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segunda-feira, 22 de abril de 2019

Tarsila popular

Essa é uma mostra que visitei duas vezes tentando achar um único adjetivo que a definisse, impossível, então digo a vocês, é imperdível.

A beleza das obras, mesmo as já conhecidas emociona, fazendo com que nos percamos em frente a elas, às vezes até deixando o tempos passar com mais vagar.

O uso das cores, consideradas por alguns primárias, nos mostra o profundo conhecimento de Tarsila no seu manuseio, pois em cada detalhe das cenas podemos observar delicadas variações nos seus matizes.

Podemos perceber esse detalhe mais vividamente no Abaporu, que ganhou o mundo em 1995 com a ameaça de seu tombamento, ele é tão mais bonito ao vivo do que nos livros, que por melhor que tenha sido a fotografia não nos mostra as filigranas das pinceladas.

Essa exposição nos apresenta  Tarsila como a principal artista plástica brasileira junto a Portinari.

Não deixem de ver, pois há obras que nos são apresentadas que dificilmente retornarão a essas bandas, já que são de coleções como do Museu Hermitage, do Centro de Arte Reina Sofia do Museu  Nacional da Espanha e do Musée de Grenoble.






Abaixo das imagens, o "press-release", fornecidos pela assessoria de imprensa do MASP



















EXPOSIÇÃO DE TARSILA DO AMARAL NO MASP SE VOLTA PARA RELAÇÃO DE
SUA OBRA COM O POPULAR BRASILEIRO

"Tarsila popular" propõe ainda um novo olhar em direção aos temas, personagens e narrativas
presentes no trabalho da artista, especialmente no que diz respeito a questões políticas,
sociais, e raciais; catálogo com textos inéditos será lançado na abertura

Tarsila do Amaral (1886-1973), artista que foi figura central do modernismo brasileiro em sua
primeira fase, a partir dos anos 1920, ganha sua primeira grande mostra no Museu de Arte de
São Paulo Assis Chateaubriand (MASP) a partir de 5 de abril. Tarsila popular, com curadoria
de Adriano Pedrosa e Fernando Oliva, reúne cerca de 120 obras da artista, entre pinturas e
desenhos. A abertura de Tarsila popular será simultânea à da exposição Lina Bo Bardi:
Habitat, sobre a arquiteta ítalo-brasileira que projetou, entre outros, o edifício que abriga o
MASP. As mostras integram o ciclo “Histórias das mulheres, histórias feministas”, eixo temático
que guiará a programação da instituição ao longo de 2019.

O “popular” do título refere-se tanto ao recorte da obra de Tarsila, pelos curadores, como ao
programa de revisão da produção de nomes centrais do modernismo brasileiro, empreendido
pela atual direção artística do MASP. Em 2016, por exemplo, o museu realizou Portinari
popular, uma seleção de trabalhos de Candido Portinari (1903-1962) relacionados com a
cultura popular brasileira. Assim como Portinari, a obra de Tarsila está na base da construção
de uma identidade nacional nas artes, ao lado de nomes como Lasar Segall (1891-1957) e
Anita Malfatti (1889-1964).

Sem abdicar por completo da matriz modernista europeia e formal da qual fez parte, Tarsila
voltou-se para personagens, temas e narrativas ligados ao popular no Brasil. Esse aspecto se
manifestou em diversos trabalhos, como é possível observar em suas cenas de Carnaval,
favelas e feiras ao ar livre, além da relação de sua obra com a religiosidade e, ainda, com as
lendas populares e indígenas -- caso das obras "A cuca" (1924), "Abaporu" (1928) e
"Batizado de Macunaíma" (1956).

“A exposição e o catálogo que a acompanha pretendem promover reflexões mais abrangentes
sobre Tarsila, articulando sua vida e obra no contexto de uma visão política, social e racial da
cultura brasileira e do modernismo -- um movimento que, no Brasil, raramente é abordado sob
esses prismas”, diz Fernando Oliva, curador da exposição.

Nascida em uma fazenda no interior paulista, em 1886, Tarsila fez parte da aristocracia
brasileira. Estudou as técnicas acadêmicas tradicionais na Europa, onde conviveu com pintores
como André Lhote (1885-1962) e Fernand Léger (1881-1955). Desse período, chamam
atenção retratos que já apontavam para uma ideia de modernidade -- na pincelada, na
representação não-realista e na tentativa de captar o emocional dos modelos --, como em
“Autorretrato com vestido laranja” (1921).

Apesar disso, foi ao voltar ao Brasil, em 1922, que Tarsila aderiu às ideias vanguardistas
europeias, incorporando-as à sua maneira de representar o Brasil. Foi apresentada por Anita
Malfatti ao escritor Mário de Andrade (1893-1945), ao futuro marido Oswald de Andrade
(1890-1954) e ao poeta e pintor Menotti del Picchia (1892-1988), formando com eles o
Grupo dos Cinco.

Guiados pela ideia de encontrar e definir uma arte "verdadeiramente nacional", os cinco
fizeram uma viagem de redescoberta do país pelas cidades coloniais mineiras, acompanhados
pelo poeta franco-suíço Blaise Cendrars (1887-1961). Dessa expedição, resultaram desenhos
de observação de Tarsila que estarão na mostra.

É nesse momento que se inicia o período conhecido como “Pau-Brasil”, uma das três principais
fases da carreira de Tarsila, ao lado dos períodos “Antropofágico” e “Social”, todos presentes
na mostra. A fase “Pau-Brasil” é marcada por telas de cores e temas acentuadamente tropicais,
como a exuberância da fauna e da flora locais, pintadas ao lado de máquinas e trilhos,
símbolos, por sua vez, da modernidade urbana do país. Desse momento, são singulares obras
como “Estrada de Ferro Central do Brasil” (1924), “Vendedor de frutas” (1925) e “Um
pescador” (1925), pintura que faz parte do acervo do museu Hermitage, na Rússia, e será
exposta pela primeira vez no Brasil.

Foi ainda nos anos 1920 que Tarsila deu início à fase “Antropofágica”, em que conseguiu
criar algo de único e particular. Em 1926, Tarsila casou-se com Oswald e apresentou sua
primeira individual, em Paris. Dois anos depois, pintou “Abaporu”, cujo nome de origem
indígena significa “homem que come carne humana -- tipo de ritual praticado por algumas
tribos brasileiras, especialmente os tupinambás. A obra inspirou o Manifesto Antropófago, de
Oswald, que propunha a apropriação e deglutição, pela cultura nacional, do legado cultural
europeu, para devolvê-lo ao mundo sob a forma de uma produção cultural própria, brasileira.
Trabalhos como “Urutu” (1928) e “Antropofagia” (1929) estarão na mostra.

A chamada fase “Social”, que se segue a “Pau-Brasil”, e “Antropofágica”, deixa clara a
aproximação de Tarsila com as questões políticas e sociais. No início da década de 1930, a
artista, empobrecida pela perda da fortuna da família na crise de 1929, teve de se desfazer
de obras de sua coleção particular. Assim, reuniu recursos para viajar à União Soviética,
acompanhada pelo então marido, o psiquiatra Osório César. Juntos, foram para Moscou,
Leningrado e Berlim, entre outras cidades. De volta ao Brasil, foi presa, considerada suspeita
de “atividades subversivas” por ter visitado países comunistas. Esses eventos marcaram sua
fase de temática social, representada por obras como “Segunda classe” (1933) e “Operários”
(1933).

Histórias das mulheres, histórias feministas
Tarsila popular integra um ano de exposições, simpósios, palestras, workshops, filmes e
publicações em torno do tema “Histórias das mulheres, histórias feministas”. O ciclo temático
de 2019 agrega diversas mostras monográficas, com nomes da arte contemporânea
internacional, caso de Gego e Leonor Antunes, ao lado de artistas brasileiras dos séculos 20 e
21, como Lina Bo Bardi, Djanira da Motta e Silva e Anna Bella Geiger, além de duas mostras
coletivas, Histórias das mulheres, artistas antes de 1900 e Histórias das mulheres, artistas
depois de 2000.

Catálogo
Organizado por Adriano Pedrosa e Fernando Oliva, a publicação será lançada na abertura
da exposição, com edições em português e inglês, e inclui ensaios de Adriano Pedrosa,
Amanda Carneiro, Fernando Oliva, Irene Small, Mari Rodríguez Binnie, Maria Bernardete
Ramos Flores, Maria Castro, Michele Greet, Michele Petry, Paulo Herkenhoff, Renata
Bittencourt, Sergio Miceli.
O catálogo pode ser adquirido no MASP Loja, ponto de vendas do museu com entrada
gratuita, independente das exposições. Valores: R$ 139 (brochura) e R$ 169 (capa dura).

TARSILA POPULAR
Abertura: 4 de abril, às 20h
De 5 de abril a 23 de junho de 2019
Local: 1º andar
Endereço: avenida Paulista, 1578, São Paulo, SP
Telefone: (11) 3149-5959
Horários: quarta a domingo: das 10h às 18h (bilheteria aberta até as 17h30); terça-feira: das
10h às 20h (bilheteria até 19h30)
Ingressos: R$ 40 (entrada); R$ 20 (meia-entrada)

O MASP tem entrada gratuita às terças-feiras, durante o dia todo.
AMIGO MASP tem acesso ilimitado e sem filas todos os dias em que o museu está aberto.
O ingresso dá direito a visitar todas as exposições em cartaz no dia da visita.
Estudantes, professores e maiores de 60 anos pagam R$ 20 (meia-entrada).
Menores de 11 anos de idade não pagam ingresso.
O MASP aceita todos os cartões de crédito.

Estacionamento: é preciso carimbar o ticket do estacionamento na bilheteria ou recepção do
museu.

CAR PARK (Alameda Casa Branca, 41)
R$ 18 até 12h
seg - sex: 7h-23h
sáb, dom e feriado: 8h-20h
PROGRESS PARK (Avenida Paulista, 1636)
seg - sex, 7h-23h: R$ 20
sáb, dom e feriado, 7h-18h: R$ 20

Acessível a deficientes físicos, ar condicionado, classificação livre

MASP -- imprensa@masp.org.br

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Parceiros estratégicos: Itaú e Vivo
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