às argumentações do mestre, abdicou de ter seu projeto individual escolhido, propondo uma fusão com a proposta de Le Corbusier.

Em São Paulo
Clássicos e Inéditos reserva todo um andar aos projetos para o estado de São Paulo. Um mapa eletrônico localiza os projetos de Niemeyer para a cidade. “Um vínculo muito especial liga Oscar Niemeyer a São Paulo”, observa o curador. “Conjunto da Pampulha à parte, foram executadas em terras paulistanas, em 1951, as suas primeiras grandes obras públicas, o conjunto do Ibirapuera e a primeira mega estrutura dentro do tecido urbano, o Edifício Copan.” Para ele, esses projetos foram fundamentais no sentido de exercitar uma linguagem de grandes escalas, aplicada depois em Brasília.

Este andar reúne uma série de projetos para o estado de São Paulo, no período de 1938 a 1990. Entre os inéditos que permeiam toda a mostra neste piso encontra-se uma versão de 1989, para o Auditório do Ibirapuera, muito diversa da construída em 2002.

Digitalização do acervo
A digitalização do acervo do arquiteto pela Fundação Oscar Niemeyer, com o patrocínio do Itaú Unibanco, contempla aproximadamente cinco mil documentos e ainda o tratamento e catalogação de parte dos arquivos da Instituição. Com o início dos trabalhos no ano passado, até agora foram catalogados mais de 500 projetos.

A coleção da instituição consiste em quase 9 mil documentos produzidos entre 1938 e 2005, entre álbuns, croquis e desenhos técnicos. Representando 342 projetos dos mais de 600 criados por Niemeyer, os documentos são um valioso registro do trabalho de um artista que marcou a arquitetura do século XX. Um acervo importante pela quantidade de documentos reunidos e pelo fato de serem, em grande parte, sobre projetos que não foram construídos, muitas vezes sendo a única referência existente sobre eles.


SERVIÇO
Oscar Niemeyer: Clássicos e Inéditos
Abertura para convidados: 4 de junho, quarta-feira, às 20h
Visitação: de 5 de junho a 27 de julho de 2014
De terça-feira a sexta-feira, das 9h às 20h
Sábados, domingos e feriados, das 11h às 20h
Pisos 1, -1 e -2

Estacionamento com manobrista: R$ 14 uma hora; R$ 6 a segunda hora;
mais R$ 4 p/ hora adicional
Estacionamento gratuito para bicicletas
Acesso para deficientes físicos
Ar condicionado

Itaú Cultural
Avenida Paulista, 149, Estação Brigadeiro
do Metrô
Fones: 11. 2168-1776/1777


Assessoria de Imprensa
Conteúdo Comunicação
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Carina Bordalo: carina.bordalo@conteudonet.com
No Itaú Cultural:
Fone: 11.2168-1950

sexta-feira, 23 de maio de 2014

OBSESSÃO INFINITA, DE YAYOI KUSAMA

Essa foi uma exposição a qual fui cheio de preconceitos, acho que pelo release e matérias que li nos jornais informarem ter sido a artista um expoente da "Pop-Art", contemporânea e amiga de Andy Wharol, o que por si só já deporia contra seu trabalho.

Mas qual não foi minha surpresa logo na entrada da primeira sala, quando me peguei extasiado pelas gravuras de uma beleza ímpar. As esculturas-instalações, nesta sala, não me impressionaram tanto pois tenho severas restrições a este tipo de apresentação.

O que realmente é encantador nesta mostra são as salas (cenários?) que ela cria com o uso de espelhos, objetos, lâminas d'água e luz negra, nos proporcionando ilusões de ótica que até nos causam uma vertigem gostosa.

Uma artista cujas obras passam longe da mesmice da arte rasteira e barata, feita por incompetentes preguiçosos que se dão um valor que não possuem e cheios de empáfia e galhardia se auto-denominam "gênios".

Um magnífico passeio, para ser feito com vagar aproveitando-se da grandeza do evento.


Pátio dos Loucos - Walter Franco


Abaixo das imagens, o "press-release", fornecidos pela assessoria de imprensa do Instituto Tomie Ohtake.









INSTITUTO TOMIE OHTAKE

APRESENTA

OBSESSÃO INFINITA, DE YAYOI KUSAMA

Abertura: 21 de maio, às 20h (convidados) – até 27 de julho de 2014

Obsessão infinita, de Yayoi Kusama, chega a São Paulo, depois de passar pelo Rio e Brasília, acrescida de duas obras especialmente trazidas para a exposição no Instituto Tomie Ohtake. São grandes esculturas das séries “Accumulations”: “Sem título”, 1962-1963 e “Desire for Death” [Desejo de morte], 1975-1976. “Sem título” – que foi destaque na retrospectiva de Kusama na Tate Modern, em 2011/12 – é composta por dez pares de sapatos femininos, de salto alto, repletos de formas fálicas feitas de tecido estofado, que fizeram sua primeira aparição na série de esculturas Sex Obsession [Obsessão por sexo] da década de 1960. Já em “Desejo de Morte”, agrupamentos de apêndices, que nada mais são que formas excêntricas em tecido pintadas de prateado, emergem de panelas comuns e conchas de cozinha. Em ambas, objetos do cotidiano tornam-se palco para a projeção de obsessões particulares da artista, à medida que a repetição compulsiva do elemento tecido assume a aparência de um crescimento incontrolável, similar ao dos vegetais.

A exposição é a primeira apresentada no País que expressa uma pesquisa profunda do trabalho de uma das artistas mais originais e inventivas do pós-guerra. Produzida, em sua edição brasileira e latino-america, pelo Instituto Tomie Ohtake, em colaboração com o estúdio da artista, a mostra tem curadoria de Philip Larratt-Smith e de Frances Morris (curadora da retrospectiva da Kusama na Tate Modern de Londres). Obsessão Infinita oferece um panorama do trabalho da artista japonesa viva mais proeminente, por meio de aproximadamente 100 obras que cobrem o período de 1949 a 2012, entre as quais pinturas, trabalhos em papel, esculturas, vídeos, apresentação de slides e instalações, entre elas a famosa “Dots Obsession”.
Obsessão infinita traça a trajetória de Yayoi Kusama do privado ao público, da pintura à performance, do ateliê às ruas. A artista nasceu na cidade de Matsumoto, Japão, em 1929. Começou a realizar seus trabalhos poéticos e semi-abstratos em papel nos anos 1940, antes de iniciar sua celebrada  série “Infinity Net” (Rede Infinita), no final dos anos 1950 e no início dos 1960. Essas pinturas originais são caracterizadas pela repetição obsessiva de pequenos arcos pintados, aglutinados em padrões rítmicos maiores. Sua mudança para New York, em 1957, foi um divisor de águas para a artista. Foi nessa época que entrou em contato com Donald Judd, Andy Warhol, Claes Oldenberg e Joseph Cornell. Sua prática de pintura abriu caminho para esculturas delicadas, conhecidas como “Accumulations” (acumulações) e, em seguida, para performances e happenings que se tornaram selos da subcultura marginal e renderam, para a artista, notoriedade e a atenção das principais correntes críticas de então.

Em 1973 Kusama retornou ao Japão e, desde 1977, vive voluntariamente em uma instituição psiquiátrica. O caráter psicológico singular e pronunciado de seu trabalho sempre foi combinado com uma generosa dose de reinvenção e inovação formal, o que lhe permite dividir sua visão única com um público mais amplo, através do espaço infinitamente espelhado e da repetição obsessiva de pontos que caracteriza sua obra. Em seus trabalhos mais recentes, a artista renovou o contato com seus instintos mais radicais em instalações imersivas e colaborativas – peças que fizeram dela, com justiça, a artista viva mais celebrada do Japão.

Serviço
Obsessão Infinita, de Yayoi Kusama
Abertura: 21 de maio de 2014 (para convidados).
Visitação do público: de 22 de maio a 27 de julho de 2014.
Entrada franca
Curadoria: Philip Larratt-Smith e Frances Morris
Produção: Instituto Tomie Ohtake
Instituto Tomie Ohtake
Av. Faria Lima, 201 (Entrada pela Rua Coropés, 88) - Pinheiros SP
Fone: 11.2245-1900
De terça a domingo, das 11h às 20h – entrada franca
Informações à Imprensa
Pool de Comunicação – Marcy Junqueira / Martim Pelisson
Fone: 11.3032-1599

segunda-feira, 19 de maio de 2014

ARTEFUTEBOLARTE

Uma exposição menor, onde o curador procura traçar um paralelo entre as várias fases das artes plásticas brasileiras com o futebol e os ídolos de cada época.

Com reproduções fotográficas, quase todas com uma qualidade de ampliação discutível de obras e retratos de várias épocas, apresenta um breve resumo sobre que ocorria em cada década sobre os dois assuntos, tornando assim uma agradável experiência as comparações.

Há uma sala, que imita uma arquibancada de um estádio, com vídeos instalações que apresentam várias jogadas em montagens onde elas ocorrem às vezes sem a bola, às vezes sem os jogadores.

Esse é um tema recorrente de exposições, a cada quatro anos sempre se repetem, como quando visitei no CCBB a mostra Craques do Cartum na Copa, ondes os grandes cartunistas brasileiros fizeram um evento para marcar o campeonato de 2010.

Agora, o que podemos notar é que nosso povo neste últimos anos mudou sua postura referente a esse assunto, tornando-se mais crítico e consciente. Se indignando com os desmandos, as falcatruas e as prioridades do governo no uso de verbas do orçamento.Também há quatro anos escrevi um comentário, A pátria de chuteiras, em que observava a reação da população brasileira frente às grandes questões nacionais. Hoje vejo que fomos tão aviltados que nossa paciência atingiu o limite e bradamos hoje por um país mais digno.

Um passeio agradável para quem gosta do esporte e de artes.



 O Futebol - Francisco Faria e Luiz Cláudio Ramos
( Chico Buarque de Holanda )

Abaixo das imagens, o "press-release", fornecidos pela assessoria de imprensa do Instituto Tomie Ohtake.






INSTITUTO TOMIE OHTAKE

APRESENTA

ARTEFUTEBOLARTE

Abertura: 15 de maio, às 20h (convidados) – até 25 de junho de 2014


Uma viagem pela história do futebol é a proposta da exposição ARTEFUTEBOLARTE, que o Instituto Tomie Ohtake apresenta de 16 de maio e 25 de junho, período quase concomitante ao que o Brasil abriga o rito supremo desse esporte, a Copa do Mundo. Com curadoria de Hélio Campos Mello, fotógrafo e diretor editorial da Brasileiros Editora, a mostra exalta o nosso país como o inventor do “Futebol Arte”, a qualidade da produção fotográfica dedicada ao esporte e traça um paralelo, histórico e contemporâneo, com as artes plásticas. 

Com expografia assinada por Martin Corullon, da Metro Arquitetos, Artefutebolarte dividi-se em três núcleos. No primeiro, que ocupa o grande hall do Instituto, criou-se um espaço retangular que remete a arquibancadas de estádio, onde são apresentadas obras dos premiados fotógrafos Jorge Araújo (Folha de S. Paulo), Ricardo Stuckert e Paulo Pinto (Agência Fotos Públicas). A excelência dos trabalhos, que revelam momentos em campo de jogadores como Neymar, Ronaldo e Ronaldinho, deixa claro que além de craques da bola, o Brasil também é celeiro de grandes fotógrafos.

O segundo núcleo trata da relação entre a arte e o futebol no Brasil. Uma seleção de fotografias - que mostra desde os primórdios do futebol no final do século XIX até os dias de hoje - é intercalada por imagens de obras de arte correspondentes aos períodos ilustrados pelos feitos do esporte. Pinturas de Almeida Junior, Tarsila do Amaral, Alfredo Volpi, Rubens Gerchman, Aguillar, Cildo Meirelles e expoentes do cenário artístico atual são exibidas  ao lado de fotografias de Pelé, Garrincha, Tostão, Zico, Romário, Ronaldo, entre outros, com destaque para os anos de 1958, 62, 70, 94 e 2002.

Para completar a exposição, uma sala recebe obras do artista plástico Lula Wanderley, em uma espécie de reinvenção do futebol. Jogadas antológicas de Maradona, Pelé, Zidane e Romário são retrabalhadas em três vídeos que registram estes ícones em seus momentos sublimes, mas sem a bola - retirada pela arte de Wanderley.

Serviço
ARTEFUTEBOLARTE
Abertura: 15 de maio de 2014 (para convidados).
Visitação do público: de 16 de maio a 25 de junho de 2014.
Entrada franca
Curadoria: Hélio Campos Mello

Instituto Tomie Ohtake
Av. Faria Lima, 201 (Entrada pela Rua Coropés, 88) - Pinheiros SP
Fone: 11.2245-1900
De terça a domingo, das 11h às 20h – entrada franca

Informações à Imprensa
Pool de Comunicação – Marcy Junqueira / Martim Pelisson
Fone: 11.3032-1599

terça-feira, 13 de maio de 2014

Tauromaquia - Goya Picasso Dali

Mais uma magnífica exposição com que o Museu da FAAP nos brinda, com as séries Tauromaquia completas dos três maiores artistas plásticos da Espanha em todos os tempos, nos trás também as ilustrações de Picasso para o livro "Carmen", que conta o romance da personagem com um toureiro e estudos para a confecção de "GUERNICA", talvez sua obra mais importante junto com Les Demoiselles d'Avignon.

Se eu ainda tivesse alguma restrição aos trabalhos de Pablo Picasso, essas foram totalmente superadas pois a força e a beleza de todos seus trabalhos aqui apresentados nos mostram a genialidade de um artista que com quatro ou cinco traços consegue criar expressões faciais plenas de emoção, vide as ilustrações de "Carmen".

A série de Goya já tinha sido apresentada aqui em São Paulo completa aqui em 2007 na mostra Tauromaquia no Masp, de outro acervo, junto com a série "Os Horrores da Guerra", esta sim de um forte impacto.

As obras de Dali, em menor número e nem por isso menos importante, também vem carregadas de movimento e emoção, com o uso da cor vermelha para realçar as cenas.

Um evento imperdível para quem gosta da boa arte ou quer conhecer ou rever esses mestres.



Danza Ritual del Fuego - Pacco de Lucia

Abaixo das imagens, o "press-release", fornecidos pela assessoria de imprensa do evento, menos as duas primeiras, colhidas na internet.










MOSTRA TRAZ OBRAS DE PICASSO, DALÍ E GOYA
EM TORNO DAS TOURADAS

Produtora Mega Cultural leva ao MAB-FAAP a exposição Tauromaquia de 11 de maio a 22 de junho de 2014. A entrada é grátis
O espetáculo das touradas desde sempre inspirou artistas do mundo todo. Por conta deles, o touro ganha lugar especial e significado em muitas das obras de alguns grandes mestres e incontáveis artistas usaram a tauromaquia (combate com touros) como um instrumento para representar simbolicamente a luta contra o poder opressor. Costurando uma seleção sobre a estreita relação da produção artística de Picasso, Dalí e Goya as curadoras Monika Burian Jourdan e Serena Baccaglini trazem, pela primeira vez, a exposição Tauromaquia, que será montada no Museu de Arte Brasileira da Fundação Armando Alvares Penteado (MAB-FAAP), de 11 de maio a 22 de junho de 2014.
A mostra reúne diversas obras e séries que totalizam 300 imagens, entre desenhos originais e gravuras das mais importantes personalidades da arte. Francisco Goya, Pablo Picasso e Salvador Dalí evidenciaram o fascínio pelo universo da corrida de touros e desenvolveram trabalho consistente e relevante em torno do tema, tão intrinsecamente ligado à cultura Ibérica. Muitas das obras trazidas ao Brasil para esta mostra foram raramente vistas antes. Dentre elas está o estudo de Picasso para Guernica, nas mesmas dimensões do painel original.
“Na maioria das civilizações o touro, tema central da exposição, é um símbolo místico que significa força, coragem e fertilidade. Esta força animal que os touros mostram é retratada de forma fascinante nas obras destes artistas”, explica Monika. “Para os artistas a tourada não representa apenas um espetáculo. Para Goya, por exemplo, Tauromaquia foi inicialmente uma ferramenta para expressar sua dissidência política. A exposição apresentará a série completa de gravuras Tauromaquia de Goya, uma das suas séries mais famosas".
Pablo Picasso foi influenciado por Goya. Baseou-se no uso do conhecimento do chiaroscuro de Goya na produção de sua própria obra, utilizando-a como instrumento de protesto contra a ditadura do General Franco. Picasso e Goya utilizaram este tema para manifestar profundo sofrimento e resistência à opressão.
Salvador Dalí teve a ideia de fazer uma releitura da série de desenhos “Los Caprichos”, de Goya, transformando-a em uma obra prima surrealista. Nos anos 1966-67, Dalí transformou a famosa “Tauromaquia Suite” (1957-59) de Picasso numa extensão do diálogo artístico que os dois artistas mantiveram durante anos. Alguns desses trabalhos fazem parte das obras desta exposição. 
Goya, por sua vez, usou a tauromaquia para expressar sua dissidência política contra os nobres, opressores do povo. Suas obras retrataram a tourada como uma arena mística, em que algo está sempre acontecendo. Esta exposição apresentará uma de suas mais famosas séries sobre este tema.
Vista como um confronto entre a liberdade e a força bruta, a tauromaquia pode também ser interpretada neste conjunto de obras como uma metáfora do poder opressor ou da capacidade para autoafirmação e emancipação. Em muitas civilizações o touro, figura central desta mostra, tem o significado de força, bravura e fertilidade.
As obras da exposição pertencem a coleções particulares, à Art Camù – Coleção de Arte (Sardenha – Itália) e à Galeria Fetzer (Alemanha).
Sobre a Mega Cultural
Desde 1997, a Mega Cultural atua na idealização, produção e realização de projetos multiculturais e artísticos, além da captação de recursos. Com foco principal em arte pública, a produtora atua como ponte entre o universo artístico e o público. A empresa fundada por Renata Junqueira também representa um importante canal para a revelação de novos talentos que buscam espaço no universo das artes. Dentre os projetos, ganha destaque a Bienal Internacional Graffiti Fine Arts, iniciada em 2010 e consagrada em 2013 como a exposição mais visitada do ano em São Paulo.
Sobre o MAB-FAAP
O Museu de Arte Brasileira da Fundação Armando Alvares Penteado (MAB-FAAP) possui um acervo próprio com cerca de três mil obras de arte brasileira, como fotos, esculturas, gravuras, pinturas, entre outras, datadas a partir do final do século XIX. Dentre os principais artistas estão Anita Malfatti, Victor Brecheret, Di Cavalcanti, Oswaldo Goeldi, Lasar Segall, Pancetti, Portinari, Alfredo Volpi, Cícero Dias, Tomie Ohtake, Arcângelo Ianelli, Flávio de Carvalho, Lygia Clark e Burle Marx, entre outros. Um painel de vitrais de 230 metros quadrados também integra o acervo de obras do MAB-FAAP.
Criado em 1960, o MAB tem abrigado exposições marcantes, tanto de arte brasileira como de arte internacional, provenientes dos principais museus do mundo. Destacam-se “A Arte do Egito no Tempo dos Faraós” (Museu do Louvre, França), “China. A Arte Imperial, A Arte do Cotidiano, A Arte Contemporânea” (Museu Guimet e coleções particulares da França), “Deuses Gregos” (Coleção Museu Pergamon de Berlim, Alemanha) e “Herança dos Czares” (Museu do Kremlin de Moscou, Rússia). No âmbito da moda, o Museu realizou mostras internacionais de grande repercussão, como a “Papiers à la Mode”, com vestidos confeccionados em papel pela artista belga Isabelle de Borchgrave; “Christian Lacroix - Trajes de Cena”, com figurinos do Centre National du Costume de Scène (CNCS); e “Os Anos Grace Kelly, Princesa de Mônaco”, em parceria com o Grimaldi Forum – Mônaco. 
 O MAB-FAAP já foi contemplado com importantes prêmios do setor. O mais recente foi concedido em 2010 pela Associação Brasileira de Críticos de Arte (ABCA) às exposições ‘Memórias Reveladas’ e ‘Tékhne’.

Exposição Tauromaquia
Vernissage: 10/5/2014, às 17h – imprensa e convidados
Período de visitação: de 11/5 a 22/6/2014
Horário: De terça a sexta-feira, das 10h às 21h
Aos sábados, domingos e feriados, das 13h às 18h
(Fechado às segundas-feiras, inclusive quando feriado / O acesso de visitantes à exposição pode ser feita até uma hora antes do horário de fechamento)
Entrada: gratuita
Local: MAB-FAAP
Endereço: Rua Alagoas, 903 – Higienópolis
Informações: (11) 3662-7198      
Agendamento de visitas educativas: (11) 3662-7200   


Informações à imprensa

FAAP / WN&P COMUNICAÇÃO

Sala de Imprensa: www.faap.br/imprensa

Tel: (11) 3662-7270/ 7271 – Fax: (11) 3662-7271

Jornalistas: Fabiana Dourado (fabiana.dourado@wnp.com.br)

                   Iracema Carvalho (iracema.carvalho@wnp.com.br)

quinta-feira, 8 de maio de 2014

UM TRÁGICO NOS TRÓPICOS - IBERÊ CAMARGO

Considerado um dos mais importantes artistas plásticos brasileiros do século XX recebe uma homenagem em forma de retrospectiva de sua longeva carreira, mostrando obras das suas diversas fases de propriedade tanto do Instituto Iberê Camargo, como de colecionadores.

Nunca fui um fã de Iberê Camargo, sempre que via seus trabalhos tinha a sensação de ser um total ignorante, pois além de não gostar do que via, ficava irritado e intrigado por não perceber valor nenhum naquelas obras. 

E não é que essa exposição suavizou um pouco meu desconforto, pois as obras apresentadas me fizeram perceber que tinha razão. A angustia inicial em seus trabalhos foi muito mais intensificada após a tragédia que se abateu em sua vida, quando em legitima defesa matou um homem.

Esse é um passeio que não pode deixar de ser feito, mesmo que cheguemos já com uma certa prevenção.




Renato Borghetti - Milonga para Missões

Abaixo das imagens, o press-release, fornecidos pela assessoria de imprensa do evento.










CCBB SÃO PAULO APRESENTA


 UM TRÁGICO NOS TRÓPICOS


Retrospectiva inédita no CCBB São Paulo marca o início das homenagens ao centenário de Iberê Camargo

Recorte extenso das obras do artista ocupará todo o prédio da instituição em São Paulo

Projeto é uma co-realização do CCBB São Paulo com a Fundação que leva o nome do artista.

O Centro Cultural do Banco do Brasil de São Paulo dá inicio às homenagens do centenário de nascimento de um dos maiores artistas brasileiros, Iberê Camargo, com a exposição “Um Trágico nos Trópicos”, que acontece no período de 3 de maio a 7 de julho de 2014. O projeto, que tem co-realização da Fundação Iberê Camargo, configura-se como a primeira grande exposição do artista em São Paulo nos últimos dez anos, em alinhamento com as iniciativas da Instituição para o Centenário de seu artista patrono.

O CCBB São Paulo abrigará em torno de 145 obras de Iberê, entre pinturas e gravuras da coleção da Fundação e de colecionadores,  de forma a apresentar ao público parte importante da história do artista e sua relevância para as artes visuais no Brasil. Ao todo, serão aproximadamente 55 pinturas (das quais 50% pertence ao acervo da Fundação), cerca de 80 desenhos e gravuras (todos do acervo da Fundação) e mais de 10 matrizes de gravura.

Com curadoria de Luiz Camillo Osório, a exposição retrospectiva tem como premissa uma relação direta entre a presença viva da matéria pictórica e a potência trágica da pintura de Iberê. “A ênfase está na fase madura do artista, mostrando-a como coroamento de sua trajetória, em que a recuperação da figura foi menos um retorno a algo que havia sido abandonado e mais uma explicitação da corporeidade – do homem e da pintura e sua inscrição como visualidade encarnada”, afirma Camillo.

A primeira sala, no quarto andar, o ponto de partida do percurso, trará uma retrospectiva com os vários momentos da trajetória do artista. Segundo Camillo, “da pequena paisagem dos anos 1940 às enormes telas da última fase, a pintura vai se exasperando, o gesto com pincel e espátula vai ficando mais encrespado e mais introspectivo. A sala do terceiro andar será toda dedicada a esta última fase, das telas trágicas, do pintor diante de uma espécie de desespero inconformado, nada cínico, que aposta todas as suas fichas na força do acontecimento pictórico, como uma espécie de reencantamento sensorial a contrapelo de nossa eficiência técnica e instrumental. No segundo andar, veremos o processo de amadurecimento da trajetória de Iberê, dos carretéis até as telas dos anos 1980, quando a figura humana começa a reaparecer em suas obras. É a conquista de um estilo. No subsolo haverá uma pequena mostra complementar do Iberê gráfico, apresentada como uma exposição de câmara, intimista, em que muitos dos seus temas e obsessões são trabalhados no corte preciso da linha e das várias experimentações realizadas como gravador”.



Iberê Camargo, considerado um dos grandes e mais importantes nomes da arte brasileira do século 20, é autor de uma obra extensa, que inclui pinturas, desenhos, guaches e gravuras, com traços e sensibilidade única. Suas referências desde jovem eram personalidades independentes, como Guignard e Goeldi. Na Europa, estudou com mestres como Giorgio de Chirico, Carlos Alberto Petrucci, Antônio Achille e André Lhote. Iberê exerceu forte liderança no meio artístico e intelectual durante sua carreira. Teve sua obra reverenciada em exposições de renome internacional, como a Bienal de São Paulo, a Bienal de Veneza, a Bienal de Tóquio e a Bienal de Madri, e integrou inúmeras mostras no Brasil e em países como França, Inglaterra, Estados Unidos, Escócia, Espanha e Itália. A questão do corpo e da carne (seja a da pintura e das tintas, seja a do homem e sua existência) marca a obra do artista desde seu início nos anos 1940 e a percorre até o final, nos anos 1990. Esta preocupação faz ressaltar a própria urgência da vida e sua inevitável finitude, com uma pincelada nervosa e precisa. Iberê faleceu em 1994, em Porto Alegre, deixando um acervo de mais de cinco mil obras – entre pinturas, gravuras, desenhos, guaches e documentos pessoais, que em grande parte integram o acervo da Fundação Iberê Camargo na capital sul rio-grandense.

A realização de “Um Trágico nos Trópicos” somente se viabilizou através de uma parceria da Fundação Iberê Camargo e o Centro Cultural Banco do Brasil, ambas instituições de grande magnitude no cenário cultural brasileiro. Sobre a parceria, Marcos Mantoan, Gerente Geral do CCBB SP, comenta: “Estamos muito felizes com a parceria e a grande oportunidade de homenagearmos um dos maiores artistas brasileiros de todos os tempos”.

Para Fábio Coutinho, da Fundação Iberê Camargo, “a oportuna homenagem do CCBB à Iberê Camargo no ano de seu Centenário e a parceria entre essas duas instituições demonstram o seu comprometimento em oferecer projetos de grande relevância cultural. Esperamos que a apresentação da obra de Iberê no CCBB aproxime ainda mais o público do legado desse grande artista.”

Integrando a retrospectiva, o CCBB São Paulo prepara atividades especiais junto à sua equipe educativa, como, por exemplo, visitas mediadas, oficinas educativas e atendimento ao público especial por meio de materiais táteis, no intuito de democratizar o acesso à obra do artista, considerado um dos mais importantes personagens da história da arte no Brasil.

Juntamente com a exposição, será publicado também um catálogo inédito com texto do curador Luiz Camillo Osório, incluindo textos e entrevistas de Iberê envolvendo personalidades como Augusto Massi, Carlos Martins, Clarice Lispector, Flávio Aquino, Joel Pizzini, Jorge Guinle, Lisette Lagnado, Paulo Reis e Pierre Courthion.

“Não há um ideal de beleza, mas o ideal de uma verdade pungente e sofrida que é a minha vida, é tua vida, é nossa vida, nesse caminhar no mundo.” – Iberê Camargo.

Resumo Biográfico – Iberê Camargo

Iberê Camargo nasceu em Restinga Seca, cidade do interior do Rio Grande do Sul, em novembro de 1914. O interesse pela arte manifestou-se cedo em Iberê que, já aos quatro anos, sentado debaixo da mesa, passava horas a fio a desenhar. Sua infância e as lembranças de sua cidade natal, como a estação ferroviária em que seus pais trabalharam, são elementos marcantes nas primeiras obras de sua carreira.

Em 1928, o artista ingressou na Escola de Artes e Ofícios de Santa Maria (RS). Lá, teve aulas com Frederico Lobe e Salvador Parlagreco. Sua mudança para Porto Alegre ocorreu apenas em 1936, ano em que iniciou o curso técnico de desenho de arquitetura do Instituto de Belas-Artes e começou a trabalhar como desenhista na Secretaria de Obras
Públicas do Rio Grande do Sul. Decidido a ser pintor e sentindo a necessidade de encontrar os meios que possibilitassem tal realização, Iberê mudou-se para o Rio de Janeiro, em 1942, com o apoio de uma bolsa de estudos concedida pelo Governo do Estado do Rio Grande do Sul. Insatisfeito, porém, com a proposta acadêmica da Escola Nacional de Belas-Artes, deixou a instituição e, ainda na capital fluminense, passou a ter aulas com Alberto da Veiga Guignard. Em 1943, junto de outros artistas, fundou o Grupo Guignard.

No Salão de Arte Moderna de 1947, Iberê Camargo apresentou a obra intitulada Lapa, pela qual recebeu o Prêmio de Viagem à Europa. Ávido por conhecimento, tornou-se aluno de nomes como Giorgio de Chirico, Carlos Alberto Petrucci, Antônio Achille, Leone Augusto Rosa e André Lhote. Seu retorno ao Brasil aconteceu em 1950. A partir de 1958, devido a limitações físicas provocadas por uma hérnia de disco, Iberê trocou o desenho e a pintura ao ar livre pelo trabalho no ateliê. Como motivo de suas composições, adotou o carretel, seu brinquedo de infância, desenvolvendo a partir dele sua pesquisa formal. Em 1961, recebeu o Prêmio de melhor Pintor Nacional na VI Bienal de São Paulo, com a série Fiada de carretéis.   

Ao longo de sua vida, Iberê Camargo exerceu forte liderança no meio artístico e intelectual. Entre várias outras atividades, destaca-se sua participação na organização do Salão Preto e Branco, em 1954, e, no ano seguinte, do Salão Miniatura, ambos realizados em protesto às altas taxas de importação de material artístico. O artista ainda lecionou, no ano de 1970, na Escola de Belas-Artes da Universidade Federal do Rio Grande do Sul.

Conhecido por seus carretéis, ciclistas e idiotas, Iberê nunca se filiou a correntes ou movimentos artísticos. Suas obras participaram de exposições de renome internacional, como a Bienal de São Paulo, a Bienal de Veneza, a Bienal de Tóquio e a Bienal de Madri, além de integrarem numerosas mostras no Brasil e em países como França, Inglaterra, Estados Unidos, Escócia, Espanha e Itália.

O artista faleceu em 1994, em Porto Alegre, deixando um acervo de mais de cinco mil obras, entre pinturas, gravuras, desenhos, guaches e documentos pessoais. Grande parte delas foi deixada à sua esposa, Maria Coussirat Camargo, e hoje integra o acervo da Fundação Iberê Camargo.

Resumo Biográfico – Luiz Camillo Osório

Luiz Camillo Osorio é Professor do departamento de filosofia da PUC-RJ e curador do Museu de Arte Moderna (MAM) do Rio de Janeiro, desde 2009.

Dedica-se ao ensaio e à crítica e é autor dos livros Flavio de Carvalho: uma poética em trânsito, Cosac&Naify, SP, 2000; História de uma coleção: arte brasileira entre os anos 1960 e 1980 no acervo do banco JPMorgan-Chase, Rio de Janeiro, Andrea Jakobson Estúdio, 2003; Abraham Palatnik, Cosac&Naify, 2004; Razões da Crítica, Zahar, RJ, 2005; Ângelo Venosa, Cosac&Naify, 2008; Ione Saldanha - Fundação Iberê Camargo/ Cosac&Naify, 2012; Coleção Gilberto Chateaubriand – anos 90/ 00 e novíssimos, Barléu, 2014.

Realizou várias exposições como curador independente, entre elas “MAM-SP 60 anos”, OCA-Ibirapuera, 2008; “O Desejo da Forma: do Neoconcretismo a Brasília”, Akademie der Künste, Berlim, 2010; “Raimundo Colares”, MAM-SP, 2010; “Ione Saldanha”, Fundação Iberê Camargo/ MON-Curitiba e MAM-RJ, 2012/13.

Sobre o CCBB São Paulo

Inaugurado em 2001, o CCBB São Paulo busca a diversidade em seus projetos expositivos, que abrangem desde exposições históricas até movimentos contemporâneos, nacionais e internacionais. Depois de sucessos de público e crítica como “Impressionismo, Paris e a Modernidade” e “Mestres do Renascimento”, intervenções urbanas como as dos artistas Antony Gormley e Cai Guo-Qiang, apresenta agora uma homenagem a um dos mais importantes artistas brasileiros.

Sobre a Fundação Iberê Camargo

A Fundação Iberê Camargo, criada em 1995, um ano após a morte do artista, tem como objetivo preservar e divulgar sua obra. Além de aproximar o público deste que é um dos grandes nomes da arte brasileira no século 20, a instituição procura incentivar a reflexão sobre a produção contemporânea. A instituição realiza exposições, seminários, encontros com artistas e curadores, cursos e oficinas sobre a obra de Iberê Camargo e sobre questões ligadas à arte contemporânea, a fim de promover uma reflexão sistemática sobre o fazer artístico. A sede da Fundação, inaugurada em 2008, foi projetada por Álvaro Siza, um dos arquitetos contemporâneos mais importantes do mundo.

SERVIÇO

Iberê Camargo: Um Trágico nos Trópicos
Curadoria: Luiz Camillo Osório
Período: 3 de maio a 7 de julho
Horário de funcionamento: das 9h00 às 21h00, de quarta à segunda.
Local: CCBB - Rua Álvares Penteado, 112 - Centro - São Paulo – SP. Próximo às estações Sé e São Bento do Metrô. Estacionamento conveniado: Estapar Estacionamentos – Rua da Consolação, 228 (Edifícos Zarvos). R$ 15,00 pelo período de 5 horas. Necessário carimbar o ticket na bilheteria do CCBB. Informações: (11) 3256-8935. Van faz o transporte gratuito até as proximidades do CCBB – embarque e desembarque na Rua da Consolação, 228 (Edifício Zarvos) e na XV de novembro, esquina com a Rua da Quitanda, a vinte metros da entrada do CCBB.

Acesso e facilidades para pessoas com deficiência física// Ar-condicionado // Loja // Café Cafezal.
Informações: (11) 3113-3651/ 3113-3652. www.bb.com.br/cultura.

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