Visualização de vídeos

Os vídeos e músicas postados neste espaço podem não ser visualizados em versões mais recentes do Internet Explorer, sugiro a utilização do Google Crome, mais leve e rápido, podendo ser baixado aqui.

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Forever - Dudu Santos

Neste sábado foi aberta a exposição Dudu Santos na Galeria Jaqueline Martins com obras de três fases do artista.

Ainda não conhecia nada sobre seus trabalhos, e qual não foi minha surpresa ao deparar com belíssimas telas, que não constavam do release da assessoria de imprensa.

Os quadros apresentam uma densidade ora instigante, ora inquietante, tomando nossa atenção fazendo-nos apreciá-las com vagar e atenção.

Uma coisa que me chamou a atenção foi o capricho e o entusiamo com que Jaqueline Martins desenvolve seu trabalho, pois além da magnífica instalação da mostra, nos brindou com um catálogo muito bem feito, para ser guardado e sempre consultado. A satisfação com que recebe seus convidados, mesmo aqueles que não são compradores, demonstra que mais do que uma comerciante de artes, é uma arte-educadora, uma formadora de opiniões.

Abaixo das imagens, texto de Mario Gioia de apresentação da exposição e o "press-release", fornecidos pela direção da galeria.





Tudo igual - Lulu Santos









Anárquica persistência

É uma das cenas inaugurais de Kippur - O Dia do Perdão (2000). Os amantes se envolvem com intensidade em meio ao corrimento de tintas. O entrelaçamento dos corpos pulsando na matéria das cores serve de contraponto à rigidez das composições geométricas das bandeiras, símbolos de lados opostos em um campo de batalha, o palco principal vivenciado pelos protagonistas do título. A hábil construção do diretor israelense Amos Gitai no longa, de forte tom documental e crítico, confere, assim, ao componente pictórico algo que não pode ser desligado da vida, da liberdade.

E o caráter livre norteia a carreira de Dudu Santos, na ativa desde 1961. Nos 50 anos de trajetória, talvez um dos momentos mais midiáticos se constituiu quando unia performance e pintura,em parcerias com modelos e atrizes. Tais eventos chamavam um numeroso público para a casa de dimensões amplas no Morumbi, em São Paulo, na qual um mezanino atestava a popularidade dos eventos, já que ficava repleto de observadores. A união entre o gesto do artista e os movimentos da bailarina nos faz remeter às provocativas Antropometrias da Época Azul (1960), ações do visionário Yves Klein (1928-1962) em consonância com suas modelos. A proposta de mínimas restrições de Dudu, em sintonia com os anos pós-ditadura militar, já era compreendida, por exemplo, na exposição Pinxit (1993), realizada nas galerias Dan e Mônica Filgueiras. Para a mostra, Lygia Fagundes Telles escreve: “Na ruptura com o conformismo das regras cristalizadoras, ele exige o movimento na sua instigante sucessão de imagens que se desencadeiam como num sonho. Ou delírio, mas num delírio que é tumulto e, ao mesmo tempo, ordem (...)”1.

Para a individual na galeria Jaqueline Martins, o artista ainda tem no gesto um forte procedimento de sua poética, mas a paleta parece mais escura, não solar. Aquele prazer do fazer artístico, tão em voga nos anos 80, nos quais Dudu também tinha correspondências com obras de nomes hoje mais lembrados _Jorge Guinle pode ser citado nesse grupo_ e menos incensados atulamente, mas com representatividade em coleções institucionais importantes _Adir Sodré, Ana Horta, Cláudio Fonseca, Felipe Andery, por exemplo_, persiste, mas parece ser resultante de um olhar mais crítico. Nesse sentido, as esculturas negras exibidas na mostra formam um conjunto também pouco otimista. Talvez seja o lado mais expressionista do artista impondo-se. A lembrar, Dudu foi assistente de Marcello Grassmann, outro nome de caminho à margem na arte brasileira e um dos eixos do expressionismo nacional.

Ao mesmo tempo, em produções paralelas, a não reverência do artista continua a chamar a atenção. Paradigmática nesse sentido é a série em que Dudu pinta o próprio caderno de assinaturas de sua exposição no Clube dos Artistas e Amigos da Arte, em 1961. Pelas páginas preenchidas por nomes e sobrenomes que hoje intitulam logradouros em pontos variados de São Paulo, pinceladas preenchem anteriores vazios, anarquizando o que tinha se sedimentado como um relicário de elite.

“Não existem mais fronteiras ou estilos. Tudo vale, nada vale. A história da arte foi virada de cabeça para baixo, e nesse sentido os ícones invertidos de Baselitz, Salomé, Kosuth valem como um símbolo da nova pintura. Em vôo cego, morcegante, os artistas penetram em todos os desvãos ou escaninhos da história da arte, do realismo e do simbolismo”2, escreve Frederico Morais, ao analisar a produção do começo da década de 80.

“Foi uma delícia”3, diz José Roberto Aguilar, importante artista dos interstícios entre pintura, performance e videoarte. Ele diz isso ao comparar os politizados anos 70 e sua produção na década seguinte, na importante mostra Arte como Registro, Registro como Arte: Performances na Pinacoteca de São Paulo, com apurada curadoria de Ana Paula Nascimento e Gabriel Moore Forell Bevilacqua. Tal exposição tem grande interesse por atestar que um segmento da produção da época, atualmente pouco visto e veiculado, realizado por artistas de trabalhos mais efêmeros e de difícil classificação começa a gerar estudos mais detidos do estabilishment institucional. Mesmo se atendo a obras executadas no museu paulistano, não seria absurdo construir pontes entre a produção de finas amarras de Dudu e muitos dos registros presentes na coletiva, como o de Genilson Soares, hoje também artista do elenco da Jaqueline Martins.

“Enfim, fundamentada nas ambiguidades do homem e nas tensões internas às obras, a atual produção de Dudu Santos indica a descoberta de um novo rumo e expressa o controle intelectual e o despudor anarquista de um artista que teima constantemente em renascer”4, analisa, com brilho, Miguel Chaia, para catálogo da galeria Denis Perri, em 1988. E é reconfortante perceber que, 23 anos depois, tal olhar ainda é válido.

Mario Gioia

Dudu Santos exibe pinturas, desenhos e objetos na Galeria Jaqueline Martins

Mostra “Forever”, que será inaugurada em 10 de setembro, permanece em cartaz até 11 de outubro

Comemorando 50 anos de sua primeira exposição individual, em 1961 no Clube dos Artistas e Amigos da Arte, em SP, o pintor Dudu Santos inaugura no sábado, 10 de setembro, a mostra “Forever”, na Galeria Jaqueline Martins, sua representante desde o começo de 2011. Artista reconhecido pela densidade e expressividade de sua obra, Dudu volta a realizar uma individual em São Paulo após 6 anos. A entrada é franca.

A exposição - “Forever” reúne pinturas expressionistas (acrílicas sobre tela), 20 desenhos das séries Dark, Estudos e Poeta, além de 4 objetos criados pelo artista, cuja paleta de cores traz, em geral nessa mostra, um aspecto mais denso e crítico.

“Para a individual na Galeria Jaqueline Martins, Dudu Santos tem no gesto um forte procedimento de sua poética, mas a paleta parece mais escura, não solar. Aquele prazer do fazer artístico, tão em voga nos anos 80, persiste, mas parece ser resultante de um olhar mais crítico. Nesse sentido, as esculturas negras exibidas na mostra formam um conjunto também pouco otimista. Talvez seja o lado mais expressionista do artista impondo-se”, avalia o crítico Mario Gioia em texto assinado para o catálogo da exposição.

Efeméride – Durante essas 5 décadas dedicadas à arte, Dudu Santos atuou também como marchand, em um período de 10 anos compreendido entre 1976 e 1985. Sua produção artística nesse intervalo foi menos constante, tendo sido retomada após sua saída da Grifo Galeria de Arte de São Paulo, que tornou-se um dos espaços fundamentais para a arte contemporânea no cenário nacional da época e que é um marco lembrado ainda hoje como fator constituinte do mercado de artes atual.

Sobre o trabalho de Dudu Santos assim se expressaram importantes personalidades do meio artístico brasileiro:

“Nesta fase de revolução e libertação, a obra de Dudu Santos adquire instantes de sortilégio. Magia. Na ruptura com o conformismo das regras cristalizadoras, ele exige o movimento na sua instigante sucessão de imagens que se desencadeiam como num sonho. Ou delírio, mas num delírio que é tumulto e ao mesmo tempo, ordem, a ordem que nasce da energia criadora. Nessa energia de lucidez em meio da paixão, os impulsos de luxúria, desafio e também fragilidade na repentina cegueira da dançarina que passa a ser conduzida pelo criador na sua busca sem tempo para os pinceis, Dudu Santos toma das cores e as submete com suas próprias mãos.”

LYGIA FANGUNDES TELLES

“Durante todos esses anos, Dudu Santos tem perseguido essa verdade advento, fazendo de sua história particular a história da arte brasileira, uma história que, em geral, se nutre da história da arte internacional. Sua arte é a projeção de sua história particular, dos adventos e eventos artísticos de que participou. E não foram poucos, nesses últimos trinta anos de percurso. E como a origem da obra de arte está na origem do Ser, foram muitas as mudanças, as metamorfoses, as transubstanciações do Ser e da Obra.”

ALBERTO BEUTTENMüLLER

“Não se faz sucesso impunemente. A brilhante atuação da Galeria Grifo em São Paulo (e que não é apenas de mercado, mas também de contribuição real á cultura) transformou a imagem de Dudu Santos na do marchand por excelência. Inteligente, sensível e informado, ele se tornou o mediador ideal e confiável nesses delicados terrenos em que a beleza convive com o dinheiro.”

OLIVIO TAVARES DE ARAÚJO

Dudu Santos - Iniciou os estudos de arte em 1953, com a artista húngara Kizly Piroszka. Seu talento foi moldado ainda através de estudos com nomes das Artes como Eduardo Sued, Nelson Nóbrega, Yolanda Mohaly, Marcelo Grassmann, Renina Katz e Mario Gruber.

Sua primeira mostra individual aconteceu em 1961 e suas obras estão no acervo de grandes museus e pinacotecas como o MAC - Museu de Arte Contemporânea de São Paulo, MAB - Museu de Arte Brasileira da Fundação Armando Alvares Penteado, MOA, Museum de Art - Japão. Dudu Santos fez mais vinte exposições individuais no Brasil e no exterior, participou de diversas bienais nacionais e internacionais. O artista plástico ostenta um currículo vasto e respeitável é hoje um dos principais nomes em atividade do seleto mundo das artes do Brasil.

Galeria Jaqueline Martins - Com foco na arte contemporânea e na constante pesquisa em (re) descobrir artistas que têm uma importância cultural fundamental para a cena atual da arte contemporânea, a Galeria Jaqueline Martins representa artistas como Alex Vallauri, Genilson Soares, Alzira Fragoso, Adrianna Eu, Azeite de Leos, Daniel Nogueira, Dudu Santos, Nara Amélia e Ronaldo Aguiar.

Serviço:

Exposição Forever, de Dudu Santos

Local: Galeria Jaqueline Martins

Endereço: Rua Virgilio de Carvalho Pinto, 74 – Pinheiros – São Paulo, SP

Telefone: (11) 2628 1943

Abertura para convidados: 10 de setembro, sábado a partir das 11h

Data: de 12 de setembro a 11 de outubro

Horários: de segunda a sexta das 11h30 às 19h; sábado das 11h às 17h

Entrada franca

Informações para a imprensa:

Vicente Negrão Assessoria (11) 3060.8397/ (11) 3064.2563

Vicente Negrão (11) 9203.0475 – vicente@vicentenegrao.com

Filipe Bezerra – (11) 8102.8116 – filipe@vicentenegrao.com

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

Saul Steinberg – As aventuras da linha

Foi aberta na Pinacoteca, sábado 03/09/2011, uma bela exposição com obras do cartunista e ilustrador americano Saul Steinberg, com obras de diversos períodos de sua criação.

Foi também pintor e escultor com obras expostas em vários museus e galerias do mundo, sem se fixar em um único gênero artístico.

Os trabalhos apresentados carregam em seus traços uma fina ironia, quando não uma ácida critica aos usos e costumes americanos das décadas do pós-guerra, expondo e explorando suas idiossincrasias.

Os traços, aparentemente simples, carregam uma enorme simbologia, fazendo com que gastemos algum tempo a apreciá-los.

Abaixo das imagens, o "press-release" com as informações sobre a mostra e o artista, fornecidos pela assessoria de imprensa da Pinacoteca.





Englishman in New York - Sting









Saul Steinberg – As aventuras da linha

A Pinacoteca do Estado de São Paulo e o Instituto Moreira Salles apresentam a exposição Saul Steinberg. As aventuras da linha, com cerca de 110 desenhos do consagrado artista gráfico pertencentes ao acervo da Saul Steinberg Foundation. A mostra, organizada em parceria com a Pinacoteca do Estado de São Paulo, tem curadoria da historiadora Roberta Saraiva e apresenta obras produzidas por Steinberg entre os anos 1940 e 1950. Para essa exposição, foram restaurados 43 trabalhos.

Em Saul Steinberg: as aventuras da linha, são apresentadas obras que destacam o momento em que Steinberg se torna um artista internacional. Para isso, foram escolhidos trabalhos que fizeram parte de três importantes exposições: a primeira, Fourteen Americans, coletiva organizada pelo MoMA, em 1946; a segunda, uma mostra individual inaugurada em Nova York, em 1952, nas galerias Sidney Janis e Betty Parsons; e a terceira, uma exposição montada pelo Museu de Arte de São Paulo (Masp), também em 1952. Segundo a curadora Roberta Saraiva, “Aqueles que só conhecem o Steinberg da New Yorker ficarão surpresos com a exposição”.

Saul Steinberg ficou conhecido por, usando às vezes uma única linha, questionar em seus desenhos o papel das rotinas, a vida que levamos. A exposição revela ainda um pouco da lógica do trabalho do artista: o aspecto “serial” de sua criação. “Steinberg costumava trabalhar um tema ou motivo até esgotá-lo, produzindo longas séries de variações gráficas”, explica Roberta Saraiva. A mostra reúne, portanto, um número generoso de cowboys, trens, monumentos fictícios, pássaros, gatos e bichos sem nome, mulheres em casacos de pele, desfiles, desenhos de arquitetura, bombardeios e falsos documentos (passaportes e diplomas com assinaturas ilegíveis, selos e carimbos que Steinberg colecionava).

Em Saul Steinberg: as aventuras da linha, também estão expostos os desenhos murais que o artista criou para a Trienal da Milão, de 1954. São quatro desenhos em rolos de papel em formato ousado e proporções arquitetônicas que até então nunca foram expostos em conjunto: A linha, com 10 metros de comprimento, Tipos de arquitetura, com 7 metros, Litorais do Mediterrâneo, com 5 metros, e Cidades da Itália, com 3 metros. Todos possuem cerca de 45 cm de altura. Também integram a mostra dois trabalhos com inspiração brasileira: Pernambuco, uma mistura de personagens, bichos e motivos locais; e Grande Hotel de Belém, ambos realizados não propriamente no Brasil, mas a partir de desenhos de anotação e de cartões-postais colecionados por Steinberg durante uma viagem pelo país em 1952.


Steinberg no Brasil

Essa será a segunda vez que a obra de Steinberg será exposta no Brasil. Em setembro de 1952, o Museu de Arte de São Paulo (Masp) inaugurou uma exposição individual do artista, com uma variação da mostra inaugurada em Nova York, em janeiro do mesmo ano, nas galerias Sidney Janis e Betty Parsons. A vinda da obra de Steinberg ao Brasil na década de 1950 foi possível pela amizade do artista com Pietro Maria Bardi, então diretor do Masp, e os irmãos Cesare e Victor Civita. Bardi, assim como Steinberg, havia colaborado, na década de 1930, com a revista Il Settebello, quando ambos ainda moravam na Itália. É dessa época também a aproximação de Steinberg com os irmãos Civita, que atuavam no mercado editorial italiano. Anos mais tarde, Cesare se tornou agente de Steinberg. Foi ele quem agenciou as primeiras publicações de desenhos de Steinberg em revistas, como a The New Yorker. Foi devido a Cesare também que a revista carioca Sombra publicou uma seleção de desenhos de Steinberg, reproduzidos na capa e no miolo do seu primeiro número, em 1940. Foi a primeira revista do mundo a publicar um desenho de Steinberg em sua primeira página.

Catálogo Saul Steinberg. As aventuras da linha

O catálogo reúne as imagens das obras expostas, além de publicar pela primeira vez os desenhos que Steinberg fez sobre o Brasil. O artista veio ao país em 1952 por conta da abertura da exposição no Masp e, com sua esposa Hedda Sterne, viajou por Aparecida, Petrópolis, Salvador, Recife, Belém e Manaus, além de Rio de Janeiro e São Paulo, sempre registrando suas impressões em pequenos cadernos. No catálogo, a curadora Roberta Saraiva e o ilustrador Daniel Bueno fazem um diário de viagem de Steinberg no Brasil, tendo como base esses desenhos, assim como cartões-postais, bilhetes de viagem e outros itens, todos pertencentes ao acervo da biblioteca Beinecke, da Universidade de Yale.

O catálogo traz ainda um texto do crítico de arte Rodrigo Naves; uma entrevista de Steinberg cedida a Grace Glueck; um perfil do artista por Adam Gopnik, publicado na revista The New Yorker logo após a sua morte, em 1999; e um texto de 1952 do então professor da FAU-USP, Flavio Motta, publicado no jornal Diário de São Paulo, por ocasião da primeira mostra de Steinberg no Brasil.

Livro Reflexos e sombras:

Além do catálogo da mostra, o Instituto Moreira Salles publica Reflexos e sombras, livro de memórias de Saul Steinberg. A publicação nasceu de longas conversas entre o desenhista e o escritor e amigo italiano Aldo Buzzi, que depois as transcreveu e editou. O livro é dividido em quatro capítulos, nos quais Steinberg descreve as lembranças de sua infância na Romênia e de sua família; a viagem a Milão em 1933, onde estudou arquitetura e viveu sob o fascismo; sua emigração para os Estados Unidos em junho de 1942 e suas impressões sobre o país; e suas reflexões sobre a própria arte e o mundo artístico em geral.

Reflexos e sombras foi publicado pela primeira vez na Itália, em 2001, pela Adelphi Edizioni. Em 2002, o livro foi publicado em inglês pela Random House e agora, pelo IMS, tem sua primeira versão em língua portuguesa, com tradução de Samuel Titan Jr. A edição brasileira é a única amplamente ilustrada, com 63 imagens.



Sobre Saul Steinberg:

Saul Steinberg nasceu em 15 de junho de 1914, no lugarejo romeno de Râmnicul-Sarat. Seis meses mais tarde, sua família mudou-se para Bucareste, onde Steinberg passou toda a infância e a adolescência. Depois de um ano na Universidade de Bucareste, onde estudou filosofia e literatura, Steinberg foi para Milão para estudar arquitetura e completou sua graduação em 1940. Na cidade italiana, começou a publicar desenhos numa espécie de folhetim chamado Bertoldo, o que lhe valeu certa fama – em 1940, por exemplo, publicou alguns desenhos na revista Sombra, do Rio de Janeiro.

Em 1941, sob a ameaça do fascismo de Mussolini, Steinberg deixou a Itália, chegando aos Estados Unidos via Santo Domingo. Naturalizado em 1943, serviu no departamento de inteligência da marinha americana e no Office of Strategic Services (OSS) em missões na China, na Índia, no Norte da África e na Itália. Em 1944, casou-se com a pintora Hedda Sterne e estabeleceu-se em Nova York, onde obteve sucesso imediato, publicando prolificamente nas principais revistas do país, com destaque para a longa colaboração com a revista The New Yorker.

Steinberg compilou boa parte de sua produção em livros de desenhos que se tornaram clássicos do gênero, como All in Line (1945), The Art of Living (1949), The Passport (1954), The Labyrinth (1960), The New World (1965), The Inspector (1973) e The Discovery of America (1992). Ao mesmo tempo, realizou muitas exposições nos Estados Unidos e no exterior – inclusive no Brasil, onde exibiu seus desenhos no Museu de Arte de São Paulo em 1952. Sua obra foi tema de duas grandes retrospectivas: Saul Steinberg (1978), no Whitney Museum, e Saul Steinberg: Illuminations (2006), organizada pelo Frances Lehman Loeb Art Center, Vassar College. Saul Steinberg morreu em Nova York em 1999.

terça-feira, 6 de setembro de 2011

Tributo a Arcangelo Ianelli - MAB FAAP

Mostra que apresenta trabalhos de diversas fases de sua produção artística, com obras bastante representativas dentro destes universos.

Por uma incrível coincidência, Ianelli está em evidência nas artes plásticas paulistanas, com três exposições simultâneas em nossa cidade, Pinacoteca, MAM e agora no MAB-FAAP

Ianelli foi pivô de uma polêmica entre o artista Ivald Granato, que numa justa indignação, se indispôs contra o MAM pelo recusa das doações de suas obras, recebidas pelo museu em testamento do artista, criando um movimento de protesto que culminou num bem humorado protesto em frente às suas instalações.



Being Boring - Pet Shop Boys


Abaixo das imagens, o "press-release" fornecidos pela assessoria de imprensa do MAB-FAAP.




Saiba mais sobre o tributo a Arcangelo Ianelli nas palavras de sua curadora Maria Izabel Branco Ribeiro

“O Museu de Arte Brasileira da FAAP reúne atualmente em seu acervo 45 obras de autoria de Arcangelo Ianelli. Trata-se de um conjunto significativo de trabalhos representativos de diversos momentos do artista e dois deles estão em exposição permanente: uma escultura em mármore disposta no jardim e um dos vitrais do grande painel do saguão do prédio I.

Artista com lugar consagrado na arte brasileira, Arcângelo Ianelli foi um grande amigo e colaborador das iniciativas relacionadas à divulgação da arte e, em 2004, tivemos o privilégio de apresentar a mostra Ianelli. Os caminhos da figuração, organizada por seus filhos Kátia e Rubens.

Sua generosidade para com o MAB-FAAP se manifestou em vários momentos e recentemente recebemos de seus familiares 12 pinturas e uma escultura, escolhidas com critério, de maneira a compor diálogos com as obras já pertencentes à coleção do museu.

Por meio da presente mostra, manifestamos nosso reconhecimento pelo apreço que Arcângelo Ianelli sempre demonstrou pelo Museu de Arte Brasileira da FAAP”.

.

Serviço: Exposições do Acervo MAB-FAAP

“O secreto discurso do olhar” com curadoria de José Luis Hernández Alfonso.

“Tributo a Arcangelo Ianelli” com curadoria de Maria Izabel Branco Ribeiro.

Data: de 13 de Agosto a 30 de outubro de 2011

Local: Museu de Arte Brasileira da FAAP
Endereço: Rua Alagoas, 903 Higienópolis

Horários: de terça a sexta, das 10h às 20h.
Sábados, domingos e feriados, das 13h às 17h.
(Fechado às segundas-feiras, inclusive quando feriado.)

Entrada franca

****Informações para a imprensa Anamaria Lattes Comunicações

(11) 2387-8369 / 3297-2593

(11) 9976-3111 / 7885-5385 – Anamaria

(11) 7885-8941 - Eduardo

quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Mariko Mori – Oneness

Tive que ir ao centro da cidade hoje pela manhã, e como é impossível para mim estar lá e não passar nos centros culturais, fui ao CCBB para ver a mostra de Mariko Mori, inaugurada semana passada.

Fui sem muitas pretensões, pois as resenhas publicadas nos jornais não fazem jus ao que encontramos nessa exposição.

Uma arte realmente moderna, bem feita, mostrando que foi pensada e projetada antes de tomar formas.

As peças ali apresentadas merecem estar em qualquer museu de artes do mundo, serem admiradas e compartilhadas.

A interação do público com algumas das obras passa a sensação de que é uma arte viva, para ser sentida visual, tátil e auditivamente.

Abaixo das imagens, o "press-release" fornecidos pela assessoria de imprensa do CCBB.




É preciso perdoar - Ryuichi Sakamoto, Cesária Évora e Caetano Veloso


Wave UFO - fotos Richard Learoyd (2) - © Mariko Mori, Member Artists Right Society (ARS), New York, AUTVIS

Oneness© Mariko Mori, Member Artists Right Society (ARS), New York, AUTVIS, Brasil 2010. All Rights Reserved. Photo courtesy of Mariko Mori Art Resource

Transcircle© Mariko Mori, Member Artists Right Society (ARS), New York, AUTVIS

Empty Dream, 1995. Cibachrome print, wood, aluminum, pewter frame. 304.8 x 640.1 cm. 120 x 252 inches. Edition of 3 + 1 AP. Courtesy Of Deitch Projects, NY.


Cena do vídeo

MARIKO MORI – ONENESS

CENTRO CULTURAL BANCO DO BRASIL SÃO PAULO – 20 DE AGOSTO A 16 DE OUTUBRO DE 2011.

Artista japonesa contemporânea de maior visibilidade no ocidente expõe pela primeira vez no Brasil

*Exposição apresenta obras de grandes dimensões como Wave Ufo, que pesa mais de seis toneladas

*Um passeio pela trajetória da artista, desde seus primeiros trabalhos até os mais atuais, como Transcircle

A arte pode dividir com a tecnologia eletrônica, a religião e a fotografia de moda a capacidade dar forma aos sonhos, fantasias e desejos da humanidade. Este é o pensamento que norteia o trabalho de Mariko Mori, artista japonesa que vive entre Tóquio e Nova York e que é hoje um dos maiores nomes da arte em esfera mundial. Com trabalhos em espaços cultuados como Guggenheim (NY), MoMa (NY), Museu de Arte Contemporânea de Tóquio, Centro Georges Pompidou (Paris) e outros, Mariko Mori expõe pela primeira vez no Brasil. Promovida pelo Banco do Brasil, a mostra MARIKO MORI / ONENESS, no Centro Cultural Banco do Brasil São Paulo, poderá ser vista até 16 de outubro.

Mariko Mori utiliza o design e a arte de vanguarda para compor elementos de engenharia de ponta, interativos e de forte impacto físico e visual. A exposição apresenta dez trabalhos de alta complexidade tecnológica, que ocuparão todos os espaços expositivos do CCBB São Paulo. São obras de grande escala, como Wave Ufo, um interessantíssimo objeto híbrido, máquina e escultura ao mesmo tempo, com uma espécie de cápsula capaz de acolher três visitantes por vez e que funde, em tempo real, computação gráfica, ondas cerebrais, som e uma engenharia arquitetônica para criar uma experiência interativa dinâmica. A obra se renova incessantemente; nunca é a mesma.

Há ainda o trabalho que dá nome à exposição, Oneness, que apresenta um círculo de seis figuras confeccionadas em technogel (material novo, que fica entre o sólido e o líquido), medindo 1,35 m, que interagem ao toque do visitante. Oneness é uma alegoria da conectividade, uma representação do desaparecimento dos limites entre si mesmo e os outros. Um símbolo da aceitação do outro e um modelo do conceito budista de unidade, de que o mundo existe como organismo interconectado. E Transcircle, um anel de nove pedras de vidro coloridas e brilhantes, controlado interativamente, numa fantástica reinterpretação dos círculos de monólitos pré-históricos. A mostra apresenta também vídeos, fotografias e desenhos. Um grande passeio pela obra e pelo pensamento de uma das pessoas mais influentes da arte contemporânea.

A vinda da exposição ONENESS ao Brasil é uma iniciativa do Grupo AG, sob coordenação e curadoria de Nicola Goretti.

POESIA E ESTÉTICA

Mariko Mori inspira-se no conceito budista de que todas as coisas do universo estão conectadas. Seu trabalho contempla mundos fantásticos e seres espetaculares em fotografias e vídeos que parecem surpreendentemente reais. “Tento fazer de meu trabalho uma espécie de oferta”, disse a artista. A arte de Mori recontextualiza figuras do passado, mesclando temas aparentemente opostos como religião e ciência, natureza e cultura, passado e futuro. Poesia e estética revolucionando aspectos do pensamento cultural, moderno e globalizado.

Segundo já declarou, Mori acredita que um artista tem um ponto de vista diferente da visão convencional: “Um artista vê o mundo, olha para o momento presente, com um ponto de vista especial. Minha missão é expressar o que vejo no meu campo de visão”, disse. E afirmou: “Tenho que criar o mundo para poder respirar no mundo; eu não existo se não crio”.

Os trabalhos de Mariko Mori fundem arte e tecnologia, Budismo e a idéia de uma consciência espiritual universal. Desenhando antigos rituais e símbolos, Mori usa tecnologia de ponta e materiais de última geração para criar uma visão bela e surpreendente do século XXI.

A ARTISTA

Mariko Mori é uma artista de renome internacional cuja obra tem sido adquirida por
museus e colecionadores privados de todo o mundo. Educada em Tóquio, Londres e Nova York, Mori ganhou reconhecimento por sua instalação interativa, WAVE UFO, que foi apresentada pela primeira vez no Kunsthaus Bregenz, na Áustria, em 2003. A instalação foi exibida, posteriormente em Nova York, Gênova e incluída na Bienal de Veneza, em 2005. Também foi incluída em Oneness, exposição de Mori que estreou no Museu Groniger, da Holanda, e logo seguiu para Dinamarca e Ucrânia. Agora, será apresentada no Centro Cultural Banco do Brasil, em Brasília, Rio de Janeiro e São Paulo em 2011.

As mais recentes esculturas de grande escala da artista, Tom na Hiu (2006) e Opal Planta (2009), também contêm elementos que interagem com o ambiente. O próximo projeto da artista, Primal Rhythm, é uma instalação monumental permanente concebida e planejada com forte vínculo com a paisagem da baía de Seven Light, da ilha de Miyako, em Okinawa. O interesse atual de Mori se concentra num mundo em que os seres humanos e a natureza são uma coisa só. Onde o ritmo da humanidade se move em conjunto junto com o do meio-ambiente. Seus projetos atuais têm por objetivo provocar esta memória em nossa consciência e celebrar o equilíbrio existente na natureza. Esta idéia se reflete nos temas da vida, morte, renascimento e universo.

As monumentais instalações de Mariko Mori têm sido expostas em todo o mundo, incluindo Museu de Arte Contemporânea de Tóquio; Centro Georges Pompidou, em Paris; Prada Fundação, Milão; Museu de Arte do Brooklyn, Nova York; Museu de Arte Contemporânea de Chicago; Serpentine Gallery, Londres; Museu de Dallas; Los Angeles Museu de Arte. Suas obras estão em coleções do Museu Guggenheim, Nova York; Centro Georges Pompidou, Paris; Prada Fundação, Milão; Museu de Arte Contemporânea de Chicago, Museu de Israel, Jerusalém, Los Angeles Museu de Arte do Condado; Centro de Arte Pinchuk, Kiev; Aros de Aarhus Kunstmuseum, Dinamarca; Museu de Arte Moderna de Nova York.

Mori recebeu vários prêmios, entre eles a prestigiada Menção Honrosa da 47ª Bienal de Veneza, em 1997, e o 8º Prêmio Anual como artista e pesquisadora no campo da arte contemporânea japonesa, em 2001, da Fundação de Artes Culturais do Japão. Atualmente, Mori está radicada em Nova York.

OBRAS EXPOSTAS

WAVE UFO – 1999/2002

Acervo: Victor Pinchuk Foundation

Dimensão: 493 x 1134 x 528 cm

Peso: 6.240 kg

Material: Brainwave interface, Vision Dome, Projeção, Sistema de computação, fibra de vidro, Technogel®, acrílico, fibra de carbono e alumínio

ONENESS – 2003

Acervo: Victor Pinchuk Foundation

Dimensão de cada figura: 135 x 75,6 x 37,4 cm

Material: Technogel®, acrílico, molde de aluminínio e magnésio

TRANSCIRCLE 1.1 meter – 2004

Acervo: SCAI

Dimensão de cada estátua: 110 x 56 x 34 cm (x9 estátuas)

Marterial: Corian Stone, LED, control system

Base de Madeira: produzida no Brasil

Material da base: White pea gravel, mármore de Carrara

EMPTY DREAM – 1995 (2010 copy)

Acervo: Mariko Mori Studio

Dimensão: 732 x 275 cm

Material: Cibachrome Print with glass interlayer

ALAYA DRAWINGS – 1998 (33 trabalhos)

Acervo: Prada Foundation

Dimensão: cada desenho: 37 x 56.5 cm (x 33 desenhos)

MIRACLE – 2001

Acervo: Koyanagi Gallery

Dimensão: cada elemento: 69 cm diâmetro (x 6 desenhos)

Peso: 136 kg

Material: Cibachromes, diachronic Glass, cristais de sal, 33 bolas de gude, bolas de cristal

WAVE UFO MODEL– 2002

Acervo: Deitch Gallery

Dimensão: 40.6 x 40.6 x 96.5 cm

Base: elíptico 100 cm x 65 x 45 cm

Material: Lucite

DREAM TEMPLE DOC

Acervo: Mariko Mori Studio

Material: Vídeo

MIKO NO INORI VIDEO

Acervo: Deitch Gallery

Material: Vídeo

KUMANO VIDEO

Acervo: Mariko Mori Studio

Material: Vídeo

MARIKO MORI - ONENESS

Data: 20 de agosto a 16 de outubro de 2011

Local: Centro Cultural do Banco do Brasil São Paulo

Rua Álvares Penteado, 112 - Centro - São Paulo

(próximo às estações Sé e São Bento do Metrô)

Informações: (11) 3113-3651 / 3113-3652

Horários: de terça a domingo, das 9h às 21h

ENTRADA FRANCA

www.bb.com.br/cultura

www.twitter.com/ccbb_sp

www.facebook.com/ccbbsp

Assessoria de Imprensa CCBB SP:

Alexandre Yokoi – (11) 3113-3613 – alexandreyokoi@bb.com.br

Eduardo Vasconcelos – (11) 3113-3628 – eudu@bb.com.br

terça-feira, 30 de agosto de 2011

Tola foi você - Angela Ro Ro

Ângela Ro Ro é umas das várias artistas de nosso música muito cultuada mas pouco executada nas rádios, com uma obra de vários clássicos, de mensagens às vezes pungentes, outras românticas, realistas, desesperadas, mas nunca conformada.

Com a vida marcada por escândalos e excessos, conseguiu se redimir e hoje vive e goza do seu merecido sucesso.

Gosto muito desta interpretação dela com o Luís Melodia, apesar de uma certa displicência dos músicos, tocando ao vivo.





Tola Foi Você

Angela Rô Rô

Tola foi você ao me abandonar
Desprezando tanto amor que eu tinha a dar
Agora veja bem, o mal é vai e vem
Só esperar
E se eu mudei devo à você
Todo desamor que a vida me ensinou
Coração aberto, felicidade perto
Sou toda amor
Agradeço tanto, agradeço por você
Não ser do jeito que eu sou
Agradeço tanto, agradeço por você
Não ter me dado o seu amor


quarta-feira, 17 de agosto de 2011

O secreto discurso do olhar

Grande ideia do curador em buscar no rico acervo do MAB-FAAP, obras que transmitam pelo olhar dos personagens toda uma carga emocional, dividida entre os estados de espírito Tristeza, Introspecção, Indagação e Sossego.

São os estados da alma apresentados, mas pude perceber mais outros, como desencanto, indignação e desprendimento, captados e maravilhosamente transmitidos pelos artistas, que nos fazem sentir quase que como seus modelos.

Mais uma vez a FAAP nos brinda com uma parte de seu acervo, que poderia estar em exibição permanente, como já escrevi em publicação anterior.

Que prazer poder ver os mestes consagrados como Cândido Portinari, Tarsila do Amaral, Pancetti, Takaoka, Di Cavalcante, Vicente do Rego Monteiro, Belmiro de Almeida e Anita Malfati, que nos trazem uma satisfação inusitada, fazendo com que percebamos que seu legado é eterno.




Pois é - Gal Costa

Abaixo das imagens, parte do "press-release", fornecidos pela assessoria de imprensa da FAAP










O secreto discurso do olhar é uma exposição composta por 29 obras do acervo do MAB-FAAP, com pinturas, gravuras e desenhos de artistas que representam diferentes momentos da arte brasileira: desde a Academia, com obras como o óleo, Retrato de moça, de Belmiro de Almeida, até autores contemporâneos como Siron Franco, Mário Gruber e Carlos Araújo. A mostra também destaca autores clássicos do modernismo brasileiro, como Cândido Portinari, Tarsila do Amaral e Emiliano di Cavalcanti.




Saiba mais sobre “O secreto discurso do olhar” nas palavras de seu curador: José Luis Hernández Alfonso

“Fisiologicamente, os olhos detêm o poder do olhar. E o olhar, como diz o pensamento, “vale mais que mil palavras”. O poder de comunicação do olhar motiva o artista a dedicar cuidados e interesses especiais na execução dos olhos ao retratar o rosto humano. O olhar pode conter ou induzir a transmissão de uma mensagem, a loquacidade de um diálogo e os múltiplos estados de ânimo que acompanham o ser humano. Tecnicamente, o peso do olhar na obra de arte também é significativo, podendo até organizar e/ou auxiliar a composição do espaço, criando linhas ocultas de direção e sentido entre os olhos e o elemento observado. Contemplar obras de arte, apreciando suas técnicas, seus estilos, suas temáticas e suas contextualizações culturais, é sem dúvida um exercício de aprendizado por demais prazeroso. Mas, se o visitante focalizar e manipular sua observação nos olhos dos rostos aqui retratados, em seu percurso vai deparar-se com um universo de sentimentos, atitudes e situações anímicas revelados essencialmente pelo poder dos olhares. É intenção da mostra, com obras do acervo do MAB-FAAP, que o visitante foque sua apreciação nos olhares aqui presentes e, em seu percurso, possa ir descobrindo os diferentes matizes de suas intenções, as nuances de suas mensagens, a codificação de suas formas. Busque com seus olhos os olhos e desfrute do secreto discurso do olhar”.


Serviço: Exposições do Acervo MAB-FAAP

“O secreto discurso do olhar” com curadoria de José Luis Hernández Alfonso.


Data: de 13 de Agosto a 30 de outubro de 2011

Local: Museu de Arte Brasileira da FAAP
Endereço: Rua Alagoas, 903 Higienópolis

Horários: de terça a sexta, das 10h às 20h.
Sábados, domingos e feriados, das 13h às 17h.
(Fechado às segundas-feiras, inclusive quando feriado.)

Entrada franca



****Informações para a imprensa Anamaria Lattes Comunicações

(11) 2387-8369 / 3297-2593

(11) 9976-3111 / 7885-5385 – Anamaria

(11) 7885-8941 - Eduardo

terça-feira, 9 de agosto de 2011

Rabisco - Um cachorro Perfeito

Espetáculo em cartaz no Teatro Anchieta do SESC Consolação, de uma companhia que usa várias técnicas, algumas que eu não conhecia, para desenvolver e contar sua história.

Inspirado no livro de Micheli Iacocca, conta as aventuras de um cachorro que ganha vida após ser desenhado por um menino.

Interessantíssimo os resultado da misturas das formas de apresentação, teatro de sombras, personagens no palco, e o cenário maquete filmado por micro-câmeras com projeção no fundo do palco das aventuras do cãozinho pela cidade.

Haveria um risco enorme desta mistura desandar, mas se ocorreu algum problema ou desencontro não foi percebido pela platéia, mostrando um resultado encantador.

Sua trilha sonora, diferente de outros espetáculos infantis, ficou muito centrada na Marcha Turca de Mozart, com uma execução de caminhão de gás ou aparelho de PABX, que acaba cansando um pouco. Quando foram utilizados os temas compostos para este peça, o resultado foi muito melhor, embalando o enredo num ritmo mais condizente com a trama.

Assistam o trailer colhido no blog da companhia, onde podemos perceber a beleza do resultado das experimentações.







RABISCO

SESC Consolação
Dia(s) 06/08, 13/08, 20/08, 27/08
Sábados, às 11h
O espetáculo conta, praticamente sem palavras, a história de Rabisco, um cãozinho desenhado por um menino, que, após ganhar vida e sair do papel, não é aceito por seu criador, por não ser bonito como este gostaria.Teatro Anchieta.


LIVRE
R$ R$ 8,00[inteira]
R$ R$ 4,00[usuário matriculado no SESC e dependentes, +60 anos, professores da rede pública de ensino e estudantes com comprovante]
R$ R$ 2,00[trabalhador no comércio e serviços matriculado no SESC e dependentes]

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

... e a gente sonhando

Na sexta feira, meio combalido por uma gripe, fiquei em casa na parte da tarde, e aproveitei para dar uma olhada nos programas da tv.

Qual não foi minha surpresa ao ver Milton Nascimento no programa Estúdio I de Maria Beltrão, uma revista de jornalismo, cultura e assuntos gerais.

Que grata surpresa ver um dos maiores gênios de nossa música falando de si e do novo disco, gravado com jovens artistas de Três Pontas, sua terra natal.

A música que abre e dá nome ao disco foi uma das duas primeiras composições de Milton, quando ele ainda era um datilógrafo de uma empresa em Belo Horizonte, que estava inédita.

Interessante foi notar a tietagem explícita da apresentadora e dos outros participantes do programa, que não se continham na idolatria ao astro.

Abaixo do player a capa do disco, e um vídeo contando um pouco da criação deste trabalho.

P.S.: Esta canção já tem mais de 50 anos, e a ouvimos como se tivesse sido composta hoje.


... e a gente sonhando - Milton Nascimento






E a Gente Sonhando

Milton Nascimento

Composição: Milton Nascimento

Gente, de um dia se abrindo.
De um sol se entregando a um espaço de um céu assim
Alma do longo das ruas, vivendo uma vida que está pra ter fim

Gente reclama de tudo,
Tristeza enfrentando, ache tempo pra rir
Morre errante seu mundo, toda vida chegando,
Vida inteira partir

Ah! quem muito sofre, porque quer sofrer
Ah! quem muito chora ou que quer chorar
A quem não quer nada e de tudo tem
E tendo de tudo nunca tem ninguém
Gente tão noite surgindo, o sol foi sumindo e uma lua chegando.
Muito são lua no dia, outros sol pela noite
E a gente sonhando.
Sonhando..