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terça-feira, 3 de maio de 2016

O triunfo da cor. O pós-impressionismo: obras-primas do Musée d’Orsay e do Musée de l’Orangerie

Uma exposição de encher os olhos, não só com a beleza das imagens, mas também de lágrimas de emoção ao nos depararmos com obras icônicas do nosso subconsciente, que conhecemos desde sempre, sem nunca tê-las visto próximas, a pouco centímetros, quando então temos a oportunidade de observar pequenos detalhes como a delicadeza da pincelada e dos matizes que transformam um pedaço de linho numa armação de madeira em um tesouro.

Às vezes fico pensando por que as artes plásticas não acompanharam o incrível desenvolvimento e sofisticação alcançados por outras vertentes do conhecimento humano, tendo, a partir da segunda metade do século XX, se apequenado e amesquinhado, não apresentado, com raras e honradas exceções, nada digno de nota. Será que os artistas acham não serem capazes de criar nada tão bom quanto aos antigos mestres? O que vejo hoje é muita pretensão, bazófia e preguiça em "obras" rasteiras e mal feitas, de uma feiura de dar dó. Penso que muita gente deva voltar à escola.

Com uma curadoria magnífica que nos traz uma seleção inesquecível das obras, se faz um passeio imperdível a ser feito várias vezes já que a expografia também é um espetáculo à parte.


Sérénade grotesque - Ravel - ANGELA HEWITT 


Abaixo das imagens, o "press-release", fornecidos pela assessoria de imprensa do evento.




























O MINISTÉRIO DA CULTURA E O GRUPO SEGURADOR BANCO DO BRASIL E MAPFRE APRESENTAM NO BRASIL OBRAS-PRIMAS DO ACERVO DO MUSÉE D’ORSAY E DO MUSÉE DE L’ORANGERIE, EM MOSTRA INÉDITA NO CCBB
A EXPOSIÇÃO O TRIUNFO DA COR. O PÓS-IMPRESSIONISMO TRAZ AO PAÍS OBRAS DE VAN GOGH, GAUGUIN, TOULOUSE-LAUTREC, SEURAT, ENTRE OUTROS ARTISTAS DO PÓS-IMPRESSIONISMO, DANDO CONTINUIDADE AO SUCESSO DE IMPRESSIONISMO: PARIS E A MODERNIDADE




A Fundación MAPFRE e o Musée d’Orsay, em parceria com o Centro Cultural Banco do Brasil, trazem ao país os mestres do pós-impressionismo. O triunfo da cor. O pós-impressionismo: obras-primas do Musée d’Orsay e do Musée de l’Orangerie apresenta 75 obras de 32 artistas que, a partir do fim do século XIX, buscaram novos caminhos para a pintura. A exposição será inaugurada no CCBB São Paulo, onde fica em cartaz de 4 de maio a 7 de julho, e segue para o CCBB Rio de Janeiro, onde permanecerá aberta ao público entre 20 de julho e 17 de outubro.

A mostra conta com o patrocínio do GRUPO SEGURADOR BANCO DO BRASIL E MAPFRE, do Banco do Brasil e da BB DTVM – empresas que vem se destacando com um amplo trabalho de fomento à cultura – e tem a chancela do Ministério da Cultura, por meio da Lei de Incentivo à Cultura (Lei Rouanet). A curadoria da exposição é assinada pelo presidente do Musée d’Orsay, Guy Cogeval, pelo diretor cultural da Fundácion MAPFRE, Pablo Jiménez Burillo, e pela curadora do Musée d’Orsay, Isabelle Cahn. 

A exposição apresenta obras-primas de uma geração de artistas que sucede aos impressionistas, e que recebe do crítico inglês Roger Fry a designação de pós-impressionista. São obras de nomes como Van Gogh, Gauguin, Toulouse-Lautrec, Cézanne, Seurat e Matisse, grandes mestres da pintura moderna, que promoveram uma verdadeira revolução estética por meio do uso da cor.
 
Esta é a segunda mostra que o Musée d’Orsay e a Fundación MAPFRE realizam no Brasil. A primeira foi a exposição Impressionismo: Paris e a modernidade – Obras-primas do Musée d’Orsay, consagrada como a terceira mostra mais visitada no mundo no ano de 2012, representando um marco na formação de público e uma oportunidade única de contato com obras emblemáticas do patrimônio mundial.

O Triunfo da Cor se organiza em 4 módulos, que apresentam os 75 trabalhos provenientes dos museus d’Orsay e de l’Orangerie, ambos sediados em Paris.





A COR CIENTÍFICA (MÓDULO 1)
O módulo apresenta uma seleção de obras de artistas motivados pelos estudos desenvolvidos pelo cientista Michel Eugene Chevreul sobre a técnica neoimpressionista de aplicar na tela pontos justapostos de cores primárias. O olho do espectador passa a recompor à distância a aplicação do pontilhado das cores complementares e contrastantes. Seurat, expoente do pontilhismo, influencia também Van Gogh, que desembarca em Paris em 1886 e que, sob o efeito imediato do contato com a pintura moderna parisiense, passa a utilizar uma paleta de cores vivas.

NO NÚCLEO MISTERIOSO DO PENSAMENTO. GAUGUIN E A ESCOLA DE PONT-AVEN (MÓDULO 2)
O módulo inclui uma série de obras que refletem a pesquisa realizada por Paul Gauguin e Émile Bernard a partir de uma pintura sintética, marcada pela presença do desenho nos contornos e nas silhuetas, valendo-se de cores simbólicas. A pintura passa a refletir um mundo interior, poético e espiritual. Gauguin confere à cor o papel revelador de uma dimensão simbólica da pintura e é ele o mentor de um grupo de artistas apresentados neste módulo.

OS NABIS, PROFETAS DE UMA NOVA ARTE (MÓDULO 3)
O módulo tem como tema a ideologia estética do grupo de artistas que se definiu como profetas de uma arte nova e defendeu a origem espiritual da arte, fazendo uso da cor como um elemento transmissor dos estados de espírito. Entre os nabis, artistas como Maurice Denis, Vuillard, Maillol e Vallotton revelam uma paixão por temas da vida cotidiana e por uma dimensão misteriosa e sobrenatural que a cor confere a sua pintura.

A COR EM LIBERDADE (MÓDULO 4)
Este módulo apresenta, por um lado, obras de artistas do final do século XIX, como Cézanne, que busca inspiração na Provence, e Paul Gauguin, que parte para o Taiti e se inspira na natureza tropical, além de obras de jovens artistas do início do século XX, que compartilhavam o gosto por uma composição ornamental em que a cor assume o protagonismo.

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O triunfo da cor é mais um capítulo de uma trajetória bem-sucedida do CCBB de formação contínua de público no Brasil por meio da apresentação de exposições históricas sobre a arte moderna, dentre elas, a mostra Impressionismo: Paris e a modernidade. Com O triunfo da cor, que reúne obras criadas a partir da influência do movimento impressionista, o público terá a oportunidade de conhecer e vivenciar ícones de um momento relevante da história da arte.

A coordenação e a organização de O triunfo da cor. O pós-impressionismo: obras-primas do Musée d’Orsay e do Musée de l’Orangerie estão sob a responsabilidade da Expomus, empresa brasileira que atua há mais de 30 anos no mercado cultural.

Pós-impressionismo com horário marcado
Assim como em todas as exposições realizadas a partir do segundo semestre de 2015, os interessados em conhecer O triunfo da cor. O pós-impressionismo: obras-primas do Musée d’Orsay e do Musée de l’Orangerie, em São Paulo, poderão realizar gratuitamente o agendamento virtual das visitas, por meio do site Ingresso Rápido ou de aplicativo oferecido pelo CCBB (disponível para Android e iOS). Com o serviço, é possível planejar com facilidade o dia e o horário do passeio, evitando filas e aprimorando a experiência da visita.



SERVIÇO
CCBB SP
O Triunfo da cor. O pós-impressionismo: obras-primas do Musée d’Orsay e do Musée de l’Orangerie
4 de maio a 7 de julho de 2016
Centro Cultural Banco do Brasil São Paulo
Rua Álvares Penteado, 112 - Centro - São Paulo, SP
Quarta-feira a segunda-feira, das 9h às 21h
Agendamento online: opção de visitação com horário agendado pelo aplicativo “CCBB” (Apple Store e Google Play) e site bb.com.br/cultura, ou na bilheteria do CCBB, mediante disponibilidade.
Atendimento a grupos agendados: (11) 3113.3649
Informações: (11) 3113-3651 / 3113 - 3652

Outras informações
Acesso e facilidades para pessoas com deficiência // Ar-condicionado // Cafeteria Cafezal
Estacionamento conveniado:
Estapar Estacionamentos: Rua Santo Amaro, 272. Valor: R$ 15,00 pelo período de 5 horas. Necessário validar o ticket na bilheteria do CCBB. 

Translado gratuito em São Paulo
Uma van faz o translado gratuito entre o estacionamento e o CCBB. No trajeto de volta, tem parada no Metrô República. Embarque e desembarque: na Rua Santo Amaro, 272 e na Rua da Quitanda, próximo à entrada do CCBB.







CCBB RJ
O Triunfo da cor. O pós-impressionismo: obras-primas do Musée d’Orsay e do Musée de l’Orangerie
20 de julho a 17 de outubro de 2016
Centro Cultural Banco do Brasil Rio de Janeiro
Rua Primeiro de Março, 66 - Centro - Rio de Janeiro, RJ
Terça-feira a domingo, de 9h às 21h
Informações: (21) 3808-2020
www.twitter.com/ccbb_rj

Outras informações
Acesso e facilidades para pessoas com deficiência // Ar-condicionado // Cafeteria e Restaurante.



Gestão de relacionamento com a imprensa
Approach Comunicação – www.approach.com.br

São Paulo
Tel.: (11) 3846-5787 – Ramais 34 e 48
Bianca Iaconelli – (11) 99944-0197- bianca.iaconelli@approach.com.br
Ana Claudia Camara – (11) 96318-2165 – anaclaudia.camara@approach.com.br
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terça-feira, 29 de março de 2016

Di Cavalcanti - Conquistador de Lirismos


Seria redundante, senão um pleonasmo começar este comentário com rasgados elogios à Galeria Almeida e Dale e a Denise Mattar, pois mais uma vez eles nos brindam com uma exposição inesquecível, daquelas de encher os olhos e nos tirar a noção do tempo.

Novamente a curadora se concentra num determinado período da carreira de seu artista escolhido e explora magnificamente sua produção neste tempo com obras belíssimas que ilustram sua grandeza.

Como podemos perceber nas imagens abaixo, o artista demostra seu ecletismo ao não se fixar em uma única estética, nos levando a conhecer seus diversos estilos de trabalho. 

Di Cavalcante faz parte do panteão dos grandes artistas brasileiros, quiça mundiais, com obras que fazem parte de nosso imaginário.

Bachianas Brasileiras, No. 4 for piano in 1941, IV. Dança (Miudinho)
Nashville Symphony Orchestra



Abaixo das imagens, o "press-release", fornecidos pela assessoria de imprensa do evento.














Di Cavalcanti - Conquistador de Lirismos resgata obra do artista em exposição e livro
                                                   
“Eu sou meu personagem”, dizia Di Cavalcanti sobre si mesmo. Nada poderia defini-lo melhor. Autodidata, ilustrador, desenhista, caricaturista e pintor, entre todos os pintores do Modernismo, Di foi o único artista que se manteve ativo do início ao fim do período modernista (até sua morte, em 1976) e aquele que melhor retratou as nuances e o lirismo da cultura e do povo brasileiro. Mais de duas décadas desta rica produção, compreendendo os anos de 1925 a 1949, estarão na exposição Di Cavalcanti - Conquistador de Lirismos, com curadoria de Denise Mattar e consultoria de Elisabeth Di Cavalcanti. A mostra, que acontece de 17 de março a 28 de Maio, reunirá cerca de 50 obras do artista – entre óleos, aquarelas, guaches – e insere-se dentro da ação de caráter institucional da Galeria Almeida e Dale, que já apresentou anteriormente as exposições de Fernando Botero, Aldo Bonadei, Alfredo Volpi, Alberto da Veiga Guignard, Willys de Castro, Candido Portinari e Ismael Nery.

Dando mais um passo no seu projeto institucional, a Galeria AD lançará em 8 de Abril, durante a SP-Arte, Di Cavalcanti - Conquistador de Lirismos (o livro) trará mais de 200 obras do artista, em publicação da Editora Capivara. Também com curadoria de Denise Mattar e consultoria de Elisabeth Di Cavalcanti, a edição reveste-se de especial importância, pois, embora sendo um dos mais conhecidos e importantes artistas brasileiros, Di Cavalcanti tem poucas publicações sobre seu trabalho. A maior parte delas realizada há muitos anos e esgotadas.

1925 e 1949
A fecha curatorial que compreende os anos de 1925 a 1949 marca um período de amadurecimento, transformação e virada na obra do artista.

1925 é o ano do regresso de Di de sua primeira viagem à Europa, após um período de dois anos, onde viveu em Paris como jornalista. Na capital francesa, frequentou a Academia Ranson, visitou museus e exposições e se encantou com os expressionistas alemães. Conheceu Picasso, Léger, Matisse, Eric Satie, Jean Cocteau e outros intelectuais franceses. Viajou à Itália para ver Tiziano, Michelangelo e Da Vinci. Este contato com a vanguarda europeia e com os grandes mestres do passado foi fundamental para o artista, que voltou ao Brasil renovado e consciente do que queria para sua obra. “Paris pôs uma marca na minha inteligência. Foi como criar em mim uma nova natureza e o meu amor à Europa transformou meu amor à vida em amor a tudo que é civilizado. E como civilizado comecei a conhecer a minha terra. (...)”, afirmou.

Em 1949, em viagem ao México, Di teve contato com os pintores e muralistas mexicanos Diego Rivera (1886-1957) e José Orozco (1883-1949). A experiência com o muralismo mexicano abriu um novo caminho para o artista, que, a partir de 1950, passou a realizar painéis e murais para a nova arquitetura de linhas simples e arrojadas que encarnava o sonho da modernidade brasileira.

Ao longo dos 24 anos que compreendem os dois regressos, Di Cavalcanti elenca os principais temas de sua obra: as pessoas comuns, os sub-urbanos, retratados na favela, nos botecos, nas docas, nos bordéis, nas festas populares, e as mulheres - mulatas, negras, brancas, ricas e pobres, morenas e loiras, retratadas num clima lírico e sensual, dolente e langoroso. E os opostos que colocava em convivência – o lirismo e a sensualidade, o real e o fantástico, o cotidiano e o extraordinário, a razão e a emoção –, compondo um universo artístico que classificava como realismo mágico.

Vida
Di Cavalcanti nasceu Emiliano de Albuquerque e Mello, em 6 de setembro de 1897, no Rio de Janeiro, então capital da República. Filho de Rosália e Frederico Augusto de Albuquerque Mello, ambos descendentes dos Cavalcanti do estado da Paraíba, desde cedo adotou seu nome artístico, sonoro e eficiente, quase uma logomarca, originário do apelido Didi.

Passou a infância no bairro de São Cristóvão. Embora tivesse uma vida de poucos recursos financeiros, o parentesco com o abolicionista José do Patrocínio (casado com sua tia Maria Henriqueta) o levou a conviver desde criança com a música e a literatura.

A morte de seu pai, em 1914, foi provavelmente o fator determinante para que ele não tenha cursado a Escola Nacional de Belas Artes (que certamente detestaria). Aos 17 anos, Di viu-se obrigado a trabalhar, e essa necessidade de se manter o acompanhou por toda a vida, sendo um fator que o distinguiu dos outros modernistas e o deixou sempre mais perto da vida real.

Di começou sua carreira e formou-se como artista por meio da imprensa, trabalhando como caricaturista e ilustrador. Em 1916 participou do I Salão dos Humoristas, no Liceu de Artes e Ofícios do Rio de Janeiro. No ano seguinte foi para São Paulo, onde frequentou a Faculdade de Direito, por três anos.

Com pouco dinheiro, mas boas referências, e muito talento, o artista conseguiu rapidamente se inserir no círculo dos intelectuais vinculados aos jornais em São Paulo e no Rio. Segundo Anita Malfatti, Di ajudou a convencê-la a realizar a famosa exposição de 1917, que abalaria São Paulo e seria considerada a gênese da Semana de Arte Moderna de 1922, da qual o artista carioca também é um dos personagens centrais.

Di Cavalcanti atribuía a si próprio a ideia da realização da Semana de Arte Moderna de 1922 e, principalmente, a conquista da participação de Graça Aranha para a causa modernista. Hoje é corrente rejeitar a afirmação, atribuindo a ideia do evento a Marinete Prado, mas ninguém contesta a importância de Di Cavalcanti para a realização do evento. Era atuante, articulado, integrante ativo do grupo dos modernistas de São Paulo.

O artista produziu o catálogo e o programa da Semana, organizou a participação de Villa-Lobos e convidou vários artistas, entre eles Ferrignac e Martins Ribeiro. Na lista de obras da exposição constam 12 de seus trabalhos, entre os quais Café Turco, Retrato, O Homem do Mar e A Piedade da Inerte.

Decidido pelas artes plásticas em 1918, Di contou com o aprendizado de pintura no ateliê de George Fischer Elpons, que proporcionou a ele um aprendizado de pintura sem a rigidez das “belas-artes”, mas lhe trouxe informações sobre os movimentos europeus que Di não encontraria entre a maioria dos artistas brasileiros.

Outro nome importante na formação do artista foi o jornalista e cronista Paulo Barreto, conhecido como João do Rio. Cronista famoso, tradutor de Oscar Wilde, autor de A alma encantadora das ruas, João do Rio apresentou Di ao submundo carioca, que sobrevivia acuado pela reforma urbana empreendida pelo prefeito Pereira Passos.

Di Cavalcanti teve seu trabalho interrompido na década de 1930 por perseguições políticas. Em São Paulo, foi preso como getulista. No Rio, como comunista. Na série de 12 caricaturas intitulada Realidade Brasileira, Di satirizou os comportamentos sociais e políticos do país.
Em 1936, Di conseguiu fugir para Paris, onde permaneceu por quatro anos, trabalhando para a Radio Diffusion Française. Neste período, e durante toda a década de 1940, o lirismo e uma sensualidade langorosa tomam conta das telas do artista. “Di foi o primeiro a trazer para a pintura a gente dos morros, a gente dos subúrbios, onde nasceu o samba. Sendo o mais brasileiro dos artistas, foi o primeiro a sentir que entre o interior, a roça, o sertão e a avenida, o "centro civilizado", havia uma zona de mediação - o subúrbio. No subúrbio vive o verdadeiro autóctone da grande cidade. Já não é caipira, mas ainda não é cosmopolita. O que lá se passa é autêntico, de origem e de sensibilidade”, escreveu o crítico de arte Mário Pedrosa no Jornal do Brasil em 6 de setembro de 1957.

No trabalho mural, que se inicia a partir de seu retorno do México, em 1949, o artista faz experiências com formas ondulantes, padrões listados e estampados, numa profusão de informações visuais e predomínio de estilizações. Uma estética vibrante, colorida e múltipla é a marca de sua obra neste período, no qual encontramos também alguns acentos surrealistas. Entre as obras mais conhecidas estão as tapeçarias do Palácio da Alvorada, o grande painel do Congresso, o painel do Descobrimento, hoje no Museu Nacional de Belas Artes, e os quatro trabalhos realizados para a Caixa Econômica Federal, para ilustrar os bilhetes da Loteria. Em 1964 conheceu sua última mulher, Ivete Bahia da Rocha.

A década de 1950 é o período em que o artista começa uma das fases mais conhecidos de sua obra – que, por vezes, acaba até mesmo por reduzi-la: as mulatas.

A sensualidade, a indisciplina e a boemia de Di Cavalcanti, “um antídoto contra o mau humor”, segundo Vinicius de Morais, fizeram com que ele fosse sempre visto com reservas por uma parcela da crítica de arte, a mesma que leva em conta sua obra somente até os anos 1950.

Porém, mais do que qualquer outro artista, Di Cavalcanti conseguiu exprimir em suas telas o lirismo do povo brasileiro e a nossa sensibilidade sentimental e sensual. As suas mulheres lânguidas, os trabalhadores suados, a musicalidade que emana das gafieiras; tudo transborda poesia. De suas paisagens desprende-se o perfume de flores baldias, rendas de ferro se entrelaçam e brilha uma transparência azul, que mistura céu e mar. Este amor esta reiterado de forma poética e envolvente nos livros Viagem de minha vida e Reminiscências líricas de um perfeito carioca.

Pintor-poeta, amigo de muitos amigos, amante de muitas mulheres, personagem de si mesmo, Di foi um eterno apaixonado pelo Brasil.

Di Cavalcanti - Conquistador de Lirismos, na Galeria Almeida e Dale
Curadoria: Denise Mattar. Consultoria: Elizabeth Cavalcanti
17 de março: abertura para convidados
18 de março a 28 de maio: período expositivo
Lançamento livro Di Calvalcanti – Conquistador de Lirismos: 8 de abril, na SP-Arte
Galeria Almeida e Dale
R. Caconde, 152 - Jardim Paulista, São Paulo - SP
Tel.: 11 3887-7130
De segunda a sexta, das 10h às 18h; sábados das 10h às 14h
Informações para a imprensa:
A4 e Holofote –

+55 (11) 3897-4122







sexta-feira, 26 de fevereiro de 2016

GHOSTS – LARS NILSSON

Essa exposição foi uma grata surpresa, pois apesar de poucas peças mostradas, é emocionante.

Feitas por uma artista sueco contemporâneo, nos mostra que o rigor técnico da execução produz um resultado empolgante, principalmente quanto às expressões das figuras humanas. Transmitem uma carga emocional quase hipinótica, que nos cativa e encanta.

Disposta em uma única sala do Instituto Tomie Ohtake conta com uma excelente distribuição dentro deste espaço e com uma bela iluminação que ressalta as qualidades das peças exibidas.

Não será uma daquelas mostras "arrasa quarteirão", até pela pouca divulgação, mas nos presta um grande serviço ao apresentar um excelente artista que merece ser acompanhado com atenção.

Um lindo passeio que tem como bônus as outras exposições em cartaz no Instituto.


I see a different you - Koop

Abaixo das imagens o "press-release", fornecidos pela assessoria de imprensa do Instituto Tomie Ohtake












INSTITUTO TOMIE OHTAKE

APRESENTA

GHOSTS – LARS NILSSON

Exposição em cartaz de 18 de fevereiro a 27 de março de 2016


O Instituto Tomie Ohtake busca trazer ao público um amplo leque da produção artística para derreter, dilatar, e não cristalizarapenas alguns territórios. Assim, depois deFrida Kahlo e Mulheres Surrealistas no México, agora– paralelamente ao seu programa Arte Atual, que nesta primeira edição do ano, por meio de trabalhos de três artistas contemporâneos, discute significados da “banalidade”–, apresenta esculturas do artista Lars Nilsson. Uma arte de leitura mais direta, que se deixa agarrar pelo olhar do espectador. Nesta série de oito trabalhos, o artista sueco trava uma relação entre ele, a obra material e o observador. “Nas obras que compõem Ghosts não há o recurso a conceitos, “apenas” o mundo físico das coisas e das pessoas e o mundo físico da arte”, escreve Teixeira Coelho.

Para o crítico, asesculturas reunidas na exposição - que contará com a presença do artista no dia 20 de fevereiro, sábado, às 11h -, não há nenhum movimento em direção a alguma etérea ideia intelectual; “pelo contrário, tudo assume a forma de um gestotectônico que se dirige e se prende firmemente ao material, ao concreto”.

O título da exposição Ghosts é acentuado com a ideia de “dobra do tempo”, busca intencional do artista de pôr em contato o contemporâneo, o barroco e o surrealismo em sua obra. Para Nilsson, assim procedendo, ele mesmo se sentia e se punha “fora do tempo”, como talvez um fantasma também esteja e se sinta.

Lars Nilsson, nascido em 1956 (Estocolmo, Suécia), tem-se dedicado ao vídeo e à pintura, além da escultura. Com a colaboração de Niklas Malmström, desenvolveu um método rápido de moldagem do corpo humano por ele definido como “fotografia plástica”. Grava constantemente em vídeo a si próprio e as pessoas à sua volta de modo a lhes captar os movimentos na verdade inconsciente no exato momento em que acontecem e que depois não podem ser repetidos de modo intencional. É isso, diz, que lhe permite reproduzir em suas figuras essa sensação por ele descrita como não raro atemorizante, quase assustadora, diante de um corpo humano vivo.

Professor da Academia de Arte de Malmö entre 1996 e 2005, Lars Nilsson fez exposições, entre outras, no Magazin 3 e no Moderna Museet de Estocolomo; Palais de Tokyo em Paris; Museu Nacional da Dinamarca; Hamburger Banhoff em Berlim; PS1 em Nova York e nas bienais de Veneza, Moscou e Curitiba.

Exposição: Ghosts – Lars Nilsson
De 18 de fevereiro a 27 de março de 2016, de terça a domingo, das 11h às 20h - grátis
Patrocinio: Scania / Apoio: AkzoNobel

Instituto Tomie Ohtake
Av. Faria Lima 201 (Entrada pela Rua Coropés 88) - Pinheiros SP
Metrô mais próximo - Estação Faria Lima/Linha 4 - amarela
De terça a domingo, das 11h às 20h

Informações à Imprensa
Pool de Comunicação – Marcy Junqueira
Atendimento: Martim Pelisson e Luana Ferrari

terça-feira, 23 de fevereiro de 2016

MONDRIAN E O MOVIMENTO DE STIJL

Esta é uma das exposições que marcarão a cena artística brasileira neste ano, apesar da pouca visitação durante a semana.

Pois diferente das exposições anteriores que tinham o nome de um grande artista como chamariz, como as de Kandisk, Frida Kahlo e a de Picasso que faziam conexões entre artistas contemporâneos e de características ou influências em comum, essa tem a maioria das obras apresentadas do seu inspirador.

Mostrando trabalhos do início da carreira de Mondrian, onde podemos acompanhar todas as suas fases e inspirações e o seu encaminhamento para a estética que enfim o fez famoso e que criou junto aos seus pares.

O fim da mostra nos joga dentro deste movimento baseado em linhas e ângulos retos, duros, que compõem um universo que contém a pintura, a arquitetura e o desenho de mobiliários e utensílios.

Essa solução apresenta resultados magníficos, de projetos de uma beleza concreta, com um porém, apesar do impacto visual dos projetos arquitetônicos, a impressão que se tem é que morar nestas obras de arte poderia ser uma experiência árida.

Mais um magnífico passeio com que o CCBB nos brinda.


House Of The King - Focus

Abaixo das imagens, o "press-release", fornecidos pela assessoria de imprensa do evento.

















MONDRIAN E O MOVIMENTO DE STIJL

São Paulo, janeiro de 2015 – Para muitas pessoas, o nome Mondrian remete a uma associação mais ou menos imediata com retângulos de cores primárias delimitados por grossas linhas pretas. Mas ele, como tantos outros mestres das artes, não se manteve a vida inteira no âmbito dos seus trabalhos mais conhecidos. Piet Mondrian (1872-1944) chegou a sua obra mais famosa – Composição com grande plano vermelho, amarelo, preto, cinza e azul – em 1921, depois de uma trajetória que iniciou em 1892, ao ingressar na Academia Real de Artes Visuais de Amsterdã. 

Nos quase 30 anos que antecederam a esse despojamento, Mondrian produziu paisagens carregadas de cores escuras, e as vezes sombrias, que caracterizavam a pintura holandesa do século XIX. Aos poucos, ele foi se aproximando dos movimentos artísticos que aconteciam na Europa. Seus tons foram clareando e suas composições ficando mais ousadas à medida em que se aproximava dos pós-impressionistas franceses, enchendo-se das cores e pinceladas vigorosas de Van Gogh, ou experimentando o pontilhismo de Seurat. Num processo contínuo, após uma influência temporária do cubismo, procurou formas de abstrair a realidade e buscar a essência da imagem. 


Mondrian e o movimento De Stijl, nome da exposição que o Centro Cultural Banco do Brasil em parceria com Art Unlimited preparou para os brasileiros, é uma oportunidade imperdível. “Organizamos tudo para que o visitante possa acompanhar esse percurso e entender que aqueles retângulos coloridos que povoam até hoje o imaginário do moderno, e são tão facilmente reconhecíveis, não nasceram de uma hora para outra, nem por acaso”, explica o curador da exposição, Pieter Tjabbes. 

A exposição, contudo, não se esgota com a história artística de Mondrian. Há uma segunda etapa, igualmente relevante para compreender o que aconteceu naquele período (1917-1928), que mostra a agitação provocada pela revista De Stijl (O Estilo), o meio escolhido para que um grupo de artistas, designers e arquitetos, incluindo Mondrian, defendesse o neoplasticismo e a utopia da harmonia universal de todas as artes. 

Mondrian acreditava que sua visão da arte moderna transcendia as divisões culturais e poderia se transformar numa linguagem universal, baseada na pureza das cores primárias, na superfície plana das formas e na tensão dinâmica em suas telas. E seus companheiros da De Stijl não só tinham visão semelhante, como aplicaram esses conceitos a todo tipo de arte. 

No design, por exemplo, é representativa desse movimento a cadeira Vermelha Azul, que Gerrit Rietveld criou entre 1917 e 1923. O mesmo Rietveld levou o De Stijl para a arquitetura, ao desenhar e construir em 1924 uma casa para Truus Schroder-Schrader em que aplicou a paleta de cores primárias privilegiando espaços abertos, luminosidade, ventilação e funcionalidade, rompendo com convenções arquitetônicas da época. 

Os princípios expostos nos 12 anos em que a revista De Stijl circulou foram utilizados nas artes plásticas, na arquitetura, na fotografia, no design, na literatura, na tipografia e até mesmo na moda. Em Mondrian e o movimento De Stijl será possível acompanhar, por intermédio de obras originais, maquetes, mobiliários, fotografia, documentários, fac-símiles e publicações de época, essa forma de ver o mundo e as artes que era revolucionária em 1917 e continua moderna até hoje. 

Mondrian continuou experimentando até Victory Boogie Woogie, sua última obra, de 1944, pintada quando já morava nos Estados Unidos. Ele morreu de pneumonia, em 1944, aos 71 anos. 

A exposição Mondrian e o movimento De Stijl, organizada pela Art Unlimited e patrocinada pelo Banco do Brasil, com apoio do Banco Votorantim, será apresentada durante 2016 no Centro Cultural Banco do Brasil, em quatro capitais. Serão cerca de 70 obras — 30 das quais de Mondrian — e uma seleção de múltiplas manifestações do movimento De Stijl compondo o mais completo conjunto desse período já exibido no Brasil. 

A maior parte do acervo é procedente do Museu Municipal de Haia (Gemeentemuseum, Den Haag), da Holanda, que reúne a maior coleção do mundo de obras de Mondrian. 

A abertura nacional será no CCBB de São Paulo, dia 25 de janeiro. Em 21 de abril, coincidindo com o aniversário da cidade, a exposição inicia sua temporada em Brasília. No CCBB de Belo Horizonte abre em 20 de julho. E, finalmente, a partir de 12 de outubro, no Rio de Janeiro. 

CCBB SÃO PAULO Centro Cultural Banco do Brasil de São Paulo Rua Álvares Penteado, 112 – Centro. São Paulo. (11) 3113-3651/3652 | Quarta a segunda, das 9h às 21 horas ccbbsp@bb.com.br |
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 • Acesso e facilidades para pessoas com deficiência | ar-condicionado | cafeteria Cafezal
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segunda-feira, 28 de dezembro de 2015

Elza Soares, quem diria, a melhor novidade do ano




Elza Soares, aos 85 anos fez o melhor disco de música brasileira dos últimos anos.

Um disco completo de músicas que além de letras fortes e inteligentes, coisa rara hoje em dia no universo musical nacional, que nos apresentam arranjos empolgantes que fogem das soluções fáceis e preguiçosas da maioria dos lançamentos recentes, que se valem de acordes básicos e primários que se repetem quase à exaustão.

Que coragem dessa artista de vida cheia de tragédias pessoais, que as traz marcadas em seu rosto, em inovar, olhar para frente, conhecer e divulgar novos compositores, sem medo de críticas ou preconceitos.

Poderia no fim da vida se sustentar de shows ou regravações de seus inúmeros sucessos, fazer duetos com outros artistas, como muitos de seus amigos e contemporâneos tem feito. Mas não, se atira e prova que está viva, lúcida a ainda com muito gás, com a voz ainda muito potente que engrandece soberbamente esse belo repertório.

Abaixo a música que me deixou boquiaberto.




Compositor: Kiko Dinucci

Olho pro meu corpo, sinto a lava escorrer
Vejo o próprio fogo, não há força pra deter
Me derreto tonta, toda pele vai arder
O meu peito em chamas solta a fera pra correr

Olho pro meu corpo, sinto a lava escorrer
Vejo o próprio fogo, não há força pra deter
Me derreto tonta, toda pele vai arder
O meu peito em chamas solta a fera pra correr

Unhas cravadas em transe latejo
Roupas jogadas no chão
Pernas abertas, te prendo num beijo
Sufoco a sofreguidão

Meu temporal me transforma em loba
Presa, você vai gemer
Feito cordeiro entregue pra morte
Seu sussurrar a pedir

Pra fuder, pra fuder, pra fuder, pra fuder

Link: http://www.vagalume.com.br/elza-soares/pra-fuder.html#ixzz3vcRxr5DK

sexta-feira, 11 de dezembro de 2015

O MASP se moderniza voltando às origens

Hoje senti a emoção de ter voltado 40 anos no tempo.

Que alegria e conforto senti ao entrar no segundo andar do MASP, local reservado ao acervo permanente que tinha sido conspurcado pela administração anterior, que num laivo elitista e dispensável, quis amesquinhar o nosso museu que é em si uma linda obra de arte.

Já tinha escrito um comentário inconformado há 6 anos, um desabafo chamado A lógica do MASP, onde expunha minha indignação à nova solução apresentada pela diretoria então à frente do nosso museu.

Foi tão bonito observar a reação das pessoas embevecidas com o "novo" arranjo, pessoas que tinham conhecido o magnífico salão como hoje se apresenta, e também com jovens encantados em conhecer um museu luminoso sem ser iluminado artificialmente.

Nesta abertura percebi que a criteriosa escolha da curadoria, talvez pela falta de tempo, nos deixou com um gosto de quero mais, pois senti falta de várias maravilhas de seu acervo. Sinto que se adensarem um pouco os cavaletes, terão espaço para mais alguns tesouros.

Esse é, como sempre, um passeio imperdível.

Venha até São Paulo - Itamar Assunção



As imagens abaixo foram colhidas do meu post A lógica do MASP, que sinceramente, não lembro de onde as obtive. Acho que fui profético, pois todas elas estão na mostra.