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segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

O Grande Circo Místico

Pareceria uma grande falta de assunto repetir Edu Lobo, mas por uma incrível coincidência, hoje no canal Brasil, programa de Charles Gavin, foi contada a história desse disco.

Desde a obra anterior "Jogos de Dança", pensada para um balé, e oferecida ao Ballet Guaíra, sua obra já carregava uma grandiosidade e sofisticação raras vezes vistas na MPB; agora sabem porque? Foi aos Estados Unidos estudar música, fazendo cursos de orquestração com Albert Harris e de música para cinema com Lallo Schiffrin.

É, vale a máxima, "Deus ajuda a quem cedo madruga "; de novo digo, sem desmerecê-las, que as professoras de violão de bairro "formam" músicos que pensam que são virtuoses após 10 meses, duas vezes por semana, em aulas de 1 hora. E aí vão cantar em festas agropecuárias, que tem como mote a tortura de animais e a exposição das mazelas de sua vida sentimental, ou mostrar a todos como eles são infelizes por terem sido corneados e que ainda precisam da volta de seu motivo de tristeza.


Agora fiquei num tremendo dilema, qual música desse disco escolher? São tantas, então dessa vez irão três.

Beatriz que tem nessa interpretação de Milton Nascimento a definitiva, Grande Circo Místico com Zizi Possi no começo de carreira e A Bela e a Fera, com o síndico Tim Maia, que com aquele vozeirão abrilhantou o resultado final. 

Divirtam-se como me diverti em mais uma vez escutar esse tesouro.


O Grande Circo Místico - Zizi Possi


Beatriz - Milton Nascimento


A Bela e a Fera - Tim Maia

Há também uma linda interpretação de Gal Gosta em a História de Lili Brawn

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

... e a gente sonhando

Na sexta feira, meio combalido por uma gripe, fiquei em casa na parte da tarde, e aproveitei para dar uma olhada nos programas da tv.

Qual não foi minha surpresa ao ver Milton Nascimento no programa Estúdio I de Maria Beltrão, uma revista de jornalismo, cultura e assuntos gerais.

Que grata surpresa ver um dos maiores gênios de nossa música falando de si e do novo disco, gravado com jovens artistas de Três Pontas, sua terra natal.

A música que abre e dá nome ao disco foi uma das duas primeiras composições de Milton, quando ele ainda era um datilógrafo de uma empresa em Belo Horizonte, que estava inédita.

Interessante foi notar a tietagem explícita da apresentadora e dos outros participantes do programa, que não se continham na idolatria ao astro.

Abaixo do player a capa do disco, e um vídeo contando um pouco da criação deste trabalho.

P.S.: Esta canção já tem mais de 50 anos, e a ouvimos como se tivesse sido composta hoje.


... e a gente sonhando - Milton Nascimento






E a Gente Sonhando

Milton Nascimento

Composição: Milton Nascimento

Gente, de um dia se abrindo.
De um sol se entregando a um espaço de um céu assim
Alma do longo das ruas, vivendo uma vida que está pra ter fim

Gente reclama de tudo,
Tristeza enfrentando, ache tempo pra rir
Morre errante seu mundo, toda vida chegando,
Vida inteira partir

Ah! quem muito sofre, porque quer sofrer
Ah! quem muito chora ou que quer chorar
A quem não quer nada e de tudo tem
E tendo de tudo nunca tem ninguém
Gente tão noite surgindo, o sol foi sumindo e uma lua chegando.
Muito são lua no dia, outros sol pela noite
E a gente sonhando.
Sonhando..

domingo, 26 de junho de 2011

Clube da Esquina

Dia desses conversando com um amigo tive um pensamento sobre a música brasileira, presenciei algumas escolas importantes da MPB, como a Bossa Nova e a Tropicália, que foram muito importantes na formação de nosso caráter musical.




A Bossa Nova ficou datada, sem crescer e se modificar, ficando presa em seu minimalismo.

A Tropicália diferentemente tinha uma exuberância que talvez nunca seja mais seja atingida, tanto nos arranjos, como na execução e letras subvertendo o que até então eram dogmas na nossa música. Tendo seus integrantes partido para suas carreiras solos, quase sempre brilhantemente, sendo até hoje referência às novas gerações.

Mas o que sempre mais me agradou foi o Clube da Esquina, da turma de Belo Horizonte, com músicos excepcionais, que também subverteram princípios intocáveis na forma de se fazer música. Todos eles são reconhecidos mundialmente, tendo às vezes mais sucesso no exterior do que aqui. Poderia citar uma extensa lista deles, mas ficarei só nos principais, Milton Nascimento, Wagner Tiso, os irmãos Borges, Beto Gudes, Flávio Venturini, entre outros.




Clube da Esquina


Essa semana vi duas manchetes citando o nome de uma cantora que é o sucesso instantâneo da estação, Paula Fernandes, mas não é que minha curiosidade acabou na terceira linha da matéria?

Quando li que ela canta música sertaneja foi um balde de água fria, e ao mesmo tempo um alívio, pois pensei que como seria possível não conhecer uma cantora com tal sucesso? Só sendo ela cantora deste tipo de música, que não me traz o menor interesse, pois não consigo perceber o menor valor artístico nestas obras, apesar das grandes bandas de apoio, do volume sonoro e da pretensão dos mesmos.

Já me disseram, citando Caetano, que quem vende 20 milhões de discos no merece crítica. Minha resposta veio com uma pergunta:-"Quantos discos destes artistas você tem em sua discoteca?" Sabem a resposta? - "Nenhum!"

Mas não é só os novos sertanejos, estas bandas baianas, que tocam em cima de caminhões ou em grandes espaços, também não me dizem nada.