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quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Chaplin e a sua imagem

O maior cineasta de todos os tempos? Foi um mestre no cinema mudo e passou incólume pela transformação do cinema falado. Fez filmes eternos que nunca serão esquecidos, numa época que só havia a película cinematográfica; sem auxílio de computadores, as cenas eram todas filmadas na "raça", com todos os possíveis riscos aos atores.

Foi também o criador do cinema independente, quando fundou com seus colegas a United Artists, onde tomou as rédeas de seu processo criativo.

Sua longeva carreira teve a tentativa de mácula pela meritocracia americana que por suas idéias esquerdistas, o obrigou ao exílio. Chaplin preservou seu carisma e história, diferente de outros artistas que foram condenados ao ostracismo, mesmo sendo talentosos e produtivos. Incrível como os "crimes" de consciência ainda persistem nos dias de hoje e sempre.

Chaplin mereceu uma cinebiografia, um grande filme que foi o ápice da carreira de Robert Downey Jr., em que podemos ter uma grande visão sua vida, carreira e intimidade.

Em mais uma magnífica instalação o Instituto Tomie Ohtake nos brinda com momentos de sonho e magia, com imagens e cenas de sua carreira, fazendo com que tenhamos vontade de rever ou conhecer suas obras que são imortais.

Além de um grande contador de histórias, era também um grande compositor, com músicas eternas que até hoje são clássicos, estando no nosso imaginário, mesmo dos mais jovens, que não tem ideia de que Smille e Luzes da Ribalta, entre outras, são de sua autoria.

Pelo ecletismo e excelência das mostras, o Instituto Tomie Ohtake virá a ser, se já não o é, um dos mais importantes centros culturais e de cidadania do país. Que continue assim.

Diferente de outras matérias, este post vai com duas de suas músicas .


Abaixo das imagens, o "press-release" fornecidos pela assessoria de imprensa do evento.





Smile - Nat King Cole




Luzes da Ribalta








Chaplin e a sua imagem

Abertura: 19 de outubro, às 20h – até 27 de novembro de 2011

Chega ao Brasil pelo Instituto Tomie Ohtake a primeira grande exposição concebida a partir dos arquivos da família Chaplin que conta a história de Charles Chaplin - ator e figura pública – confrontando o homem e a sua imagem, ao mostrar como foi criado o mito. Com curadoria de Sam Stourdzé e organizada com o apoio da Chaplin Association, juntamente com a Cineteca del Comune di Bologna – projetto Chaplin, e MK2, a mostra Chaplin e a sua imagem já foi exibida em alguns países europeus, nos Estados Unidos e no México.

A exposição


· uma profusão de filmes e material de documentário


O arquivo fotográfico dos Estúdios Chaplin

A exposição apresenta mais de 200 fotografias, que compreendem stills da produção e fotografias de estúdio - de forma muito original. As fotografias são cercadas e acompanhadas de uma série de pequenas gravuras modernas que se desdobram como sequências cinematográficas. Os múltiplos níveis de interpretação daí resultantes sugerem montagens que acabam por contextualizar as diversas facetas de Charles Chaplin.


O Álbum de Keystone

Em exposição inédita ao público, o Álbum de Keystone, em homenagem ao primeiro estúdio em que Chaplin trabalhou, é um objeto único e original. Cada uma das chapas é composta de fotogramas acompanhados por textos manuscritos que remetem às histórias dos primeiros 35 curtas em que Chaplin atuou, em 1914. Testemunha-se com este material o desenvolvimento gradual do personagem Carlitos, de um Chaplin que contava 25 anos incompletos.


Trechos dos filmes

No intuito de estabelecer um diálogo real entre imagem fixa e em movimento, quinze telas e oito projeções apresentam itens selecionados da obra de Chaplin como trechos ou montagens que se contrapõem às fotografias. Entre eles:

- Um “making of” em cores filmado no final da década de 1930 pelo irmão de Chaplin, Sydney, durante as filmagens de O Grande Ditador.

- Uma tomada com mais de oito minutos de duração de Luzes da Cidade, em que Charles, somente com um pequeno pedaço de madeira, dá uma demonstração maravilhosa de quantos elementos cômicos podem ser extraídos de uma situação simples.

- O filme How To Make Movies, de 1918 e jamais exibido na época, que mostra um pouco dos bastidores dos Estúdios de Chaplin.

- Filmes caseiros em cores, produzidos em 8 mm, onde se vê um Chaplin já grisalho, cercado por seus filhos e reencenando as peripécias que o tornaram famoso.


Obras de artistas

O Vagabundo tornou-se um ícone para os movimentos artísticos que eclodiram nos anos 10 e 20 para abalar as estruturas da antiga cidadela das artes. Incorporando as principais preocupações dos movimentos vanguardistas, Chaplin nutria verdadeira fascinação por artistas como Fernand Léger. A exposição mostra como Fernand Léger apropriou-se da imagem de Carlitos.


Cartazes de coleção

O cartaz é um meio de comunicação cujo impacto depende da clareza e do efeito imediato produzido por sua mensagem. Na mostra, cartazes originais retratam a evolução da imagem de Carlitos desde o nascimento até a morte do personagem.

· Quatro principais temas se destacam a partir dos filmes e outros materiais que compõem a exposição:


A criação de Carlitos

As fotografias e trechos de filmes nos permitem reconstruir a formação gradativa e consolidação do personagem Carlitos. Carlitos não foi sempre o vagabundo triste, solitário e extremamente humano, tão profundamente enraizado na memória coletiva. Pelo contrário, o Carlitos pela primeira vez exibido na tela, em 1914, revelava uma figura trapaceira, estúpida e antipática, com grande inclinação pela mulher do vizinho, que aplicava golpes em seus próprios comparsas, truques sujos em geral, além de pontapés dissimulados, sempre e onde quer que pudesse fazê-lo. O personagem não seria diferente até a produção do longa The Kid (O Garoto, 1921).


Chaplin como cineasta

De volta a uma locação, retomando a construção de uma cena, desnudando a mecânica de uma peripécia ou a coreografia de um movimento: são esses os detalhes que nos permitem vislumbrar a preocupação de Chaplin em fazer as coisas do jeito certo. Chaplin foi universalmente aclamado como um ator, mas por trás da figura central de Carlitos, se encontra a de um grande cineasta.


Da fama ao exílio

No auge da glória, Chaplin optou pelo engajamento, e da década de 1930 em diante, seus filmes foram notadamente marcados por elementos de crítica social. Seria este o marco de seu lento processo de divórcio com relação ao público. Em 1952, no navio que o levava para a Inglaterra, Chaplin foi informado de que seu visto americano não seria renovado. Ele passaria então a viver na Suíça com Oona, sua última esposa, e seus oito filhos.


Fala Chaplin, morre Carlitos

Chaplin adiou a data fatídica o máximo que pôde. Em Luzes da Cidade (1931), seguiu alegremente protagonizando um personagem cujo mundo era mudo. Ao final de Tempos Modernos (1936), se vê Carlitos, agora pronto para fazer-se ouvir, lançar-se em uma canção cuja letra havia esquecido: o público descobre sua voz sem entender uma única palavra. Finalmente, decidindo, em 1940, encarar abertamente um assunto sério, permite que Carlitos fale, no que seria o último papel do personagem. E o discurso tanto tempo reprimido é entregue a toda a humanidade, na forma de uma mensagem de paz e esperança.


Charles Chaplin – breve histórico

Charles Chaplin nasceu em Londres, a 16 de abril de 1889. Morreu em Vevey, na Suíça, em 25 de Dezembro de 1977. Aos vinte anos, partiu com o grupo teatral de Fred Karno para os Estados Unidos, onde chamou a atenção de Mack Sennett, diretor da Keystone Studios. Seu primeiro curta, Making a Living, data de 1914 e foi no segundo, Kid Auto Races in Venice, que Carlitos, o Vagabundo fez sua primeira aparição. Entre 1914 e 1923, Chaplin fez mais de 70 curtas-metragens. Depois de concluir The Gold Rush (A Corrida do Ouro), em 1925 - neste ano, o filme completa seu 80º aniversário - Chaplin começou a diminuir sua produção e a se concentrar em filmes de longa-metragem. Entre 1925 e 1967, fez oito filmes, entre eles The Circus (O Circo, 1928), City Lights (Luzes da Cidade, 1931), Modern Times (Tempos Modernos, 1936), The Great Dictator (O Grande Ditador, 1940) e Limelight (Luzes da Ribalta, 1952). A princípio um ator, Chaplin transformou-se em uma “banda de um homem só”, passando a dirigir e produzir seus filmes, além de compor a trilha sonora para eles.


Exposição: Chaplin e a sua imagem

Abertura convidados: 19 de outubro, às 20h

Até 27 de novembro de 2011, de terça a domingo, das 11h às 20h – entrada franca

Instituto Tomie Ohtake

Av. Faria Lima, 201 (Entrada pela Rua Coropés) - Pinheiros SP Fone: 11.2245-1900

Informações à Imprensa

Marcy Junqueira – Pool de Comunicação

Contato: Martim Pelisson / Fone: 11.3032-1599

marcy@pooldecomunicacao.com.br / martim@pooldecomunicacao.com.br

terça-feira, 20 de setembro de 2011

Extremos: fotografias na coleção da Maison Européene de la Photographie – Paris

Faz muito tempo que São Paulo não é brindada com um exposição de fotos dessa magnitude.

Espetacular, é a única definição que posso dar, pois temos oportunidade de ver reunidas, se não numa mostra original, obras de artistas ícones no mister da fotografia, alguns já incensados no panteão dos mestres.

Com fotos posadas ou instantâneos de situações reais e momentâneas, mostram o ser humano no seu melhor e no seu pior momento, nos extremos da angustia, desesperança, do dissabor, mas também em seu extremo de beleza e bem estar.

As fotos contém toda carga emocional do momento, magistralmente captadas pelos artistas. Momentos que transcendem uma época, se eternizando.

Vemos algumas fotos que expõem o extremo final, a morte, ou de seus diversos instrumentos.

Reparei que só há uma única foto do primeiro extremo, o nascimento, pensei que os curadores só imaginam o fim como o único extremo, ou a explosão de sexualidade e a perfeita forma física.
Acho que também deveriam lembrar que a perfeita forma intelectual é o apogeu, ou o "extremo" de qualquer ser pensante.

Abaixo das imagens, o "press-release" fornecidos pela assessoria de imprensa do IMS.




Baião Malandro - Egberto Gismonte


Sprays químicos protegem este bombeiro da alta temperatura das chamas. Campo petrolífero Greater Burhan, Kuwait, 1991.

Sebastião Salgado © Sebastião Salgado/ Amazonas imagens



Sue, Debbie, Berlim, 1993

25/34 Photographes © Ralf Marsault/ Heino Müller



Da série Surfistas de trem, Rio de Janeiro, 1990

Rogério Reis © Rogério Reis



Da série O Invisível, 1976

Claudia Andujar © Claudia Andujar



Da série The Last Resort, New Brighton, 1983-1985

Martin Parr © Martin Parr/ Magnum/ Latinstock



Estética do limite é abordada em exposição de fotografias no Instituto Moreira Salles de São Paulo

Mostra reúne imagens de importantes fotógrafos brasileiros e internacionais da coleção da Maison Européene de La Photographie, de Paris


O Instituto Moreira Salles, em parceria com a MEP - Paris, abre no dia 20 de setembro, às 19h30, a exposição Extremos: fotografias na coleção da Maison Européene de la Photographie – Paris. Com curadoria de Milton Guran, coordenador do FotoRio, e de Jean-Luc Monterosso, diretor da MEP, e com a colaboração de Sergio Burgi, coordenador de fotografia do IMS, a mostra reúne 100 imagens que representam situações extremas da história, das sociedades, dos indivíduos e dos costumes ao longo dos últimos 65 anos, todas registradas pelas lentes de grandes nomes da fotografia mundial.

Na exposição, serão exibidas fotografias que, em seu tempo e a seu modo, tornaram-se ícones de situações extremas ao registrar o belo, o transcendente, entre outros temas que marcam a contemporaneidade. “Nossa época, que ama todos os tipos de excesso, a desmedida, o moralmente inadmissível, o horror, parece ter esgotado todos os recursos da emoção e do desejo de ver. Por meio dessa coleção, temos diante de nós não um espetáculo do pior, mas uma antologia do extremo, uma estética que só o pêndulo da história poderia, num ou noutro momento, representar”, explicam os curadores.

Deve-se ressaltar que, no período delimitado pelos trabalhos reunidos nesta exposição, ocorreram transformações radicais no âmbito da cultura e da comunicação, o que alterou a percepção que temos hoje do mundo e, consequentemente, da fotografia. “É nesse contexto de permanente transformação da fotografia que esta exposição deve ser apreciada, tanto por aquilo que traz de icônico e emblemático, quanto, por outro lado, pelo que eventualmente revela como fugaz e transitório, em função da própria dinâmica da vida, dos costumes e das culturas”, explica Sergio Burgi.

A exposição Extremos: fotografias na coleção da Maison Européene de la Photographie – Paris foi organizada a partir do acervo da MEP (que possui uma coleção de mais de 25 mil fotografias originais) e exposta durante o Mois de la Photo (Mês da Foto) de 2010, em Paris. A mostra ficou em cartaz no centro cultural do IMS no Rio de Janeiro de junho a agosto deste ano.

Veja a lista completa de fotógrafos que compõem a exposição (ordem alfabética): 25/34 Photographes, Alberto Ferreira, Andres Serrano, Ansel Adams, Bernard-Pierre Wolff, Bettina Rheims, Bill Brandt, Bruce Davidson, Claude Alexandre, Claudia Andujar, Claudia Jaguaribe, Christine Spengler, David Nebreda, Diane Arbus, Don McCullin, Duane Michals, Edward Weston, Elliott Erwitt, Emmet Gowin, Fouad Elkoury, Gabriele Basilico, George Dureau, George Robert Caron, Helmut Newton, Henri Cartier-Bresson, Irving Penn, Jean Depara, Jean-Philippe Charbonnier, Jeanloup Sieff, Joel-Peter Witkin, Larry Clark, Manuel Álvarez Bravo, Marc Riboud, Martial Cherrier, Martin Parr, Miguel Rio Branco, Neil Armstrong, Oumar Ly, Pierre et Gilles, Pierre Molinier, Pierre Verger, Raphaël Dallaporta, Raymond Depardon, Richard Avedon, Robert Frank, Robert Mapplethorpe, Rodrigo Braga, Roger F. Ballen, Rogério Reis, Sebastião Salgado, Seymour Jacobs, Shomei Tomatsu, Tony Ray-Jones, Touhami Ennadre, Valérie Belin, Vik Muniz.

Extremos: fotografias na coleção da Maison Européene de La Photographie – Paris

184 pp.

21 x 26 cm

ISBN 978-85-86707-69-8

R$75,00

Exposição Extremos: fotografias na coleção da Maison Européene de La Photographie – Paris

Vernissage: 20 de setembro de 2011, às 19h30

Exposição: de 21 de setembro a 27 de novembro de 2011

Horário de visitação: de terça a sexta-feira, das 13h às 19h

Sábados e domingos, das 13h às 18h

Entrada franca.

Classificação: 14 anos

Instituto Moreira Salles - São Paulo

Rua Piauí, 844, 1° andar, Higienópolis.

Tel.: (11) 3825-2560

Nathalia Pazini
Instituto Moreira Salles
(11) 3371-4490
www.ims.com.br

http://twitter.com/imoreirasalles

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Beuys e Bem Além – Ensinar como Arte

Demorei a escrever minhas impressões sobre esta exposição porque, sinceramente, tinha ficado sem saber o que dizer.

O mote da mostra, descrito no "press-release" abaixo das imagens, já dá a exata dimensão e seu objetivo, que é apresentar a relação entre Joseph Beuys e seus mais destacados alunos, com o contraponto, a convite dos curadores estrangeiros, de semelhante relação entre um destacado mestre brasileiro e seus pupilos, no caso Nelson Leirner.

Há nesta exposição, algumas obras de uma beleza ímpar, tanto no lado alemão, quanto no lado brasileiro, mas há também obras de tamanha vanguarda e arrojo que me fugiram, fiquei sem condições de apreciá-las plenamente.

É um passeio que vale muito a pena, pois ali temos contato com vários artistas e obras que dificilmente teremos outras oportunidades de conhecer ou rever.



Seu Tipo - Ney Matogrosso






INSTITUTO TOMIE OHTAKE

APRESENTA

Beuys e Bem Além – Ensinar como Arte

Coleção Deutsche Bank

Abertura: 12 de setembro, às 20h (convidados) – até 30 de outubro de 2011

Beuys e Bem Além – Ensinar como Arte apresenta obras em papel, diretamente do Acervo do Deutsche Bank, de autoria do influente artista alemão Joseph Beuys (1921-1986), e de seis de seus mais destacados alunos: Lothar Baumgarten (1944), Imi Knoebel (1940), Jörg Immendorff (1945 – 2007), Blinky Palermo (1945-1976), Katharina Sieverding (1944) e Norbert Tadeuz (1940). A exposição documenta a busca de Beuys, como artista e professor, durante o pós-guerra na Alemanha e demonstra a ampla gama de posturas, técnicas e meios que incentivou seus alunos a explorar.

Este projeto, que comemora os 100 anos da presença do Deutsche Bank no Brasil, foi idealizado pelos curadores da Coleção, Friedhelm Hütte, Liz Christensen e Christina März, e se completa ao colocar ao lado do núcleo de Beuys outro artista que, assim como ele, também inovou no ensino da arte e teve papel fundamental na formação de novas gerações. Desta forma, no Brasil, a convite dos idealizadores alemães, os curadores brasileiros, Agnaldo Farias e Paulo Miyada, agregaram à exposição obras do artista e professor iconoclasta Nelson Leirner (1932), juntamente com trabalhos de sete se seus ex-alunos: Caetano de Almeida (1964), Leda Catunda (1961), Dora Longo Bahia (1961), Iran do Espírito Santo (1963), Sergio Romagnolo (1957), Edgard de Souza (1962) e Laura Vinci (1962).

Portanto a mostra traz esta seleção de trabalhos – cerca de 100 vindos da Alemanha e 50 brasileiros – sob a ótica de uma curadoria que vincula arte e educação em uma turnê que passa por seis museus latino-americanos em cinco países deste continente. Não se tem aqui o propósito de identificar uma versão latino-americana de Joseph Beuys, mas sim perceber um intercâmbio de ideias sobre pedagogia e arte, a partir do contexto histórico de cada país. A mostra parte em busca de diferenças e de bases compartilhadas na forma de experimentação e diálogo.

Na condição de artistas e professores excepcionais, cujas aulas gozavam de grande popularidade, Beuys e Leirner revelam vários pontos de intersecção, sobretudo no tocante à natureza disseminadora de seus ensinamentos, o teor político de suas obras e os seus esforços voltados à propagação da arte ao maior número possível de pessoas.

As ideias radicais de Beuys sobre ensino, bem como suas teorias acerca do elevado papel do artista na sociedade, renderam-lhe reputação como um dos artistas mais importantes e polêmicos do século XX. “Minha maior obra de arte é ser professor”, declarou Beuys em uma entrevista concedida à revista Artforum em 1977. “O restante é um produto residual, uma mera demonstração.” A frase reflete a importância por ele atribuída ao magistério, que considerava extensão de sua própria atividade artística. Beuys lecionou oficialmente na Academia de Artes de Düsseldorf de 1961 a 1972 e, de forma alternativa, em projetos realizados em parceria com a Universidad Libre Internacional (1973 - 1988), uma proposta educacional concebida juntamente com o escritor alemão Heinrich Böll (1917-1985).

Beuys descobriu na prática do ensino uma plataforma para suas ideias utópicas e provocativas sobre a “arte como capital social”, e para atuar como defensor de uma abordagem mais ampla e democrática à arte, através da qual as pessoas pudessem participar da criação de novos modelos de arte como “escultura social”. Beuys colocou em xeque as convenções acadêmicas de seu tempo, fundadas na hierarquia, declarando que qualquer um poderia matricular-se em suas aulas de arte, sem nenhum portfólio como pré-requisito, sendo então demitido da Academia com grande alarde e repercussão. Exaltou o engajamento direto da arte à vida, promovendo o ativismo político, frequentando ao mesmo tempo aulas de desenho.

A prática pedagógica de Nelson Leirner, por sua vez, também nasceu de seu engajamento político como artista e da defesa apaixonada da liberdade de expressão, fruto de sua experiência anterior da arte e da cultura anestesiadas pela linha dura do regime militar, iniciada em 1969. Naquele período, Nelson lecionava arte na Fundação Armando Álvares Penteado (FAAP) e reinventava, em conjunto com seus colegas Julio Plaza, Regina Silveira e Walter Zanini, técnicas não convencionais de treinamento de artistas.

Os métodos adotados por Leirner para minar o sistema pedagógico vigente e rejeitar seu caráter pretensioso seriam memoráveis e, muitas vezes, impiedosos: ele era capaz de tecer elogios e analisar uma obra que alunos de níveis mais avançados poderiam julgar ingênua ou mal estruturada, dar notas seguindo critérios aleatórios, a partir, por exemplo, de cartas de baralho, ou acatar auto-avaliações de alunos, ainda que eles próprios não tivessem conhecimento do motivo pelo qual haviam sido solicitados a fazê-la. Uma simples mesa sobre a qual colocasse uma folha de papel poderia tornar-se espaço de trabalho, e uma sala de aula poderia transformar-se em alguma coisa entre um palco e um púlpito. As aulas de Leirner revelavam-se verdadeiras performances, muito procuradas por alunos de todos os níveis e até mesmo por estudantes já formados, que regressavam para ouvir suas proposições e participar de discussões abertas.

Assim como Beuys, as perguntas e provocações de Leirner tinham claramente o intuito de tirar as pessoas de sua zona de conforto e de rejeitar o mercado como medida ou objetivo de suas investigações. Os alunos de ambos os professores eram, e ainda são, influenciados por esses dois referenciais que vivenciaram regimes militares e por eles foram transformados. Os atos de lançar luzes sobre áreas obscuras e incentivar os alunos a explorarem e defenderem suas próprias posições de forma pessoal, conceitual e material atestaram o comprometimento pedagógico desses dois homens. Valendo-se do poder do humor, da oposição, da mitologia e da performance/representação pessoal, os próprios Beuys e Leirner empregaram a arte como instrumento de navegação para averiguar as falácias em construções de sentido em diferentes sociedades, tendo propiciado estratégias de direcionamento individual por meio da prática educacional e criativa.

Beuys e Bem Além – Ensinar como Arte foi anteriormente exibida em Santiago do Chile, Buenos Aires, Cidade do México e Monterrey, também no México, e em Bogotá.

Exposição: Beuys e Bem Além – Ensinar como Arte

Abertura convidados: 12 de setembro, às 20h

Visitação: de 13 de setembro a 30 de outubro de 2011, de terça a domingo, das 11h às 20h – entrada franca

Instituto Tomie Ohtake

Av. Faria Lima, 201 (Entrada pela Rua Coropés) - Pinheiros SP Fone: 11.2245-1900

Informações à Imprensa

Marcy Junqueira – Pool de Comunicação

Contato: Martim Pelisson / Fone: 11.3032-1599

marcy@pooldecomunicacao.com.br / martim@pooldecomunicacao.com.br

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Forever - Dudu Santos

Neste sábado foi aberta a exposição Dudu Santos na Galeria Jaqueline Martins com obras de três fases do artista.

Ainda não conhecia nada sobre seus trabalhos, e qual não foi minha surpresa ao deparar com belíssimas telas, que não constavam do release da assessoria de imprensa.

Os quadros apresentam uma densidade ora instigante, ora inquietante, tomando nossa atenção fazendo-nos apreciá-las com vagar e atenção.

Uma coisa que me chamou a atenção foi o capricho e o entusiamo com que Jaqueline Martins desenvolve seu trabalho, pois além da magnífica instalação da mostra, nos brindou com um catálogo muito bem feito, para ser guardado e sempre consultado. A satisfação com que recebe seus convidados, mesmo aqueles que não são compradores, demonstra que mais do que uma comerciante de artes, é uma arte-educadora, uma formadora de opiniões.

Abaixo das imagens, texto de Mario Gioia de apresentação da exposição e o "press-release", fornecidos pela direção da galeria.





Tudo igual - Lulu Santos









Anárquica persistência

É uma das cenas inaugurais de Kippur - O Dia do Perdão (2000). Os amantes se envolvem com intensidade em meio ao corrimento de tintas. O entrelaçamento dos corpos pulsando na matéria das cores serve de contraponto à rigidez das composições geométricas das bandeiras, símbolos de lados opostos em um campo de batalha, o palco principal vivenciado pelos protagonistas do título. A hábil construção do diretor israelense Amos Gitai no longa, de forte tom documental e crítico, confere, assim, ao componente pictórico algo que não pode ser desligado da vida, da liberdade.

E o caráter livre norteia a carreira de Dudu Santos, na ativa desde 1961. Nos 50 anos de trajetória, talvez um dos momentos mais midiáticos se constituiu quando unia performance e pintura,em parcerias com modelos e atrizes. Tais eventos chamavam um numeroso público para a casa de dimensões amplas no Morumbi, em São Paulo, na qual um mezanino atestava a popularidade dos eventos, já que ficava repleto de observadores. A união entre o gesto do artista e os movimentos da bailarina nos faz remeter às provocativas Antropometrias da Época Azul (1960), ações do visionário Yves Klein (1928-1962) em consonância com suas modelos. A proposta de mínimas restrições de Dudu, em sintonia com os anos pós-ditadura militar, já era compreendida, por exemplo, na exposição Pinxit (1993), realizada nas galerias Dan e Mônica Filgueiras. Para a mostra, Lygia Fagundes Telles escreve: “Na ruptura com o conformismo das regras cristalizadoras, ele exige o movimento na sua instigante sucessão de imagens que se desencadeiam como num sonho. Ou delírio, mas num delírio que é tumulto e, ao mesmo tempo, ordem (...)”1.

Para a individual na galeria Jaqueline Martins, o artista ainda tem no gesto um forte procedimento de sua poética, mas a paleta parece mais escura, não solar. Aquele prazer do fazer artístico, tão em voga nos anos 80, nos quais Dudu também tinha correspondências com obras de nomes hoje mais lembrados _Jorge Guinle pode ser citado nesse grupo_ e menos incensados atulamente, mas com representatividade em coleções institucionais importantes _Adir Sodré, Ana Horta, Cláudio Fonseca, Felipe Andery, por exemplo_, persiste, mas parece ser resultante de um olhar mais crítico. Nesse sentido, as esculturas negras exibidas na mostra formam um conjunto também pouco otimista. Talvez seja o lado mais expressionista do artista impondo-se. A lembrar, Dudu foi assistente de Marcello Grassmann, outro nome de caminho à margem na arte brasileira e um dos eixos do expressionismo nacional.

Ao mesmo tempo, em produções paralelas, a não reverência do artista continua a chamar a atenção. Paradigmática nesse sentido é a série em que Dudu pinta o próprio caderno de assinaturas de sua exposição no Clube dos Artistas e Amigos da Arte, em 1961. Pelas páginas preenchidas por nomes e sobrenomes que hoje intitulam logradouros em pontos variados de São Paulo, pinceladas preenchem anteriores vazios, anarquizando o que tinha se sedimentado como um relicário de elite.

“Não existem mais fronteiras ou estilos. Tudo vale, nada vale. A história da arte foi virada de cabeça para baixo, e nesse sentido os ícones invertidos de Baselitz, Salomé, Kosuth valem como um símbolo da nova pintura. Em vôo cego, morcegante, os artistas penetram em todos os desvãos ou escaninhos da história da arte, do realismo e do simbolismo”2, escreve Frederico Morais, ao analisar a produção do começo da década de 80.

“Foi uma delícia”3, diz José Roberto Aguilar, importante artista dos interstícios entre pintura, performance e videoarte. Ele diz isso ao comparar os politizados anos 70 e sua produção na década seguinte, na importante mostra Arte como Registro, Registro como Arte: Performances na Pinacoteca de São Paulo, com apurada curadoria de Ana Paula Nascimento e Gabriel Moore Forell Bevilacqua. Tal exposição tem grande interesse por atestar que um segmento da produção da época, atualmente pouco visto e veiculado, realizado por artistas de trabalhos mais efêmeros e de difícil classificação começa a gerar estudos mais detidos do estabilishment institucional. Mesmo se atendo a obras executadas no museu paulistano, não seria absurdo construir pontes entre a produção de finas amarras de Dudu e muitos dos registros presentes na coletiva, como o de Genilson Soares, hoje também artista do elenco da Jaqueline Martins.

“Enfim, fundamentada nas ambiguidades do homem e nas tensões internas às obras, a atual produção de Dudu Santos indica a descoberta de um novo rumo e expressa o controle intelectual e o despudor anarquista de um artista que teima constantemente em renascer”4, analisa, com brilho, Miguel Chaia, para catálogo da galeria Denis Perri, em 1988. E é reconfortante perceber que, 23 anos depois, tal olhar ainda é válido.

Mario Gioia

Dudu Santos exibe pinturas, desenhos e objetos na Galeria Jaqueline Martins

Mostra “Forever”, que será inaugurada em 10 de setembro, permanece em cartaz até 11 de outubro

Comemorando 50 anos de sua primeira exposição individual, em 1961 no Clube dos Artistas e Amigos da Arte, em SP, o pintor Dudu Santos inaugura no sábado, 10 de setembro, a mostra “Forever”, na Galeria Jaqueline Martins, sua representante desde o começo de 2011. Artista reconhecido pela densidade e expressividade de sua obra, Dudu volta a realizar uma individual em São Paulo após 6 anos. A entrada é franca.

A exposição - “Forever” reúne pinturas expressionistas (acrílicas sobre tela), 20 desenhos das séries Dark, Estudos e Poeta, além de 4 objetos criados pelo artista, cuja paleta de cores traz, em geral nessa mostra, um aspecto mais denso e crítico.

“Para a individual na Galeria Jaqueline Martins, Dudu Santos tem no gesto um forte procedimento de sua poética, mas a paleta parece mais escura, não solar. Aquele prazer do fazer artístico, tão em voga nos anos 80, persiste, mas parece ser resultante de um olhar mais crítico. Nesse sentido, as esculturas negras exibidas na mostra formam um conjunto também pouco otimista. Talvez seja o lado mais expressionista do artista impondo-se”, avalia o crítico Mario Gioia em texto assinado para o catálogo da exposição.

Efeméride – Durante essas 5 décadas dedicadas à arte, Dudu Santos atuou também como marchand, em um período de 10 anos compreendido entre 1976 e 1985. Sua produção artística nesse intervalo foi menos constante, tendo sido retomada após sua saída da Grifo Galeria de Arte de São Paulo, que tornou-se um dos espaços fundamentais para a arte contemporânea no cenário nacional da época e que é um marco lembrado ainda hoje como fator constituinte do mercado de artes atual.

Sobre o trabalho de Dudu Santos assim se expressaram importantes personalidades do meio artístico brasileiro:

“Nesta fase de revolução e libertação, a obra de Dudu Santos adquire instantes de sortilégio. Magia. Na ruptura com o conformismo das regras cristalizadoras, ele exige o movimento na sua instigante sucessão de imagens que se desencadeiam como num sonho. Ou delírio, mas num delírio que é tumulto e ao mesmo tempo, ordem, a ordem que nasce da energia criadora. Nessa energia de lucidez em meio da paixão, os impulsos de luxúria, desafio e também fragilidade na repentina cegueira da dançarina que passa a ser conduzida pelo criador na sua busca sem tempo para os pinceis, Dudu Santos toma das cores e as submete com suas próprias mãos.”

LYGIA FANGUNDES TELLES

“Durante todos esses anos, Dudu Santos tem perseguido essa verdade advento, fazendo de sua história particular a história da arte brasileira, uma história que, em geral, se nutre da história da arte internacional. Sua arte é a projeção de sua história particular, dos adventos e eventos artísticos de que participou. E não foram poucos, nesses últimos trinta anos de percurso. E como a origem da obra de arte está na origem do Ser, foram muitas as mudanças, as metamorfoses, as transubstanciações do Ser e da Obra.”

ALBERTO BEUTTENMüLLER

“Não se faz sucesso impunemente. A brilhante atuação da Galeria Grifo em São Paulo (e que não é apenas de mercado, mas também de contribuição real á cultura) transformou a imagem de Dudu Santos na do marchand por excelência. Inteligente, sensível e informado, ele se tornou o mediador ideal e confiável nesses delicados terrenos em que a beleza convive com o dinheiro.”

OLIVIO TAVARES DE ARAÚJO

Dudu Santos - Iniciou os estudos de arte em 1953, com a artista húngara Kizly Piroszka. Seu talento foi moldado ainda através de estudos com nomes das Artes como Eduardo Sued, Nelson Nóbrega, Yolanda Mohaly, Marcelo Grassmann, Renina Katz e Mario Gruber.

Sua primeira mostra individual aconteceu em 1961 e suas obras estão no acervo de grandes museus e pinacotecas como o MAC - Museu de Arte Contemporânea de São Paulo, MAB - Museu de Arte Brasileira da Fundação Armando Alvares Penteado, MOA, Museum de Art - Japão. Dudu Santos fez mais vinte exposições individuais no Brasil e no exterior, participou de diversas bienais nacionais e internacionais. O artista plástico ostenta um currículo vasto e respeitável é hoje um dos principais nomes em atividade do seleto mundo das artes do Brasil.

Galeria Jaqueline Martins - Com foco na arte contemporânea e na constante pesquisa em (re) descobrir artistas que têm uma importância cultural fundamental para a cena atual da arte contemporânea, a Galeria Jaqueline Martins representa artistas como Alex Vallauri, Genilson Soares, Alzira Fragoso, Adrianna Eu, Azeite de Leos, Daniel Nogueira, Dudu Santos, Nara Amélia e Ronaldo Aguiar.

Serviço:

Exposição Forever, de Dudu Santos

Local: Galeria Jaqueline Martins

Endereço: Rua Virgilio de Carvalho Pinto, 74 – Pinheiros – São Paulo, SP

Telefone: (11) 2628 1943

Abertura para convidados: 10 de setembro, sábado a partir das 11h

Data: de 12 de setembro a 11 de outubro

Horários: de segunda a sexta das 11h30 às 19h; sábado das 11h às 17h

Entrada franca

Informações para a imprensa:

Vicente Negrão Assessoria – (11) 3060.8397/ (11) 3064.2563

Vicente Negrão – (11) 9203.0475 – vicente@vicentenegrao.com

Filipe Bezerra – (11) 8102.8116 – filipe@vicentenegrao.com