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sexta-feira, 4 de outubro de 2013

JULIO LE PARC

Com grande ansiedade fui a abertura desta mostra pois, pelo release, abaixo, percebi que o artista, transita entre duas escolas que sempre me encantaram, a Arte Cinética e o Concretismo.

O primeiro contato que tive com a arte cinética foi uma exposição de Jesus Soto no CCBB, me emocionou, mas o que sempre me instigou foi a arte concreta, já comentada aqui nos posts Audácia Concreta, Lothar CharouxSacilotto e Barsotti na BMF&BOVESPA e Amílcar de Castro, além da grata surpresa de Dionío Del Santo

Esta exposição nos apresenta somente uma pequena parte de seus trabalhos nas diversas técnicas em que ele cria suas obras. Como resumo de sua carreira, nos satisfaz plenamente pois mostra sua maestria em vários suportes, mas nos deixa a frustração do "quero mais".

Há pinturas, gravuras, esculturas com movimentos, montagens que provocam ilusões de ótica e três instalações, sendo que uma delas, magnífica, a sala com os espelhos pendurados, nos transcende provocando sensações inusitadas.



Buenos Aires Hora Cero - Astor Piazzolla


Abaixo das imagens, o "press-release", colhidos no site da assessoria de imprensa da Galeria Nara Roesler






GALERIA NARA ROESLER REALIZA MOSTRA RETROSPECTIVA
DO ARGENTINO JULIO LE PARC, UM DOS PIONEIROS DA ARTE CINÉTICA

‘Uma busca contínua’ inclui trabalhos lançados desde a década de 50
a obra inédita criada especialmente para a exposição em São Paulo
Com 85 anos recém-completados (seu aniversário foi no último dia 23 de setembro), o mestre da arte cinética Julio Le Parc ganha no Brasil uma retrospectiva dedicada exclusivamente à sua obra. A exposição Uma busca contínua, em cartaz na Galeria Nara Roesler a partir de 3 de outubro, apresentará um compreensivo conjunto de trabalhos produzidos pelo artista argentino nos últimos 55 anos, alguns dos quais em grande formato, além de uma instalação inédita concebida especialmente  para a ocasião. Com curadoria da venezuelana-americana Estrellita B. Brodsky, respeitada colecionadora, curadora e especialista em arte da América Latina, a mostra ocupará o jardim interno, o pátio e os 600 metros quadrados do andar térreo da galeria, onde, no próprio dia 3, às 17h30, ela e o artista participarão de uma conversa aberta ao público, com entrada franca.

Julio Le Parc, que no primeiro semestre levou mais de 170 mil pessoas à sua exposição no Palais de Tokyo, em Paris, cidade onde vive desde 1958, foi um dos criadores, em 1961, juntamente com Horacio García Rossi, Francisco Sobrino, François Morellet, Joël Stein e Jean-Pierre Vasarely (conhecido também como Yvaral), do Groupe de Recherche d’Art Visuel, melhor conhecido como GRAV (1960-68), coletivo de artistas ótico-cinéticos, cujo principal objetivo era estimular a interação do público com as obras. Indiferente às demandas do mercado e em busca de uma forma menos convencional de se fazer arte, o grupo apresentava suas criações em locais inusitados e até na rua. As obras e instalações de Julio Le Parc, constituídas primordialmente por jogos de luz e sombras, são fruto direto desse movimento, em que a produção de uma arte transitória e sem fins comerciais tinha uma clara conotação sociopolítica.

“Ao longo de seis décadas, Julio Le Parc buscou de maneira sistemática redefinir a própria natureza da experiência artística, trazendo que ele chama de ‘perturbações dentro do sistema artístico’. Ao fazer isso, ele brincou com as experiências sensoriais do público e deu aos espectadores um papel ativo”, explica a curadora. “Após a dissolução do GRAV, em 1968, Le Parc continuou se dedicando ao que chama de ‘uma busca contínua’ por uma experiência artística que nunca supõe ditar um efeito pré-determinado. Em vez disso, seu esforço é no sentido de provocar uma resposta espontânea do público”.

Apesar de seu papel fundamental na história da arte cinética, as telas, esculturas e instalações de Le Parc incluem questões relativas aos limites da pintura, por meio tanto de procedimentos mais próximos da tradição pictórica, tais como a acrílica sobre tela, quanto de assemblages ou aparatos mais propriamente cinéticos.

“Para Le Parc, o objetivo é exatamente a interrogação e a reestruturação do entorno imediato. Ele busca uma total cumplicidade que exige do espectador não somente participação ativa, mas também autorreflexão. Dessa forma, a prática de Le Parc vai além do mero espetáculo visual rumo a um envolvimento físico com o presente – a arte enquanto concepção humana, uma arte que não pode mais permanecer absoluta”, analisa Estrellita B. Brodsky.

Texto de Estrellita B. Brodsky, curadora da mostra “Uma busca contínua”, na íntegra:

Ao longo de seis décadas, Julio Le Parc buscou de maneira sistemática redefinir a própria natureza da experiência artística, trazendo o que ele chama de “perturbações dentro do sistema artístico”. Ao fazer isso, ele brincou com as experiências sensoriais do público e deu aos espectadores um papel ativo. Com seus colegas membros do Groupe de Recherche d’Art Visuel (GRAV) – um coletivo de artistas criado por Le Parc com Horacio García Rossi, Francisco Sobrino, François Morellet, Joël Stein e Jean-Pierre Vasarely (Yvaral) em Paris no ano de 1960 –, Le Parc gerou encontros diretos com o público ao desmontar o que eles consideravam ser as amarras artificiais das estruturas institucionais.[1] Como expresso em seu  manifesto Assez de mystifications [“Chega de Mistificação”, Paris, 1961], a intenção do grupo era encontrar maneiras de confrontar o público com obras de arte fora do ambiente museológico por meio de intervenções em espaços públicos com jogos subversivos, charges de cunho político e questionários bem-humorados.[2] Com tais  estratégias, Le Parc e o GRAV transformavam espectadores em participantes com maior autoconsciência, tanto alcançando uma forma de nivelamento social como antecipando algumas das estratégias relacionais e colaborativas sociopolíticas que vêm se proliferando ao longo das duas últimas décadas.

Após a dissolução do GRAV em 1968, Le Parc  continuou se dedicando ao que chama de “una  búsqueda permanente” (uma busca contínua) por uma experiência artística que nunca supõe ditar um efeito pré-determinado. Em vez disso, seu esforço é no sentido de provocar uma resposta espontânea do público. Movido por um ethos utópico arraigado,  Le Parc usa sua arte interativa ou imersiva como um laboratório social, produzindo situações imprevisíveis e estimulando de forma provocativa o envolvimento do espectador no processo de criação artística. Le Parc falou da função dual que tem sua obra, a de intervenção e a de crítica ao autoritarismo, em uma declaração de 1968: “Busco [busquei] criar ações práticas que se contraponham aos valores existentes…[para] criar situações… [que vão contra] qualquer tendência ao estável, ao durável e ao definitivo.” [Julio Le Parc, Guerilla culturelle, Paris, março de 1968].

A produção artística de Le Parc evoluiu de estudos geométricos bidimensionais, com pequenas caixas de luz, para instalações de grande porte, ambientes imersivos  e intervenções públicas na rua. No entanto, essa produção diversa tem em comum um função desestabilizadora central: provocar a interação do indivíduo com seu ambiente, exigindo, ao mesmo tempo, um reconhecimento daquele envolvimento. A obra de Le Parc chamada Sphère bleue (Esfera azul, 2001/2013) é um enorme globo de quatro metros de diâmetro composto por quadrados de acrílico azul transparente que parece estar magicamente suspenso no ar. A luz refratada na parte exterior da esfera inunda o espaço que circunda o globo com um azul vibrante. A experiência perceptiva que os visitantes têm da esfera oscila entre vê-la como algo que é transparente e impenetrável e, ao mesmo tempo, frágil e monumental; algo que distorce o que se vê além e cria a consciência de se estar vendo e sendo visto em um espaço comum recém-transformado.

Os componentes físicos das obras de Le Parc – folhas de material refletivo penduradas, esculturas enormes feitas de acrílico transparente, pinturas geométricas, estruturas de luz motorizadas, telas de metal distorcidas – são tão impressionantemente variadas quanto as próprias estruturas. O feito geral, no entanto, é criar um ambiente e uma impressão que alteram os sentidos e são, muitas vezes, desorientadores. Em esculturas como Cellule à pénétrer adaptée (Célula penetrável adaptada, 1963/2012) ou Formes en contorsion (Formas em contorção, 1971), Le Parc dá ênfase à mutabilidade da percepção. A fragmentação se torna inerente à apreensão de obras nas quais espelhos, luzes refletidas ou projetadas, diferentes tipos de óculos, jogos e interações físicas confundem os sentidos. Assim, perspectivas cambiantes criam um dinamismo interno ou uma instabilidade essencial por meio das quais Le Parc questiona a precisão subjetiva e os modos tradicionais de exibição que, de acordo com o que ele escreve em seu influente texto “Guerrilla culturel”, servem apenas para perpetuar estruturas sociais de dominação.

Com os mesmos objetivos, Le Parc também realizou pesquisas dentro da fenomenologia das estruturas por meio da pintura bidimensional, de superfícies planas animadas com permutas aparentemente ilimitadas de formas geométricas simples. Em estudos preparatórios e pinturas, Le Parc reduz e desloca esses elementos de acordo com um sistema predeterminado para criar uma pluralidade de composições sequenciais. Em suas “séries de rotações”, como Séquences de rotation (Sequências rotacionais, 1959) ou Rotation des carrés (Rotação de quadrados, 1959), sequências progressivas nas quais um leve deslocamento de um único elemento de um círculo ou quadrado em padrões reticulados tornam-se uma espécie de animação, comportando-se menos como pintura estática do que como um estado perpetuamente transitório. Em outro estudo, com tinta sobre papelão, Sur reticula (Sobre retícula, 1958), Le Parc demonstra como formas geométricas, círculos e retângulos, quando cortadas em pedaços, podem adquirir uma mobilidade que convida o espectador a imaginar movimento além da moldura em tempo real e sempre presente, porém fugaz.

Para Le Parc, o objetivo é exatamente a interrogação e a reestruturação do entorno imediato. Ele busca uma total cumplicidade que exige do espectador não somente participação ativa, mas também autorreflexão. Dessa forma, a prática de Le Parc vai além do mero espetáculo visual rumo a um envolvimento físico com o presente – a arte enquanto concepção humana, uma que não pode mais permanecer estática ou absoluta.

Biografia de Julio Le Parc

Nascido em 1928, em Mendoza, na Argentina, Julio Le Parc estudou na Escuela de Bella Artes em Buenos Aires, em 1943. Le Parc rapidamente se envolveu com a cena de vanguarda local, em pleno desenvolvimento, e com grupos ativistas de esquerda. Em reação à ditadura repressora de Juan Perón, o artista abandonou a escola e só retornou após a queda do ditador em 1955. Quando da sua volta, Le Parc teve um papel de liderança como artista-defensor ao se juntar à organização estudantil universitária Federación Universitaria Argentina, uma das maiores forças militantes de oposição ao governo.

A exposição de Victor Vasarely em Buenos Aires, em 1958, foi um importante catalisador da partida de Le Parc para Paris naquele mesmo ano. Com uma bolsa para de estudos, Le Parc realizou trabalhos em colaboração com artistas colegas de Vasarely e cofundou o Groupe de Recherche d’Art Visuel (GRAV), em 1960. Enquanto as primeiras pinturas geométricas de Le Parc receberam influência da tradição construtivista da Arte-Concreto Invención em Buenos Aires, os trabalhos criados logo após sua chegada em Paris também revelaram um crescente interesse pelo trabalho de Mondrian e Vasarely. No início dos anos 1960, Le Parc passou a incorporar movimento e luz à sua pesquisa. Interessado nas possibilidades do movimento, e na participação do espectador, ele desenvolveu seus característicos ambientes de luz e esculturas cinéticas, que vieram a lhe trazer reconhecimento internacional enquanto um dos maiores expoentes da arte cinética.

Representante da Argentina na Bienal de Veneza de 1966, Le Parc recebeu o Grande Prêmio Internacional de Pintura como artista individual. Apesar de o grupo ter se dissolvido em 1968, Le Parc continuou a trabalhar tanto como artista individual quanto como integrante de coletivos internacionais, particularmente dos que estavam envolvidos na denúncia política de regimes totalitários. A participação de Le Parc na revolta parisiense de Maio de 1968 e em comícios sindicais resultou em sua expulsão da França pelo período de um ano. Ao voltar para Paris, Le Parc se tornou um canal importante entre artistas ativistas latino-americanos e a cena artística de Paris, notadamente por meio da publicação parisiense ROBHO, para a qual ele cobria os eventos do coletivo de artistas Tucumán Arde na Argentina.

As obras de Le Parc ganharam diversas exposições individuais na Europa e na América Latina, em locais como o Instituto di Tella (Buenos Aires), o Museo de Arte Moderno (Caracas), o Palacio de Bellas Artes (México), a Casa de las Americas (Havana), o Moderna Museet (Estolcomo), Daros (Zurique), Städtische Kunsthalle (Dusseldorf). Além disso, integraram muitas outras exposições coletivas e bienais, entre as quais estão a polêmica The Responsive Eye (1965), no Museu de Arte Moderna de Nova York, a Bienal de Veneza, em 1966 (na qual recebeu o Prêmio), e Bienal de São Paulo (1967). Em protesto contra o regime militar repressor no Brasil, Le Parc se juntou a outros artistas no boicote à Bienal de São Paulo de 1969 e publicou o catálogo alternativo Contrabienal, em 1971. As obras coletivas realizadas posteriormente por Le Parc incluem a participação em movimentos antifascistas no Chile, em El Salvador e na Nicarágua.

Mais recentemente, a obra de Le Parc foi objeto de uma grande retrospectiva em 2013, chamada Soleil froid, no Palais de Tokyo, e apresentada na exposição coletiva Dynamo, no Grand Palais, em Paris.

Biografia de Estrellita B. Brodsky

Estrellita B. Brodsky foi curadora de exposições como Jesús Soto: Paris and beyond, 1950-1970, exibida na New York University Grey Gallery (Nova Iorque, EUA, 2012), e Carlos Cruz-Diez: (In)formed by Color na Americas Society (Nova Iorque, EUA, 2008). Em 2012, foi nomeada curadora adjunta de arte latino-americana da Tate (Londres, Inglaterra). Foi copresidente do Conselho de Curadores do El Museo del Barrio, em Nova Iorque, até 2003, onde organizou a exposição Taíno: Pre-Colombian Art and Culture of the Caribbean, em 1997. Lecionou sobre artistas latino-americanos no pós-guerra na Hunter College (Nova Iorque, EUA). Através de sua pesquisa, curadoria e coleção particular, Estrellita B. Brodsky desempenha papel fundamental na divulgação e consolidação de artistas latino-americanos no cenário internacional.

SERVIÇO
GALERIA NARA ROESLER
Av Europa, 655 – Jardim Europa
Tel: (11) 3063.2344

Julio Le Parc - Uma busca contínua

Curadoria de Estrellita B. Brodsky

De 3 de outubro a 30 de novembro
Abertura: dia 3 de outubro, das 19h às 23h
Horário da exposição: de segunda a sexta, das 10h às 19h / sábado, das 11h às 15h
Entrada franca

Conversa entre Estrellita B. Brodsky e Julio Le Parc: dia 3 de outubro, às 17h30
Entrada franca

Assessoria de imprensa
Canivello / Factoria Comunicação
Vanessa Cardoso – vanessa@factoriacomunicacao.com
Eduardo Marques – eduardo@canivello.com.br
Mario Canivello – mario@canivello.com.br
(21) 2274-0131 e 2239-0835





[1] Os artistas do GRAV, Julio Le Parc, Horacio Garcia Rossi, Francisco Sobrino, François Morellet, Joël Stein e Jean-Pierre Vasarely (conhecido como Yvaral), eram membros de um grupo maior conhecido como o Centre de Recherche d’Art Visuel antes de separarem, formando o GRAV, em 1960.

[2] Groupe de Recherche d’Art Visuel, “Chega de mistificações.” Panfleto distribuído durante a Segunda Bienal de Paris. Setembro de 1961.  Reproduzido em Yves Aupetitallot, ed., Stratégies de participation: GRAV—Groupe de Recherche d’Art Visuel, 1960-1968, trad. Simon Pleasance e Charles Penwarden (Paris: Centro de Arte Contemporânea de Grenoble, 1998), 71.

sexta-feira, 20 de setembro de 2013

TRANSARTE - Timothy Cummings

Artista de uma  incomparável competência em que usando técnicas apuradas de desenho, consegue nos trazer imagens bastante instigantes.

As cena mostradas possuem um rigor formal difícil de ser visto em trabalhos contemporâneos, parece que alguns "artistas" modernos padecem de uma preguiça ou mesmo de desleixo crônicos, se dando mais valor do que merecem.

Misturando temas do nosso folclore e do candomblé, juntamente com o realismo fantástico produz trabalhos que encantam.

Apesar de haver um auto retrato, primeira imagem abaixo, percebi que em algumas outras pinturas as fisionomias eram do próprio artista, como na terceira imagem.

O uso da tinta acrílica permite uma maior precisão dos traços, conseguindo realçar detalhes delicados, quase filigranas. Mas também tornam as telas planas, chapadas, bi-dimensionais, sem volume, coisa que da qual, sinto falta.



Canto de Ossanha - Vinícius de Moraes e Baden Powel

Abaixo das imagens, o "press-release" fornecidos pela assessoria de imprensa da galeria.







TRANSARTE



Novo espaço ao lado do Parque Trianon é inaugurado com obras do artista residente Timothy Cummings

Abertura Convidados: 18 de setembro, às 19h 
Visitação De 19 de setembro a 19 de dezembro

Local para realizar ações expositivas, receber artistas residentes, promover obras sem referência local, que desafiem temáticas e os limites da representação, assim é o Transarte, novo espaço paulistano concebido por Lena Peres Oliveira. Para inaugurá-lo, apresenta o norte-americano Timothy Cummings que, depois de mais de um ano de Brasil, produziu as cerca de 20 obras reunidas na mostra, com texto de apresentação de Jorge Colli. São pinturas em acrílico sobre madeira e obras em papel – intervenções em impressões na técnica digital print.

A obra de Cummings é referencial ao projeto que busca oxigenar o circuito artístico. A definição do artista, pela revista inglesa Rooms, dá uma pista da liberdade que o espaço pretende abrir ao introduzir novas possibilidades às narrativas contemporâneas: “Pintor, cineasta, escultor, mas, acima de tudo, artista autodidata com foco claro na agenda de coisas vivas estranhas e misteriosas. Temas cativantes como a infância, o macabro, a beleza e a decadência são explorados em sua obra por uma densa camada de fascinação e loucura”.

Lena Peres Oliveira conheceu o artista durante os seis anos em que trabalhou na galeria Catherine Clark que o representa em São Francisco. “Uma das questões que Timothy trata em sua obra é a de “gender” - gênero e também este é um dos temas que a Transarte está interessada, por isso sou entusiasta desde local em que estamos, tão próximo ao Trianon, diz a mentora do projeto.     

Para Jorge Colli, a arte de Cummings que já foi remetida ao surrealismo, rompe qualquer classificação ao tratar de memória vivida e imaginada e memória fantástica. “Timothy Cummings consagrou sua vida a desenhar, pintar, numa respiração que mistura memória e devaneio, imagem e imaginação”, afirma o crítico. Segundo ele, ainda, a inocência é uma chave para se entrar na obra do artista, uma inocência nunca perdida, mas contrariada e poeticamente dolorosa. “Poesia da forma, poesia da imagem, doçura vazia dos olhares, elegância dos gestos, sugestão ambígua dos corpos, em que a sexualidade, como nos tempos da infância, abole a fronteira entre os sexos e instaura um clima erótico perturbador, prenhe de um decadentismo seguro de si: seguro de si pela própria inocência, verdadeira, essencial”, completa.

Sobre Timothy Cummings (Albuquerque, New Mexico, 1970)
Artista autodidata cuja narrativa e pinturas são primorosamente criadas de tal forma a desafiar sua falta de treinamento formal. A temática de sua obra normalmente consiste em crianças e adolescentes presos no mundo dos adultos e lutando com questões como sexualidade e orientação sexual. Representado pelas Galerias Catharine Clark na Califórnia e Nancy Hoffman em Nova Iorque, seus trabalhos participaram de exposições pelos Estados Unidos incluindo a San Francisco State University, o Yerba Buena Center for the Arts e a Galeria LACE, na Califórnia; The Art Museum e  a Florida International University, em Miami.

Sobre Maria Helena Peres Oliveira (São Paulo, 1960)
Formada em Química, foi docente e trabalhou em publicidade até o final da década de 80, quando se estabeleceu em São Francisco (EUA) onde completou seus estudos com mestrados em “Marketing” e “Arts Administration”. Neste mesmo período foi assistente de pesquisa de perfil de público do diretor de marketing do San Francisco Modern Art Museum (SFMOMA). Respondeu também pelo departamento de merchandising da San Francisco Opera House, gerenciou a galeria de arte contemporânea Catharine Clark Gallery e supervisionou a comunicação da San Francisco Art Dealers Association.

Retornou ao Brasil em 2002, quando  se dedicou à produção e coordenação de exposições nacionais (CCBB, Pinacoteca, Memorial da América latina e MON de Curitiba) e internacionais a convite do Itamaraty na Índia, Inglaterra e Bélgica, e em instituições como o Circolo de Bellas Artes de Madrid (Espanha), e a Maison de L’Amerique Latine em Paris (França). É mestranda na área de Bens Culturais da FGV.

Serviço:

Transarte
Exposição inaugural: Timothy Cummings
Abertura: 18 de setembro, às 19hs
Visitação: de 19 de setembro a 19 de dezembro de 2013
Horário de funcionamento: terça a sexta, das 13h às 20h; Sábado, das 13h às 17h.
Endereço: Al. Santos, n° 1518 (em frente ao Parque Trianon). Estacionamento subterrâneo no parque, e 2 vagas privativas na frente.
Fone:9.8462-3434 | 3148-1815

Informações à Imprensa
Pool de Comunicação
Contatos: Marcy Junqueira e Martim Pelisson
Fone: 11. 3032-1599
marcy@pooldecomunciacao.com.br / martim@pooldecomunicacao.com.br

sábado, 31 de agosto de 2013

Dalí: A Divina Comédia

Essa foi uma das exposições mais esperadas, até porque recebi o "press-release" já há algumas semanas. 

Só há um adjetivo para qualificá-la, magnífica, seja por ser a série completa das gravuras encomendadas, e depois renegadas pelo governo italiano, ver o release abaixo, como também pelo seu excelente estado de preservação.

Com várias figuras do imaginário de Dalí presentes em algumas cenas, percebemos também diferentes soluções buscadas pelo artista para ilustrar uma cena, expondo toda a dramaticidade dos versos da Divina Comédia.

Confesso que nunca a li, apesar de tê-la em mãos por diversas vezes, quem sabe um dia...

Agora, uma série completa de um trabalho desta importância, aqui ao nosso alcance, tem que ser visto.

A gravura mais instigante, que não está abaixo, é Canto XXVII: Um Diabo Lógico, que trás tantos elementos do inconsciente que valeriam um tratado.




Disco Inferno - The Tramps


Abaixo das imagens, o "press-release", fornecidos pela assessoria de imprensa da Caixa Cultural.



 INFERNO - O Avarento e o Pródigo

 PARAÍSO - A Canção dos Espíritos Sábios

 PARAÍSO - A Cruz de Marte

PURGATÓRIO - Visões de Êxtase

 PURGATÓRIO - O Reino dos Penitentes


CAIXA CULTURAL SÃO PAULO MOSTRA A DIVINA COMÉDIA NA VISÃO DE DALÍ

Obras do mestre do surrealismo Salvador Dalí, inspiradas no livro de Dante Alighieri, promovem diálogo entre artes visuais e literatura

A CAIXA Cultural São Paulo inaugura, no dia 31 de agosto, a exposição “Dalí: A Divina Comédia”. A mostra, que ficará em cartaz até 27 de outubro, reúne 100 gravuras do pintor surrealista Salvador Dalí (1904 – 1989), inspiradas em uma das maiores obras da literatura mundial, a Divina Comédia, do poeta italiano Dante Alighieri. Com patrocínio da Caixa Econômica Federal, a mostra já passou pelas Caixas Culturais do Rio de Janeiro, Curitiba e Recife e, depois da capital paulista, segue em dezembro para Salvador.

Dalí criou uma centena de aquarelas, entre 1950 e 1960, para governo italiano, pelas comemorações dos 700 anos do nascimento de Dante. Com a colaboração dos editores Joseph Foret e Jean Estrade, no atelier deste último, foram impressos alguns conjuntos de cem gravuras da obra de Dalí, depois apresentados em Paris, em momentos diferentes, nomeadamente, em 1960, o “Inferno”; em 1962, o “Purgatório” e em 1964, o “Paraíso”.

As gravuras de Dalí percorrem a viagem imaginária de Dante, desde os círculos infernais, acompanhado por Virgílio, até o centro da terra, onde encontra Lúcifer. Depois, regressando à superfície terrestre, sobe a montanha do purgatório para, guiado pela sua amada Beatriz, ser admitido no paraíso.

As cem imagens que ilustram, um a um, os cantos do poema épico de Dante são provenientes de uma coleção privada da Espanha. Este acervo de gravuras pretende conduzir o público a uma viagem do inferno ao paraíso na visão desse grande artista universal catalão.

Salvador Dalí:
Nascido na Espanha, na cidade de Figueres, região da Catalunha, em 11 de maio de 1904, o pintor Salvador Domingo Felipe Jacinto Dalí i Domènech é considerado um dos maiores representantes do surrealismo. Admirador da arte renascentista, Dalí criou um estilo pessoal, reconhecido por sua imaginação excêntrica. Falecido em 23 de janeiro de 1989, produziu cerca de 1.500 pinturas durante sua carreira; inúmeras ilustrações para livros; litografias; desenhos de conjunto; fantasias e um número considerável de desenhos, esculturas e projetos paralelos, para fotografia e cinema.

Serviço:
Exposição - Dalí: A Divina Comédia
Abertura para convidados e imprensa: 31 de agosto de 2013 (sábado), às 11h
Visitação: de 31 de agosto a 27 de outubro de 2013 (de terça-feira a domingo)
Horário: das 9h às 19h
Local: CAIXA Cultural São Paulo
Endereço: Praça da Sé, 111 – Centro
Informações, agendamento de visitas mediadas e translado (ônibus) para escolas públicas: (11) 3321-4400
Entrada franca
Classificação indicativa: não recomendado para menores de 12 anos
Acesso para pessoas com deficiência
Patrocínio: Caixa Econômica Federal e Governo Federal

07 AGO 2013
Assessoria de Imprensa da CAIXA Cultural São Paulo (SP)
(11) 3549-5961/5962/5963

quinta-feira, 29 de agosto de 2013

TODAS AS CORES DE MARISCAL

Um artista de suportes ecléticos, que executa seus trabalhos com uma competência ímpar

Designer magistral que cria objetos do cotidiano com funções práticas de inegável beleza.

Seus cartazes, além de informar, encantam e seus desenhos, divertem.

São inegáveis as influências de outros artistas espanhóis, notadamente Gaudi e Miró, com umas pitadas de Picasso e Dalí, mas com um toque de frescor e modernidade.




Alejandro Sanz - Corazón Partido


Abaixo das imagens, o "press-release", fornecidos pela assessoria de imprensa do Instituto Tomie Ohtake.





INSTITUTO TOMIE OHTAKE

APRESENTA

TODAS AS CORES DE MARISCAL

Abertura: 28 de agosto, às 20h - até 29 de setembro de 2013

Reafirmando seu compromisso de realizar mostras de artes plásticas, arquitetura e design, o Instituto Tomie Ohtake traz, em parceira com a Tok&Stok, a exposição “Todas as cores de Mariscal” apresentando o universo multidisciplinar e irreverente de Javier Mariscal, um dos designers mais criativos e versáteis da atualidade. A mostra é construída a partir do desenho e das cores, ferramentas básicas com as quais trabalha o designer catalão, que ganhou fama mundial ao criar o bonequinho Cobi, mascote dos Jogos Olímpicos de Barcelona (1992).

Responsável pela curadoria da exposição, o Estúdio Mariscal traz cerca de 60 obras, entre mobiliário, objetos, luminárias, pinturas, desenhos, brinquedos e projetos gráficos do criador da animação Chico & Rita, ambientada na Havana dos anos 40, que concorreu ao Oscar de 2012. A produção de Mariscal guarda como identidade a forte gestualidade do traçado à mão, o desenho – sempre seminal em todo o seu processo criativo –, que resulta numa variada gama de imagens e objetos que aludem a um universo único. “[Mariscal] Joga com as formas e as cores para criar esse universo tão pessoal e artístico onde teima em celebrar a alegria de viver”, destaca a curadoria.

Com mais de trinta anos de intensa atividade, Mariscal desenhou objetos para as mais prestigiadas empresas. Moroso, HP, Camper, Uno, Absolut, H&M, e Magis são algumas das marcas que apostaram no estilo versátil do designer espanhol. A exposição pretende submergir o espectador no universo da "fábrica Mariscal", e assim introduzi-lo ao coração do seu processo criativo e fazê-lo perceber, através dessa experiência, o impulso vital gerado por Javier Mariscal e sua equipe.

Sobre o artista:
Javier Mariscal (Valencia, 1950) atua em todas as disciplinas do design: mobiliário, interiores, gráfico, paisagismo, pintura, escultura, ilustração, multimedia e animação. Junto com a equipe do Estudio Mariscal, fundado em 1989, o designer realizou, entre muitos trabalhos, a criação do Mascote dos Jogos Olímpicos de Barcelona, em 1992; o design de interior e gráfico da H&M Barcelona; o décimo primeiro andar do Hotel Silken Puerta America, em Madri; a imagem gráfica da 32ª. Edição da America´s Cup; a identidade gráfica e campanhas de comunicação para a Camper for Kids; exposições sobre sua obra em La Pedreira de Barcelona e no Design Museum de Londres; a divulgação da nova Lei Infantil da Catalunha e ainda publicou os livros Mariscal Drawing Life e Sketches. Em 2010 estreou o longa-metragem de animação Chico & Rita, co-dirigido com Fernando Trueba, que concorreu ao Oscar em 2012. Em 2013 lançou seis versões completamente inovadoras e divertidas da famosa Hello Kitty.

Serviço:
Todas as cores de Mariscal
Abertura: 28 de agosto às 20h (convidados)
Até 29 de setembro de 2013
Terça a domingo, das 11h às 20h – entrada franca

Instituto Tomie Ohtake
Av. Faria Lima, 201 (Entrada pela Rua Coropés) - Pinheiros SP  Fone: 11.2245-1900
Informações à Imprensa
Marcy Junqueira – Pool de Comunicação
Contato: Martim Pelisson
Fone: 11.3032-1599


quinta-feira, 8 de agosto de 2013

Tomie Ohtake – Influxo das formas

Uma exposição que abre as comemorações do centenário de Tomie Ohtake, que terá uma série delas, mostrando as diversas facetas de seu trabalho.

Nesta evento são apresentadas colagens, de seu arquivo pessoal que são também estudos para a realização de obras maiores, sejam telas, gravuras e até esculturas. Consegui identificar no meio dos papéis o estudo da tela da primeira imagem abaixo, que esteve na exposição TOMIE OHTAKE – CORRESPONDÊNCIAS, não está nesta, que mostra o rigor com que a artista desenvolve seu trabalho.

Uma surpresa agradável, já que quando esperamos uma exibição de várias telas, temos algumas, acompanhadas de suas origens, demonstrando que seu abstracionismo não é de momentos fortuitos e sim resultado de uma disciplina que consegue realçar a beleza de sua imaginação.


É preciso perdoar - Cesária Évora, Caetano Veloso e Riuychi Sakamoto


Abaixo das imagens, o "press-release", fornecidos pela assessoria de imprensa do Instituto Tomie Ohtake. 










Tomie Ohtake – Influxo das formas

Abertura: 06 de agosto, às 20h – 29 de setembro de 2013


Nesta segunda exposição organizada pelo Instituto Tomie Ohtake no ano em que comemora o centenário da artista que lha dá o nome, os curadores, Agnaldo Farias e Paulo Miyada, vasculharam o ateliê de Tomie – com a sua devida permissão – em busca da gênese de seu processo de trabalho.  

Dos milhares de esboços que a artista fez durante mais de seis décadas e das centenas que guardou, a dupla selecionou para a mostra cerca de cem materiais de estudos, entre colagens, desenhos, cadernos, croquis e maquetes de esculturas, que, divididos por famílias de linguagens, ocupam uma das salas do Instituto. Para refletir e contrapor entre o processo e a obra, outra sala abriga cerca de 30 trabalhos entre pinturas, gravuras e uma escultura.

Um dos fatos que surpreenderam os curadores foi constatar que em todos os estudos desenvolvidos por Tomie, apesar das mudanças de cor ou material em todos os suportes e em cada fase, ela criou um vocabulário próprio de formas que vão e voltam como uma inundação em toda sua obra. “[...] suas linhas não têm começo nem fim, elas retornam sempre, como letras de um alfabeto pessoal que Tomie manuseia incessantemente, percorrendo-as em tamanhos, cores e materiais variados”, afirmam os curadores.   

Por muitos anos, Tomie rasgou e recortou páginas de revistas brasileiras e japonesas – além de cartões postais, envelopes e o que mais lhe caísse nas mãos – a fim de criar os módulos de seus estudos para pinturas e gravuras. Segundo os curadores, tratam-se de colagens pequenas, nas quais interessa não apenas o tamanho e a cor dos pedaços de papel, mas também a textura e os detalhes que podiam ser cuidadosamente emulados em suas telas.

Farias e Miyada descobriram também que, paralelamente, a artista preenchia cadernos e folhas soltas com dezenas de pequenos retângulos, cada um a síntese de uma pintura. Feitas com canetas coloridas, esferográficas, grafite e mesmo com picotes de papel, essas miniaturas podiam ser o ponto de partida de novas telas ou formar compilações de obras que, juntas, integrariam uma exposição. “Esse jogo torna-se mais elaborado conforme notamos que, mesmo depois de consolidadas em uma pintura, as formas seguem vivas, escoam para novas telas, às vezes com outras cores e pinceladas, às vezes “simplesmente” de outro tamanho. Se levarmos em conta suas gravuras, podemos desistir de vez de acreditar que as linhas de Tomie possam ser represadas em definitivo”, completam.

Exposição: Tomie Ohtake – Influxo das Formas
 Abertura: 06 de agosto, às 20h (convidados)
Até 29 de setembro de 2013
Terça a domingo, das 11h às 20h – entrada franca

Instituto Tomie Ohtake
Av. Faria Lima, 201 (Entrada pela Rua Coropés, 88) – Pinheiros, São Paulo
Fone: 11.2245-1900

Informações à Imprensa
Pool de Comunicação - Marcy Junqueira
Contato: Martim Pelisson
Fone: 11.3032-1599

terça-feira, 6 de agosto de 2013

Fotolivros latino-americanos

Uma exposição com o tema incomum em exposições, de livros de fotos, já vi várias em que o tema da mostra era centrado em um só livro, apresentando imagens publicadas no mesmo.

Nesta podemos observar um amplo espectro de temas, de projetos gráficos e estéticos de várias nações latino-americanas, de olhares únicos com resultados surpreendentes.

Apesar de pequena frente à imensa quantidade e qualidade de trabalhos deste tema, consegue nos deixar curiosos em conhecer mais deste universo.

Cancion com todos - Mercedes Sosa

Abaixo das imagens o "press-release", fornecidos pela assessoria de imprensa do IMS.







Exposição de fotolivros no IMS-SP retrata o trajeto da fotografia na América Latina e revela a contribuição do continente na história dos livros fotográficos



O Instituto Moreira Salles de São Paulo abre no dia 18 de julho, às 19h30, a exposição Fotolivros latino-americanos. O objetivo da mostra, que tem curadoria de Horacio Fernández, historiador e professor na Faculdade de Bellas Artes (Cuenca, Espanha) é apresentar os melhores fotolivros da América Latina desde os anos 1920 até a atualidade. Serão exibidas cerca de 50 publicações, 100 fotografias e 8 vídeos produzidos a partir de imagens dos livros presentes na mostra. Mais do que uma história da fotografia no continente, a exposição funciona como um panorama estético, social e cultural da América Latina.

Fotolivros Latino-americanos é o resultado de pesquisas feitas em onze países – Argentina, Bolívia, Brasil, Chile, Colômbia, Cuba, Equador, México, Nicarágua, Peru e Venezuela – ao longo de quatro anos (2008 a 2011). Horacio Fernández contou com o apoio de um conselho de curadores composto pelo argentino Marcelo Brodsky, o brasileiro Iatã Cannabrava, o inglês Martin Parr, a americana Lesley Martin e o espanhol Ramon Reverté. Um dos critérios de seleção foi o de contemplar apenas projetos nos quais o fotógrafo – obrigatoriamente latino-americano – tem um papel ativo na realização do livro, em conjunto com o designer gráfico e o editor. São trabalhos de grandes artistas como Horacio Coppola, Claudia Andujar, Boris Kossoy, Paz Errázuriz, Manuel Álvarez Bravo, Miguel Rio Branco e Paolo Gasparini e de editores/designers como Massao Ohno, Wesley Duke Lee, Álvaro Sotillo e Vicente Rojo.

A montagem da exposição é dividida em uma introdução e seis temas:

- Introdução: América Antes da América, apresentação do livro Amazônia, de Claudia Andujar e George Love.

1. História e propaganda: fotolivros de documentação, protesto e propaganda podem ser usados para compilar a história da América Latina em imagens. O Álbum histórico gráfico (1921), do fotógrafo mexicano Agustín Victor Casasola, relata por meio de fotografias documentais a revolução mexicana dos anos 1910. Outro exemplo é Candomblé (1957), de José Medeiros, que registrou rituais secretos da cultura afro-brasileira.

2. Fotografia urbana: a cidade é um dos principais temas dos fotolivros latino-americanos. Há trabalhos sobre Buenos Aires, Caracas, Cuzco, México, São Paulo e Brasília – que é tema de Doorway to Brasilia (1959), do designer Aloísio Magalhães e do gravador Eugene Feldman. Buenos Aires é retratada por Horacio Coppola – cuja obra é preservada pelo IMS.

3. Ensaios fotográficos: alguns fotolivros latino-americanos são particularmente ricos pela complexidade de seu conteúdo e a qualidade de sua forma. Sistema nervioso (1975) interpreta a cidade de Caracas como um quebra-cabeça de signos enigmáticos. A fotógrafa Barbara Brändli, o designer John Lange e o escritor Roman Chalbaud são responsáveis por essa obra. Retromundo (1986) é um importante fotolivro de Paolo Gasparini, que mostra a essencial diferença entre as imagens da América Latina e imagens da Europa e América do Norte.

4. Fotolivros de artista: durante os anos 1970, muitos artistas acreditavam que o processo de criação era mais importante que o resultado final do trabalho. A fotografia foi usada como meio de documentação desses processos criativos. Há os registros de performances, como Auto-photos (1978), da brasileira Gretta, e trabalhos sobre o corpo como Autocopias (1975), do venezuelano Claudio Perna. A reflexão sobre a linguagem artística é tema de fotolivros muito importantes como Fallo fotográfico (1981), obra conceitual do chileno Eugenio Dittborn.

5. Literatura e fotografia: chamam a atenção a quantidade e a qualidade dos livros literários com ensaios fotográficos editados na América Latina. Um exemplo é Asfalto-Infierno (1963), do escritor Adriano González León e do artista Daniel González, responsável pelo design e pelas fotos de uma Caracas demoníaca. Os poemas de Paranóia (1963), de Roberto Piva, constituem uma alucinada visão de São Paulo, fotografada por Wesley Duke Lee.

6. Fotolivros contemporâneos: nos últimos anos, a produção de fotolivros na América Latina aumentou muito e alguns dos melhores livros foram influenciados por publicações mais antigas, como a fotografia urbana em Siesta argentina (2003), de Facundo de Zuviría, e Noturnos São Paulo (2002), de Cássio Vasconcellos. O arquivo também é um gênero nas artes visuais do novo século, com obras ambiciosas como O arquivo universal (2003), de Rosângela Rennó, que usa “o livro como um espaço de exposição, com suas próprias características gráficas”.

A exposição Fotolivros latino-americanos, coproduzida pelo Instituto Moreira Salles (RJ e SP), Le Bal (Paris), Ivory Press (Madrid) e Aperture (Nova York) é o resultado de pesquisas feitas em diversos países que se iniciaram em 2007 durante o Fórum Latino Americano de Fotografia de São Paulo. O projeto também resultou em um livro, lançado pela Cosac Naify em coedição com a editora mexicana RM, a norte-america Aperture e a francesa Images em Manoeuvre. Após ser exibida na França, Espanha e EUA, a exposição foi apresentada no IMS-RJ (de março a junho) e segue agora para o IMS-SP (de julho a outubro). “Este exemplar projeto colaborativo entre instituições, editoras, pesquisadores e autores permitiu que este relevante conteúdo relativo à fotografia latino-americana fosse reunido e circulasse por diversos países da Europa e das Américas, dando visibilidade internacional à produção dos fotógrafos, editores e designers latino-americanos que ao longo dos últimos cem anos utilizaram o fotolivro como plataforma privilegiada para seus projetos autorais, artísticos e documentais”, explica Sergio Burgi, coordenador do acervo de fotografia do IMS.

Sobre Horacio Fernández:
É historiador, curador e professor na Faculdad de Bellas Artes, em Cuenca, na Espanha. Foi curador da PhotoEspaña entre 2004 e 2006. É autor, entre outras publicações, de Fotografía Pública (1999), livro que acompanhou a exposição homônima com curadoria de Fernandez para o Museo Reina Sofía (Madri).  Veja aqui uma entrevista com Horacio Fernandéz sobre o projeto Fotolivros Latino-americanos: http://www.youtube.com/watch?v=9igO725jyDI

Fotolivros latino-americanos
Abertura: 18 de julho de 2013, às 19h30
Exposição: de 19 de julho a 20 de outubro de 2013
De terça a sexta, das 13h às 19h
Sábado, domingo e feriado, das 13h às 18h
Entrada franca - Classificação livre

Instituto Moreira Salles – São Paulo
Rua Piauí, 844, 1º andar, Higienópolis
Tel.: (11) 3825-2560


Informações para a imprensa:
Nathalia Pazini - (11) 3371-4490
Paula Simões - (11) 3371-4424