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quinta-feira, 27 de julho de 2017

Modos de Ver o Brasil: Itaú Cultural 30 Anos

Essa é uma exposição que vale várias visitas, pois além de seu gigantismo, espalhada no quatro pisos da OCA, também uma magnífica obra de arte de Neimeyer, apresenta um belíssimo apanhado do que de bom se produziu nas artes plásticas brasileiras desde o descobrimento.

Com obras dos artistas  das missões estrangeiras, como as francesas, holandesas e alemãs, até aos nossos contemporâneos ainda vivos, podemos perceber o rigor com que todas essas preciosidades foram adquiridas para se montar essa coleção, que apesar de particular, já é um patrimônio nacional.

Essa coleção é em si uma enciclopédia de artes brasileiras pois seus curadores não demonstram predileção por nenhuma escola ou movimento artístico, tendo em seu acervo preciosos exemplos de tudo de bom que se produz ou se produziu por aqui.

Um lindo passeio que se completa com a visita ao MAM, onde ocorre a mostra "O impressionismo e o Brasil".



Tropicália - Caetano Veloso

Abaixo das imagens, o "press-release", fornecidos pela assessoria de imprensa do Itaú Cultural.


















Uma constelação da arte brasileira celebra os 30 anos do Itaú Cultural em mostra na Oca


No maior recorte do Acervo de Obras de Arte Itaú Unibanco exibido em conjunto até hoje, que vai da primeira obra adquirida por Olavo Egydio Setubal, no final dos anos de 1960, às novas aquisições para a coleção e a reconstrução da escultura pública de Ascânio MMM – retirada em 1989 pela prefeitura para manutenção, foi dada como irrecuperável e não voltou ao seu lugar –, a exposição Modos de Ver o Brasil: Itaú Cultural 30 Anos comemora três décadas de existência do instituto dedicadas às artes e à cultura brasileiras e dá visibilidade à cadeia de ações desempenhada pelo instituição desde a sua fundação, em 1987.


A exposição Modos de Ver o Brasil: Itaú Cultural 30 Anos, com abertura para convidados no dia 24 de maio e apresentação ao público de 25 de maio a 13 de agosto, ocupa os mais de 10 mil metros quadrados da Oca, um dos símbolos arquitetônicos de São Paulo, integrante do conjunto de instalações do Parque Ibirapuera, projetado por Oscar Niemeyer. Com curadoria de Paulo Herkenhoff, co-curadoria de Thais Rivitti e Leno Veras, realizada em colaboração com as equipes do instituto e expografia de Álvaro Razuk, a mostra apresenta ao público mais de 750 obras – 48 delas recém adquiridas – pertencentes ao Acervo
de Obras de Arte Itaú Unibanco.

Em 1969, o empresário Olavo Egydio Setubal adquiriu Povoado numa Planície Arborizada, do pintor holandês Frans Post, a primeira obra de um conjunto que atualmente soma cerca de 15 mil peças reunidas neste acervo mantido e gerenciado pelo Itaú Cultural – todas adquiridas com recursos próprios. Complementado pelas coleções de Arte Cibernética e Filmes e Vídeos de Artistas, formadas pelo instituto, hoje é tido como um dos maiores acervos corporativos do mundo e o maior da América Latina (leia mais aqui, Acervo). Alguns anos depois, em 1987, Setubal lançou a pedra base do projeto – as Galerias Itaú –, que se tornaria o Itaú Cultural, uma das mais importantes instituições culturais em atividade no país, com atuação nacional, respeitando e conferindo visibilidade à diversidade das expressões culturais em todo o território brasileiro.

Para reunir essa história que se mescla à da construção do Brasil, os curadores optaram por apresentar uma constelação de 20 núcleos a serem percorridos pelos visitantes, fazendo articulações e linhas de continuidade e ruptura entre eles. Os trabalhos permeiam os quatro andares da Oca, procurando estabelecer uma leitura ampliada do acervo. Sem seguir uma sequência cronológica e construindo nexos e diálogos diversificados entre as obras, o público é levado a descobertas estéticas, linguísticas, conceituais e políticas, dando indicações para que novos modos de ver a arte brasileira sejam construídos.

A exposição busca, ainda, dar visibilidade à cadeia de ações desempenhada pelo instituto nestes 30 anos: a formação de uma coleção, o registro de bens culturais, sua preservação e estudo e a difusão da cultura com a edição de publicações e a realização de debates, exposições e extensa programação. Elas perpassam a mostra, entre produções de obras selecionadas pelo programa Rumos, um dos principais editais de produção de arte e cultura no país, e a enciclopédia, que deu origem ao instituto e hoje se tornou o maior compêndio de arte e cultura brasileira na web, passando pelas atividades da instituição que abrangem as mais diversas áreas de expressão artística e cultural no Brasil.
Algumas obras
Entre as quase oito centenas de obras que podem ser vistas na exposição, as mais antigas, pela data, são dois mapas Jodocus Hondius: AmericaSeptentrionalis, de 1613, e Henricus Hondius: Accuratissima Brasiliae Tabula, de 1630, e seis livros raros Sebastiano Beretario: Iosephi Anchietatae Societatis Iesu Sacerdotis In Brasilia Defuncti Vita, de 1617, Nicolaus Orlandini: Historiae Societatis Iesv, de 1620, George de Spilbergen: Miroir Oost & West-Indical Auquel sont defcriptes les deux dernieres Navigations, de 1621, Sebastiano Beretario: Vita del Padre Gioseffo Anchieta, de 1621,  Guilhermo Piso, Georg Marcgraf: Indiae Utriusque, de 1648, e Simão de Vasconcellos: Chronica da Companhia de Jesus do Estado do Brasil, 1663. Todas provenientes da Coleção Brasiliana do Acervo de Obras de Arte Itaú Unibanco.

Há, também, trabalhos do pintor brasileiro Candido Portinari, considerado um dos mais importantes artistas nacionais do século XX, Emiliano Di Cavalcanti, a escultora Maria Martins, o artista Hélio Oiticica, o escultor ítalo-brasileiro Victor Brecheret e a artista Lygia Clark. Entre os modernistas estrangeiros está o pintor francês Fernand Leger.

Como um presente à cidade, a organização desta mostra proporcionou a reconstrução da escultura vertical sem título, com 5,35 metros de altura, de Ascânio MMM. O trabalho foi encomendado nos anos de 1970, quando Olavo Setubal era prefeito de São Paulo. Terminadas as obras do metrô Sé, ele criou, ao lado, uma área para reunir um conjunto de 15 esculturas de artistas renomados, como Sergio Camargo, Rubem Valentim, Felícia Leirner, além de Ascânio. Em 1989, a obra foi retirada para restauração pela prefeitura da época para manutenção, mas foi dada como irrecuperável e não voltou ao seu lugar (leia mais sobre o assunto, aqui, Obras de Ascânio MMM).

Modos de Ver o Brasil: Itaú Cultural 30 Anos inclui, ainda, peças significativas de artistas contemporâneos, como Adriana Varejão, Beatriz Milhazes, Vik Muniz, Berna Reale, Jaime Lauriano, Ayrson Heráclito e Eder Oliveira. Destes últimos, algumas figuram entre as novas aquisições, como Bandeira Nacional # 10, Novus Brasilia Typus: invasão, etnocídio, democracia racial e apropriação cultural e Artefatos # (1, 2 e 3), de Lauriano, todas de 2016; quatro trabalhos da série Cabeças Bori, de Heráclito, ou duas sem título, de autoria de Eder Oliveira, ambas de 2015.
Os andares
O prédio da Oca, por sua arquitetura específica, no característico formato hemisférico, cria um espaço fluido, sem arestas, e, segundo a curadoria, permite que as diferentes visões criadas a partir dessa coleção possam conviver em pé de igualdade. A espiral que o percurso do prédio sugere ao visitante remete a uma trajetória em que não há ponto de chegada, mas sim uma relação de continuidade entre as temáticas e enfoques abordados.

São Paulo recebe o público no piso Térreo. Fotos e obras sobre a cidade, desde a sua fundação até trabalhos produzidos em 2017, convidam a um novo entendimento sobre a capital do estado e seus arredores, nos núcleos Esculturas, História, Paisagens, Urbanidade, Urbanismo, Modernismos, Concretistas. Mesclam-se, neste piso, temas como o início da vila, passando pela construção do interior do estado, com obras de Benedito Calixto ou telas sobre a era do café, de Cândido Portinari, e, mais recentemente, trabalhos de Caio Reisewitz, por exemplo.

O andar trata da modernidade, do concretismo, do neo-concretismo, da contemporaneidade – passado, presente e indicações para o futuro. Para isso, cruzam-se olhares de artistas como Militão, Joaquim Pedro, Mario de Andrade, assim como paisagens gerais de Alfredo Volpi, personagens de Almeida Junior, naturezas de Calixto. Mais próximas, fotos de indígenas feitas por Claudia Andujar, dos prédios da cidade, de Cláudia Jaguaribe, detalhes de edifícios, de Claudio Edinger, paisagens urbanas interpretadas nos grafites de Alexandre Órion, entre outros.

O subsolo guarda experimentos da arte brasileira, com os núcleos Cibernética Conceitual, Teoria dos Valores, Natureza, Subjetividade, Escritura e Gambiarra. Cildo Meirelles está neste piso, com a litografia sobre papel moeda Zero Cruzeiro. Além destes, o andar reúne um grande número de artistas que vão do pop Antonio Dias ou Antonio Henrique Amaral, a Beatriz Milhazes ou Berna Reale, em subjetividades, passando por Portinari, e os contemporâneos Iran Espírito Santo, Paulo Bruscky, Hélio Oiticia, Lygia Clark.

O primeiro andar se situa no pós-guerra (Segunda Guerra Mundial), um momento, segundo os curadores, em que um conjunto de questões aglutinaram os artistas brasileiros em torno das artes visuais. Os núcleos são: Geracional, Bidimensional – Regimes da Cor, Bidimensional – Geometria da Luz, Tridimensional. Estão aqui a primeira geração de cinéticos, como Abraham Palatnik, as cores de Amélia Toledo ou as gravuras de Maria Bonomi, em transversalidades por momentos históricos e ideias conceituais. Estão obras, ainda, de Ana Maria Maiolino, Antonio Manuel, José Resende, Paulo Pasta, Volpi e Maria Martins, entre outros.


No segundo piso e último, o passeio segue pela formação social do Brasil: o Barroco e Neo Barroco, tendo, igualmente, foco em duas passagens traumáticas da história brasileira – a escravidão e a conquista das terras indígenas. Aqui tem Aleijadinho e Mestre Valentim, mas também a contemporânea Adriana Varejão; ou, ainda, Albert Eckhout e Alberto da Veiga Guignard. Pode se ver, neste andar, um documento de venda de escravos ao lado da quantidade de moedas de ouro que representava o seu valor como mercadoria. É aqui que se concentra o núcleo afro-brasileiro, com 17 das obras recém adquiridas de artistas como Alcides Pereira dos Santos, Ayrson Heráclito e Jaime Lauriano.

terça-feira, 18 de julho de 2017

Toulouse-Lautrec em vermelho


Qual é nossa reação ao confrontarmos um gênio, um ídolo? Êxtase? Contemplação silenciosa? Ou uma euforia discreta?

Eu ainda não consegui definir minhas emoções, ao ver todas essas maravilhosas obras de Henri de Toulouse-Lautrec. Já conhecia o personagem antes do artista ao ler a biografia "Moulin Rouge", de Pierre La Mure, que fazia parte da biblioteca da família ainda nos anos 70. 

O MASP ainda nos primórdios da sede da Paulista foi quem apresentou a um menino curioso de boa memória, maravilhosas visões daqueles instantes antes só imaginados.

Além de obras trazidas de grandes museus do mundo, há que se observar que as mais belas são as do acervo do MASP, que ainda não descobri a razão, quase nunca estão na exposição permanente do acervo, do segundo andar.

Uma das grandes exposições do MASP, que o reafirmam como o mais importante museu de arte da América Latina, que marcará sua magnífica história.





Charles Trenet - Y'a d'la Joie

Abaixo das imagens, o "press-release" fornecidos pela assessoria de imprensa do museu.


















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MASP apresenta primeira grande exposição de Toulouse-Lautrec no Brasil

Henri de Toulouse-Lautrec, O divã, circa 1893, acervo MASP


  • Toulouse-Lautrec em vermelho apresenta algumas das mais célebres cenas de Toulouse-Lautrec sobre a vida noturna parisiense, com seus cabarés, cafés, salas de concerto e bordéis, e seus personagens, como prostitutas, boêmios e dançarinos.
  • A exposição, inteiramente concebida e produzida pelo MASP e viabilizada com patrocínio exclusivo do escritório Pinheiro Neto Advogados, que em 2017 completa 75 anos, conta com empréstimos de importantes museus e coleções particulares, nacionais e internacionais, como Musée d’Orsay, de Paris; Tate e Victoria & Albert Museum, de Londres; The Art Institute of Chicago; National Gallery of Art, de Washington; e Museo Thyssen-Bornemisza, de Madrid.
O MASP inaugura, no dia 29 de junho, Toulouse-Lautrec em vermelho, a maior exposição dedicada à obra do francês Henri de Toulouse-Lautrec (1864-1901) já realizada no Brasil. Em torno do tema da sexualidade, a mostra conta com 75 obras, entre pinturas, cartazes e gravuras, que estão entre as mais emblemáticas do artista. Das onze obras de Toulouse-Lautrec da coleção do MASP, a maior e mais importante em um museu da América Latina, 9 estarão expostas; as demais serão empréstimos de alguns dos principais museus e coleções particulares do mundo, tais como Musée d’Orsay, de Paris; Tate e Victoria & Albert Museum, de Londres; The Art Institute of Chicago; National Gallery of Art, de Washington; e Museo Thyssen-Bornemisza, de Madrid.
Toulouse-Lautrec foi um dos artistas centrais da Paris do final do século 19, ao capturar a efervescência noturna da capital que despertava para a modernidade, quando suas ruas foram iluminadas a gás e as mais diversas figuras passaram a se encontrar nos espaços públicos, entre burgueses, boêmios, prostitutas, dançarinos e artistas. Inteiramente concebida e organizada pelo MASP, Toulouse-Lautrec em vermelho traz cenas de apresentações em cabarés, danças em bares, bailes de máscaras, retratos de figuras da sociedade e do célebre bairro Montmartre, que lhe renderam a fama ainda em vida. A exposição traz também cenas interiores das maisons closes, como eram chamados os bordéis da época, com suas trabalhadoras em momentos de descanso e intimidade, em seus afazeres cotidianos.
Três dessas composições -- O divã (circa 1893), Estudo para No salão da rue des Moulins (1894) e As duas amigas (1894) retratam o salão de entrada de um luxuoso bordel parisiense na rue des Moulins, que Toulouse-Lautrec frequentou em meados dos anos 1890. Com sofás de encosto alto e forrados de veludo escarlate, a decoração do local serviu de sugestão para o título da mostra, cuja cor também é seguidamente associada à sexualidade e ao prazer. As três pinturas são também as primeiras obras que o público encontra ao adentrar o espaço expositivo do 1º andar do MASP, na área dedicada ao universo da prostituição.
Toulouse-Lautrec foi um frequentador assíduo da vida noturna de Montmartre, bairro boêmio ao norte de Paris, que sobreviveu às transformações urbanísticas do prefeito Georges-Eugène Haussmann (1809-1891), cujas reformas transformaram-na em uma cidade elegante e organizada. O trânsito livre entre os bordéis e cabarés, tanto de dia, quanto à noite, permitiu que o artista criasse relações de amizade e confiança com os administradores e trabalhadoras dos locais, possibilitando que lançasse um olhar singular, afetuoso e não moralizante sobre essas pessoas e suas vidas.
Trabalhos como Mulher se penteando – Duas mulheres em camisola (1891), Estas mulheres na sala de jantar (1893-95), Mulher puxando sua meia (circa 1894) e (1896), por exemplo, retratam atividades domésticas e banais, que fazem parte do dia a dia daquelas mulheres, como pentear o cabelo, dividir refeições, ou ainda vestir a roupa e descansar, exaurida, depois de um período de trabalho. Em vez de imagens eróticas, feitas para o consumo masculino e heterossexual, Toulouse-Lautrec registrou momentos de intimidade de suas personagens e seu corpos, a partir de um ponto de vista afetuoso. Nesse núcleo encontram-se também 3 pinturas ovais, em forma de medalhões, que foram feitas para decorar o salão de entrada de uma maison close na rue d’Amboise. No entanto, no lugar de retratos de figuras importantes, que normalmente decoram palácios, as obras retratam prostituas do local.
As áreas seguintes, no centro da galeria, são destinadas à representação da figura humana e apresenta uma seleção de retratos não só de homens e mulheres da sociedade, mas também de mulheres da classe trabalhadora. As composições A grande Maria (circa 1886), Na Bastilha (Jeanne Wenz) (1888) e Mulher com echarpe preta (1882) revelam mulheres de corpo inteiro, que encaram de frente o espectador, desafiando-o com o olhar. Elas contrastam com a domesticidade e a “pureza” intencionadas, por meio do recato da pose ereta do corpo e das flores ao fundo, como na pintura A condessa Adèle de Toulouse-Lautrec (1880-82), ambientada durante o dia e de acordo com o que se esperava de uma mulher no século 19. Em outras palavras, nessa época em que Paris via surgir novos espaços de sociabilidade, como teatros, café-concertos, restaurantes e bares, o espaço público, e principalmente o espaço noturno, ainda era reservado apenas a homens. Mulheres presentes nesses lugares, aos olhares burgueses, eram vistas como pouco respeitáveis.
Nascido em uma família da nobreza decadente, Toulouse-Lautrec transita entre os universos burguês e proletário com desenvoltura. Devido à uma doença congênita nos ossos, provavelmente consequência do casamento entre seus pais que eram primos, teve suas pernas afetadas em dois acidentes, fazendo com que não se desenvolvessem e mantivessem o tamanho das de um menino. No entanto, sua dificuldade de locomoção não o impediu de estudar pintura e frequentar ativamente a vida noturna parisiense, tema da última sessão, ao fundo da exposição.
Algumas das obras mais conhecidas de Toulouse-Lautrec estão reunidas aqui: Moulin de la Galette (1889), bar e salão de dança da classe trabalhadora, localizado em um antigo moinho; além de vários cartazes que o artista criava sob encomenda para divulgar os espetáculos de dança e eventos dos cabarés ou ainda gravuras para peças de teatro e retratos de atores e atrizes. Jane Avril no Jardin de Paris (1893), Divan Japonais (1892) e Troupe da Mlle Églantine (1896) retratam sua amiga Jane Avril (1868-1943), célebre dançarina do recém-inaugurado Moulin Rouge. O cabaré também foi tema de um de seus cartazes mais populares, Moulin Rouge (La Goulue) (circa 1891).
Além de pinturas e gravuras, Toulouse-Lautrec em vermelho apresenta cerca de 50 documentos da época, entre cartas, bilhetes, telegramas e fotografias do artista e seu círculo de amigos. A coleção, reunida pelo editor Pedro Corrêa do Lago ao longo de mais de 20 anos, cobre todo o arco temporal da vida de Toulouse-Lautrec: desde sua primeira carta, aos 7 anos, onde apenas assina seu nome; à última que escreveu, no verso de uma mensagem de seu amigo Paul Viaud à sua mãe, alguns meses antes de sua morte, em 1901. Algumas correspondências e fotografias são inéditas, nunca tendo sido publicadas ou exibidas. Essa é a primeira vez que a coleção é exposta integralmente.
Toulouse-Lautrec em vermelho dialoga de maneira próxima com outras duas exposições que também abrem no mesmo dia, em um eixo pautado por representações da prostituição. Uma delas reúne fotografias de Miguel Rio Branco, feitas em torno da prostituição no bairro do Pelourinho, em Salvador, em 1979; a outra exibe vídeos de Tracey Moffatt, feitos a partir de colagens de cenas de vídeo do cinema de Hollywood do século 20. Essas três mostras, por sua vez, estão em diálogo com outras monográficas: de Teresinha Soares e Wanda Pimentel, atualmente em exibição no 2º subsolo e mezanino do 1º subsolo, respectivamente; e, no segundo semestre, de Guerrilla Girls, Pedro Correia de Araújo (1874-1955) e de Tunga (1952-2016). Todas essas exposições voltam-se para a mostra coletiva Histórias da sexualidade, que trata dos temas ligados à sexualidade e ao corpo, em uma abordagem transversal, articulando vários acervos e artistas de diferentes gerações e territórios, com núcleos dedicados à prostituição, ao nu, ao homoerotismo, aos jogos sexuais, ao ativismo feminista e queer, entre outros.
CATÁLOGO
No dia da abertura, o MASP também lança o catálogo da exposição (408pp., R$179), bilíngue, com reproduções de todas as obras da exposição, e ensaios inéditos de especialistas nacionais e internacionais, entre eles Richard Thomson, considerado o principal pesquisador da vida e obra de Toulouse-Lautrec, desde o fim da década de 1970. Os textos cobrem diversas áreas de pesquisa, tais como história da arte, sociologia e estudos de gênero.
Constituem o catálogo os seguintes textos: “Toulouse-Lautrec em vermelho”, de Adriano Pedrosa; “Toulouse-Lautrec no MASP: o escandaloso traço da liberdade”, de Luciano Migliaccio; “Subculturas sexuais de Toulouse-Lautrec: intimidade e alienação dentro e fora do bordel”, de Ruth E. Iskin; “A Paris lésbica de Toulouse-Lautrec”, de Leslie Choquette; “Toulouse-Lautrec: notas sobre as narrativas do vício”, de Richard Thomson; “Pais da arte moderna: mães da invenção – As pernas erguidas para Toulouse-Lautrec”, de Griselda Pollock; “Histórias de Toulouse-Lautrec na coleção do MASP”, de Eugênia Gorini Esmeraldo; “Nota biográfica”, por Mariana Leme; e “Manuscritos de Toulouse-Lautrec”, de Pedro Corrêa do Lago.
CRÉDITOS
Toulouse-Lautrec em vermelho tem curadoria de Adriano Pedrosa, diretor artístico, e Luciano Migliaccio, curador-adjunto de arte europeia, e assistência de Mariana Leme.
A mostra foi viabilizada graças ao patrocínio exclusivo de Pinheiro Neto Advogados, que em 2017 completa 75 anos.
“A associação com o MASP parece-nos natural, e viabilizar Toulouse-Lautrec em vermelho com 100% de recursos próprios é uma grande oportunidade de compartilhar com a cidade a comemoração deste marco tão especial para nós, afirma Alexandre Bertoldi, sócio gestor do escritório.
Cinco anos mais jovem, o MASP também celebra seu aniversário em outubro deste ano. Oriundos de um mesmo período histórico, MASP e Pinheiro Neto Advogados construíram suas trajetórias guiados por ideias de vanguarda, criando espaços em suas respectivas áreas para serem reconhecidos pelo pioneirismo. Fundado em 1942, o escritório forma parcerias com entidades de diversos setores, principalmente em programas de responsabilidade social, tendo como foco ações nas áreas de educação, cultura e meio ambiente. “Acreditamos que é papel da iniciativa privada promover ações inclusivas, capazes de envolver a sociedade e retribuir a ela parte daquilo que recebe”, completa Bertoldi.
Assina a expografia o escritório METRO Arquitetos Associados.
Contribuíram com empréstimos as instituições e coleções particulares: Bibliothèque nationale de France, Paris, França; Carnegie Museum of Art, Pittsburgh, EUA; Denver Art Museum, Denver, EUA; Fondation Bemberg, Toulouse, França; Hammer Museum, Los Angeles, EUA; Musée Calvet, Avignon, França; Musée d’Art Classique de Mougins (MACM), França; Musée d’Orsay, Paris, França; Museo Thyssen-Bornemisza, Madrid, Espanha; Museum of Fine Arts, Budapeste; Museum of Fine Arts, Houston, EUA; National Gallery of Art, Washington, EUA; National Gallery of Australia, Canberra, Australia; Queensland Art Gallery, Australia; Rijksmuseum, Amsterdã, Holanda; Tate, Londres, Reino Unido; The Art Institute of Chicago, EUA; Victoria and Albert Museum, Londres, Reino Unido; Von der Heydt-Museum Wuppertal, Alemanha; Coleção Mugrabi, Nova York; Triton Collection Foundation, Wuustwezel, Bélgica.
SERVIÇO
TOULOUSE-LAUTREC EM VERMELHOAbertura: 29 de junho, 20h
Data: 30 de junho a 1 de outubro de 2017
Local: 1º andar
Endereço: Avenida Paulista, 1578, São Paulo, SP
Telefone: (11) 3149-5959
Horários: terça a domingo: das 10h às 18h (bilheteria aberta até as 17h30); quinta-feira: das 10h às 20h (bilheteria até 19h30)
Ingressos: R$30,00 (entrada); R$15,00 (meia-entrada)
O MASP tem entrada gratuita às terças-feiras, durante o dia todo.
AMIGO MASP tem acesso ilimitado e sem filas todos os dias em que o museu está aberto.
O ingresso dá direito a visitar todas as exposições em cartaz no dia da visita.
Estudantes, professores e maiores de 60 anos pagam R$15,00 (meia-entrada).
Menores de 10 anos de idade não pagam ingresso.
O MASP aceita todos os cartões de crédito.
Acessível a deficientes físicos, ar condicionado, classificação livre.
Estacionamento: Convênios para visitante MASP, período de até 3h. É preciso carimbar o ticket do estacionamento na bilheteria ou recepção do museu.
CAR PARK (Alameda Casa Branca, 41)
Segunda a sexta-feira, 6h-23h: R$ 14,00
Sábado, domingo e feriado, 8h-20h: R$ 13,00
PROGRESS PARK (Avenida Paulista, 1636)
Segunda a sexta-feira, 7h-23h: R$ 20,00
Sábado, domingo e feriado, 7h-18h: R$ 20,00
Contatos de imprensa:
A4&Holofote
+55 11 3897-4122
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quinta-feira, 29 de junho de 2017

Brecheret: Encantamento e Força

Essa é uma exposição que apesar de pequena é completa, pois nos apresenta obras de todas as fases da produção artística de Victor Brecheret.

Desde obras do começo de sua carreira com o rigor acadêmico clássico até suas últimas obras que já tem bem definida a estética desenvolvida durante a vida, que lhe é peculiar e de grande impacto visual e emocional.

Só grandes artistas com profundo conhecimento das técnicas de seu mister conseguem desenvolver características próprias, um estilo que é sua assinatura, identificada ao longe.

Um lindo passeio para se conhecer mais desse magnífico artista.





Brasiliana nº 8 - Choro - Radamés Gnattali


Abaixo das imagens, o "press-release", fornecidos pela assessoria de imprensa do evento.













 Dan Galeria traz exposição com esculturas e desenhos de Victor Brecheret
“Encantamento e Força” tem curadoria de Daisy Peccinini e apresenta ao público peças que compõem um panorama abrangente da produção do artista, entre as quais, um desenho inédito do início de sua carreira
Victor Brecheret: Três Graças (c. início déc. 1930), bico de pena sobre papel, 27 x 20 cm | Três Graças (início déc. 1930), bronze, 37 x 15 x 13 cm
Considerado um dos escultores mais importantes do país e criador de um dos monumentos mais icônicos e significativos da cidade de São Paulo, Victor Brecheret tem seu trabalho celebrado pela Dan Galeria, que recebe, a partir de 8 de junho, a exposição Brecheret: Encantamento e Força, com curadoria de Daisy Peccinini, especialista na obra do artista.
A mostra inclui criações do escultor de um período que vai de 1916 a 1955, apresentando ao público um panorama bastante abrangente da carreira artística de Brecheret, expondo, inclusive, as várias possibilidades e momentos estéticos que o artista vivenciou e incorporou em seu trabalho. São 46 obras, entre esculturas e desenhos, que se dividem em núcleos e subnúcleos. "O feminino, o masculino e o idílio", "Arte indígena", "Arta sacra" e "Cavalos" são os temas que se sobrepõem às esculturas. "Desenhos" é apresentado como o quinto núcleo da exposição, por sua vez subdividido pelos temas equivalentes aos dos grupos escultóricos.
Para a curadora, duas qualidades se impõem como marcas estilísticas permanentes na obra do escultor, independente do tema ou código por elencado: o encantamento e a força. "Encantamento, uma especial sedução pela impecável fatura, fazendo os olhares deslizarem pelos volumes flexuosos, interagindo com a sensibilidade e o prazer de cada um que os contempla”, afirma Daisy. “E se de um lado existem encantamentos, por outro há um élan que integra as partes numa pulsão centrífuga, de modo que os volumes sedutores possuem força e tensão que os aglutinam e geram uma aura monumental", completa.
Tema preponderante na produção de Brecheret, a figura feminina convida o público, já na parte exterior da galeria, a imergir em seu universo criativo: a monumental Morena (c. 1951), escultura em bronze com mais de 2,4 metros de altura, recebe-o como uma anfitriã do espaço.
O feminino da mitologia grega ganha forma em Três graças (início da década de 1930), com a representação das deusas da dança, da graça e do amor, que em sua reprodução simbolizam as três raças de acordo com as teorias então vigentes - negra, amarela e branca. Unidas pelos ombros, as figuras desafiavam as mentalidades da época, marcada pelo nazismo e fascismo europeus, que pregavam a superioridade dos brancos sobre os demais. "Um trabalho arrojado plástico e politicamente, que naquele contexto exaltava a harmonia e a fraternidade", acrescenta a curadora.
O bronze Cabeça de Marisa (c. 1955) foi fundido a partir de um gesso modelado pelo artista horas antes de sua morte. Dedicado a imprimir nele o retrato de sua sobrinha, Brecheret, por meio de ordenação rigorosa e refinada, emprega na obra simplicidade, pureza e força plástica de formas, características tão comuns em seus retratos.
Beijo (c. déc. 1930) traz uma das raras peças em sua produção representando o idílio entre um homem e uma mulher. O bronze polido assume uma forma oval, alongada, quebrada por pequenas incisões horizontais, sugerindo ao espectador mão entrelaçadas do casal.
Consciente da importância dos povos da terra para a formação e a expansão territorial da nação brasileira, o artista dedicou-se também, principalmente a partir da década de 1940, ao universo das formas primitivas da cultura indígena do país. Filha da terra roxa (c. 1947-1948) foi um de seus primeiros trabalhos com a temática. Modelada inicialmente com terra roxa, a terracota foi exposta em 1948 na Galeria Domus, primeira a expor os modernistas brasileiros. Na mostra da Dan Galeria, a peça apresentada é fundida em bronze.
Apesar de não ter sido religioso, o artista tinha uma admiração muito grande pela arte sacra, presente em sua produção nas mais diversas épocas. Nesse contexto, A virgem com o Menino Jesus foi um dos temas mais trabalhados por Brecheret, tendo sido realizado em diferentes composições e materiais. Em Virgem (c. 1923-1925), ele inova a tradição iconográfica, dispondo a Virgem de joelhos, construindo um jogo complexo de curvas e contracurvas, que dançam sob a ação da luz sobre o metal polido.
O relevo Cavalos (c. 1953) traz o modelo de um dos painéis de mármore travertino que recobrem as fachadas de ingresso do Jockey Club de São Paulo, onde o artista realizou uma verdadeira saga dos cavalos de corrida, seu ciclo de vida, de vitórias e final de carreira. Na peça apresentada na exposição, os volumes conjugam a tensão e o furor da competição com a exaltação da elegância e da beleza dos animais.
Por fim, o conjunto de desenhos apresentado na mostra tem qualidade e condição singular, uma vez que muitos deles prefiguram a obra escultórica que surgiria posteriormente. Três Graças (c. início déc. 1930), em uma versão de bico de pena sobre papel, é um destes exemplos. O desenho emana o frescor das aparições subconscientes, como uma primeira expressão que depois assumirá materialidade tridimensional na obra escultórica.
San Michelle (c. 1916), um retrato de São Miguel Arcanjo, é um dos destaques do núcleo. Trata-se de um desenho, inédito até então, produzido pelo artista no período de sua formação em Roma. O ensaio, realizado a partir de uma pintura de altar de autoria de Guido Reni, já prenuncia sua grande capacidade e o olhar plástico do artista. "Impressiona a habilidade da transcrição fiel da pintura e sua capacidade de, apenas com o uso do crayon, conseguir dar o modelado dos relevos e das depressões dos corpos, mantendo uma tensão e dinamismo da cena", afirma Daisy.
O artista
Victor Brecheret nasceu em 15 de dezembro de 1894 em Farnese di Castro, na Itália, chegando ainda menino a São Paulo, cidade que adotou como sua. Quando jovem, frequentou aulas no Liceu de Artes e Ofícios de São Paulo. Aos 19 anos de idade, partiu para Roma, entrando em contato com as vanguardas artísticas das décadas de 1910 e 1920. Foi discípulo de Arturo Dazzi, que ofereceu a ele formação técnica do modelado e dos princípios de anatomia humana e animal. Ainda no período em que esteve em solo italiano, foi influenciado por escultores pós-Auguste Rodin, como Ivan Meštrović e Émile-Antoine Bourdelle.
Pouco depois de retornar ao Brasil, ao fim da Primeira Guerra Mundial, foi descoberto por jovens futuristas, sedentos de modernidade da arte e da cultura. Di Cavalcanti, Oswald de Andrade e Menotti Del Picchia ficaram encantados com a modernidade de suas esculturas. Ao lado de Anita Malfatti, Brecheret passou a ser considerado o precursor do Modernismo no Brasil e do pensamento vanguardista que culminou na Semana de Arte Moderna de 1922, com a exposição de 20 esculturas no saguão e nos corredores do Teatro Municipal de São Paulo.
Em 1921, o artista recebeu uma bolsa do Pensionato Artístico do Governo Paulista e partiu para Paris, em um sonho, para se aprimorar tecnicamente para realizar o Monumento às Bandeiras - concebido no ano anterior, apresentado até então somente em maquete. No período em que esteve na Europa, o artista recebeu a mais alta condecoração da República Francesa, o título de Cavaleiro da Legião de Honra da França. A designação o colocou entre os mais importantes escultores modernos e vanguardistas da época, principalmente aos olhos dos artistas e intelectuais brasileiros.
A encomenda da execução do Monumento às Bandeiras pelo Governo do Estado de São Paulo veio apenas em 1936, após a derrota paulista diante da Revolução Constitucionalista de 1932. O monumento exaltava um sentimento de orgulho perante o Estado e as expedições bandeirantes. O artista dedicou-se à realização desse projeto por quase 20 anos, sendo considerada sua maior obra, a qual foi finalizada em 1953, tornando-se um dos ícones da cidade.
Em 1951, o artista foi premiado como o melhor escultor nacional na I Bienal do Museu de Arte Moderna de São Paulo. Brecheret faleceu na cidade de São Paulo, em 17 de dezembro de 1955.
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Serviço
Brecheret: Encantamento e ForçaVernissage: 8 de junho, das 19h às 22hPeríodo de exposição: de 8 de junho a 10 de julhoDe segunda a sexta das 10h às 18h, sábado das 10h às 13h
Dan Galeria
Rua Estados Unidos, 1638. Jardim Paulista
Telefone: (11) 3083-4600

Informações para a imprensa:
A4&Holofote
+55 (11) 3897-4122
Cristiane Nascimento - cristianenascimento@a4eholofote.com.brNeila Carvalho – neilacarvalho@a4eholofote.com.br


terça-feira, 6 de junho de 2017

Vicente do Rego Monteiro - Nem Tabu, nem Totem

Existem ocasiões que me sinto privilegiado, conhecer ou rever obras dos grandes mestres das nossas artes plásticas me embevece, pois me lembra que tivemos artistas que exerciam seu mister com maestria e rigor técnico, coisas que hoje em dia são raras ou que não mais existem.

Esta mostra de Vicente do Rego Monteiro é um dessas, que embora pequena, tem obras expressivas de sua produção, inconfundíveis em sua estética com seus traços que são também sua assinatura.

Mais um magnífico evento proporcionado pela galeria Almeida e Dale com curadoria de Denise Mattar, um passeio inesquecível.






Brasiliana nº 8 para Dois Pianos - Choro - Arthur Moreira Lima - Radamés Gnattali






















Galeria Almeida e Dale recebe exposição Vicente do Rego Monteiro - Nem Tabu, nem Totem

Vicente do Rego Monteiro | O vendedor de esteiras | Óleo sobre tela | 50 x 65 cm | Coleção Particullar

“Quero que o meu poema não seja nem tabu, nem totem”
Vicente do Rego Monteiro

O pintor e poeta pernambucano Vicente do Rego Monteiro foi um artista singular, cuja instável personalidade marcou sua produção e também a relação com seus pares e com intelectuais da primeira metade do século XX. Colheu como fruto desse perene desassossego ser lembrado e esquecido, estar presente e ausente. A exposição Vicente do Rego Monteiro - Nem Tabu, nem Totem, que a Galeria Almeida e Dale recebe a partir de 3 de junho, apresenta ao público paulistano um recorte com os principais momentos dessa figura instigante, muitas vezes preterida, apesar de ter sido um dos precursores dos ideais da Semana de 22.
A exposição, que tem curadoria de Denise Mattar, reúne 38 obras do artista, mesclando trabalhos de diferentes períodos agrupados por analogia de linguagem, pondo em relevo a excepcionalidade do artista. O recorte foca em sua produção plástica das décadas de 1920 a 1940, apresentando trabalhos da série "Lendas Amazônicas", um conjunto de obras art déco, a breve influência surrealista, as naturezas mortas perspectivadas, além do seu interesse pela arte sacra.
Participante da Semana de 22, Rego Monteiro, estava muito à frente dos modernistas brasileiros. Já no início dos anos 1920, sua temática era povoada pelas lendas indígenas e pelo sagrado. A exposição que chega à galeria paulistana traz dessa época as aquarelas A rede do amor culpado (Bailado na Lua), Composição indígena e Sem título, que em 1921 integraram uma mostra realizada no Teatro Trianon - na época muito bem recebida pela crítica.
"Vicente do Rego Monteiro queria ser escultor, mas foi como pintor que impregnou sua obra de intensa expressão tátil. Produziu um surpreendente indianismo de vanguarda, mas nunca foi um 'antropófago'. Criou um caminho inteiramente original na pintura, miscigenando o art déco e a cerâmica marajoara, mas nele enveredou para uma religiosidade cristã", destaca Denise Mattar.
A curadora explica que o verso que dá nome à mostra é parte de um soneto, Meu Poema, de autoria do próprio Rego Monteiro. "O título da mostra exprime com precisão a desconcertante personalidade do artista, que, durante toda a sua vida, alternou longos períodos entre o Sena e o Capibaribe, entre as artes plásticas e a poesia, entre a criação e a edição", afirma.
Ainda em meados da década de 1920, morando em Paris, Rego Monteiro desenvolve uma técnica, inteiramente pessoal, reportada às estilizações formais do art déco, num clima mítico, místico e metafísico, passando a integrar o importante grupo L’Effort Moderne. A produção desse período é considerada a melhor fase do pintor. Seus trabalhos da época ganharam destaque pelo caráter escultórico de sua pintura. Os óleos sobre tela Fuga para o Egito e Atirador de arco são algumas das obras primas desse momento.
Na segunda metade da década, Rego Monteiro casa-se com a francesa Marcelle Louis Villard, que herda os bens de seu primeiro marido. Deslumbrado diante de uma nova situação econômica, o artista passa a viver uma vida frenética. Nesta época, alguns de seus trabalhos ganham certa influência surrealista, tais como Arlequim e o Bandolim e Moderna degolação de São João Batista.
Em 1928, Rego Monteiro é convidado por Oswald de Andrade a integrar o movimento Antropófago. O artista não apenas recusa o convite, como também se sente insultado, por se considerar um pioneiro da antropofagia – questão que suscita opiniões diversas pela crítica até hoje. Para o crítico literário Jorge Schwartz, por exemplo, o fato de Rego Monteiro ter sido pioneiro na introdução do indianismo de vanguarda não o torna um antropófago, nos moldes formulados pelo poeta paulista no final da década.
“O movimento oswaldiano não pode ser dissociado de uma proposta revolucionária e utópica. O indianismo de Rego Monteiro não ultrapassa os limites estéticos e até decorativos que imprime a sua extraordinária obra”, afirma o autor em Fervor das Vanguardas.
Após a quebra da bolsa de Nova York, em outubro de 1929, a vida artística parisiense é afetada e Rego Monteiro inicia uma década de pouca produção pictórica. Em 1933, retorna ao Brasil e, pouco tempo depois, passa a dirigir a revista monarquista e nacionalista Fronteiras, onde escreve artigos e realiza uma série de ilustrações e fotografias. A postura conservadora da publicação contribui para o isolamento do artista. Exemplo disso foi a proposta de queima em praça pública de Casa Grande e Senzala, de Gilberto Freyre, seu amigo na juventude.
Em 1942, Rego Monteiro retoma, em pintura, alguns temas nordestinos que desenhara na década anterior. A tela O vendedor de esteiras data deste período. Na mesma época, o artista passou a retratar uma série de naturezas-mortas, da qual figuram Natureza morta e Tulipas. Ainda nesse período, ele pinta algumas obras com princípios figurativistas dos anos 20, a exemplo de Mulher com violoncelo.
De volta a Paris, o artista funda, em 1947, a La Presse à Brass, editora particular que se transformou em símbolo de sua dedicação à poesia e à cultura francesa. Durante esse período de 10 anos Rego Monteiro publica 13 livros de sua autoria, mas sua produção plástica é pequena. Em 1960, recebeu um dos mais importantes prêmios literários da França, o Prix Guillaume Apollinaire.
Rego Monteiro volta ao Brasil em meados de 1950 e a partir daí dedica-se intensamente à pintura. Na década de 1960, retoma os temas regionalistas e as naturezas-mortas desenvolvidos em 1940.
Em 1970, Rego Monteiro figura na 8ª edição da exposição Resumo JB, evento prestigiadíssimo na época, que elegia os mais destacados artistas do ano. Preparando sua ida ao Rio, para a abertura da mostra, ele sofre um enfarte, falecendo a 5 de junho, no Recife.
“Confirmando a incoerência que permeou toda a vida de Vicente do Rego Monteiro, foi exatamente quando sua obra entrou em declínio que ele recebeu o reconhecimento que tanto buscou. Rego Monteiro foi uma personalidade fascinante e incoerente - nem tabu, nem totem”, afirma Denise Mattar.
A exposição reúne ainda seis obras de Fedora e Joaquim do Rego Monteiro, irmãos de Vicente, sempre referidos nas biografias do artista, mas raramente apresentadas em exposições fora do Recife. Fedora foi a primeira mulher brasileira a participar do Salon des Indépendants, em Paris. A artista teve uma produção constante, sempre observada pela crítica francesa, até seu retorno ao Recife e o casamento com o político e jornalista Aníbal Fernandes. Dedicada à família a partir daí, a artista só voltou à sua obra 13 anos depois, pintando, então, com assiduidade, até o seu falecimento em 1975.
Já Joaquim do Rego Monteiro desenvolveu um interessante trabalho de raiz cubista, pleno de simultaneidades informais. As obras apresentadas na exposição são do início de sua carreira e retratam o interior e o exterior do atelier que ele e Vicente partilharam na Rue Gros, em Paris, no ano de 1923. O artista faleceu prematuramente, em 1935.
A exposição Vicente do Rego Monteiro – Nem Tabu, nem Totem insere-se dentro de uma ação institucional da Galeria Almeida e Dale que busca resgatar grandes talentos da arte brasileira, como nas mostras já apresentadas de José Antônio da Silva, Eliseu Visconti, Raimundo Cela, Ernesto de Fiori, Di Cavalcanti, Ismael Nery, Willys de Castro, Alberto da Veiga Guignard, Alfredo Volpi e Aldo Bonadei.
O início da carreira
Vicente do Rego Monteiro nasceu em 19 de dezembro de 1899, no Recife. Por influência de sua mãe, professora, todos os irmãos revelaram seus pendores artísticos: José seria arquiteto, Fedora, Vicente e Joaquim, pintores, e Débora, escritora.
Dez anos mais velha, sua irmão Fedora foi responsável pela mudança da família para Paris em 1911. Numa atitude bastante incomum para a época, sua mãe decidiu que a filha deveria continuar os estudos de artes iniciados na Escola Nacional de Belas Artes na Académie Julian, na capital francesa. Vicente a acompanhava em algumas aulas e frequentava cursos paralelos, mas o que realmente o interessou nessa primeira estadia foi a efervescência cultural da cidade.
A eclosão da I Guerra fez com que a família voltasse para o Brasil, em 1914, fixando-se no Rio de Janeiro. Em 1918, Vicente assiste no Recife às apresentações da companhia de Ana Pavlova, o que o leva a pensar na criação de um bailado inspirado nas lendas indígenas brasileiras. Ele dedica-se então a estudar as lendas amazônicas, e o faz com seriedade.
Em 1920, Vicente apresenta um conjunto de 43 obras na Livraria Moderna, em São Paulo, onde conhece Anita Malfatti, Brecheret e Di Cavalcanti. A mostra segue para a Associação dos Empregados do Comércio, no Rio de Janeiro, e depois é apresentada, com 31 obras, na mesma entidade no Recife. De modo geral, a imprensa recebeu bem a exposição, com destaque para as críticas de Monteiro Lobato e Ribeiro Couto.
Logo após a mostra, o artista decide retornar a Paris. Foi um momento de experimentação, de procura de novos caminhos. Em 1922, participou, por acaso, da Semana de Arte Moderna em São Paulo, com dez obras que ele havia deixado com Ronald de Carvalho quando partiu e que foram incluídas na mostra pelo poeta.
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Vicente do Rego Monteiro, 1970 | Foto: Edmond Dansot
Maturidade
A grande virada na obra de Vicente do Rego Monteiro ocorreu, entre 1923 e 1925, quando o artista teve a sensibilidade de conectar o estilo art déco, em plena ascensão na França, às suas raízes brasileiras e à arte marajoara. Foi também o momento no qual conseguiu transformar a pesquisa sobre as lendas amazônicas num livro e ainda realizar seu sonhado bailado, apresentando-o, em alguns dos melhores teatros de Paris, com dançarino François Malkovikz (1899-1982), sucessor de Isadora Duncan.
Nas décadas seguintes, o artista se divide entre Paris e Recife, em longos períodos intercalados, ora se dedicando com afinco à pintura, ora à poesia e à produção editorial.
Em 1966, é contratado para lecionar no Instituto Central de Artes da Universidade de Brasília, onde assume a direção da Gráfica Piloto. No bojo dos movimentos políticos de 1968, o ateliê de Monteiro no campus da UnB é invadido e algumas de suas obras são destruídas por estudantes extremistas.
Além de estar presente nos principais acervos museológicos do Brasil Rego Monteiro é o artista moderno brasileiro mais bem representado na França, com importantes obras no Museu Nacional de Arte Moderna- Centro Georges Pompidou, Paris, Museu de Arte Moderna de la Ville de Paris, Museu Géo-Charles, Echirolles e Museu de Grenoble.
Em outubro deste ano, o Centro Pompidou apresentará uma importante exposição retrospectiva de Paulo Brüscky, que incluirá na sua exposição dois trabalhos de Rego Monteiro que integram o acervo da instituição francesa. Grande admirador do artista, Brüscky realizou extensa pesquisa documental sobre ele - material que estará presente no Pompidou -, e publicou em 2004, no Recife, um livro reunindo toda a obra poética do artista pernambucano.
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Vicente do Rego Monteiro - Nem Tabu, nem TotemVernissage: 3 de junho (sábado), das 11h às 14hPeríodo de exposição: de 5 de junho a 29 de julhoDe segunda a sexta, das 10h às 18h; sábado, das 10h às 14h
Galeria Almeida e DaleR. Caconde, 152 - Jardim Paulista, São Paulo – SP
Tel.: 11 3887-7130
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