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quarta-feira, 5 de outubro de 2011

facebook e o mal entendido

Sempre fico maravilhado com o poder de rastilho da internet, mas agora com o advento do Facebook isto se tornou uma progressão geométrica, muito poderosa, tanto para o bem quanto para o mal.

Cansei de ver "correntes" dizendo para termos cuidados com pedófilos, atentarmos para pessoas perdidas, pirâmides, conspirações, até do fb, e campanhas pontuais que não seriam nada mais do que lendas urbanas.

Pois bem, nesta semana da criança, criou-se e imagino que não foi geração espontânea, um movimento para que cada um dos associados trocassem suas fotos de perfil por um dos seus heróis de infância, sejam dos cartuns ou dos quadrinhos.

Claro que não fiz isso, mas citei que se fosse escolher algum "herói", seriam os personagens do Henfil, do Jaguar ou do Millor, e até publiquei duas charges no meu mural do fb, que com certa vergonha confesso que tenho.

E não é que houve uma reação dizendo que a semana da criança deveria ter um caráter mais pueril, declarando que aquilo seria uma forma de protesto?

Só se fosse o protesto, ou declaração de ter vivido numa época em que haviam heróis verdadeiros, que com seu humor conseguiam transmitir a necessária indignação que formou a consciência que ajudou a mudar o Brasil.

Tenho uma história com meu pai, sempre em minhas lembranças, de que quando estávamos em algum lugar de São Paulo, ele foi abordado por dois representantes da TFP que queriam lhe oferecer um exemplar de algum manifesto; pois bem, qual foi sua reação?

Perguntou ao jovem:- " Tem o Pasquim?" - E a resposta indignada do cruzado foi:- " Não somos porcos, lidamos com coisas sérias!". Essa sim foi a grande demonstração de reação ao fanatismo, nos mostrando que havia muito mais do que a devoção religiosa, política ou educacional; havia um mundo pleno de beleza, boas intenções, com uma estética diferente daquelas que os cânones queriam nos impor.

Era grande a ansiedade da espera, às sextas feiras, quando Seu Sérgio vinha com o nosso exemplar do Pasquim, que só era vendido nas bancas; as charges dos mestres, além de divertidas, abriram toda a realidade do país de então.


Para completar o comentário, ou desabafo, uma música que seria manjada se fosse com Elis, sigam com Beth Carvalho.



O bêbado e o equilibrista - Beth Carvalho