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quarta-feira, 12 de março de 2014

Lorenzato, a grandeza da modéstia

Belíssima exposição na Galeria Estação onde estão apresentadas várias obras deste artista pouco conhecido aqui em São Paulo. Além da montagem, o espaço nos brinda também com um catálogo excepcional da mostra, isso tudo sem nenhum patrocínio.

As pinturas mostradas, embora possam parecer ingênuas, passam longe da estética naiif, pois o artista, apesar de ter começado sua carreira como auto-didata, teve instrução e conviveu com obras de várias escolas europeias de arte.

A falta do uso das perspectivas não nos priva da sensação espacial das cenas, já que com o uso de "pentes" sobre as tintas e bases o artista consegue dar volume às telas.




Evocação das Montanhas - Milton Nascimento

Abaixo das imagens, o "press-release", fornecidos pela assessoria de imprensa do evento.













Lorenzato, a grandeza da modéstia

NA GALERIA ESTAÇÃO

Abertura: 11 de março, às 19h - Até 11 de maio de 2014


Em 2014, quando completa 10 anos, a Galeria Estação insiste na busca contínua de apontar como a produção de raiz brasileira se insere na narrativa contemporânea. O espaço paulistano dá inicio às comemorações com a inédita exposição de telas do artista mineiro Amadeu Luciano Lorenzato (Belo Horizonte, 1900 – Belo Horizonte, 1995). Com curadoria do professor Laymert Garcia dos Santos, a mostra traz 36 obras garimpadas em leilões e coleções particulares pela galerista Vilma Eid. Durante a abertura ocorrerá o lançamento em São Paulo do livro “Lorenzato”, de Maria Angélica Melendi (191 pgs, R$45,00).

Ainda pouco conhecida do público paulistano, a pintura de Lorenzato é produto de uma técnica muito própria, de difícil definição e resultado arrebatador. Para o curador, durante décadas, ele foi considerado um artista regional, um naif, ou um primitivo, muito embora não se reconhecesse como tal e preferisse se auto-qualificar como atual. "Talvez sua obra tenha sido vista nesses registros porque Lorenzato era autodidata, não se incluía em nenhum ismo, inexistia para o mercado de arte brasileiro e não reivindicava nenhuma escola ou tradição", afirma Laymert. O fato de ser pobre e de ter exercido diversos ofícios pouco nobres, sobretudo o de pintor de parede, potencializavam a sua marginalidade. "No entanto, o homem e a obra não se conformam aos clichês. pois na modéstia de sua vida e no compromisso de sua arte reside a grandeza”, ressalta o curador.

Suas elaboradas figurações exploram temas e alegorias que vão dos retratos às paisagens – o céu, o campo, a cidade, as árvores -, revelando apuro na combinação de cores e uma síntese na articulação dos elementos pelo pincel. Segundo o professor, outra marca de Lorenzato está no acabamento de suas pinturas, com o uso do pente sobre a tela, nunca de forma uniforme ou repetitiva, sempre trazendo movimento e textura às obras. O escultor Amílcar de Castro, que estimava o trabalho do artista, costumava dizer que, além de pintar muito bem, Lorenzato penteava a pintura. O ato de trabalhar com o pente "provoca movimento e vibração ao todo e às partes, bem como ao fundo e às figuras". O resultado é uma  variedade de céus povoando as telas. "Neles o ar circula, ora levando-os para longe, para o fundo, criando distância, ora interpondo-se entre os diversos planos de montanhas”, completa Laymert.

Sobre o artista:
Amadeo Luciano Lorenzato (Belo Horizonte, 1900 – Belo Horizonte, 1995) foi pintor de paredes, pedreiro e artista plástico. Filho de imigrantes italianos, foi educado na capital mineira e tornou-se pintor de parede. Com a epidemia da gripe espanhola que castigou a capital nos anos 20, a família de Lorenzato retornou à Itália onde o jovem frequentou a primeira escola especializada, a Real Academia de Arte, de Vicenza. Foi durante este período que o jovem artista conheceu e se encantou pela obra dos mestres do primeiro Renascimento.

Em Roma conheceu o caricaturista holandês Cornelius Keesman, com quem viajou pela Europa passando pela Bélgica e França, onde expandiu seu interesse e conhecimento sobre arte. Em 1948, voltou ao Brasil com a mulher e o filho e se instalou em Petrópolis, onde trabalhou como pintor. A partir de 1950, Lorenzato passa a viver e trabalhar em Belo Horizonte, na construção civil. Exerceu o ofício até 1956, quando teve uma perna fraturada em um acidente de trabalho. A partir daí, passou a se dedicar à pintura artística, que exercitou até a morte, em 1995. Realizou diversas exposições individuais e coletivas em museus e galerias de Belo Horizonte e possui obras nos acervos da Fundação Clóvis Salgado e Museu de Arte da Pampulha.

Serviço:

Lorenzato, a grandeza da modéstia
Curador: Laymert Garcia dos Santos
Abertura: 11 de março, às 19h (convidados)
Período da exposição de 11 de março à 11  de maio 2014, de segunda a sexta, das 11h às 19h, sábados das 11h às 15h - entrada franca.

Galeria Estação
Rua Ferreira de Araújo, 625 – Pinheiros SP

Fone: 11.3813-7253

4 comentários:

  1. Adorei! Me lembra infância e tocou meu coração. As cores são lindas!

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    1. Oi Ana Lúcia, é realmente emocionante. Sem saber escolhi uma música que tem tudo a ver com as obras. Bjs.

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  2. Sempre é possível ver algumas de suas em leilões de Belo Horizonte. Ele tem um público fiel por aqui. Seus trabalhos são de uma complexa ingenuidade.
    Bela dica!
    Grande abraço!

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  3. Olá José.
    É sempre muito bom receber seus comentários aqui, e com esse, você me mostrou a perfeita definição dos trabalhos desse artista. Uma complexa ingenuidade.
    Mais uma vez, obrigado pela visita.

    Abraços,

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