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quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

Arnaldo Pedroso d’Horta – Desenho da mão



Carly & Carole - Eumir Deodato

Esta é uma bela mostra levada em um dos espaços nobres da Pinacoteca do Estado, de um artista de vários suportes, e muito bom por sinal em cada um dos apresentados, o que não é muito comum, pois normalmente a maioria se destaca em um específico.
Além de um excelente desenhista, Arnaldo Pedroso d'Horta nos brinda com obras feitas de recortes de bisturi, realizando um trabalho de rara beleza.
O melhor da exposição é perceber a versatilidade do artista, que nos apresenta trabalhos de muita qualidade.
Abaixo das imagens, clipe publicado no portal estadao.com.br .







A poesia do experimental no papel

Pinacoteca abre hoje retrospectiva especial de Arnaldo Pedroso d'Horta, com mais de 150 obras e destaque para o desenho

Camila Molina

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Arnaldo Pedroso d"Horta (1914-1973) tinha uma "certeza da mão" que o compositor Paulo Vanzolini não via em ninguém. Artista, crítico de arte, ensaísta, jornalista e colaborador do Estado, foi premiado na Bienal de Veneza, em 1954, assim como na Bienal de São Paulo. Tratava o desenho como uma arte de "alta precisão", como define outro de seus amigos, o artista e fotógrafo Fernando Lemos. "Para devolver ao mundo os restos da matéria que absorveu, para que essas emanações incolores se tornem legíveis, para que sua fala sem língua se faça audível, para que sua dança recenda perfume - dai à mão uma caneta com pena. Os cinco rios secos para esta irão confluir, e por ela despejar-se no mar de papel", escreveu Pedroso d"Horta em 1956, justamente em texto intitulado Desenho da Mão. Tamanha ligação com a arte gráfica pode ficar esquecida, daí a importância do resgate feito pela mostra que a Pinacoteca do Estado inaugura hoje, com mais de 150 obras, perpassando toda a vida e produção do artista, também em documentos e escritos.

É uma retrospectiva especial, feita pela curadoria da crítica e historiadora Vera d"Horta, filha de Arnaldo. "Essa mostra é uma surpresa porque havia tendências diferentes naquela época (década de 1950). Era um tempo em que as utopias e as crenças das próprias ideias tinham espaço, inclusive para as individuais", diz Vera, rechaçando a simplificação que faz com que se pense ser aquele período apenas o da arte concreta. Mas a arte de Arnaldo tem a poesia e a experimentação de técnicas que a colocam além dos rótulos. O desenho, que sempre tratou como prática de "alta precisão", é valorizado como campo autônomo, não o primeiro passo para outros voos.

Como se pode ver na exposição, Pedroso d"Horta não apenas se utilizou da "caneta com pena", mas criou obras em papéis recortados a bisturi, cortiças e couro, como também gravuras e painéis de cerâmica. "Tinha um certo prazer no artesanato", diz a curadora sobre a ética do trabalho de seu pai. Nas obras, ainda ressalta, o artista deixava o gesto (sofisticado, inventivo, paciente, concentrado) conduzir as formas orgânicas, abstratas, figuras de animais, de pássaros, etc., que se entrelaçam nos desenhos - mas que são leves, como feitas "no silêncio do segredo", diz o artista Fernando Lemos em documentário presente na mostra.

A retrospectiva começa com obras nos anos 1950. Depois, inclui pinturas a óleo que Pedroso d"Horta realizou em 1949; gravuras (as matrizes foram doadas à Pinacoteca); projetos, ilustrações (para o Suplemento Feminino do Estado) e, com destaque, os desenhos.

Arnaldo Pedroso D"Horta. Estação Pinacoteca. Lgo. Gal. Osório, 66, 3337-0185. 10h/18h (fecha 2.ª). R$ 6 (sáb., grátis). Até 14/3

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

Marc Chagall no Masp


Marc Chagall e Igor Stravinsky, além de serem conterrâneos e contemporâneos também tiveram que sair de suas terras para poderem exercer e aprimorar sua arte, pois o centralismo soviético engessava seu crescimento.
A música que acompanha este comentário é da suite "Pássaro de Fogo", que foi coreografada por George Balanchine em 1949 para o The New York City Ballet, com cenários e trajes desenhados por Marc Chagall, ficando como repertório da companhia até 1965.




Danse infernale de tous les sujets de Kastcheï - Igor Stravinsky


O Masp conseguiu mais uma bela exposição, trouxe a São Paulo a mostra "O mundo mágico de Marc Chagall - Gravuras", que só seria apresentada em Belo Horizonte e no Rio de Janeiro.
Pena que esta é uma versão reduzida daquelas mostras, pois só vieram as gravuras, sendo que as pinturas, esculturas, desenhos e guaches tiveram que retornar a seus acervos originais, pois já estavam fora há bastante tempo; mas mesmo assim isto não tira o brilho deste evento, pois temos uma belissíma oportunidade de conhecermos um pouco mais da obra deste artista, com três séries de gravuras, "As fábulas de La Fontaine", "A Bíblia" e "Dafne e Cloé", inéditas no Brasil, complementada com gravuras da coleção da Fundação José e Paulina Nemirowsky.
É claro que temos a expectativa de nos aprofundarmos em suas obras, principalmente os quadros, porém suas gravuras também nos encantam, trazendo-nos toda a dramaticidade dos eventos retratados, bem como a explosão de cores na série "Dafne e Cloé".
Abaixo das imagens, clipe publicado no portal "Estadao".









Mostra traz 178 gravuras de séries completas como A Bíblia e ilustrações das fábulas de La Fontaine


Quando o artista russo Marc Chagall (1887-1985), considerado o maior pintor judeu do século 20, aceitou a encomenda do marchand francês Ambroise Vollard (1866-1939) para ilustrar a Bíblia na década de 1930, ainda não dominava totalmente a técnica da gravura. Seus detratores, entre eles o pintor Georges Rouault (1871-1958), aproveitaram para destilar o veneno acumulado nas rodinhas parisienses dos modernistas. Rouault, na época, comentou que Chagall teria razões de sobra para chorar diante do Muro das Lamentações. Não foi, obviamente, o que aconteceu. A série bíblica de Chagall, que Vollard não viu pronta (o marchand morreu antes), é, hoje, um dos pontos altos da carreira do artista, homenageado pelo Masp com uma exposição de 178 gravuras, O Mundo Mágico de Marc Chagall, que reúne, além dela, suas ilustrações para as fábulas de La Fontaine e uma série de litogravuras baseada no idílio pastoral de Dafne e Cloé.

Em linha direta, as três séries acompanham toda a evolução da linguagem artística de Chagall desde que o pintor desembarcou na França, em 1923, antes de passar pela Alemanha um ano antes e ter aulas com o artista alemão de origem judaica Hermann Struck (1876- 1944). Foi por influência de Struck, sionista que vislumbrou a criação de um Estado judeu, que Chagall visitou a Palestina em abril de 1931, em busca de inspiração para criar a série A Bíblia, encomendada por Vollard e exibida em versão integral na mostra do Masp. O artista trabalhou nela de 1931 a 1939, ano da morte de Vollard, retomando-a depois da guerra, quando já morava nos EUA. Aquareladas à mão por Chagall, essas 105 gravuras foram publicadas em 1956 por Teriade, nome artístico do crítico de arte e editor grego Stratis Eleftheriades (1889-1983).

Curador da mostra, o crítico e museólogo Fábio Magalhães destaca a série bíblica por representar uma mudança notável na linguagem artística de Chagall. "Ele havia passado por Amsterdã para estudar Rembrandt, que, como se sabe, foi um mestre na ilustração de cenas bíblicas, e aproveitou para ver as pinturas de El Greco em Toledo, que inspiraram o alongamento das figuras da série bíblica, marcada por uma verticalidade espiritual". Mais ambiciosa que sua série de águas-fortes aquareladas para as fábulas de La Fontaine, igualmente executada (nos anos 1920) a pedido de Vollard, a série bíblica representou um duplo desafio para Chagall. Primeiro, obrigou o artista a confrontar sua herança cultural e ignorar o segundo mandamento, ao criar imagens correspondentes às palavras do livro sagrado, o que é interdito pela lei mosaica. Em segundo lugar, para não tomar como referência seus contemporâneos franceses - especialmente Matisse e Rouault, este último especialista em cenas bíblicas -, Chagall foi buscar em suas raízes russas um dos elementos formadores de sua poética. São notáveis as referências aos pintores russos de ícones na série.

Já a série de ilustrações das fábulas de La Fontaine despertam menos interesse. Justificável. São quase exercícios de um neófito, ainda experimentando timidamente a incorporação das cores em águas-fortes. Produzidas entre 1926 e 1927 para Vollard, que já lhe encomendara as ilustrações para o livro Almas Mortas, de Gógol, as 23 (das 100) gravuras das fábulas provocam impacto inferior, por exemplo, ao da litografia O Cocho (1924), mais próxima de uma realidade vivida por Chagall, a de tipos feudais da antiga Rússia czarista que conheceu na infância. O Cocho e o Autorrretrato com Chapéu Enfeitado (1928) são duas das gravuras expostas no Masp que não integram suas três séries mais famosas. Elas pertencem ao acervo da Fundação José e Paulina Nemirowsky. São magníficos exemplos (em preto e branco) do universo de um artista conhecido por sua maestria cromática. Picasso, econômico em elogios, dizia dele que era o único capaz de tomar o lugar de Matisse no uso da cor.

Chagall prova isso na série dedicada ao mito grego de Dafne e Cloé. A partir dela, o artista abandona a gravura em metal e adota a litografia. Foram duas viagens à terra dos pastores apaixonados com o objetivo de conhecer melhor a cultura rural da Grécia, a primeira delas em 1952. Dois anos depois dos primeiros guaches, os gregos receberiam novamente sua visita, dessa vez para aprofundar o estudo da luz mediterrânea. Para conseguir as transparências e as variações cromáticas da série, finalmente editada por Teriade em 1961, foi necessário usar uma pedra para cada tonalidade de cor. Uma única gravura exigiu 25 pedras matrizes, ou seja, 25 impressões.

A série de Dafne e Cloé não teria sido realizada sem a intervenção do impressor Charles Sorlier (1921-1990). Chagall e ele trabalharam arduamente no estúdio parisiense de Fernand Mourlot, nos anos 1950, para resgatar o cromatismo das primeiras pinturas do artista, ainda consideradas seus melhores trabalhos, inclusive pelo curador da mostra, Fábio Magalhães. "Não teremos essas pinturas de juventude no Masp como tivemos na abertura mostra na Casa Fiat de Cultura em Minas, pois o empréstimo das telas, de museus estrangeiros como a Galeria Tretyakov de Moscou, era por tempo limitado". A exposição mineira, aberta de outubro a dezembro, apresentava quase o dobro de trabalhos. Eram 300 obras, entre pinturas, guaches, esculturas e gravuras como as da série Almas Mortas, na maior mostra de Chagall realizada no Brasil.

Em contrapartida, o Masp tem a primeira edição do livro autobiográfico Ma Vie (Minha Vida, 1931) com gravuras originais de Chagall, em que conta sua vida na Rússia e sua experiência como comissário de Belas Artes do primeiro governo socialista após a revolução de 1917, até comprar uma briga com o suprematista Malevitch e se demitir do cargo, decidindo, então, tentar a sorte em Paris. O livro, segundo Magalhães, é um marco na carreira de gravador de Chagall, que nasceu numa comunidade pobre de judeus hassídicos de Vitebsk, na Bielo-Rússia.

O Mundo Mágico de Marc Chagall - Gravuras. Masp. Av. Paulista, 1.578, tel. 3251-5644. 11 h/18 h (5.ª, 11 h/20 h; fecha 2.ª). R$ 15 (3.ª grátis). Até 28/3. Na 2.ª (25), o museu estará aberto para visitação com entrada franca - fechará na 3.ª.

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

Memória da Cidade

Ninguém cantou melhor São Paulo do que Adoniran Barbosa, portanto nada mais apropriado que ouvi-lo junto a este comentário.



Adoniran Barbosa - Viaduto Santa Efigênia


Após meu desabafo no comentário "Guerra dos Porcos", me sinto novamente à vontade para escrever sobre esta exposição, que esta na Caixa Cultural, junto com as outras que já comentei aqui, O Brazil de John Graz , A Arte de J. Borges e Brava Gente .
Sempre gostei de fotos documentais antigas de lugares ou paisagens brasileiras, lembro da mostra "O Brasil de Marc Ferrez", levada na Fiesp no fim de 2006, que me agradou bastante.
Esta montagem nos traz fotos de Militão Augusto de Azevedo e Renato Suzuki.
A confrontação entre fotos do fim do século XIX e dos dias atuais, trazem a percepção das mudanças ocorridas em nossa cidade, algumas nem tão boas, como a demolição do Palácio do Pátio do Colégio e a destruição do Boulevard do Anhangabaú.
As fotos de Militão são totalmente documentais, e nos apresentam São Paulo como ela era naquela época, e as fotos de Renato Suzuki são mais poéticas, mostrando detalhes que quase sempre nos passam despercebidos.
O bom desta exposição é a grande quantidade de fotos antigas, que mostram como era a São Paulo antiga e provinciana, no início de sua transformação em metrópole.
O fato triste é ter notado que talvez os negativos de Militão não tenham tido a conservação ideal, e estão perdendo parte da definição, não sei quem é o proprietário atual deste acervo, mas penso que deveriam ser enviados ao Instituto Moreira Salles que deve ter a tecnologia necessária à recuperação e à manutenção ideal destes negativos.
Abaixo da imagens, o "press-release" da Caixa Cultural.

















CAIXA CULTURAL SÃO PAULO APRESENTA A EXPOSIÇÃO MEMÓRIA DA CIDADE
Fotos representam História e Patrimônio de São Paulo, no mês de seu aniversário
São Paulo, megalópole de onze milhões de habitantes, babel contemporânea, cidade global, selva de concreto, aço e vidro, fumaça, trânsito caótico, polifonia de ruídos, ou, como quis Caetano Veloso: mais possível novo quilombo de Zumbi.
São Paulo, cidade provinciana, algumas dezenas de milhares de almas habitando casas de barro, transitando lentamente por ruas estreitas e tortas, esbarrando em escravos. Nos chafarizes públicos, filas para se obter água para os lares. Um sino soa - São Francisco ou São Bento - avisando da saída da procissão, cascos de cavalo batem no chão, algumas carroças. Na Rua do Comércio imperam os trajes austeros e a infinita coleção de barbas, bigodes, cavanhaques, suíças e afins.
Há uma cidade, duas ou muitas?
A cidade de São Paulo recebeu ao longo de sua existência uma vastidão de interpretações, títulos, rótulos e mitos: Cidade que nunca dorme, Locomotiva do Brasil, Túmulo do Samba, Capital da Solidão, Berço da Nação...
Todas as denominações, como mitos, trazem possibilidades de compreensão, mas não verdades ou mentiras absolutas. Memória da Cidade: história e patrimônio de São Paulo põe no mesmo espaço e tempo duas cidades separadas não por uma distância geográfica, mas por mais de uma centena de anos, flagradas cada uma no seu tempo por um fotógrafo.
O projeto Memória da Cidade é uma realização da Caixa Cultural de São Paulo, produzido pela Conceito e Famiglia Produções, com apoio do Museu Paulista da Universidade de São Paulo, detentor da coleção original de fotos de Militão Augusto de Azevedo expostas agora.
Sobre os fotógrafos:
Militão Augusto de Azevedo (Rio de Janeiro, 1837 – São Paulo, 1905) foi o primeiro fotógrafo a registrar a cidade de São Paulo, no início da década de 1860. Suas fotografias (um conjunto de aproximadamente três dezenas de cenas da cidade, diante de mais de 12.000 retratos executados pelo fotógrafo) se tornaram uma fonte de inestimável valor para o conhecimento da São Paulo oitocentista. Desse conjunto de fotografias de cenas, Memória da Cidade trará 25 delas, pela primeira vez reunidas e expostas tal como foram produzidas por Militão: tendo a cidade como “modelo”.

Renato Suzuki (São Paulo, 1978), fotógrafo da nova geração, também dedicado à tradução fotográfica da cidade de São Paulo, retorna aos espaços retratados por Militão há mais de cem anos, e os relê, reinterpreta, busca as aproximações e distanciamentos entre esses dois mundos, a cidade hoje e a do século XIX. Nesse jogo de aproximações revela-se a linha vital que liga dois fotógrafos, dois mundos, duas cidades, duas técnicas, dois olhares: um único espaço e a memória. O conjunto de aproximadamente 50 imagens, produzido nos últimos dois anos por Renato Suzuki, materializa esse jogo.
Curso livre sobre a história da cidade
Simultaneamente à exposição, o projeto Memória da Cidade traz um curso livre a respeito da história cultural da cidade de São Paulo, ministrado pelos professores Carlos Eduardo França de Oliveira, Erik Hörner e Rodrigo da Silva, formados pela Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo e pesquisadores ligados ao Museu Paulista da USP (mais conhecido como Museu do Ipiranga). O curso busca fazer um itinerário pelos modos de vida na cidade de São Paulo ao longo de sua história, dos hábitos, do cotidiano, do espaço da cidade, sua evolução, procurando apresentar outras possibilidades de interpretação, algumas das quais pondo em questão mitos e pressupostos a respeito dela. Nesse caminho, a cidade, sobretudo sua região central, ressurge como espaço, como cenário das interpretações fotográficas de Militão Augusto de Azevedo e de Renato Suzuki e como “patrimônio cultural”, repositório de memórias da população, lugares – inclusive – de parte da “mitologia paulistana”.
Ele será ministrado do dia 26 de janeiro (terça-feira) a 03 de março de 2010 (quarta-feira), todas terças e quintas-feiras das 7 às 21h, sendo que haverá recesso no dia 16 de fevereiro (Carnaval). Também haverá dois módulos especiais nos sábados (20 e 27 de fevereiro), das 09 ao meio dia. São 60 vagas e certificação mediante freqüência superior a 70% da grade.
SERVIÇO:
Exposição MEMÓRIA DA CIDADE: HISTÓRIA E PATRIMÔNIO DE SÃO PAULO
Abertura para convidados e imprensa: dia 23 de janeiro de 2010, às 11h
Visitação: 23 de janeiro a 28 de fevereiro de 2010
Local: CAIXA CULTURAL São Paulo - Praça da Sé, 111 – Centro - São Paulo (SP) - Galerias Florisbela e Octogonal
Horários: De terça-feira a domingo, das 9h às 21h.
A CAIXA CULTURAL SP estará aberta durante o feriado de 25 de janeiro de 2010 (segunda-feira, aniversário de São Paulo)
Informações e Agendamento para curso livre sobre história da cidade: (11) 3321-4400
Acesso para pessoas com necessidades especiais.
Entrada: franca
Recomendação etária: livre
Patrocínio: Caixa Econômica Federal

A Guerra dos Porcos

Esta música ilustra bem o que estamos vivendo em nossa cidade, a guerra dos porcos, onde um povo sem consciência encontra um mau administrador.






War Pigs - Black Sabath






Ontem no centro de São Paulo presenciei esta "maravilha" da arte de administrar.
O que fizemos nós para recebermos este castigo? Como é que um administrador público, tido como capaz de gerenciar nossa cidade comete tais desatinos?
Não me lembro nos meus 50 anos tamanha incompetência e burrice, isto mesmo, porque para tanta bobagem cometida, só mesmo sendo muito burro.
É claro que as chuvas neste mês foram, talvez, as maiores de todos os tempos, mas iniciar a limpeza de bueiros e piscinões após as tragédias, é no mínimo risível se não fosse trágico.
Culpar a população por jogar lixo nas ruas é querer eximir-se da responsabilidade de executar um boa limpeza pública, se há um bom programa para isto, não haverá acumulos como os das fotos, que estão por toda a cidade, e não localizados em certas regiões.
Estive no centro da cidade domingo e não acreditei na quantidade de moradores de rua, dormindo ao relento e usando as vias como seus banheiros, mais uma burrice da nossa administração, fechar 750(?) vagas nos albergues municipais, jogando estes seres humanos na mais vil condição.
Tirar verbas do serviços de recapeamento das vias, só esta trazendo prejuízos, tanto ao cidadão individualmente, como coletivamente, pois um veículo quebrado nas ruas e avenidas gera enormes congestionamentos, trazendo transtornos incalculáveis.
Estes são só alguns pontos que me lembrei agora, existem outros tão graves quanto, fica aqui meu desabafo.







domingo, 7 de fevereiro de 2010

O Brasil de John Graz

Acho que não há nenhuma música que sirva melhor de acompanhamento aos modernistas brasileiros que que a de Heitor Villa-Lobos.
Suas peças inspiradas na gente e coisas do Brasil conseguem me fazer visualizar nossa exuberância, nosso colorido e nossa alegria.
São estas coisas que encantam ao estrangeiro, tornado-os inseparáveis de nossa terra.




Bachianas Brasileiras -Dança - Lembrança do Sertão


Que delícia é ver o criador se tornando também a criatura, pois John Graz um dos fundadores do Modernismo Brasileiro, também foi influenciado por seus pares, adquirindo alguns traços semelhantes aos deles; foi possível notar algo de Portinari, Di Cavalcante e Tarsila nos seus desenhos, além do espetacular uso das cores.
O único quadro de grande dimensão exposto tem o nome de Bachiana Brasileira mostrando a admiração do artista por Villa-Lobos.
Uma bela mostra, que nos permite conhecer um grande artista.
As imagens estão carregadas em alta definição, e poderão ser vistas na sua plenitude, clicando-se em cima de cada uma.
Abaixo das imagens, no "press-release" da Caixa Cultural uma breve biografia de John Graz.








CAIXA CULTURAL SÃO PAULO TRAZ A EXPOSIÇÃO O BRASIL DE JOHN GRAZ

Obras selecionadas que mostram o olhar curioso de um suíço no Brasil fazem parte do acervo de mais de 2000 desenhos do recém-criado Instituto John Graz

O Brasil de John Graz. É esse o título da exposição que traz a visão da terra em que John Louis Graz (Suiça, 1891 - São Paulo, 1980) - um dos mais importantes e influentes artistas plásticos, designer, arquiteto do século XX - escolheu para viver. A mostra, que vai ocupar aproximadamente 150 m² da Caixa Cultural São Paulo (Sé), está aberta a visitação a partir do dia 23 de janeiro de 2010, tem curadoria de Sérgio Pizoli e reunirá cerca de 180 trabalhos inéditos do artista. A iniciativa é uma parceria entre o recém-inaugurado Instituto John Graz, presidido pela viúva do artista, Annie Graz e a Caixa Cultural São Paulo.

A exposição apresenta desenhos e uma tela em grande dimensão, todos com temática brasileira, abordando os diferentes estilos em que foram produzidos. Dentre os trabalhos inéditos selecionados pela curadoria estão desenhos de vários tamanhos, realizados pelo artista entre 1920 - ano de sua chegada ao Brasil - e 1980. O público terá contato com estudos, cadernos de viagem e esboços, com várias visões do Brasil pelo desenho modernista de John Graz. Dentre os temas escolhidos estão cenas e arquitetura brasileiras; viagens, festas e paisagens; flora e fauna; o homem e o trabalho. Em síntese: uma diversidade de técnicas e temas relacionados à visão modernista de um país tropical.
A mostra está dividida em dois segmentos: Desenhos em pequena dimensão e Desenhos em dimensões maiores. O primeiro traz obras com tamanhos que variam entre 9 x 9 cm a 36 x 36 cm, expostas em pranchas maiores, agrupando-se de uma a quatro peças. Nesse segmento é possível notar a técnica refinada do artista nos trabalhos em guache e no grafite sobre papel. Já na área reservada aos desenhos maiores, medindo entre 30 x 40 cm a 60 x 70 cm - também tendo o guache e grafite sobre papel como suportes - há uma única tela em grande dimensão, "Bachiana Brasileira" (228 x 99 cm), que fecha a exposição.

Para o curador, a mostra pretende transmitir aos visitantes "o conceito de 'artista total', já que John Graz foi capaz de unir arte, arquitetura e design numa única linguagem plástica". Pizoli acrescenta ainda que Graz "fez do desenho artístico uma atividade permanente, elaborando séries de estudos que, muitas vezes, não chegaram a ser executados em tela ou mural, mas têm o requinte formal de obra acabada. Seu trabalho plástico retoma o desenho clássico, incorpora a iconografia brasileira, assume e difunde as influências modernistas".
Ainda segundo o curador, outro traço marcante no trabalho de John Graz é a sua relação com o movimento. "Seus personagens raramente são surpreendidos em pose: os índios caçam, pescam, os cavalos galopam ou lutam, os meninos e as mulheres trabalham, os homens guerreiam, navegam ou simplesmente agem", analisa Pizoli.

Sobre John Graz - Suíço radicado no Brasil desde 1920 traz para o cenário das artes brasileiras as influências renovadoras dos movimentos europeus do século XX. Após sua formação artística na Escola de Belas Artes de Genebra, onde cursou Arquitetura, Decoração e Desenho, viaja para a Espanha. Suas obras lá produzidas impressionam Oswald de Andrade, que o convida a participar da Semana de Arte Moderna 1922, ao lado de nomes como Anitta Malfatti, Di Cavalcanti e Vicente do Rego Monteiro. É um dos fundadores da Sociedade Pró Arte Moderna (SPAM) e do Clube dos Artistas Modernos (CAM). Em 1925, inicia suas atividades como arquiteto e designer de interiores, dedicando-se por quase quarenta anos a este segmento profissional.
Faleceu em 1980, aos 89 anos, deixando um acervo, ainda hoje inédito, com desenhos, estudos, plantas baixas, cadernos de viagem e de anotações, aos cuidados de Annie Graz, sua segunda esposa. Este acervo encontra-se, atualmente, sob a guarda do recém-fundado Instituto John Graz.

Sobre o Instituto John Graz - Trata-se de uma instituição sem fins lucrativos fundada em 2005 com o objetivo de contribuir para o desenvolvimento cultural e a integração entre as áreas de artes plásticas e o design, ampliando sua discussão dentro da contemporaneidade. O foco é a preservação, estudo e difusão da obra do artista em suas influências estéticas e nas suas relações com a sociedade brasileira. O Instituto acredita que, por meio da consolidação da obra do artista, contribuirá para os desdobramentos destas atividades, incentivando a reflexão sobre os limites entre arte e design.

Serviço

Exposição O BRASIL DE JOHN GRAZ

Abertura para convidados e imprensa: dia 23 de janeiro de 2010, às 11h
Visitação: de 23 de janeiro a 28 de fevereiro de 2010
Horário de visitação: de terça-feira a domingo, das 9h às 21h.
A CAIXA CULTURAL SP estará aberta durante o feriado de 25 de janeiro de 2010 (segunda-feira, aniversário de São Paulo)
Local: CAIXA Cultural São Paulo (Sé) - Galeria Dom Pedro II - Praça da Sé, 111 - Centro - São Paulo/SP
Informações e Agendamento para visitas em grupo: (11) 3321-4400
Acesso para pessoas com necessidades especiais.
Classificação etária: Livre
Entrada Franca
Patrocínio: Caixa Econômica Federal


segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

A Arte de J. Borges - Do Cordel à Xilogravura


Alceu Valença - Sol e Chuva


Nunca gostei muito de arte naïf e manifestações folclóricas, mas esta exposição me fez rever alguns preconceitos.
As obras estão dispostas numa cenografia que nos transportam ao ambiente nordestino.
Me impressionaram as gravuras, principalmente pelos traços e o colorido, e acabei comprando uma, "O Carnaval dos Bichos".
J. Borges iniciou sua carreira artística escrevendo cordel e a necessidade de ilustrações o fez tornar-se um gravador, produzindo suas próprias xilogravuras para suas obras.
Seu estilo agradou em cheio os intelectuais, fazendo com que suas imagens se destacassem da literatura, ganhando vida própria e a superassem.
Abaixo das imagens o "press-release" da Caixa Cultural.












CAIXA CULTURAL SÃO PAULO APRESENTA A EXPOSIÇÃO A ARTE DE J. BORGES: DO CORDEL À XILOGRAVURA
Mostra exibe a trajetória do gravurista J. Borges com xilogravuras, cordéis, matrizes e cenários que remetem às origens do artista e sua vida no sertão pernambucano.
A Caixa Cultural São Paulo inaugura no dia 30 de janeiro, sábado, a partir das 11 horas, a mostra A Arte de J. Borges: do Cordel à Xilogravura, do artista pernambucano José Francisco Borges. A exposição tem curadoria de Pieter Tjabbes e Tânia Mills e revela a trajetória do artista auto-didata, focando o percurso de sua produção de cordéis e gravuras em cenários que ilustram o universo cultural nordestino. São exibidas xilogravuras, cordéis e matrizes originais. Durante a exibição da mostra, aberta de 30 de janeiro a 28 de fevereiro, a Caixa Cultural São Paulo realiza oficinas gratuitas de xilogravura aos sábados.
Segundo os curadores, a mostra não apresenta apenas a obra de J. Borges, mas o percurso de sua vida e sua expressão artística, que abrange o cordel e a xilogravura. Assim, a montagem procura contextualizar a exposição, trazendo um pouco da casa do artista à mostra, que conta com fotos e gravuras de seus familiares e aprendizes, e um pouco de sua cidade-natal, Bezerros (PE), que é representada por barraquinhas de feira com gravuras penduradas. Será exibido, ainda, um documentário de Vincent Carelli, que mostra a vida e a obra de J. Borges e a sua relação com a pacata cidade.
J. Borges
Nascido em 1935, José Francisco Borges ou J. Borges, como prefere ser chamado, é um dos mais expressivos artistas populares do Brasil. Considerado por Ariano Suassuna o maior gravador popular do país, o artista foi um dos ilustradores do calendário da ONU do ano de 2002. Auto-didata, J. Borges publicou seu primeiro cordel em 1964, intitulado O Encontro de Dois Vaqueiros no Sertão de Petrolina, seguido de O Verdadeiro Aviso de Frei Damião Sobre os Castigos que Vêm, cuja publicação deu início à sua profícua carreira de gravador. Na década de 1970, artistas plásticos, intelectuais e marchands passaram a encomendar suas xilogravuras, o que levou as imagens a ganharem cada vez mais autonomia em relação ao cordel. O itinerário do artista vem se fortalecendo pela transmissão dos conhecimentos da xilogravura às novas gerações de sua família, com quem mantém a Casa de Cultura Serra Negra, no sertão pernambucano.
Programação educativa, Visitas-ateliê e oficinas de xilogravura
Durante o período expositivo, o serviço educativo da Caixa organiza visitas mediadas gratuitas espontâneas para todos os públicos e idades ou em grupos de até 20 pessoas com a necessidade de agendamento prévio. As visitas de grupos agendados acontecem de terça a sexta-feira, às 10, 14, 16 e 19 horas. A Caixa Cultural oferece ainda um serviço diferenciado, voltado para as famílias e crianças, que é oferecido aos sábados e domingos às 10h30e 14h30. São as Visitas-ateliê, onde o grupo entra em contato com a obra do artista a partir de jogos e brincadeiras de exploração de imagem e cria suas próprias histórias com elementos da produção de cordéis. Aos sábados, das 14h30 às 17h, são oferecidas oficinas gratuitas de xilogravura, voltadas a iniciantes e interessados em conhecer a técnica. Inscrições e mais informações pelo telefone 3321 4400.
SERVIÇO:
Exposição: A Arte de J. Borges: do Cordel à Xilogravura
Abertura: 30 de janeiro de 2010, sábado, das 11
Visitação: de 30 de janeiro a 28 de fevereiro de 2010
Local: CAIXA CULTURAL São Paulo (Sé) - Praça da Sé, 111 – Centro - São Paulo (SP)
Telefone: (11) 3321 4400
Horários de visitação: terça-feira a domingo, das 9 às 21 horas
Organização: Art Unlimited
Patrocínio: Caixa Econômica Federal
Entrada franca
Recomendação Livre